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Posts com a Tag comédias

quinta-feira, 4 de agosto de 2016 Críticas, Filmes | 17:07

Susan Sarandon retoma o protagonismo perdido na bela surpresa “A Intrometida”

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Mãe, filha e o luto: um filme tão inteligente quanto divertido (Fotos: divulgação)

Mãe, filha e o luto: um filme tão inteligente quanto divertido
(Fotos: divulgação)

Lorene Scafaria, para todos os efeitos, segue os passos de grandes cineastas mulheres como Nora Ephron e Nancy Meyers, cujas filmografias se resolvem em torno de grandes personagens femininas em filmes muito sensíveis, inteligentes e agradáveis.

“A Intrometida” (EUA 2015), que devolve a Susan Sarandon o protagonismo que lhe falta desde “Bernard & Doris – O Mordomo e a Milionária”, uma produção da HBO de 2006, é um filme cheio de sutilezas sobre gente de verdade com problemas reais e palpáveis.

O filme é o segundo de Scafaria como diretora. O primeiro foi o excelente e surpreendente “Procura-se um Amigo para o Fim do Mundo” (2012). Como naquele filme, este é movido pelas inseguranças dos personagens. Tudo retratado com muito afeto e atenção. Há certa melancolia no registro e Scafaria se mostra uma roteirista talentosa e uma diretora atenta aos pequenos detalhes. Seu filme é cheio de fragmentos que juntos tornam a experiência muito mais sensível.

Sarandon faz Marnie, uma mulher que não sabe exatamente como conviver com a ausência do marido falecido. O luto mal elaborado a aproxima da filha Lori (Rose Byrne) que, por seu turno, tenta se afastar da mãe por não saber exatamente lidar com ela sem o pai ali junto. A presença cada vez mais forçosa da mãe expõe fissuras no relacionamento das duas. A beleza de “A Intrometida” é que o espectador só se dá conta de que é um filme sobre como administrar o luto e recolocar sua vida nos trechos lá pela metade da projeção. Seria injusto, no entanto, reduzir o filme a isso. “A Intrometida” flagra duas mulheres que se descobrem vulneráveis em uma fase da vida em que não esperavam por isso. Marnie, em especial, se vê refém de sua carência afetiva e permite que sua insegurança se manifeste com mais propriedade. O que não quer dizer que esteja se abrindo para novas pessoas. A maneira como se refere à amiga de Lori, a quem ela se oferece para pagar pelo casamento, é uma ilustração clara disso.  A maneira como mãe e filha se agarram à memória de seus homens do passado e como essa condição afasta qualquer possibilidade de paz de espírito é uma sutileza do roteiro que merece aplausos.

Sensibilidade de "A Intrometida" está nos detalhes

Sensibilidade de “A Intrometida” está nos detalhes

O elenco é um espetáculo à parte. Byrne é uma das melhores atrizes da atualidade em que o grande público não presta atenção. Sua incrível capacidade de trafegar entre o humor mais histriônico e a nota dramática mais singela é puro arrebatamento. Não obstante, sua versatilidade impressiona. Ela faz terror (“Sobrenatural”), comédia rasgada (“Os Vizinhos”) e dramédias como essa sem deixar a peteca cair.

Susan Saranson apresenta aquela boa forma dramática que lhe é característica e como é bom vê-la novamente à frente de um filme com algo a dizer. J. K Simmons surge aqui como um galã maduro que entra no radar de uma Marnie sem convicção de que caminho seguir e o ator apresenta toda a qualidade que dele se espera – e quem o conhece de sua magnânima trajetória no circuito indie americano sabe que se espera muito dele.

Scafaria entrega um filme solar, doído, momentaneamente desconfortável – pois nos laça pela familiaridade – e tateia as verdades submergidas em nossa inteligência emocional com muita propriedade e generosidade. Um filme que diverte, encanta e faz um bem danado assistir.

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quinta-feira, 28 de julho de 2016 Notícias | 18:14

Estudante descoberto pelas redes sociais protagoniza filme de Danilo Gentili

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Foto: divulgação

Foto: divulgação

Focado no seu mais novo projeto, o filme “Como Se Tornar o Pior Aluno da Escola”, o comediante Danilo Gentili acaba de revelar um dos protagonistas do longa, que é inspirado no livro homônimo do humorista e apresentador. O estudante Bruno Munhoz, de 12 anos, encontrou com Gentili para acertar os últimos detalhes de sua participação. O elenco reúne ainda o ator Carlos Villagrán, mais conhecido como o Quico de Chaves, que será o vilão da produção que será dirigida por Fabrício Bittar. Gentili ficará responsável pela adaptação da própria obra.

As filmagens têm início em agosto e o longa tem estreia nacional agendada para 2017.

Essa será a segunda adaptação de um livro de Gentili. O próprio roteirizou “Mato Sem Cachorro” (2013), estrelado por Bruno Gagliasso e Leandra Leal. O próprio Gentili tinha uma participação no filme que marcou sua estreia no cinema.

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quinta-feira, 22 de outubro de 2015 Críticas, Filmes | 14:13

“Um amor a cada esquina” é comédia sofisticada e homenagem afetuosa ao cinema

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Peter Bogdanovich antes de ser um cineasta é um cinéfilo. “Um amor a cada esquina” (EUA 2014), que marca seu retorno à direção de uma ficção para cinema após 14 anos – seu último filme foi “O miado do gato” – é uma carta de amor ao cinema cheia de afeto.

Billy Wilder, Howard Hawks e Woody Allen são referências explícitas na trama e na construção dos diálogos desta que é uma comédia tão sofisticada quanto inteligente.

Owen Wilson vive Arnold Albertson, um diretor de teatro que chega a Nova York para sua nova peça. Ele decide passar uma noite com uma garota de programa que sonha em ser atriz. Izzy (Imogen Poots) o fascina e ele lhe propõe dar U$$ 30 mil para ela largar a vida de prostituta e perseguir seu sonho. Artimanha do destino, ou a manifestação do mero acaso, faz com que que Izzy seja escalada para a peça que Arnold vai dirigir e que será estrelada pela sua mulher (Kathryn Hahn).

Foto: divulgação

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A confusão, que já parece suficientemente grande, torna-se ainda maior com os outros cativantes personagens da trama. Rhys Ifans faz um galã inglês apaixonado pela mulher de Arnold; Will Forte é o produtor e autor da peça que se apaixona instantaneamente por Izzy. Jennifer Aniston faz a carente e amalucada terapeuta de Izzy que é namorada do personagem de Forte. Há, ainda, Austin Pendleton como um juiz obcecado por Izzy.

O fascínio que a personagem parece exercer sobre os homens da trama, no entanto, é um macguffin, podemos dizer. Já que é a jornada de Izzy de prostituta a atriz de sucesso que interessa à realização. Mas interessa apenas por meio da memória afetuosa que Izzy revela.

O maior trunfo do filme de Bogdanovich, porém, são os diálogos caprichados que esculpem uma trama inventiva e cativante. “Um amor a cada esquina” não é um filme para a eternidade, mas é daqueles que se infiltra na sua memória com docilidade. Atenção para a participação especial de Quentin Tarantino que ajuda a elevar o filme de patamar e cristaliza a homenagem poderosa que Bogdanovich presta ao cinema.

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quarta-feira, 14 de outubro de 2015 Críticas, Filmes | 14:43

“Um Senhor Estagiário” tem discurso feminista forte embutido em comédia sofisticada e sensível

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Nancy Meyers faz falta ao cinema. Muito já se falou de como o cinema mainstream negligencia um público mais maduro e mais recentemente muito tem se falado sobre como o público feminino é deixado de lado pelos grandes estúdios. Desde que se firmou como diretora, sua segunda incursão na direção com “Do que as mulheres gostam” em 2000 pode ser o marco zero, Nancy Meyers voltou-se para um público mais maduro dando preferência às mulheres.

Com “Um senhor estagiário” (2015), seu primeiro filme desde o bem sucedido “Simplesmente complicado” (2009), a cineasta continuar a contemplar esses desprestigiados nichos, mas o faz com mais assertividade e uma retórica incomum em seu cinema.

Aqui ela adota com mais clareza um discurso feminista e também advoga em favor da ideia de que idosos, se assim desejarem, devem sim ter espaço no mercado de trabalho. No filme, Robert De Niro é Ben, um septuagenário que após a morte da esposa decide voltar a trabalhar. Ele se inscreve no programa de estágio sênior da companhia fundada por Jules Ostin (Anne Hathaway), que viu seu blog de moda crescer exponencialmente para uma empresa de e-commerce e agora, além de lidar com todas as pressões inerentes ao negócio, precisa resistir ao assédio dos investidores para contratar um CEO. “Mark Zuckerberg pôde controlar sua própria empresa mesmo sendo um adolescente e nunca tendo trabalhado antes”, observa Jules em um dado momento do filme.

Tiradas como essa, sempre certeiras e impactantes, pontuam o filme que devolve Meyers ao campo das comédias sofisticadas. Apesar de sua agenda, “Um senhor estagiário” nunca emoldura um discurso aborrecido e sempre encanta pela leveza e emoção.

Foto: divulgação

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Jules e Ben são dois personagens cativantes e muito bem adensados pelas interpretações de De Niro e Hathaway.

A jornada de Jules para se estabelecer em um mundo ainda dominado por homens e que mostra sinais de resistência a ascendência feminina mesmo em donas de casa, como Meyers tão brilhantemente sublinha em um dos núcleos do filme, é o principal fio condutor de “Um senhor estagiário”, mas Meyers tem o mérito de observar essa jornada a partir da relação improvável entre Jules e seu, a princípio renegado, estagiário. É uma solução criativa colocar em um cavalheiro que sempre tem um lenço a mão para ofertar a uma donzela em lágrimas a maior convicção feminista do filme. O feminismo, no escopo de “Um senhor estagiário”, aliás, tem tudo a ver com a recolocação de Ben no mercado. Meyers não equipara uma coisa com a outra, mas sabiamente filtra os pontos em comum e eles são muitos.

Conceber personagens femininas fortes é outro mérito de Meyers replicado aqui. A Jules defendida tão lindamente por Hathaway é uma mulher que já contabiliza algumas feridas por nadar contra a maré e vamos descobrindo isso junto com Ben. Meyers não poupa sua personagem dos clichês que vitimam a mulher moderna e opta não por desfechos hollywoodianos, mas por um viés otimista na resolução dos conflitos propostos. Tudo a ver com um septuagenário praticante de ioga. Eles não são muitos, mas são cada vez mais numerosos. Assim como as Jules deste mundo.

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quarta-feira, 16 de setembro de 2015 Críticas, Filmes | 19:36

Politicamente incorreto, “Férias frustradas” é rara refilmagem que faz par ao original

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Um dos clássicos da comédia oitentista, “Férias frustradas”, é o novo alvo da onda de remakes e reboots que assola a Hollywood atual. Mas a fita dos diretores debutantes John Francis Daley e Jonathan M. Goldstein (roteiristas de produções como “Quero matar meu chefe” e “O incrível mágico Burt Wonderstone”) não é uma refilmagem convencional. O filme é um misto de sequência e adaptação do filme protagonizado pelo impagável Chevy Chase. Aqui Ed Helms é Rusty Griswold que na esperança de reanimar o convívio familiar decide fazer a viagem ao Wally World, a mesma pretendida por seu pai no filme original.

Como é possível antecipar, tudo sai errado para Rusty e sua família composta pela esposa Debbie (a sempre ótima Christina Applegate) e pelos filhos James (Skyler Gisondo, hilário) e Kevin (Steele Stebins).

Skyler Gisondo, um inesperado roubador de cenas, ao lado de Ed Helms (Foto: divulgação)

Skyler Gisondo, um inesperado roubador de cenas, ao lado de Ed Helms
(Foto: divulgação)

Além da acertada escalação do elenco, o filme têm como bônus participações especiais inspiradas como as de Charlie Day, como um guia turístico bipolar, do próprio Chevy Chase, Regina Hall, Norman Reedus (o Daryl de “The walking dead), Ron Livingston, Leslie Mann e especialmente Chris Hemsworth, o Thor em pessoa, como um republicano altamente sexualizado casado com a irmã de Rusty.

A grande sacada da realização, no entanto, foi deixar o politicamente correto de fora, o que reforça o potencial cômico do filme e lhe acresce certo frescor em uma seara em que a comédia americana parece tão pudica. O que funciona melhor, e até certo ponto surpreende, é a dinâmica de bullying entre os filhos de Rusty. São as cenas de rivalidade entre os dois irmãos, bem originais e incorretas, que proporcionam as melhores gargalhadas que a comédia americana ofertou em 2015 nos cinemas. Sem se levar a sério, mas reverente à fórmula de filme familiar, “Férias frustradas” (EUA, 2015) consegue corresponder ao legado do filme original e adentrar à galeria das boas (e bem-vindas) refilmagens.

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sábado, 6 de junho de 2015 Bastidores, Curiosidades, Filmes | 19:32

Temporada de verão no cinema americano opõe comédias a super-heróis

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"Ted 2 " na capa da EW: paródia de Kim Kardashian

“Ted 2 ” na capa da EW: paródia de Kim Kardashian

Ninguém discute que os super-heróis dominam o cinema atual. A tendência não é exatamente nova e, se já dá sinais de desgaste, pode ser relativizada na temporada de verão de 2015 no cinema americano. Isso porque as comédias que serão lançadas entre junho e agosto prometem causar grande comoção.

As grandes sensações das últimas temporadas, as bilheterias surpreendentes, foram comédias. Em 2009, o hit foi “Se beber, não case!”, que colou no todo poderoso, e muito mais caro, “Transformers – a vingança dos derrotados”, faturou cerca de U$ 278 milhões nos EUA e quase U$ 500 milhões no mundo todo. Resultado? Virou uma inesperada franquia cujo terceiro e último filme foi lançado em 2013. No ínterim, “Ted” fez barulho em 2012 e só perdeu na temporada de blockbusters para os aguardadíssimos “O cavaleiro das trevas ressurge” e “Vingadores”. Internacionalmente, o filme estrelado pelo ursinho de pelúcia desbocado fez mais de U$ 500 milhões. A sequência de “Ted” é uma das comédias que prometem incomodar os filmes de super-heróis nessa temporada.

Em 2014, em plena Copa do mundo, que causou receio nos estúdios de haver desinteresse pelos lançamentos de cinema, uma comédia descompromissada estrelada por Seth Rogen e Zac Efron faturou quase U$ 300 milhões mundialmente. O filme em questão é “Vizinhos”.

A força emergente do gênero ficou consolidada com o lançamento de “A escolha perfeita 2” que se pagou integralmente no primeiro fim de semana e ainda ficou à frente do muito comentado “Mad Max: a estrada da fúria”. O filme, que ainda nem sequer estreou em muitos mercados, já faturou U$ 155 milhões nos EUA.  Estreia deste final de semana, “A espiã que sabia de menos” caminha para liderar as bilheterias nos EUA e já colhe bom boca a boca nas redes sociais brasileiras.

Nem tudo são flores: estrelado pelas belas Sofía Vergara e Reese Whiterspoon, "Belas e perseguidas" foi um flop inesperado

Nem tudo são flores: estrelado pelas belas Sofía Vergara e Reese Whiterspoon, “Belas e perseguidas” foi um flop inesperado

Com Bradley Cooper e Emma Stone e assinado pelo badalado Cameron Crowe, "Sob o mesmo céu" também decepcionou nos EUA. O filme chega ao Brasil em 11 de junho

Com Bradley Cooper e Emma Stone e assinado pelo badalado Cameron Crowe, “Sob o mesmo céu” também decepcionou nos EUA. O filme chega ao Brasil em 11 de junho
(Fotos: divulgação)

Além de “Ted 2” e “A escolha perfeita 2”, a Universal apresenta na temporada a nova comédia de Judd Apatow (“O virgem de 40 anos” e “Ligeiramente grávidos”), para todos os efeitos, um dos curadores dessa nova era das comédias. “Descompensada” traz a nova sensação do humor americano, Amy Schumer, como protagonista.

Liberado o trailer da comédia que promete ser a mais ultrajante e divertida de 2015

A Warner, que também não tem nenhum filme de herói em 2015, traz como um de seus potenciais hits o remake de “Férias frustradas” com Ed Helms, Christina Applegate e Chris Hemsworth.

Essa movimentação tem a ver com o crescente interesse do público, especialmente o americano, pelas comédias na temporada de verão.  “As pessoas não querem ter como opção apenas filmes de super-heróis”, disse à Variety a produtora de “A espiã que sabia de menos”, Jenno Topping. Apesar do boom das comédias, são os filmes evento – e aí incluem-se produções como “Terremoto”, “Jurassic World” e “O exterminador do futuro” – os verdadeiros chamarizes da temporada de blockbusters. Não há nenhum indício de arrefecimento na produção destes arrasa-quarteirões. O que se pode dizer, e 2015 deve comprovar, é que o riso vai tornar a carreira dessas megaproduções muito mais difícil.

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sexta-feira, 1 de maio de 2015 Análises, Curiosidades | 19:34

Quando comediantes fazem chorar

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Jennifer Aniston em cena de "Cake" (Fotos: divulgação)

Jennifer Aniston em cena de “Cake”
(Fotos: divulgação)

Duas das estreias deste fim de semana nos cinemas brasileiros têm como principais atrativos atores mais identificados à comédia exercitando suas veias dramáticas. “Entre abelhas”, estreia de Ian SBF em longas-metragens de ficção, traz o ator e comediante Fábio Porchat em um registro mais cândido, agridoce como um homem que depois de enfrentar uma separação amorosa passa a não enxergar mais as pessoas. O filme tem um humor mais sutil do que o que Porchat está acostumado a praticar com a trupe do “Porta dos Fundos” e abraça o drama sem medo de ser feliz. Já em “Cake – uma razão para viver”, Jennifer Aniston renuncia ao posto de queridinha da América alcançado com comédias românticas e a série “Friends” para viver uma mulher mergulhada em uma depressão profunda. O filme lhe valeu indicações para diversos prêmios, inclusive o Globo de Ouro e o SAG. Aniston, porém, não foi ao Oscar pelo papel. Muitos creditaram a esnobada a seu background na comédia, frequentemente apontado como desabonador nas hostes da academia. Mas outro ator egresso da comédia, Steve Carell, foi indicado ao Oscar em 2015 justamente por um papel dramático. Em “Foxcatcher – uma história que chocou o mundo”, Carell que até já havia atuado em dramas, mostra uma faceta que grande parte do público que o conhece de produções como “Agente 86” e “The Office” desconhecia.

De cima para baixo: Steve Carell e Channing Tatum, Fábio Porchat e Adam Sandler

De cima para baixo: Steve Carell e Channing Tatum, Fábio Porchat e Adam Sandler

Jim Carrey tentou o reconhecimento obtido por Carrel em 2015, mas tudo o que conseguiu foi emendar daquelas piadas longevas sobre ser vítima de preconceito da academia. Carrey chegou a ganhar consecutivamente dois globos de ouro por “O show de Truman” e “O mundo de Andy”, mas não foi sequer indicado ao Oscar. Depois das incursões pelo drama no final da década de 90, o ator voltou à carga em 2004 com “Brilho eterno de uma mente sem lembranças” e embora tenha visto sua colega de cena, Kate Winslet, ser indicada ao Oscar ficou a ver navios.

Outro expoente da década de 90, muito contestado por críticos, Adam Sandler é outro que manifesta o desejo de se provar ator sério migrando para o drama de quando em quando. Mais recentemente esteve às ordens do cineasta Jason Reitman em “Homens, mulheres e filhos”. “Espanglês”, “Tá rindo do quê?”, e “Reine sobre mim” foram tentativas anteriores de obter esse respeito que a comédia teima em não angariar.

Há a percepção de que o drama é mais solene, difícil e dignificante. Não é o caso. Jack Nicholson, um dos poucos atores a ser largamente premiado tanto por dramas como por comédias, disse certa vez que a comédia é muito mais difícil. É preciso timing, segurança e talento. Não tem como fingir ou ser dirigido para conquistar os efeitos pretendidos. No drama, um bom diretor e um ator mediano poderiam fazer maravilhas.

Percepções à parte, atores tarimbados no drama externam o desejo de fazer comédias, mas se mostram mais receosos de se aventurarem pela arte do riso. Enquanto promovia o filme de ação “O protetor”, Denzel Washington, cuja carreira foi erguida em dramas de toda sorte, disse que gostaria de fazer comédias. O ator até já se arriscou em produções que flertam com o gênero como “Muito barulho por nada” (1994) e “Dose dupla” (2013), mas jamais estrelou uma comédia assumida e na condição de protagonista. Esse receio talvez seja mais forte porque o reconhecimento de atores com bagagem dramática é algo muito forte e que pode ser mostrar um tiro pela culatra se a incursão pela comédia não for bem sucedida.

Por isso é mais comum vermos atores ligados à comédia fazendo (bem) dramas do que atores de fundo dramático excursionando pelos domínios da comédia. Channing Tatum também colheu muitos elogios por sua atuação em “Foxcather”. Jonah Hill, para muitos o gordinho de “Superbad”, tem duas indicações ao Oscar por papeis dramáticos (“Moneyball – o homem que mudou o jogo” e “O lobo de Wall Street”). Quando de sua segunda indicação ao Oscar, as redes sociais transbordaram em escárnio. Um tuíte dizia: “Jonah Hill tem duas indicações ao Oscar enquanto Gary Oldman apenas uma. Lide com isso”. Uma demonstração de que o preconceito com a comédia não está apenas na indústria ou na crítica, mas primordialmente no público. Um exemplo é Matthew McConaughey. O ator sempre esteve associado a comédias românticas em que surgia descamisado. O perfeito Marcos Pasquim texano. McConaughey se engajou em mudar os rumos de sua carreira. De mudar a percepção que público, crítica e indústria tinham dele. A guinada começou em 2011 com o drama de tribunal “O poder e a lei”, mas foram precisos nove filmes e uma aclamada série de TV para que ele finalmente tivesse seu imenso talento dramático reconhecido com indicações a prêmios.

Ben Stiller, outro ator mais afeito à comédia e à comédia de uma nota só, rodou um filme para que pudesse mostrar que há talento dramático onde o público só enxerga comédia física. O filme em questão é “A vida secreta de Walter Mitty”.

Não se pode medir talento pela assiduidade de um ator ou atriz em um mesmo gênero ou pela extensão de nobreza que aferimos a este. Mas não se pode negar que quando um comediante nos provoca apreensão ou lágrimas na sala de cinema, a sensação de arrebatamento é muito mais atordoante.

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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015 Filmes, Notícias | 19:24

Liberado o trailer da comédia que promete ser a mais ultrajante e divertida de 2015

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Foto: divulgação

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Você sabe o que significa o termo “Trainwreck”, que curiosamente nomeia o novo filme do diretor de perolas como “O virgem de 40 anos” e “Ligeiramente grávidos”? É uma expressão usada para discriminar uma mulher que mantém relações sexuais sequenciais com homens distintos.

Judd Apatow, o homem que revitalizou a comédia americana e é um dos produtores da série de forte pulsão feminista e que abraça o chavão ame ou odeie (estamos falando de “Girls”), se junta à comediante apontada como a maior sensação da atualidade na cena americana (não estamos falando de Lena Dunhan, mas sim de Amy Schumer), para forjar a comédia que promete ser a mais insanamente divertida da temporada.

A trama segue uma jornalista, que trabalha em uma revista masculina, que não acredita em relacionamentos monogâmicos. Ela gosta de sua vida livre e não quer compromissos entediantes com outras pessoas, mas tudo muda quando começa a se apaixonar pelo homem que ela está perfilando para a revista.

Schumer também assina o roteiro da fita que promete escrachar certas convenções sociais e inflamar a discussão sobre as diferenças de liberdade sexual entre os gêneros.

O elenco conta ainda com o astro do basquete LeBron James, Bill Hader, Marisa Tomei, Brie Larson, Daniel Radcliffe, Tilda Swinton e Ezra Miller.

O filme, que ainda não tem título nacional, deve aportar nos cinemas brasileiros em setembro.

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quinta-feira, 29 de janeiro de 2015 Notícias | 19:24

Revelado o primeiro trailer de “Ted 2” e… tirem as crianças da sala!

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Último grande filme essencialmente original a ser um retumbante sucesso de bilheteria, “Ted” (2012) ganha uma sequência em 2015. O filme será lançado nos cinemas brasileiros em 27 de agosto.  O primeiro trailer da produção foi divulgado nesta quinta-feira (29).  Em “Ted 2”, o ursinho de pelúcia mais desbocado da cultura pop vai subir ao altar e quer ter um filho com uma loiraça padrão coelhinha da Playboy. Mas o processo de adoção é rigoroso e resistente à ideia de conceder esse direito a um ursinho falante. Somente Seth MacFarlane para lançar mão de um mote tão insano e politicamente incorreto como este. As piadas, no trailer, são sensacionais e mostram que a produção deve manter o pique do primeiro filme.

Mark Wahlberg está de volta ao elenco que tem os acréscimos de Morgan Freeman, Amanda Seyfried e Liam Neeson.

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sábado, 6 de dezembro de 2014 Análises, Bastidores, Notícias | 17:08

O que esperar do filme “Porta dos fundos”?

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PortaUm dos grandes cases de sucesso da internet brasileira, a trupe responsável pelo “Porta dos fundos” já havia sinalizado lá atrás a intenção de ir para o cinema. Os primeiros contatos com a sétima arte foram proveitosos. Membros do grupo estrelaram filmes de sucesso como “O concurso” e “Vai que dá certo”.  Agora é hora de avançar à próxima etapa. “Porta dos Fundos – o filme” começa a ser gravado em março de 2015 e tem lançamento previsto para o segundo semestre. “Vai ser o ‘Game of Thrones’ brasileiro. Talvez com um anão”, afirmou Antonio Tabet, um dos integrantes do grupo, na Comic Com Experience realizada neste fim de semana em São Paulo.

Orçada em R$ 3 milhões, a fita será dirigida por Ian SBF, o mesmo responsável pela direção dos esquetes do grupo para o YouTube.

Muita gente achou a estreia do “Porta dos Fundos” na TV – um programa semanal de meia hora é exibido no canal FOX – frustrante. Isso porque o programa só oferta esquetes exibidos previamente na internet. Em 2015, o grupo deve preparar material inédito para a TV. O filme, porém, romperá com a estrutura de esquetes, pelo menos é o que garantiu o produtor Bruno Weiner. A fita terá uma história contínua. Mas o que esperar efetivamente de um filme do “Porta dos Fundos”? Há fôlego para ir além dos esquetes? “Porta dos Fundos” reforçará paradigmas das comédias brasileiras ou estabelecerá novos?

O “Porta dos Fundos” sempre se notabilizou por seu aspecto colaborativo, pela criatividade insinuante e pela total liberdade na confecção de seu humor – o que até valeu certa cota de polêmicas.

É uma boa bagagem para se levar ao cinema. Não atrapalha o fato de todos os integrantes do grupo terem experiência multimidiáticas e se prepararem para lançar um filme em um ponto de suas carreiras em que maturidade certamente não é uma palavra estranha.

No entanto, é preciso ter em mente que o grupo não deve romper com seu viés satírico do establishment brasileiro. E o cinema brasileiro atual é vacilante em matéria de boas sátiras. Sejam elas políticas ou culturais. É natural pressupor que a produção se ressinta disso e a iniciativa de rodar um longa-metragem prescindindo dos esquetes que fizeram a fama do grupo demanda uma ideia – e um roteiro – muito bons. O que, em tese, limita o espaço para o improviso. Será do difícil equilíbrio entre o respeito às bases da trupe e a natural vontade de ousar, que o filme “Porta dos Fundos” pode se inserir como um divisor de águas da comédia de cinema brasileira. O sucesso é certo e independe da qualidade. Antonio Tabet, Fábio Porchat, Gregório Duvivier, Ian SBF, João Vicente de Castro e os demais participantes não vão ao cinema, afinal, apenas para replicar o sucesso que já ostentam. É esta constatação que faz toda a diferença e permite o otimismo com o filme e com o que ele pode representar para o cinema brasileiro.

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