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Posts com a Tag cinema argentino

terça-feira, 14 de novembro de 2017 Críticas, Filmes | 11:17

Drama argentino “Invisível” aborda desalento de jovem em busca de aborto

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Com narrativa seca, mas texto previsível, “Invisível” é um filme contraditório. Peca pelo ponto de vista engessado, mas tem boa carga dramática

Cena do filme Invisível

Cena do filme Invisível

Há filmes que tem uma premissa tão boa e objetivos tão nobres que parecem nos obrigar a gostar deles e, no caso da crítica, a contar com certa condescendência. É o caso do argentino “Invisível”. O novo filme de Pablo Giorgelli (“Las Acacias”) trata sobre a necessidade de se discutir o aborto pelo viés da saúde pública. Observa, ainda, com certa crueza a desesperança e desalento das classes menos favorecidas economicamente.

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Ely (Mora Arenillas) tem 17 anos e mora no bairro da Boca em Buenos Aires. Ela cursa o último ano do ensino médio e trabalha num pet shop para completar a renda familiar. Ao descobrir que está grávida do Raúl (Diego Cremonesi), dono do Pet Shop, seu mundo interno colapsa. Enquanto tenta manter sua rotina diária como se nada tivesse acontecido ela é tomada pelo medo e angústia.

A maneira silenciosa e aflitiva que Giorgelli desenvolve sua trama merece elogios. O diretor sabe que tem um drama poderoso em mãos e o aborda da maneira mais concentrada e incisiva possível, mas o roteiro (do próprio Giorgelli) não ajuda. Os desdobramentos são previsíveis e obedecem a certa lógica fetichista na abordagem do tema.

A obviedade das resoluções de “Invisível” se ajustam mais ao contexto de uma peça publicitária de viés ideológico do que a um cinema que se pretende encorpado, pensativo. Os conflitos parecem prévios, pré-estabelecidos e isso vai minando o poder de empatia do público. Exceção feita, é claro, àquela parcela que não se sente confortável em apontar malfeitos em um filme com premissa tão nobre.

“Invisível” padece de um ponto de vista engessado e de uma lógica unidimensional que busca única e exclusivamente a comoção e não se importa muito com aquilo que deveria promover com desprendimento: a promoção de um debate sério sobre aborto.

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quarta-feira, 11 de janeiro de 2017 Atores, Filmes | 18:20

Ícone argentino, Ricardo Darin completa 60 anos e ganha maratona na TV paga

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Ricardo Darín em cena de "Tese sobre um homicídio"

Ricardo Darín em cena de “Tese sobre um homicídio”

Dia 16 de janeiro, o ícone do cinema argentino, Ricardo Darín, faz aniversário e, para homenageá-lo, o Telecine Cult leva ao ar três produções estreladas por ele em sequência no domingo, 15. No “Especial Darín 60 anos e 3 Filmes”, a partir das 15h30, serão exibidos “Aura”, “Tese Sobre um Homicídio” e “Truman”.

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Em “Aura”, Esteban Espinosa (Ricardo Darín) sofre de epilepsia e sonha em executar o crime perfeito. Ao sair para caçar num bosque, ele acidentalmente mata um homem, que planejava assaltar um carro-forte. Após ler os detalhes do plano, Esteban resolve levar o crime adiante.

Na sequência, às 17h55, vai ai ar “Tese Sobre Um Homicídio”. A vida do advogado Roberto Bermudez (Ricardo Darín) se torna um inferno quando ele começa a investigar um assassinato que teria sido cometido em frente à faculdade por um de seus melhores alunos cometeu.

“Truman” é o último filme do especial e será exibido às 19h55. Tomás (Javier Cámara) mora no Canadá e tira uns dias de férias para viajar à Espanha e encontrar o amigo Julián (Ricardo Darín), que sofre de um câncer terminal. Juntos, eles aproveitam para corrigir erros do passado, desfrutar ao máximo o presente e planejar o que será feito com Truman, o cachorro de estimação, após a partida de Julián.

O ator é um patrimônio não só do cinema argentino, como de toda a cinematografia latina. Menos prolífico atualmente, o ator está creditado em dois lançamentos de 2017. Em “Nieve Negra” divide a cena com Leonardo Sbaraglia, tido por muitos como seu sucessor no ecrã portenho. Já em “La Cordillera” divide a cena com Elena Anaya (“A Pele que Habito”) e Christian Slater (“Mr. Robot”). Este último, uma coprodução entre Espanha e França.

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terça-feira, 14 de junho de 2016 Filmes, Notícias | 18:15

Argentino “Paulina”, que estreia nesta quinta-feira (16), expande debate sobre cultura do estupro

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Foto: divulgação

Foto: divulgação

Nesses tempos em que o debate sobre a cultura do estupro polariza a atenção da opinião pública, um filme como “Paulina”, de Santiago Mitre, é um elemento valoroso de reflexão. Protagonizado por Dolores Fonzi (“O Crítico” e “Truman”), a produção estreia no dia 16 de junho nos cinemas brasileiros com distribuição da Esfera Filmes.

A história é um remake do longa argentino “La Patota”, dirigido por Daniel Tinayre em 1961 e acompanha Paulina, uma professora violentada por um grupo de rapazes. “Não tinha assistido à versão original até que eles me disseram para trabalhar em sua adaptação. Vi o filme uma vez e decidi nunca mais assisti-lo: uma vez fora o suficiente”, explica Mitre. “Havia algo no personagem de Paulina que me deu um estalo, me colocou em apuros. No início, tentei compreendê-la, e logo percebi que era impossível, que não tinha que entender Paulina, e que justamente aí estava o que me interessava nessa história. Paulina é movida por uma força de sobrevivência que beira o irracional e essa força é o que move o filme, que nos arrasta junto com ele”.

O filme foi o vencedor do Grande Prêmio da Semana da Crítica no Festival de Cannes e da Mostra Horizontes Latinos no Festival de San Sebastián em 2015 e foi exibido na 39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

Depois de estudar e se formar em Direito na cidade de Buenos Aires, Paulina retorna a sua cidade, Posadas, na divisa entre Argentina e Paraguai. Apesar de ter uma carreira promissora pela frente, escolhe ir atrás de suas convicções. Mas ela não imaginava o preço que teria que pagar.

A atriz Dolores Fonzi, que interpreta Paulina, tem sido elogiada por sua atuação pela crítica especializada. Para escrever a cena de violência o diretor conversou com diversas mulheres que trabalham dando assistência psicológica a mulheres vitimas de violência.

 

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quinta-feira, 6 de novembro de 2014 Críticas | 19:00

“Relatos selvagens” obriga público a fazer autoanálise

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O cinema argentino se mostra mais mesmerizante a cada novo filme. “Relatos selvagens” (Argentina, 2014), que chega ao circuito comercial brasileiro depois de fazer notável carreira nos festivais de cinema mundo afora e assegurar a vaga de candidato argentino à disputa pelo Oscar de filme estrangeiro, é um filme que trabalha muito bem as peculiaridades.

É, primeiramente, um filme episódico que mantém unidade e coesão narrativas ímpares – o que por si só já o torna peculiarmente bom. É, também, uma produção que mescla com desenvoltura gêneros diversos como comédia, drama, ação e suspense em recortes que favorecem fortes críticas aos arranjos civilizacionais à mercê dos destemperos da vida moderna.

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Produzida por Pedro Almodóvar, a fita – que é a terceira da promissora carreira de Damián Szifron, estimula uma reflexão poderosa sobre a colisão de nossos instintos primais em uma sociedade que se habituou a convulsionar tanto por razões torpes como pelas mais frívolas. Ao esticar o humor negro, em especial no terceiro e no quinto episódios, Szifron pisca para sua plateia ao estabelecer uma dinâmica perversa de autoanálise.

Cena do último episódio, onde o humor se acentua, mas sem prescindir do nervosismo  (Foto: divulgação)

Cena do último episódio, onde o humor se acentua, mas sem prescindir do nervosismo
(Foto: divulgação)

Do conflito de classes sociais, sutilmente presentes nos respectivos episódios chamados “El más fuerte” e “La propuesta”, à demolição da fachada matrimonial em “Hasta que la muerte nos separe”, passando pela tumultuada relação entre o individuo e o sistema, tão solenemente abordada em “Tropa de elite 2 – o inimigo é agora outro”, exposta com muito mais vigor e assertividade em “Bombita”, arco protagonizado pelo excelente Ricardo Darín.

“Relatos selvagens” conjuga essa verve de radiografia das tensões sociais, ambicionada em graus distintos em cada episódio, com a satisfação implícita a um filme de entretenimento destacável por sua inteligência. Essa qualidade, tão rara de ser equalizada em qualquer cinematografia, distingue o filme de Szifron da média que frequenta as salas de cinema atualmente.

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terça-feira, 8 de julho de 2014 Análises, Curiosidades | 07:00

Qual o melhor cinema entre os semifinalistas da Copa do Mundo?

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Brasil, Alemanha, Argentina e Holanda estão nas semifinais da competição esportiva mais importante do planeta, a Copa do Mundo. São países de muita tradição no futebol, o que implica na assunção de que qualquer prognóstico sobre o campeão do torneio pode ser mera precipitação. Em matéria de cinema, no entanto, o equilíbrio é menos acintoso.
A Alemanha sedia um dos mais prestigiados festivais de cinema do mundo. O festival de Berlim é o segundo em antiguidade, só perde para Veneza, com 64 anos de existência. A Alemanha está intimamente ligada à gestação do cinema como conhecemos hoje. O expressionismo alemão é, ainda, um dos mais destacados momentos históricos do cinema. A influência artística, no entanto, não para aí. A vocação para refletir a política surge cristalina no cinema alemão. Os anos de Hitler, do comunismo e a queda do muro de Berlim, que possibilitou uma abertura ainda mais radical do cinema produzido naquele país, se relacionam com o fazer cinematográfico alemão.
O cinema alemão ostenta alguns dos cineastas mais importantes da história do cinema como Fritz Lang e F. W Murnau. Em sua contemporaneidade, revelou cineastas das mais diversas estirpes como Wolfgan Petersen, Roland Emmerich, Florian Henckel Von Donnersmarck, Marc Forster, Werner Herzog, Marcus Nispel, Tom Tykwer, Wim Wenders e Oliver Hirschbiegel. Do terror à sátira política, o cinema alemão se desdobra pelos mais variados gêneros. Entre os semifinalistas da Copa, é o país que conseguiu emplacar mais diretores no cinema americano. Filmes como “Troia” (2004), “O turista” (2011), “2012” (2009) e “007 – Quantun of solace” foram realizados por diretores alemães. A penetração em Hollywood se verifica, ainda, com o brilho de atores alemães como Michael Fassbender, Daniel Brühl e Bruce Willis. Um dos maiores astros de ação do cinema americano é, na verdade, germânico.

O Brasil, neste segmento, vem em segundo. Fernando Meirelles, Bruno Barreto, Walter Salles, José Padilha, Heitor Dhalia e Vicente Amorim são diretores brasucas que experimentaram o cinema americano com diferentes graus de sucesso. Rodrigo Santoro, Wagner Moura, Alice Braga e sua tia, Sônia Braga, são exemplos de atores brasileiros a triunfar no cinema estadunidense.

"A vida dos outros", uma poderosa reflexão sobre a Alemanha comunista, venceu o Oscar de produção estrangeira em 2007

“A vida dos outros”, uma poderosa reflexão sobre a Alemanha comunista, venceu o Oscar de produção estrangeira em 2007

"A fita é branca", do franco alemão Michael Haneke, venceu a Palma de Ouro em Cannes e foi dos filmes mais prestigiados da década passada

“A fita branca”, do franco alemão Michael Haneke, venceu a Palma de Ouro em Cannes e foi dos filmes mais prestigiados da década passada

A Argentina é cult em nossos cinemas e goza de algum prestígio na Europa. Nas duas últimas edições do Festival de Cannes, o maior e mais comentado festival de cinema do mundo, emplacou o maior número de produções nas mostras competitivas e paralelas. O cinema argentino já tem dois Oscars, enquanto nós ainda buscamos o primeiro. Os alemães também têm dois Oscars, mas são 12 indicações face as cinco do país de Maradona.
O cinema argentino ostenta ainda uma característica que somente agora o cinema brasileiro parece comportar. A capacidade de fazer entretenimento adulto com inteligência. Filmes que são ao mesmo tempo pensantes e que reúnam potencial comercial.

A comédia de humor negro argentina "Relatos salvajes" foi o único filme latino americano na disputa pela Palma de Ouro em Cannes 2014

A comédia de humor negro argentina “Relatos salvajes” foi o único filme latino americano
na disputa pela Palma de Ouro em Cannes 2014

O brasileiro "O som ao redor" iniciou sua bem sucedida carreira em festivais na Holanda: atenção ao cinema brasileiro

O brasileiro “O som ao redor” iniciou sua bem sucedida carreira em festivais na Holanda:
atenção ao cinema brasileiro

"A espiã" (2006) é o último filme holandês que conseguiu internacionalizar-se

“A espiã” (2006) foi o último filme holandês que conseguiu internacionalizar-se

Nesse jogo de empurra, a Holanda apresenta a cinematografia mais tímida. Ainda que já tenha um Oscar; conquistado justamente sobre o Brasil em 1996 com “A excêntrica família de Antônia” prevalecendo sobre “ O quatrilho”. O cinema holandês apresenta uma ou outra perola de tempos em tempos e conta com personalidades como o cineasta Paul Verhoeven (“Instinto selvagem” e “Robocop”). O principal festival de cinema realizado no país é um dos mais entusiastas do cinema brasileiro. A cinematografia nacional, ano após ano, é destaque no festival de Roterdã.
Foi lá que o cinema pernambucano, principal força a mover a produção cinematográfica brasileira atual, foi notado primeiramente. Antes mesmo de brilhar em festivais nacionais como os realizados no Rio de Janeiro, Brasília e Gramado.

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