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sábado, 14 de outubro de 2017 Análises, Filmes | 10:00

“Toda Nudez Será Castigada” completa 45 anos sob assombrosa atualidade

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Fotos: divulgação

Fotos: divulgação

Lançado comercialmente em março de 1973 após um rigoroso escrutínio por parte da Divisão de Censura de Diversões Públicas, órgão subordinado à Polícia Federal durante o regime militar, “Toda Nudez Será Castigada” completa 45 anos em 2017 em um momento particularmente ruidoso no Brasil. O filme seria originalmente lançado em 1972, mas o processo para liberação da película atrasou o lançamento. No ínterim, venceu o Urso de Prata no Festival de Berlim.

O filme de Arnaldo Jabor, adaptado da obra de Nelson Rodrigues, era uma porrada na hipocrisia da classe média brasileira dos anos 70 – ou 60, já que a peça foi escrita em 1965 – e é uma porrada na cara da classe média brasileira de hoje. “Toda a Nudez Será Castigada” faz aniversário sob a égide do obscurantismo que pauta o debate social e sobre a arte no País.

toda nudez será castigadaO homem que se apaixona pela prostituta e se recusa a assumir esse sentimento, o homossexual enrustido, o irmão malandro que quer lucrar com a infelicidade alheia, no caso do próprio irmão, são personagens assustadoramente atuais. Um mérito, claro, da peça de Nelson, mas também desse conservadorismo palpitante que nos assalta diariamente e que se volta intempestivamente para a manifestação artística.

O pessimismo inato rodriguiano está diretamente relacionado à maneira como os seres humanos lidam com suas angústias, receios e desejos e o patamar de brilhantismo alcançado com as resoluções de “Toda a Nudez Será Castigada”, em que a prostituta se suicida, depois de ter sido amante do filho gay (enrustido) do homem pelo qual ela se apaixonou , permanece singular.

A atualidade do filme de Jabor assombra e talvez por isso uma revisão, à luz do aniversário de 45 anos, mas também em virtude do debate enviesado e obscurantista em curso, se faça necessária.

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terça-feira, 4 de julho de 2017 Curiosidades, Notícias | 09:00

Cinema brasileiro é celebrado com vigor na nova temporada de “O País do Cinema”

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Programa do Canal Brasil que celebra o cinema brasileiro retorna repaginado e com a apresentadora Fabíula Nascimento ainda mais à vontade no comando das entrevistas

Fabíula Nascimento entrevista Bruno Barreto e Glória Pires no retorno do "O País do Cinema"

Fabíula Nascimento entrevista Bruno Barreto e Glória Pires no retorno do “O País do Cinema”

Relativamente simples, ainda que altivo do ponto de vista criativo, o programa “O País do Cinema” volta para sua segunda temporada nesta quinta-feira (6) no Canal Brasil. “Estamos crescendo junto com essa criança”, disse a atriz Fabíula Nascimento, apresentadora do programa que trata do cinema brasileiro em entrevista ao iG na última semana. “Estou mais à vontade”, admitiu.

Leia também: “O País do Cinema” volta em sua segunda temporada celebrando o cinema brasileiro

O cenário é novo e a proposta, mais flexível. Além da vocação memorialista do cinema brasileiro, o programa vai tratar de novidades também. Além de revisitar grandes filmes do passado, importantes obras contemporâneas, “O País do Cinema” vai abordar lançamentos. Será o caso da nova versão de “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, protagonizado por Juliana Paes, que irá falar com Fabíula sobre o filme agendado para esse semestre.

Leia também: “O País do Cinema”, no Canal Brasil, é programa obrigatório para quem gosta de cinema

Serão 26 episódios neste segundo ano. A coluna já assistiu aos dois primeiros e pôde constatar que, além do cenário vistoso e aprazível a um programa de entrevistas, Fabíula está mais ciente de seu tempo e espaço no programa.

Na estreia, ela recebe Bruno Barreto e Glória Pires para debater “Flores Raras” (2013), filme que tratou do romance da paisagista Lota de Macedo Soares e da poetisa norte-americana Elizabeth Bishop. “Acho que é o seu filme mais diferente”, logo opina Glória. “Eu não queria fazer”, revela Barreto ao contar que o filme foi oferecido a ele primeiramente e depois rodou por diversos diretores antes de voltar a ele.

Selton Melo em cena de "O Palhaço", segundo filme a receber destaque na temporada de "O País do Cinema"

Selton Melo em cena de “O Palhaço”, segundo filme a receber destaque na temporada de “O País do Cinema”

Os dois debatem sobre memórias, divergências e o status quo do filme que chegou em uma época em que a união homossexual era pauta no Supremo Tribunal Federal. “Escancarou sutilmente alguns preconceitos”, observa Barreto antes  de emendar relatos de gente que “não podia imaginar Glória Pires beijando outra mulher”. Para Barreto foi corajoso de Glória fazer este filme, mas não só por dar viço a relação homossexual, mas por ter que atuar em inglês e português e dar conta de uma história de amor muito interiorizada.

“O Palhaço”, de Selton Mello, é o foco do segundo programa. “Esse filme surgiu de uma dificuldade minha, de uma crise com o meu ofício. Eu estava me questionando muito como ator”, recorda Selton. Não é um relato inédito, mas Fabíula sabe que é precioso e estimula Selton a se abrir. É um registro precioso, temperado pela iluminada companhia de Larissa Manoela, que expressa o desejo de cursar cinema em muito por influência do trabalho com Selton. “Ela vai longe”, insiste na generosidade o mineiro que traça um paralelo entre eles, ainda, pelo fato de ambos serem capricornianos.

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Esse olhar para os bastidores de filmes emblemáticos do cinema brasileiro, circunstanciais ou que são descobertos pelo público ali, em um programa de quase 30 minutos, reforça a vocação cultural de “O País do Cinema”, um programa que segue apaixonante e apaixonado.

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terça-feira, 17 de maio de 2016 Filmes, Notícias | 19:30

Brasileiro “Aquarius” é festejado pela crítica e Sonia Braga desponta como favorita entre as atrizes

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Cena do filme "Aquarius" (Foto: divulgação)

Cena do filme “Aquarius”
(Foto: divulgação)

Exibido nesta terça-feira (17) em Cannes, o novo filme de Kleber Mendonça Filho, “Aquarius”, foi muito bem recebido pela imprensa internacional que já aponta a brasileira Sonia Braga como favorita a Palma de Ouro de melhor atriz.

A recepção entusiasmada ao filme brasileiro fez com que críticos presentes em Cannes apostassem na produção brasileira para figurar no rol dos premiados no festival deste ano.

“Braga foi presenteada com um papel denso e multifacetado, e ela mergulha nele com maestria brilhante, leonina, investindo no personagem com uma dignidade duramente conquistada”, observa o britânico The Telegraph. Que assinala, ainda, que o filme “desperta a vontade de se mudar para o Brasil”.

“Uma nova e importante voz a emergir do cinema brasileiro”, sacramentou a Variety sobre Mendonça Filho que “domina os espaços em cena e é um mestre no trabalho com sons”.

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iG Gente:Sonia Braga e artistas protestam contra impeachment de Dilma em Cannes: “Golpe”

“’Aquarius’ é um estudo de personagem, bem como uma reflexão perspicaz sobre a transitoriedade desnecessária de lugares da forma como os espaços físicos refletem na nossa sociedade”, escreveu o crítico da Variety. Já o The Hollywood Reporter observa que o filme “funciona melhor” do que “O Som ao Redor” ao fiar-se em sua protagonista e se mostrar mais “versátil”.

Para o inglês Guardian, o filme é um retrato do Brasil abordando temas como nepotismo, corrupção e cinismo. Como se pode observar há muito entusiasmo na crítica internacional com o novo tento cinematográfico do cineasta pernambucano Kleber Mendonça Filho. O site americano The Wrap  define o filme como “revigorante” e crava o prêmio de melhor atriz para Sonia Braga. “Uma estrela que parece pronta para o festival de Cannes”.

Aos 65 anos, a atriz vive uma jornalista e crítica de música aposentada que vive sozinha em um edifício antigo de frente para a praia de Boa Viagem, no Recife. Alvo constante da especulação imobiliária, ela se recusa a vender seu apartamento, sofrendo pressões da construtora e dos próprios vizinhos.

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