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Posts com a Tag Cinema francês

terça-feira, 25 de abril de 2017 Críticas, Filmes | 12:59

Sensível e bem-humorado, “O Novato” aborda bullying escolar com propriedade

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Filme francês já está em cartaz nos cinemas brasileiros e acerta em cheio com sua trama sobre amizade e os dissabores do convívio escolar

A turminha de losers de O Novato: filme cativante

A turminha de losers de O Novato: filme cativante

Em meio a todo o debate sobre bullying provocado pela série “13 Reasons Why”, um belo filme francês estreia nos cinemas brasileiros e passa praticamente despercebido – embora agregue muito valor ao debate ensejado pela série da Netflix. Trata-se de “O Novato”, que foi exibido no festival Varilux de 2016 e que estreia agora em circuito comercial distribuído pela Bonfilm.

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Em cartaz em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba e Niterói, “O Novato” acompanha Benoît (Réphaël Ghrenassia), jovem recém-chegado em Paris, que se esforça para se enturmar no colégio. O longa de Rudi Rosenberg ilumina uma problemática contumaz no tecido social que é o bullying, mas não o faz de maneira protocolar. Há muita sutileza e sensibilidade na maneira com que Rosenberg aborda não só os conflitos de Benoît, mas também daqueles que gravitam seu universo.

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Ainda que apressado, o rótulo de “Glee francês” não é inacurado. O filme trabalha, e bem, o conceito de ser um loser e de se sentir um em um ambiente predominantemente hostil.

Cena de O Novato: desilusão amorosa

Cena de O Novato: desilusão amorosa

Benoît faz amizade com a sueca também recém-chegada Johanna (Johanna Lindstedt), mas logo a menina se atrai pela turma bagunceira de Charles (Eythan Chiche) e deixa o novato em segundo plano. Na intenção de ajudar o sobrinho a fazer novas amizades, o tio de Benoît tem a ideia de fazer uma festa para a classe inteira. O que o menino não esperava era que a partir daí encontraria o seu verdadeiro grupo.

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A leveza com que trata temas duros e olhar otimista e esperançoso que dispensa para uma das fases mais conturbadas da vida dá a “O Novato” não só relevância, mas eficácia dramática. Filme e personagens vão de encontro a mais hypada “13 Reasons Why” e se firmam como um valioso contraponto para um debate inesperado, mas necessário.

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terça-feira, 21 de fevereiro de 2017 Atores, Filmes, Notícias | 20:30

Francês Édouard Baer vem ao Brasil promover seu novo filme

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 Édouard Baer (Foto: divulgação)

Édouard Baer
(Foto: divulgação)

O ator e apresentador  Édouard Baer vem ao Brasil para apresentar o seu mais novo projeto, “Imprevistos de Uma Noite em Paris”, no qual assina a direção e o roteiro. O francês desembarca nesta quarta-feira (22) no País para prestigiar a premiere da produção que acontece no Reserva Cultural Niterói, no Rio de Janeiro, às 21h30.

Baer já trabalhou em mais de 40 filmes, apresentou 3 vezes o Prêmio César (considerado o Oscar do cinema francês) e 2 vezes o Festival de Cannes. Também escreveu, dirigiu e atuou em seu primeiro projeto como realizador “ La Bostella” e apresentou inúmeros programas de rádio e TV na França.

No longa, o personagem vivido por Édouard Baer tem uma noite para salvar seu teatro, um dos mais prestigiados de Paris. Nesse curto período, ele precisa encontrar um macaco ator, recuperar a confiança da sua equipe, o respeito de seu melhor amigo e provar para a sua jovem e confiante estagiaria que existe uma maneira diferente de resolver os (inúmeros) problemas: dando prioridade ao que você acha mais divertido.

Para completar o elenco, a musa do cinema francês Audrey Tautou (a inesquecível Amélie Poulin) e Sabrina Ouazani (O Passado).

Vale lembrar que o astro australiano Hugh Jackman também está no Brasil promovendo o filme “Logan”. O evento com Baer reunirá convidados da distribuidora do filme no Brasil, a Imovision, mas será aberto ao público. Confira o trailer abaixo o trailer da produção.

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segunda-feira, 21 de novembro de 2016 Críticas, Filmes | 15:59

Verhoeven revela desejos ocultos com sofisticação e assombro no sensacional “Elle”

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Com atuação inspirada da francesa Isabelle Huppert, cineasta holandês desconstrói fachadas sociais para mostrar os labirintos mais sórdidos da mente humana em um dos melhores filmes do ano

Cena do filme "Elle", que representa a França na briga pelo Oscar de filme estrangeiro em 2017

Cena do filme “Elle”, que representa a França na briga pelo Oscar de filme estrangeiro em 2017

E lá se de vão dez anos desde o lançamento de “A Espiã” (2006), último Verhoeven a ganhar os cinemas. O cineasta holandês volta lascivo, imponente, aterrador, cínico e absoluto em “Elle”, que integrou a mostra competitiva da 69ª edição do Festival de Cannes e é o representante francês na briga por uma vaga entre os finalistas ao Oscar de produção estrangeira. Trata-se de um filme provocador, imprevisível e incandescente.

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Aos 63 anos, Isabelle Huppert comprova mais uma vez porque é uma das maiores intérpretes que o cinema já conheceu ao galvanizar uma mulher torneada por um grande trauma e que a partir de um caso de violência sexual, que bem poderia ser definido como outro trauma, parte em uma obscura e nauseante jornada de autodescoberta. Em “Elle”, Huppert é Michèle, a definição de uma mulher fria. O pragmatismo que apresenta nas reuniões com seus comandados – em que sempre pede mais violência, sexo e violência com sexo nos games que produz – se estende ao convívio com o filho (Jonas Bloquet), que tenta manter um casamento implodido com uma mulher que o trai escandalosamente; o ex-marido (Charles Berling), ainda dependente emocional dela; e a mãe (Judith Magre), que sustenta michês.

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Verhoeven orienta Huppert no set de "Elle"

Verhoeven orienta Huppert no set de “Elle”

O filme começa com esse estupro. Michèle reage a ele com indiferença. Aos poucos, porém, vai sendo tomada por uma grande curiosidade a respeito da identidade de seu agressor.  Não vemos um drama aqui, mas um suspense de alta voltagem erótica com pitadas de humor negro. Sem qualquer compromisso com a correção política, Verhoeven e o roteirista David Birke observam as normas sociais de um ponto de vista incomum que, se tivéssemos que rotular, o denominaríamos de “psicopata”. Mas a realização resiste a resolver a personagem e nos priva dessa imposição conscienciosa enquanto público de qualificar suas atitudes.

É natural cruzar com acusações de que “Elle” é um produto misógino e fetichista, mas essas classificações apressadas e superficiais só atestam a ignorância de quem as professa. “Elle” é cinema robusto, de camadas, construído com muita coragem e sutileza. Verhoeven não se refugia em Freud propriamente dito, mas reveste seu cinema de profunda ressonância psicoanalítica na elaboração que faz de Michèle – que se agarra à história de violência de seu passado como se dela tirasse força para sobreviver. Nos seus termos.

Esse processo de autoconhecimento, no entanto, vai ganhando ares sinistros conforme vai se tornando visível para o público. Mas Michèle não é a única personagem com desejos e fetiches que eventualmente escapam a nossa compreensão. Todos os personagens em cena alimentam algum desejo que podemos tomar como sórdido. A amiga e sócia de Michèle, Anne, e seu marido, Robert, e a maneira como gravitam em torno da personagem de Huppert substanciam uma análise à parte. Mas que não deve ser desenvolvida aqui para que não seja comprometida a experiência fílmica.

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“Elle” é cinema de autor na sua mais musculosa espessura. Verhoeven, um diretor tão crítico dos arranjos sociais e da hipocrisia inerentes a eles, se alia a uma atriz sem quaisquer amarras e dona de uma coragem artística revigorante para fazer um dos filmes mais pulsantes e instigantes dos últimos tempos.  Com o queixo no chão, só resta ao público aplaudir um cinema tão senhor de seu significado.

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quarta-feira, 14 de setembro de 2016 Atores, Filmes | 05:30

Gérard Depardieu vem ao Brasil para divulgar o drama “O Vale do Amor”

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O polêmico e talentoso ator Gérard Depardieu virá ao Brasil para o lançamento nacional do filme “O Vale do Amor”. Será a primeira vez do francês no Brasil em 30 anos. Ele desembarca em 18 de setembro

Gérard Depardieu e Isabelle Huppert em cena de "O Vale do Amor" (Foto: divulgação)

Gérard Depardieu e Isabelle Huppert em cena de “O Vale do Amor”
(Foto: divulgação)

Por muito tempo Gérard Depardieu foi o rosto mais famoso do cinema francês. Surgiram Marion Cotillard, Vincent Cassel, entre outros, mas o astro francês continua exercendo um charme especial que os cariocas poderão conferir de muito perto no dia 18 de setembro. Isso porque Depardieu desembarca na cidade para prestigiar a premiere nacional de “O Vale do Amor”, filme que integrou a Semana da Crítica do Festival de Cannes 2015, e tem estreia agendada para 29 de setembro no País.

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“O Vale do Amor” relata a historia de Isabelle, interpretada pela atriz Isabelle Huppert, e Gerard, interpretado por Gérard Depardieu, que perderam seu filho seis meses antes de os conhecermos.  Antes de morrer, ele deixa uma carta aos pais pedindo que vão ao seu encontro no “Vale da Morte”, na Califórnia. Os dois já estão separados e não se falam há mais de 35 anos, e, apesar do absurdo da situação, eles decidem cumprir o último desejo do filho.

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Os atores lançando o filme em Cannes em 2015 (Foto: divulgação/Cannes)

Os atores lançando o filme em Cannes em 2015
(Foto: divulgação/Cannes)

De origem francesa e naturalizado russo, com mais de 140 filmes em seu currículo, o consagrado francês é um dos fortes nomes do cinema mundial, estreou no cinema ainda adolescente, com o curta-metragem “Le Beatnik et le Minet” (1965). Depois de atuar em pequenos papéis, popularizou-se com os filmes:  “Os Corações Loucos” (1974), “Cyrano” (1990) e “O Último Metrô” (1980) onde foi dirigido por ninguém menos que François Truffaut e contracenou com a atriz Catherine Deneuve. Por este filme ganhou seu primeiro César (o Oscar francês) de melhor ator. Além de hoje ser dono de um dos maiores títulos franceses, que é o de “Chevalier du Legion d´Honneur” (Cavaleiro da Legião da Honra), o astro é bastante reconhecido nos EUA, onde estrelou filmes como “Bem-vindo a Nova York” (2014), “Missão Babilônia” (2008) e “O Homem da Máscara de Ferro” (1998).

Nos anos 80 e 90, Depardieu se estabeleceu como um dos maiores atores de todo o mundo. Participando de filmes importantes com direção dos maiores e mais importantes diretores da época: Bernardo Bertolucci, André Téchiné, Bertrand Blier e François Truffaut.

Também é presença constante em grandes produções, como nos filme da franquia francesa “Asterix e Obelix”. Mais recentemente, o público pôde acompanhar Gérard Depardieu  na série da Netflix “Marseille”, uma versão francesa da badalada “House of Cards”.

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quarta-feira, 10 de agosto de 2016 Filmes | 06:00

Juiz solitário reencontra antiga paixão em um júri no francês “A Corte”

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Cena do filme "A Corte", que estreia nesta quinta-feira (11)

Cena do filme “A Corte”, que estreia nesta quinta-feira (11)

“A Corte” conta a história de Michel Racine, um juiz temido do Tribunal Criminal e que comporta-se de forma tão dura consigo mesmo como com os outros. Conhecido como o “juiz de dois dígitos”, sua sentença mínima é sempre maior que dez anos, mas tudo muda quando Racine reencontra Ditte, uma antiga paixão que é escolhida como jurada em um novo caso que ele deve julgar.

“Queria que o personagem fosse muito desagradável! Adoro personagens que não despertam nenhuma compaixão”, explica o ator Fabrice Luchini que vive o magistrado. “ Vivemos em uma época da compaixão mecânica, global. Todo mundo se vê obrigado a ser bondoso, simpático… e meu personagem é o contrário e por isso mesmo um ótimo juiz. Antipático, mas eficiente em seu trabalho. Ele encarna a autoridade, mas não procura nunca influenciar o júri”.

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Cena do filme "A Corte": sentimentos do passado voltam à tona

Cena do filme “A Corte”: sentimentos do passado voltam à tona

A ideia que move “A Corte” partiu do produtor Matthieu Tarot, um apaixonado por filmes de tribunal que convidou Christian Vincent para escrever e dirigir uma trama sobre um juiz linha dura. Ao contrário de seu produtor, Vincent não conhecia a fundo o universo judiciário e, para escrever o roteiro, assistiu a inúmeras sessões em tribunais franceses, observando todas as partes de um julgamento como um estudante de direito, acompanhando o cotidiano de juízes, advogados e jurados. A cada suspensão da sessão, observava o presidente do júri e seus assistentes, assim como os nove jurados nos bastidores e se deu conta de que o tribunal possui elementos muito semelhantes ao de um teatro, com público, atores, dramaturgia e bastidores.

“Imaginei um juiz perto da aposentadoria. Um homem respeitado e temido no tribunal, mas desprezado e ignorado em seu ambiente familiar”, revela Vincent.  “Em sua vida privada, com a exceção de seu cachorro de estimação, ninguém se importa com ele. Ou seja, um homem amargo, com pouca inclinação aos prazeres da vida. Um homem que se apaixonou apenas uma vez e que se vê obrigado a conviver com uma antiga paixão durante o julgamento de um caso”, explica o diretor e roteirista.

A atriz dinamarquesa Sidse Babett Knudsen interpreta Ditte, a tal paixão do passado. “O juiz representa a noite, a parte sombria que temos dentro de nós, enquanto Ditte é a luz. Para criar esta personagem, me inspirei na personagem Christine, interpretada por Nora Gregor, no filme “A Regra do Jogo” (1939) de Jean Renoir”, observa o diretor. “No filme, um aviador se apaixona perdidamente por ela simplesmente porque ela o trata gentilmente”.

“A Corte” estreia nesta quinta-feira (11) em São Paulo e no Rio de Janeiro.

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quinta-feira, 14 de julho de 2016 Filmes | 07:00

Polêmica com freiras grávidas durante a guerra move francês “Agnus Dei”

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Foto: divulgação

Foto: divulgação

Uma das principais estreias desta quinta-feira (14) é um filme francês que mostra freiras grávidas. A sinopse tentadora revela, mais uma vez, a ousadia da cineasta Anne Fontaine, reconhecida por filmes fortemente feministas e com boa dose de polêmicas como “Nathalie X”, em que uma mulher paga uma prostituta para seduzir seu marido; “Amor Sem Pecado”, em que duas mães vivem aventuras amorosas com os filhos uma da outra; “A Garota de Mônaco”, em que uma jovem garota se mostra uma habilidosa alpinista social; e “Gemma Bovery – A Vida Imita a Arte”, em que propõe uma releitura ambiciosa do clássico Madame Bovary.

Em “Agnus Dei”, filme que integrou o festival de Sundance em 2016 e fez parte da seleção do Varilux aqui no Brasil, acompanhamos Mathilde Beaulieu, interpretada por Lou De Laêge, uma jovem médica da Cruz Vermelha, na Polônia de 1945, encarregada de tratar sobreviventes franceses antes de serem repatriados. Ela é chamada para socorrer uma freira polonesa. Relutante no início, concorda em ir ao convento, onde trinta freiras beneditinas vivem afastadas do mundo exterior. Mathilde descobre que várias freiras, que engravidaram em circunstâncias dramáticas, estão a ponto de dar à luz. Aos poucos, surge entre a ateia e racionalista Mathilde e as freiras, ligadas às regras de sua vocação religiosa, relações complexas que aguçadas pelo perigo as tornarão cúmplices.

“Essa história  me  arrebatou.  Sem saber  bem  o  porquê,  eu  senti  que  tinha  uma  relação  muito pessoal com ela. A maternidade  e o questionamento da fé eram temas que eu tinha vontade de  explorar”, confessa a cineasta francesa. Fontaine revela no material divulgado à imprensa o desejo de “narrar aquilo que é indizível”. Para ela, o fato da Polônia ocultar essa verdade histórica corrobora com o fato de mulheres continuarem sendo vitimas de crimes dessa natureza em toda e qualquer guerra. “Esses  militares  (soviéticos) não julgavam estarem   cometendo   atos   repreensíveis:   aquilo tudo foi autorizado  pelos  seus  superiores  como  uma  recompensa  pelos  seus  esforços.  A  brutalidade que  eles demonstraram infelizmente ainda  acontece”.

A produção estreia em circuito limitado nas cidades de São Paulo, Santos, Campinas, Rio de Janeiro, Salvador, Porto Alegre, Florianópolis, Fortaleza, Brasília, Curitiba, Belo Horizonte e Maceió.

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segunda-feira, 13 de junho de 2016 Críticas, Filmes | 18:17

“O Valor de um Homem” funde poesia e política ao fazer da sutileza sua matéria-prima

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Foto: divulgação

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A primeira cena de “O Valor de um Homem” revela seu protagonista, Thierry discutindo com um funcionário de uma agência de empregos que orienta mal desempregados em busca de recolocação sugerindo estágios e cursos de reciclagem que são pouco efetivos em garantir uma recolocação. A cena, áspera e melancólica, antecipa o tom que Stéphane Brizé irá empregar ao longo da narrativa.

Denominado “A Lei do mercado” (La loi Du marche) no original em francês, o filme se debruça com uma propriedade invejável, e ainda assim com retidão impressionante, sobre as imperfeições do capitalismo. Brizé não se apressa em aferir contornos críticos ao sistema. Ele tangencia um filme político, sem politizar ou partidarizar o conflito de Thierry que, na fase madura da vida, se encontra desempregado e investido em uma busca desamparada e francamente inquietante por um novo trabalho.

Brizé cola a câmara em Vincent Lindon e faz com que o público compartilhe da agonia do personagem. Seja em uma desajeitada entrevista via skype, seja durante a negociação para a venda de um trailer ou mesmo quando discorda do grupo de colegas que, como ele, fora demitido de maneira injusta. Os vestígios do capitalismo, em sua imperfeição constante, estão por toda a parte em “O Valor de um Homem”. Filme construído todo ele em um punhado de grandes cenas, de sobejados valores poético e estético. Não há trilha sonora e apenas a face cada vez mais oprimida de Lindon impera. O ator, parceiro habitual de Brizé, nunca esteve melhor. O minimalismo de sua caracterização é triunfante.  Por meio de gestos, expressões e olhares, Lindon vai descortinando o personagem com a agudeza que apenas grandes intérpretes são capazes de fazer. Nesse escopo, é tanto autor do filme como Brizé que, além da direção, assina o roteiro em parceria com Olivier Gorce.

É o mal-estar incontido de Thierry transfigurado depois que arranja um emprego como segurança em um supermercado que afere altivez à produção. O homem humilhado e constipado pelas amarras do sistema agora serve como olhos desse sistema implacável. A sutileza com que Brisé e Lindon trabalham esse choque entre a letargia laboral do ofício de Thierry e sua resistência interior crescente ao mecanismo em que se vê engendrado é das coisas mais magníficas a se testemunhar no cinema em anos. Não se postula a catarse ou mesmo uma crítica feroz como em filmes não menos encantadores como “O  Lobo de Wall Street”, de Martin Scorsese, e “O Capital”, de Costa-Gravas, mas apenas introspecção nas contradições interiorizadas no indivíduos a partir de suas relações com um sistema político-econômico. Um filme austero em suas elucubrações e poético em suas conclusões. Um filme imperdível para quem gosta de repercutir o homem e o meio, principalmente no contexto da arte.

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quarta-feira, 1 de junho de 2016 Filmes, Notícias | 07:29

Destaque do Festival Varilux, comédia francesa “La Vanité” vê humor em suicídio assistido

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Com estreia prevista para 14 de julho nos cinemas brasileiros, “La Vanité” promete ser uma das melhores atrações do Festival Varilux de Cinema Francês que ocorre em 50 cidades brasileiras entre os dias 8 e 22 de junho.

Foto: divulgação

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Dirigido por Lionel Baier, o filme acompanha o drama de David Miller (Patrick Lapp). Muito doente, ele decide por fim à própria vida. Mas, apesar de seus melhores esforços para escolher o local, a data e o método, nada funciona como planejado. Todos aqueles que disseram que estariam ao seu lado deram para trás. David Miller não tem escolha a não ser contar com a ajuda de completos estranhos: Esperanza (a espanhola Carmen Maura), da associação de suicídio assistido, e Tréplev, um jovem prostituto russo no quarto ao lado. No final desta noite, que se destina a ser a sua última, será que a morte o levará?

A prestigiada publicação de entretenimento americana Variety disse que “o lado mais leve da eutanásia – se é que ele existe – é explorado com mais graça e bom humor do que se poderia esperar”.

Festival Varilux de Cinema Francês erá uma semana a mais de duração em 2016

Em entrevista, Baier admitiu que o ponto de partida para a inusitada trama surgiu de uma história que lhe foi contada sobre um garoto que se prostituía para pagar seus estudos e uma noite, em um hotel, no quarto ao lado, estava um homem e uma mulher que fariam o suicídio assistido. Isso mexeu comigo, a questão de que você pode ser a parede divisória de alguém que decidiu organizar sua morte e, como é típico na Suíça, decidiu fazer de uma forma muito metódica. A história se passa na Suíça, como ocorre com grande parte da filmografia de Baier, por uma razão muito simples. O país largou na frente na Europa no que toca à regulamentação da eutanásia.

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terça-feira, 31 de maio de 2016 Notícias | 19:18

Festival Varilux de Cinema Francês terá uma semana a mais de duração em 2016

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VariluxFilme premiado em Cannes, longa protagonizado por vencedor de Oscar e produção com os atores mais admirados da França. Esses são alguns dos arativos da edição 2016 do Festival Varilux de Cinema Francês. Neste ano, o evento ganhará uma semana a mais de exibição em relação à edição anterior – ficará em cartaz de 8 a 22 de junho em 50 cidades brasileiras. Ao todo, a programação contará com 15 filmes inéditos e um grande clássico do cinema francês.

O premiado ator francês Omar Sy, que ficou conhecido e admirado mundialmente por sua atuação em “Intocáveis”, poderá ser visto novamente, agora em “Chocolate”, interpretando o primeiro artista circense negro na França da Belle Époque, no filme de Roschdy Zem, que virá ao país para apresentar o longa. O festival exibirá também o filme, seleção oficial do Festival de Cannes 2015, “Meu Rei”, de Maïwenn, drama com as estrelas Vincent Cassel e Emmanuelle Bercot, premiada com a Palma de Ouro de melhor atriz. O ator vencedor do Oscar por “O Artista”, Jean Dujardin, volta às telonas em“Um Amor à Altura”, comédia romântica de Laurent Tirard. Na produção, Dujardin ajudará a personagem de Virginie Efira a encontrar seu telefone celular perdido e essa história tomará um rumo inesperado. A consagrada atriz belga, que esteve recentemente em Cannes divulgando dois filmes, também confirmou presença no Brasil.

Cena do filme "Um Amor à altura": comédia romântica francesa

Cena do filme “Um Amor à altura”: comédia romântica francesa

Ao diretor Roschdy Zem e à atriz Virginie Efira, se junta o diretor Philippe Le Guay (“Pedalando com Molière”), que traz a comédia “Flórida”, com Sandrine Kiberlain e Jean Rochefort, dois ícones de gerações diferentes do cinema francês, inspiração para o cartaz dessa edição do festival. A jovem e premiada atriz Lou de Laâge (“Respire”) interpreta uma médica francesa da Cruz Vermelha atendendo sobreviventes da Segunda Guerra até chegar a um convento Beneditino onde freiras estão prestes a dar à luz, no drama histórico “Agnus Dei”, de Anne Fontaine. O badalado e também premiado ator Vincent Lacoste (“Diário de uma Camareira”), protagonista ao lado da atriz Julie Delpy, da comédia, “Lolo, o Filho da Minha Namorada”, dirigida pela própria atriz, e o jovem Finnegan Oldfield  do drama “Os Cowboys”, de Thomas Bidegain, em que vive Kid, o irmão que acompanha a saga de seu pai em busca da sua filha adolescente fugida de casa, e com suspeita de ter se convertido ao Islã, completam a delegação francesa que participará de apresentações e debates nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro.

Cena de "Agnus Dei", novo da cineasta Anne Fontaine: Freiras prestes a dar à luz (Fotos: divulgação)

Cena de “Agnus Dei”, novo da cineasta Anne Fontaine: Freiras prestes a dar à luz
(Fotos: divulgação)

Dentro do diversificado leque de produções francesas, estão ainda na programação a premiada animação “Abril e o Mundo Extraordinário”, de Franck Ekinci e Christian Desmares, vencedor do prêmio Cristal no Festival de Annecy; “O Novato”, do jovem diretor e roteirista Rudi Rosenberg, que com humor e ironia foca no universo adolescente baseado em suas próprias vivências; “A Corte”, comédia dramática de Christian Vincent, sobre um juiz durão que acaba amolecendo ao se deparar durante um julgamento com uma jurada por quem tinha sido apaixonado anos antes e o drama “Um Belo Verão”, de Catherine Corsini, que aborda as questões em torno da liberdade sexual e feminismo na Paris da década de 70.

Completam a lista de filmes, o longa “Marguerite”, de Xavier Giannoli, com Catherine Frot, premiada com o Cesar 2016 da Melhor Atriz, baseado na história da rica e excêntrica americana Florence Foster Jenkins que não desistiu de cantar em público apesar de não ter talento algum. O drama de guerra, “Viva a França!”, de Christian Carion, que se passa numa pequena cidade ao norte da França nos anos 40; “La Vanité”, comédia dramática de Lionel Baier com a atriz espanhola Carmen Maura sobre um velho arquiteto que recorre a uma associação de auxílio ao suicídio, e “Um Doce Refúgio”, de Bruno Podalydes, que, além de escrever e dirigir, ainda atua no papel principal da comédia.

O francês Omar Sy volta às telas de cinema do Brasil com "Chocolate"

O francês Omar Sy volta às telas de cinema do Brasil com “Chocolate”

Como já é esperado pelo público, o festival exibirá ainda um grande clássico francês. O escolhido deste ano é o filme “Um Homem e uma Mulher”, de Claude Lelouch, em homenagem ao seu 50º aniversario de lançamento. O romance com Anouk Aimée e Jean Trintignant foi o vencedor da Palma de Ouro em 1966 e também do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e roteiro original no ano seguinte.

O Festival Varilux de Cinema Francês, maior e mais encorpado a cada ano, tem como objetivo a interação e o estreitamento entras as culturas brasileira e francesa.

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quarta-feira, 4 de maio de 2016 Filmes, Notícias | 19:53

Diretor de “O Artista” vai fazer filme sobre Godard

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Godard e Anne Wiazemsky no set: ícone francês vai virar tema de filme

Godard e Anne Wiazemsky no set: ícone francês vai virar tema de filme

Jean-Luc Godard, crítico e cineasta francês que ajudou a criar a nouvelle vague, será tema do novo filme de Michel Hazanavicius, diretor do premiado “O artista”. Louis Garrel, de “Os sonhadores”, será o responsável por encarnar Godard.

O filme vai se passar durante a produção de”A chinesa” (1967), quando o diretor conhece Anne Wiazemsky, então com apenas 17 anos. Ele e Anne se casam e ficam juntos durante pelo menos dez anos, quando trabalham juntos em “Week End” e “Sympathy for the devil”.

O papel de Anne ficará a cargo de Stacy Martin, a versão jovem da Joe de “Ninfomaníaca”. A base para o roteiro é a autobiografia da atriz, “Un an après” (um ano antes, em tradução livre).

De acordo com os produtores envolvidos no projeto a ideia central é investigar o período criativo de Godard durante a relação com Wiazemsky, mas a Nouvelle Vague, naturalmente, será objeto de análise indireto da produção.

Ainda não há data para o começo das filmagens da produção que está sendo anunciada como uma comédia e oferecida a investidores sob o nome de “Redoubtable”.

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