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quarta-feira, 14 de novembro de 2018 Críticas, Filmes | 13:03

Com orçamento de US$ 120 milhões e produzido pela Netflix, “Legítimo Rei” é o grande épico do cinema em 2018

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Chris Pine em cena de Legítimo Rei Fotos: divulgação

Chris Pine em cena de Legítimo Rei
Fotos: divulgação

“Legítimo Rei” poderia ser uma sequência natural de “Coração Valente” (1995), filme de Mel Gibson que é um dos maiores épicos já feitos pelo cinema. Não o é, mas começa do imediato ponto em que William Wallace, vivido por Gibson no filme premiado com cinco Oscars, é derrotado por Eduardo I na guerra travada entre Escócia e Inglaterra pela independência da primeira.

O filme de David Mackenzie acompanha Robert Bruce (Chris Pine), um dos nobres reclamantes ao trono escocês que se vê na dolorosa contingência de ter que beijar a mão de Eduardo I, aqui vivido pelo ótimo Stephen Dillane, e enterrar orgulho e esperança escoceses que haviam sido erigidos pela figura de Wallace.

É claro que Robert não conseguirá sustentar essa subserviência por muito tempo e é justamente nesse impulso desordenado por liberdade que “Legítimo Rei” se assevera um épico robusto, daqueles que o cinema produz de tempos em tempos, mas também um filme atento a sutilezas. Os comentários sobre a arquitetura do Poder, bem como sobre as renúncias que lhe são inerentes, são especialmente salutares.

A ideia de acompanhar um rei cuja legitimidade o coloca como fora da lei é sedutora e faz do percalço de Robert Bruce algo especialmente cinematográfico. O filme de Mackenzie é muito feliz na maneira como captura tanto Bruce, adensado com tristeza aguda, mas também com resiliência por Pine, mas também sua jornada e seus efeitos nos conterrâneos escoceses, apreensivos após a portentosa derrota sofrida para Eduardo I que custou o símbolo que era Wallace.

Legítimo Rei Um plano-sequência majestoso na cena inaugural demonstra todo o valor estético e narrativo de Mackenzie e entrega que este não é um filme banal sobre aquele período histórico e o final, uma explosão suja, caótica e sanguinolenta na batalha da colina Loudon, demonstra que este é um filme que se pretende um elogio da resistência, do espírito humano sobre a opressão.

A opção por fechar o filme com uma vitória, em oposição ao início que flagrava uma derrota clamorosa, atende a essa demanda ideológica de um filme que sabe ser solene sem deixar de ser profundamente íntimo. Talvez por isso haja a tão falada cena de nu frontal de Pine.

O orçamento vultoso, de US$ 120 milhões, atesta que a Netflix está consciente de seu papel na indústria do entretenimento contemporânea e ajuda a garantir que “Legítimo Rei” seja o grande épico concebido pelo cinema em 2018, ainda que disponibilizado mundialmente na casa das pessoas.

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