Publicidade

Posts com a Tag Cinema nacional

sexta-feira, 4 de setembro de 2015 Filmes, Notícias | 21:49

Longa brasileiro “Boi Neon” busca contradição do corpo e causa boa impressão em Veneza

Compartilhe: Twitter
Foto: divulgação

Foto: divulgação

Um filme sobre um vaqueiro que desenha vestidos e sonha em ser estilista e sobre uma caminhoneira que faz striptease à noite tomou o festival de Veneza de assalto logo no início dos trabalhos.  A obra do jovem cineasta Gabriel Mascaro, dos impactantes “Domésticas” (2012) e “Ventos de agosto” (2014) faz parte da programação da mostra paralela Horizontes.

“O meu longa tenta revisar a compreensão política e simbólica das relações humanas no Nordeste, explorando tramas e cores que testemunham as contradições da sociedade e dilatando as noções de identidade e gênero que afrontam os personagens em uma escala diferente de valores e aspirações”, observou o cineasta na coletiva do filme no lido.

“A exploração fascinante do corpo e de normas de gênero se impõem ao desenvolvimento narrativo”, anotou a crítica do The Hollywood Reporter que cravou Mascaro como um “talento a se observar”. Já a Variety observa que o “filme exala harmonia” e sublinha a forte conotação sexual de um filme “mais interessado em um aprofundado subtexto político do que em qualquer desenvolvimento narrativo convencional”. “O filme chama atenção para velhas tradições que estão sendo abandonadas, assim como certas ideias de masculinidade”, anotou a crítica do Guardian.

“Boi Neon” mostra o mundo de Iremar (Juliano Cazarré), um homem encarregado de cuidar dos touros da vaquejada, mas que sonha em ser estilista feminino; de Galega (Maeve Jinkings), motorista de caminhão que transporta os animais de uma arena à outra e que de noite faz striptease; de Cacá (Alyne Santana), a filha pré-adolescente de Galega; e de Zé (Carlos Pessoa), colega de trabalho de Iremar.

As relações entre os personagens não são nunca muito bem explicadas pelo diretor, que os apresenta como uma metáfora de uma sociedade em processo de mudanças constantes que não se solidificam. Essa ambiguidade é bem mostrada por Mascaro, que descreve o dia a dia desses microcosmos como um etimólogo examina a vida de uma colmeia ou de um formigueiro.

Graças aos seus inúmeros trabalhos como artista plástico, o pernambucano retrata o mundo das vaquejadas como se fosse uma obra de arte em constante movimento. “Um dos meus propósitos ao realizar este filme é eliminar o lugar comum de que o Nordeste brasileiro está povoado apenas de gente inculta e violenta e transformá-lo em um ambiente sacro, exótico e misterioso”, declarou Mascaro.

*Com informações da Agência Ansa

Autor: Tags: , , , ,

terça-feira, 1 de setembro de 2015 Filmes, Notícias | 20:15

Ana Paula Arósio volta ao cinema no thriller com ecos shakespearianos “A floresta que se move”

Compartilhe: Twitter
Foto: divulgação

Foto: divulgação

Livremente inspirado em “MacBeth”, de William Shakespeare, “A floresta que se move” marca o retorno de Ana Paula Arósio ao cinema, de onde estava afastada desde o lançamento de “Como esquecer”, em 2010. O filme de Vinícius Coimbra, de “A hora e a vez de Augusto Matraga” vai ter sua premiere no próximo festival internacional de cinema do Rio de Janeiro, que acontece entre os dias 1º e 14 de outubro.

Arósio vive Clara, mulher do executivo Elias (Gabriel Braga Nunes), que recebe uma estranha previsão sobre seu futuro na empresa em que trabalha. Comovida por essa previsão, Clara instiga seu marido a tomar certas providências para assegurar este futuro. “O seu problema é que sua ambição é maior do que sua coragem”, diz a Elias em certo momento do trailer, que pode ser conferido abaixo. “Faço tudo o que um homem pode fazer. Fazer mais é desumano”, responde Elias à aflita esposa. O tom agrada e cenas de tensão e sensualidade se insinuam ao nosso olhar. Curiosamente, uma versão inglesa de “MacBeth”, estrelada por Michael Fassbender e Marion Cotillard, também será lançada em 2015.

“A floresta que se move” tem lançamento comercial programado para 5 de novembro.

Autor: Tags: , , , ,

sexta-feira, 24 de julho de 2015 Filmes, Notícias | 15:58

Confira o primeiro trailer de “Condado macabro”, promissor filme de terror nacional

Compartilhe: Twitter

Há quem reclame, com certa razão, da predominância de comédias brasileiras nas salas exibidoras do país. Mas o cinema brasileiro é muito mais diverso e multifacetado do que o circuito comercial faz crer. Muita coisa boa ou não é lançada comercialmente ou fica restrita ao chamado circuito de arte no eixo Rio/SP. Basta um rápido olhar à filmografia do ator Irandhir Santos para confirmar que há muita coisa boa sendo produzida no Brasil além de comédias rasgadas.

“Condado macabro”, primeiro longa de Marcos Britto e André de Campos Mello na direção de longa-metragens, é um filme de terror cheio de referências a clássicos oitentistas do gênero premiado no último Fantaspoa (Festival Internacional de Cinema Fantástico de Porto Alegre) e que teve seu primeiro trailer divulgado.

Fotos: divulgação

Fotos: divulgação

Condado 2

O filme ainda não tem lançamento comercial definido, mas integra a programação do 10º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo que acontece entre os dias 30 de julho e 5 de agosto.

Na trama, um grupo de jovens vai passar o feriado em um imóvel alugado em uma cidade interiorana e acaba virando alvo de um grupo sádico. O rosto mais reconhecível do elenco é do ator Leonardo Miggiorin, de novelas como “Insensato coração” e “Viver a vida”. Mais sobre o filme em breve no Cineclube.

Autor: Tags: , , , ,

sexta-feira, 12 de junho de 2015 Curiosidades, Filmes | 07:00

Filmes para refletir sobre a redução da maioridade penal

Compartilhe: Twitter
Cena de "Cidade de Deus" Foto/ divulgação

Cena de “Cidade de Deus”
Foto/ divulgação

Em voga no Brasil, o debate acerca da redução da maioridade penal já se prova um dos mais polarizantes dos últimos anos. Falta base, boa vontade, maturidade e, acima de tudo, respeito aos pontos de vista alheios para se construir uma discussão séria e que tenha o país como norte.

Feita essa contextualização, o cinema pode ser um bom instrumento para a reflexão.  Poderíamos listar aqui bons filmes internacionais ajustados ao tema, mas a reflexão talvez afrouxasse ao expandir o escopo.  A brasilidade do registro se faz necessária e o cinema nacional é perfeitamente capaz de abastecer o debate por si só. Há bons filmes como o festejado “Pixote, a lei do mais fraco” (1981), de Hector Babenco, que mostra o cerco da criminalidade aos menores abandonados.  A trajetória do Pixote do filme, vivido por Fernando Ramos da Silva, resulta em poesia absurda que culmina em outra produção, de 1996, chamada “Quem matou Pixote?”, de José Joffily. Fernando experimentou muito êxito e tentou emplacar a carreira de ator após o sucesso do filme, mas acabou retornando à criminalidade por influência dos irmãos e foi morto por policiais.

Adotando uma lógica mais identificada com a esquerda, o recente “De menor” (2013) tenta problematizar a relação da Justiça com os menores infratores por um viés bastante emocional. No filme, uma jovem defensora pública que lida diariamente com a “indústria dos menores infratores” se vê fragilizada quando seu irmão vai parar no banco dos réus.

Buscando maior imparcialidade, o documentário “Juízo”, de Maria Augusta Ramos – uma peça frequente em conselhos tutelares e varas da infância e juventude – traça um painel menos ideológico e mais concreto do drama dos milhares de menores às voltas com a criminalidade.

Mais famoso, “Cidade de Deus” é uma bem-vinda adição a este grupo. Certamente o mais otimista de todos, afinal o protagonista dribla a violência com todas as suas forças, o filme oferece um contraponto à tese de que a vida do crime é inescapável para quem se vê circundado pela delinquência.

Ficção e realidade se camuflam em um painel complexo que o cinema parece tratar com mais honestidade do que as bancadas cheias de interesses secundários que discutem o tema com bravatas e desagravos no Congresso.

Abaixo os trailers dos filmes “Juízo”, “Pixote, a lei do mais fraco”, “De menor” e “Quem matou Pixote?”

Autor: Tags: , , , , ,

terça-feira, 28 de abril de 2015 Críticas, Filmes | 17:55

“Casa Grande” pensa o Brasil a partir do derretimento da classe média

Compartilhe: Twitter

Um menino ajeita o cabelo em frente ao espelho. Ele quer parecer bonito. Apaga a luz do banheiro e cerra as portas por onde passa. Sai de sua casa e bate na porta de uma casinha ainda no terreno. É recepcionado por Rita (Clarissa Pinheiro) que se põe a contar para ele uma experiência sexual. De quando teve sua bunda loucamente beijada por um motoqueiro.

Com essa cena aparentemente banal e sem qualquer propósito mais elaborado, “Casa grande”, brilhante filme de Fellipe Barbosa, se insinua com força para a audiência. Estamos diante de um filme que intenciona pensar o Brasil ao apontar a lupa para as dinâmicas estabelecidas em uma família de classe média alta carioca às voltas com sua decadência socioeconômica.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

O filme foca em Jean (o ótimo Thales Cavalcanti), um adolescente de 17 anos indeciso sobre o vestibular e decidido a conquistar uma mulher. Jean é filho de Hugo (Marcello Novaes, surpreendente), um banqueiro à espera de recolocação no mercado de trabalho que vê sua liquidez ruir, e Sônia (Susana Pires), habituada à tranquilidade de uma vida privilegiada que precisa repensar hábitos e desejos. A família é composta, ainda, por Natalie (Alice Melo), a filha caçula.

Embora o ponto de vista adotado seja o de Jean, Barbosa não limita o escopo de seu filme à desestruturação econômica desta família. Ao evocar o debate sobre cotas raciais nas universidades com seus personagens, Barbosa vai além da metaforização ao expor a profunda divisão entre classes sociais vigentes no Brasil. Este, porém, não é o único recurso utilizado pelo diretor/roteirista na obra. Ao flagrar as tensões sexuais entre patrões e empregados, o preconceito velado transferido silenciosamente de pai para filho e outros clichês típicos da classe média brasileira, Barbosa radiografa os vícios de um Brasil parado no tempo e banhado em conservadorismo. Mas Barbosa não emite julgamentos. Pelo contrário, provoca o público a fazê-los. Maliciosamente. Como na cena em que Jean, pela primeira vez usando transporte público sozinho para ir à escola, vê um rapaz negro e com aparência pobre sentar ao seu lado no banco. Sem emitir qualquer som, Barbosa convoca a plateia a posicionar-se a respeito do que vê na tela.

Em outra cena, Hugo surge falando para amigos de seu filho como “aprendeu a gostar de negras”. Mais adiante, a câmara de Barbosa flagra Hugo esgueirando-se para ouvir sua esposa tentar arrancar uma confissão que nunca vem de uma empregada em vias de ser demitida. Novamente, Barbosa não emite julgamentos, mas conta com o juízo da plateia para produzir valor à narrativa.

Mesmo analisada isoladamente, a trama central – o derretimento financeiro de uma família com os pais tentando privar os filhos dessa consciência – encanta com suas sutilezas sortidas, seus diálogos certeiros e sua arquitetura singela. Mas “Casa grande” funde tão categoricamente esse conflito de uma classe média pós-lulismo ao Brasil histórico que é impossível não ficar boquiaberto diante de toda a sua potência narrativa. Essa força dramatúrgica que envolve do breve erotismo à comédia juvenil, qualifica essa estreia de Fellipe Barbosa em longas-metragens como um dos melhores filmes do ano e uma das melhores produções brasileiras da década.

Autor: Tags: , , ,

sábado, 10 de janeiro de 2015 Filmes, Notícias | 18:49

Cinco filmes brasileiros são selecionados para o festival de Roterdã

Compartilhe: Twitter

O festival de cinema de Roterdã, na Holanda, não é dos mais tradicionais do circuito europeu, mas vem ganhando visibilidade, entre outras razões, por apostar em cinematografias fora da curva. Como a brasileira, para os propósitos de festivais de cinema. A boa notícia é que para a edição de 2015 do evento, que acontece entre os dias 21 de janeiro e 1ºde fevereiro, cinco filmes brasileiros foram selecionados. Nenhum, entretanto, para a principal mostra competitiva do festival.

“O Touro”, de Larissa Figueiredo, “Ela Volta na Quinta”, de André Novais Oliveira, e “Prometo um Dia Deixar essa Cidade”, de Daniel Aragão integrarão a mostra Bright future, voltada para realizadores com até dois trabalhos. É o caso do pernambucano Daniel Aragão que já teve seu  segundo filme exibido em Brasília e na Mostra internacional de São Paulo. Sua estreia, “Boa sorte, meu amor” é das mais pungentes e assertivas crônicas do histórico conflito de classes no país.

Já na mostra Spectrum, destinada a projetos experimentais, estarão os longas “O Fim de uma Era”, de Bruno Safadi e Ricardo Pretti, e “Ventos de Agosto”, de Gabriel Mascaro, este último já exibido em circuito limitado aqui no Brasil.

Cena do filme "Ventos de agosto"  (Foto: divulgação)

Cena do filme “Ventos de agosto”
(Foto: divulgação)

Autor: Tags: , ,

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014 Análises | 05:00

Retrospectiva 2014 – Cinema nacional cresce e aparece

Compartilhe: Twitter

Se não foi um ano de grandes arroubos de bilheterias e de produções celebradas em festivais de cinema e círculo de críticos, o ano de 2014 mostrou que o cinema brasileiro – a despeito das constantes e desfavoráveis comparações com o cinema argentino – amadureceu mais nos âmbitos estético, narrativo e temático.

Leia também: Brasil tem circuito exibidor de cinema desequilibrado, mas regular é a solução?

Como imaginado, as maiores arrecadações do ano são comédias, mas o Brasil ofertou a seu público um grande número de produções autorais e filmes de gênero. Foram 96 lançamentos – contabilizadas as estreias de “A noite da virada”, “O segredos dos diamantes” e “Os cara de pau em o misterioso roubo do anel”, em 2014. Menos do que o recorde de 120 alcançado em 2013, mas um número de fôlego invejável. Os dados são da Ancine e do portal Filme B.

Mais invejável do que o número de produções lançadas é a qualidade da variedade apresentada. Filmes como “Quando eu era vivo”, “Latitudes”, “jogo de xadrez”, “Entre nós”, “Confia em mim”, “O lobo atrás da porta”, “Hoje eu quero voltar sozinho”, “Praia do futuro”, “Causa e efeito”, “O homem das multidões”, “Uma dose violenta de qualquer coisa” e “O mercado de notícias” consolidaram uma produção cinematográfica diversa, provocante e cuja evolução estética e narrativa pode ser percebida com facilidade.

Fernanda Machado e Mateus Solano em cena de "Confia em mim": suspense  aliado à gastronomia em filme incomum na cena nacional

Fernanda Machado e Mateus Solano em cena de “Confia em mim”: suspense aliado à gastronomia em filme incomum na cena nacional

Bruno Gagliasso em cena de "Isolados": o Brasil apostou no cinema de gênero em 2014

Bruno Gagliasso em cena de “Isolados”: o Brasil apostou no cinema de gênero em 2014

O cinema de gênero foi inegavelmente o destaque do ano. No Brasil, filmes como “Quando eu era vivo”, “Confia em mim”, “Isolados” e “O lobo atrás da porta” ainda são raridade, mas a qualidade desses filmes sugere que o cenário deve mudar em breve.

Coproduções como “Rio, eu te-amo”, “A oeste do fim do mundo” e “Trash – a esperança vem do lixo” indicam um país que está se abrindo para parcerias que podem e devem levar o cinema brasileiro para horizontes ainda inexplorados. Além de incrementar a maneira como se produz cinema por aqui.

Os documentários nacionais brilharam em 2014 e merecem um destaque à parte. Filmes como “Cuba libre”, “Sem pena”, “Ilegal”, “Esse viver ninguém me tira”, “Brincante”, entre tantos outros oxigenam um gênero que começa a ser mais apreciado pelo brasileiro.

Há, porém, que se reiterar o alerta sobre alguns vícios. Ainda que bem-sucedida comercialmente, uma produção como “Alemão”, que já tem sequência garantida, repisa convenções de um tipo de cinema que o Brasil precisa desaprender a fazer. As comédias histriônicas continuam ocupando a preferência do público e já começam a desgastar a relação de diretores com produtores, distribuidores e, por que não, com o próprio público como atesta essa ótima matéria da repórter Luísa Pécora.

Se contarmos a partir do ano de 1994, considerado o marco inicial da retomada do cinema brasileiro, nosso cinema chega aos 20 anos com os vícios, conflitos e virtudes da idade. Ao futuro, a promessa de estabilidade e reconhecimento.

Autor: Tags: ,

sábado, 6 de dezembro de 2014 Análises, Bastidores, Notícias | 17:08

O que esperar do filme “Porta dos fundos”?

Compartilhe: Twitter

PortaUm dos grandes cases de sucesso da internet brasileira, a trupe responsável pelo “Porta dos fundos” já havia sinalizado lá atrás a intenção de ir para o cinema. Os primeiros contatos com a sétima arte foram proveitosos. Membros do grupo estrelaram filmes de sucesso como “O concurso” e “Vai que dá certo”.  Agora é hora de avançar à próxima etapa. “Porta dos Fundos – o filme” começa a ser gravado em março de 2015 e tem lançamento previsto para o segundo semestre. “Vai ser o ‘Game of Thrones’ brasileiro. Talvez com um anão”, afirmou Antonio Tabet, um dos integrantes do grupo, na Comic Com Experience realizada neste fim de semana em São Paulo.

Orçada em R$ 3 milhões, a fita será dirigida por Ian SBF, o mesmo responsável pela direção dos esquetes do grupo para o YouTube.

Muita gente achou a estreia do “Porta dos Fundos” na TV – um programa semanal de meia hora é exibido no canal FOX – frustrante. Isso porque o programa só oferta esquetes exibidos previamente na internet. Em 2015, o grupo deve preparar material inédito para a TV. O filme, porém, romperá com a estrutura de esquetes, pelo menos é o que garantiu o produtor Bruno Weiner. A fita terá uma história contínua. Mas o que esperar efetivamente de um filme do “Porta dos Fundos”? Há fôlego para ir além dos esquetes? “Porta dos Fundos” reforçará paradigmas das comédias brasileiras ou estabelecerá novos?

O “Porta dos Fundos” sempre se notabilizou por seu aspecto colaborativo, pela criatividade insinuante e pela total liberdade na confecção de seu humor – o que até valeu certa cota de polêmicas.

É uma boa bagagem para se levar ao cinema. Não atrapalha o fato de todos os integrantes do grupo terem experiência multimidiáticas e se prepararem para lançar um filme em um ponto de suas carreiras em que maturidade certamente não é uma palavra estranha.

No entanto, é preciso ter em mente que o grupo não deve romper com seu viés satírico do establishment brasileiro. E o cinema brasileiro atual é vacilante em matéria de boas sátiras. Sejam elas políticas ou culturais. É natural pressupor que a produção se ressinta disso e a iniciativa de rodar um longa-metragem prescindindo dos esquetes que fizeram a fama do grupo demanda uma ideia – e um roteiro – muito bons. O que, em tese, limita o espaço para o improviso. Será do difícil equilíbrio entre o respeito às bases da trupe e a natural vontade de ousar, que o filme “Porta dos Fundos” pode se inserir como um divisor de águas da comédia de cinema brasileira. O sucesso é certo e independe da qualidade. Antonio Tabet, Fábio Porchat, Gregório Duvivier, Ian SBF, João Vicente de Castro e os demais participantes não vão ao cinema, afinal, apenas para replicar o sucesso que já ostentam. É esta constatação que faz toda a diferença e permite o otimismo com o filme e com o que ele pode representar para o cinema brasileiro.

Autor: Tags: , , , ,

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014 Críticas, Filmes | 16:26

Deborah Secco mesmeriza no bem azeitado “Boa sorte”

Compartilhe: Twitter

É uma questão que parece superada, mas a cada novo trabalho – especialmente no cinema -mais imperativo se torna destacar quão boa atriz é Deborah Secco. “Boa sorte”, que marca a estreia de Carolina Jabor na direção de longas-metragens, é mais um passo na fórmula – até aqui infalível – de Secco de entregar-se de corpo e alma a suas personagens. A exemplo do que já ocorrera em “Bruna Surfistinha”, a atriz surge como produtora executiva em “Boa sorte” – uma forma de legitimar uma participação mais ativa no processo de feitura do filme.

O fato de ter perdido 11kg para viver a soropositivo Judite é um atestado dessa dedicação incandescente de uma atriz ciosa por testar e estabelecer novos limites em sua carreira. Mas não resume o trabalho de Secco no sensível e bem-vindo filme da filha de Arnaldo Jabor, aqui revelando uma assinatura pessoal vistosa em adaptação do conto “Fanta com frontal” de Jorge Furtado.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

Secco adentra uma personagem desesperançosa, acometida de uma doença incurável e com um organismo que não mais aceita tratamentos paliativos e confinada em uma clínica para dependentes químicos, com gana e paixão sobrepostas à curiosidade que deve nortear todo bom intérprete.

Judite vê sua rotina transformar-se com a chegada de João, vivido pelo não menos acintoso em matéria de talento João Pedro Zappa, um adolescente que vai parar na clínica como decorrência da total incapacidade de seus pais em lidar com as manifestações típicas da adolescência. João e Judite, excluídos que são e se sentem, vão tateando um ao outro como quem busca um contato qualquer, um amor para acolher-se. E é nesse tom, de abstração da concretude de suas circunstâncias, que Jabor constrói seu filme. De pequenas digressões como quando Judite divaga sobre dinheiro e loucura até a invisibilidade dos protagonistas que vai ganhando literalidade à medida que o filme avança, “Boa sorte” vai pincelando um amor irrealizável. De um menino que perdeu a virgindade com uma mulher que descobriu a yoga tarde demais – como a própria Judite pontua em certo momento – e espera apenas sua partida desta vida.

A desestabilização, todavia, não é uma prerrogativa apenas dos amores realizáveis e “Boa sorte” é feliz ao apontar como a mudança de perspectiva afeta Judite e afeta também a responsabilidade que ela invariavelmente sente em relação ao ingênuo João, como demonstram as carinhosas pinturas de seu diário.

“Boa sorte” é, portanto, um filme muito bem azeitado na combinação das propostas da direção – estética e narrativamente ousadas para um primeiro filme – e da altivez de uma atriz segura de sua arte e disposta a aprimorá-la sempre que possível.

Autor: Tags: , , , ,

terça-feira, 2 de dezembro de 2014 Críticas, Filmes | 16:57

Resistir à solidão é a odisseia do protagonista de “Os amigos”

Compartilhe: Twitter

“Os amigos” é um tipo raro de filme não só na cinematografia brasileira, como na produção de cinema contemporânea. Na superfície, é um elogio da amizade, tão negligenciada pelo cinema mais interessado no temperamental amor, sentimento mais rarefeito e poético.

A amizade, ainda que seja algo tão difícil de conquistar como um amor longevo, é relegada a comédias ligeiras sem receber o merecido carinho. Lina Chamie se propõe a corrigir essa injustiça com “Os amigos”. Centrado na figura de Téo (Marco Ricca), o filme enquadra a amizade como um oásis na inexorável jornada rumo à solidão que a sociedade moderna impõe aos seus. Não à toa, a cidade – uma São Paulo de muitos lances e caos – interfere reiterada e decisivamente na rotina dos personagens. Sejam eles fixos na trama ou apenas passageiros. Flagramos Téo em uma incipiente crise existencial, deflagrada pela morte de um amigo de infância, Juliano (Otávio Martins), com o qual pouco tinha contato naqueles dias. Observamos essa crise, em suas articulações interna e externa, por um dia e Chamie habilmente estabelece uma métrica que abrilhanta o raciocínio intradiegético da fita ao mostrar crianças em uma encenação da “Odisseia”, de Homero.

Marco Ricca e Dira Paes em cena do filme (Foto: divulgação)

Marco Ricca e Dira Paes em cena do filme
(Foto: divulgação)

Esse emparelhamento proposto pela encenação da peça grega com a odisseia de Téo por aquele dia, surpreendentemente longo e de muitos compromissos, por sua crise existencial – fustigada a todo momento pela amiga Majú (Dira Paes), e por sua própria amizade com Juliano, revisitada na memória em alguns de seus momentos-chave, subscreve “Os amigos” como um filme de sensorialidade rara no cinema brasileiro. O que não é pouco, tampouco é tudo. “Os amigos” também se prova uma ação entre amigos, já que Ricca volta a trabalhar com sua diretora de “A via Láctea” (2006). O filme conta com participações especiais de gente como Alice Braga, Caio Blat, Rodrigo Lombardi e Sandra Corveloni. Finalmente, o espírito abrasador do filme é seu diamante mais precioso. Sem grandes elucubrações sobre a vida, ainda que se permita divagar sobre a malemolência dos super-heróis em tempos que eles parecem dominantes, “Os amigos” brinda nossa fortaleza contra o assédio da solidão. Ela mesma, a amizade.

Autor: Tags: , ,

  1. Primeira
  2. 3
  3. 4
  4. 5
  5. 6
  6. 7
  7. Última