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segunda-feira, 4 de julho de 2016 Críticas, Filmes | 20:16

Transformações da China e suas reminiscências permeiam o solar “As Montanhas se Separam”

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Foto: divulgação

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O cinema de Zhang-Ke Jia é tradicionalmente constituído por elipses, sutilezas e abstrações que costumam embalar uma produção visualmente robusta e narrativamente cheia de camadas. Com “As Montanhas se Separam” (China, 2015) não é diferente.

Depois de fazer uma crítica ferrenha à sociedade e cultura chinesa, bifurcada entre os sistemas capitalista e comunista, em “Um Toque de Pecado”, Jia volta a tratar do choque entre a China moderna e a China tradicional, mas a partir de um prisma completamente novo, oxigenado e criativo.

O filme se passa em três momentos. Em 1999, 2014 e 2025 (neste segmento, ambientado na Austrália, o filme passa a ser falado majoritariamente em inglês, feito até então inédito na carreira do cineasta).

Sua mulher e atriz-fetiche, Zhao Tao, interpreta Tao, a mulher dividida na juventude entre dois amores: Jinsheng (Zhang Yi) e Lianzi (Jing Dong Liang). O primeiro, empreendedor e entusiasta da cultura ocidental, surge como um grande empresário. O segundo, um modesto empregado numa mina de carvão, de quem Tao parece apreciar mais a companhia.

Esse primeiro ato é todo construído de maneira arquetípica e, não à toa, Tao é uma metáfora pronta da China dividida entre seus valores tradicionais e o capitalismo selvagem.  Quando Jinsheng compra a mina de carvão em que Lianzi trabalha, a batalha pelo “controle” do coração de Tao se acirra e ela é forçada a fazer uma escolha.

Há belas cenas que individualmente acrescem vigor narrativo ao todo, como quando Lianzi vislumbra um felino enjaulado.  No terceiro ato, focado em Dollar (Dong Zijang), filho de Tao e Jinsheng,  e passado na Austrália, percebemos no foro íntimo do personagem o seu flagelo e consternação e, novamente, flagramos uma China em crise de identidade. O personagem sequer se lembra de como falar chinês.

Dollar busca desesperadamente se reconectar com seu passado (e o passado de seu país) e sua mãe. No futuro imaginado por Jia, há aulas para se conhecer mais sobre a cultura chinesa e o estranhamento das circunstâncias dos personagens, todos desconfortáveis com o estado das coisas e com suas atuações para tal, salta aos olhos do espectador com poesia incontida. “Acho que precisamos sofrer para saber que amamos”, diz uma personagem em determinado momento. A frase, e o contexto em que ela é proferida, deixam claro que apesar da atenção à crítica político-social, e de sua eloquência, “As Montanhas se Separam” jamais perde de vista o componente humano. São características que, combinadas, elevam o novo filme de Zhang-Ke Jia ao patamar de obra de arte.

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domingo, 27 de setembro de 2015 Notícias | 19:26

Cinema chinês contemporâneo ganha mostra em São Paulo

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A atriz Gong Li em cena de "Voltando para casa", de Zhang Yimou: um dos destaques do evento

A atriz Gong Li em cena de “Voltando para casa”, de Zhang Yimou: um dos destaques do evento

O cinema chinês pode ter perdido a alcunha de principal cinematografia da Ásia para a Coreia do Sul, mas continua como um dos principais polos de imaginação e vigor do cinema contemporâneo. Com a curadoria de Anamaria Boschi, chega a São Paulo, entre os dias 1º e 7 de outubro, a 1ª Mostra de Cinema Chinês; que ficará em cartaz no CineSesc e terá ingressos a R$ 12 (inteira) e R$ 6 (meia).

A programação destaca 12 filmes lançados entre 2009 e 2014. Há a presença de autores de prestígio internacional, como Zhang Yimou, mas o norte da mostra é iluminar produções comerciais chinesas que não têm vez no mercado brasileiro. Além da exibição dos filmes, a mostra conta com eventos paralelos sobre todas as gerações de diretores chineses e a crescente indústria do país. Esses eventos, que serão realizados nos dias 1º e 6 de outubro, são gratuitos e ocorrem na faixa das 19h30.

A programação completa da mostra, com a relação de filmes, sinopses e horários, pode ser conferida no site do CineSesc.

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