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segunda-feira, 5 de junho de 2017 Análises | 16:00

A guerra do estúdios ao site Rotten Tomatoes e a restabelecida energia da crítica de cinema

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Paramount e Disney abrem fogo contra o site agregador de críticas Rotten Tomatoes e falam em cancelar sessões para a imprensa de seus grandes lançamentos. Mas essa “guerra” não é essencialmente nova em Hollywood

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É um tanto comum a percepção de que a crítica de cinema é uma arte moribunda. Muito pouca gente se abaliza por uma crítica na hora de ir ao cinema ou escolher um filme para assistir. Se internet e redes sociais hoje são senhoras do hype, um fenômeno interessante envolvendo a crítica de cinema aconteceu: o site agregador de críticas Rotten Tomatoes passou a servir como uma referência. É justamente essa referência, e a crítica por tabela, que estão no centro de uma polêmica envolvendo alguns dos principais estúdios de cinema.

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Paramount e Disney culparam o Rotten Tomatoes pelo pífio desempenho comercial de “Baywatch”, do primeiro, e “Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar”, do segundo, nos cinemas. Na lógica desses estúdios a baixa aprovação crítica, “Baywatch” tem cotação de 19% enquanto “A Vingança de Salazar” tem pouco mais de 40%, afugentou a audiência do cinema.

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O Rotten Tomatoes tem, de fato, muitos problemas enquanto conceito. Ele parte do pressuposto que uma resenha se resume a avaliar positiva ou negativamente uma produção – uma demanda mais do público médio do que da crítica em si. A gradação é outro ponto questionado. Uma nota “C+” é alinhada entre as críticas positivas enquanto um “B-“, nitidamente uma nota superior, entre as negativas.  Ainda assim, a queixa dos estúdios não procede.

"Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar" não emplacou junto a crítica e vai mais ou menos na bilheteria

“Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar” não emplacou junto a crítica e vai mais ou menos na bilheteria

É sintomático em uma indústria que prioriza o seguro em detrimento do risco e aposta em franquias e histórias consolidadas, que grande parte dos lançamentos de uma temporada naufrague. Com produções cada vez mais caras – “Piratas” custou US$ 320 milhões e o “barato” Baywatch”, US$ 69 milhões -, a necessidade dos estúdios produzirem sucessos também é cada vez maior.

O público sabe o que quer e o que não quer. Um quinto “Piratas” desperta menos curiosidade do que o primeiro “Mulher – Maravilha”. Nesse sentido, o Rotten Tomatoes, que sustenta a exagerada marca de 93% de aprovação para o filme de Patty Jenkins, nada mais é do que um reflexo do interesse do público. Ainda que todos esses filmes gozem de menos prestígio junto à crítica do que “Corra!”, um hit do cinema independente que já amealhou mais de US$ 200 milhões nas bilheterias dos EUA.

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A Paramount ameaçou não fazer sessões de seus filmes para a imprensa. Puro recalque, diria Valesca Popozuda. O problema não é a crítica. O problema é a qualidade dos filmes e, ainda que com conotação negativa para os estúdios, a percepção e critério mais sofisticados da audiência em relação à variedade de opções no cinema. A ideia de sabotar a crítica de cinema paira já há algum tempo, mas imbróglios como esse inadvertidamente acabam por fortalecê-la.

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quinta-feira, 11 de junho de 2015 Análises | 17:44

A crítica de cinema está morrendo

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Volta e meia a função da crítica é questionada. A internet redesenhou o papel da crítica de cinema assim como forçou o jornalismo como um todo a se reinventar. Nada novo até aí. No entanto, uma discussão derivada dessa problemática merece atenção.  As mídias sociais diminuíram a força da crítica de cinema? Um crítico é ainda relevante para determinar a opção por um filme em detrimento de outro? Segundo o crítico canadense Richard Crouse, que se deteve sobre o tema em artigo na The Canadian Press, a relevância de um crítico hoje é mínima, quase nula. “Antigamente, você tinha um grupo de críticos que podia confiar e construir uma relação. Mesmo que discordasse deles, você os lia e prestava atenção no que eles tinham a dizer. Agora é tudo bem diferente. Eu acho que as pessoas perpassam blogs e Twitter e se decidem por lá mesmo”. “Eu acho que o Twitter, o Facebook e toda essa era digital precipitam essa demanda por reação instantânea a qualquer coisa sem o tempo para um real aprofundamento”, observa à coluna um dos diretores de programação do Festival de Toronto, Jesse Wente.

Ouvido sobre a questão pela revista The interview, o cineasta David Cronenberg disse que sites como o Rotten Tomatoes, portal que reúne todas as críticas publicadas na web sobre os filmes em lançamento, dilui a efetividade das críticas. “Você tem os ‘top críticos’ e os ‘críticos’, uma distinção entre críticos que realmente se engajaram na profissão e outros que ali estão apenas por aventura”.

Uma boa crítica de cinema objetiva expandir a experiência cinematográfica. Não se trata de encerrar a discussão sobre uma obra, mas sim de iniciá-la, de reverberá-la. De oferecer ao leitor outros ângulos, de estabelecer um diálogo com a obra, de refinar possíveis interpretações e apontar minúcias e símbolos, entre outros.

vinga max

“Vingadores: a era de Ultron” não emplacou com a crítica, mas é sucesso de público. O novo “Mad Max”,
por seu turno, agradou a crítica, mas só melhorou de bilheteria depois do bafafá nas redes sociais
(Foto:montagem sobre reprodução)

Roger Ebert, talvez o maior e mais celebrado crítico de cinema do mundo, morto em 2013, pensava diferente. Em 2011, publicou um artigo no Wall Sreet Journal sobre o tema e via a internet no geral, e as redes sociais em particular, como uma bomba de oxigênio para a crítica de cinema.  Para ele, trata-se de uma era de ouro. “Mais frequentadores de cinema estão lendo boas críticas sobre filmes novos e velhos do que antes. Ainda que também estejam lendo mais críticas ruins”.  O jornalista americano Matt Singer, no blog Indie Wire vê nessa evolução da crítica de cinema seu ponto mais fatal e vai ao encontro do que pensa Cronenberg. “Ao permitir que todo mundo que tenha uma perspectiva sobre cinema escreva sobre isso e compartilhe com o mundo, essa evolução pode matar a carreira da próxima geração de críticos”.

Paralelamente a essa discussão cheia de subjetividades, uma pesquisa feita pela Nielsen nos EUA apurou que usuários do Twitter vão mais ao cinema do que frequentadores de cinema que não têm conta na rede social. Não obstante, usuários do Twitter têm 87% mais chances de ir ver um filme em seus dez primeiros dias de exibição e 340% mais chances de ter visto mais de 12 filmes nos últimos seis meses do que não usuários. Além do mais, os usuários do Twitter estão mais inteirados dos lançamentos do verão americano (época mais lucrativa para os estúdios de cinema). Obviamente, a pesquisa – encomendada pelo Twitter – ambiciona mostrar para Hollywood o potencial promocional da rede social. É senso comum que nenhum crítico de cinema hoje possui tamanha influência.

Muitos, inclusive, abrem mão de ler críticas antes de verem os filmes e só o fazem após a sessão. Na maioria das vezes, apenas em caso de aprovação do filme. Essa realidade, potencializada pela ojeriza a spoilers,  como se uma crítica por definição carregasse spoilers, enfraquece a formação cultural de frequentadores de cinema e relega ao marketing de estúdios e distribuidoras a missão cada vez mais árdua (em virtude dos preços pouco amistosos dos ingressos) de levar o público ao cinema.

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