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terça-feira, 16 de janeiro de 2018 Críticas, Filmes | 16:18

Gary Oldman é trunfo do burocrático “O Destino de uma Nação”

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Já em cartaz nos cinemas brasileiros, produção deve valer ao ator Gary Oldman a segunda indicação ao Oscar de sua carreira

Gary Oldman está exemplar como Winston Churchill em O Destino de uma Nação

Gary Oldman está exemplar como Winston Churchill em O Destino de uma Nação

“O Destino de uma Nação” tem dois trunfos inegáveis. A pompa de ser um daqueles dramas britânicos que arrebanham tantos fãs – e prêmios – e Gary Oldman. O britânico de 59 anos surge irreconhecível na pele de Winston Churchill. O filme de Joe Wright (“Desejo e Reparação” e “Anna Karenina”) se ocupa das circunstâncias que poderiam ter decidido a 2ª Guerra Mundial em favor dos nazistas, mas que ajudaram a eternizar Churchill como um exemplo de estadista.

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O filme se desdobra sobre toda a articulação política da qual Churchill tanto era agente, como catalisador para tentar evitar o avanço alemão no xadrez bélico que a Europa se tornou sob a égide de Hitler. Mas se pode contar com um Gary Oldman inspirado, “O Destino de uma Nação” tem pouco a ostentar além disso. Apesar de ser um filme de câmera em que Wright tente a todo momento flagrar a espiral claustrofóbica de seu protagonista, pressionado pela derrota iminente e por correligionários partidários da rendição, os enquadramentos são burocráticos e as opções narrativas, desabonadoras.

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Para tornar tudo mais exasperante, o decisivo episódio de Dunquerque, cujos bastidores atestaram o engenho e perseverança de Churchill no propósito de esgotar toda e qualquer alternativa antes de sentar à mesa com os alemães, fora tratado pelo cinema em 2017 com muito mais criatividade e energia em “Dunkirk”, de Christopher Nolan.

A fala é o principal elemento de ação do filme

A fala é o principal elemento de ação do filme

Ainda que mire em “Lincoln”, com sua estratégia narrativa de focar na fala como elemento de ação, Wright se aproxima mais de “O Discurso do Rei” – e tem em seu rei George, vivido pelo sempre ótimo Ben Mendelsohn, um coadjuvante e tanto.

A fotografia que se vale de paletas escuras e a direção de arte detalhada acabam por ressaltar a impressão de um filme inglês convencional. Um desalento para uma produção tão ambiciosa. Wright finge desconstruir um mito e o público finge que acredita. Exemplo máximo dessa condição é uma cena, mais piegas do que projetada para ser, ambientada no metrô londrino em que Churchill ouve a opinião de cidadãos a respeito de como deveria proceder contra os alemães. O célebre 1º ministro é mesmo uma figura magnética e o mérito de Oldman, não necessariamente do filme, é dimensionar isso com uma rara combinação de delicadeza e firmeza. O ator vence a pesada maquiagem da caracterização e apresenta um personagem condoído, estafado e que cresce à medida que a conturbada sucessão de fatos exige. Um estadista que o futuro parece nos sonegar e que Wright e público compactuam em se enamorar na tela do cinema.

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quinta-feira, 28 de dezembro de 2017 Análises, Críticas, Filmes | 11:13

George Clooney vai ao passado para explicar América da Era Trump em “Suburbicon”

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Novo filme de George Clooney como diretor tem roteiro afiado dos irmãos Coen e é uma sátira nervosa de costumes sociais que perduram e justificam ascensão conservadora

Matt Damon em cena de "Suburbicon: Bem-Vindos ao Paraíso"

Matt Damon em cena de “Suburbicon: Bem-Vindos ao Paraíso”

Alguns dos melhores momentos de George Clooney como ator foi sob a batuta dos irmãos Coen. O humor cheio sarcasmo e finas ironias dos irmãos era a principal bússola de “E aí, Meu Irmão Cadê Você?” (2000), “O Amor Custa Caro” (2003) e “Queime Depois de Ler” (2008) e é a força motriz de “Suburbicon: Bem-Vindos ao Paraíso”. Os Coen tinham esse roteiro engavetado desde os anos 70 e cederam a Clooney que estava ávido por dirigir um material dessas referências do cinema americano. A parceria deu muito certo.

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“Suburbicon” é essencialmente um filme dos Coen, o que é muito bom. Mas traz também a preocupação político social inerente ao cinema mais robusto de Clooney como cineasta (“Tudo pelo Poder”, “Boa Noite e Boa Sorte”). O timing joga a favor do filme. Com a era Trump em pleno vapor, voltar aos EUA dos anos 50 para observar os motores da intolerância em paralelo à manufatura da hipocrisia à americana é um desses felizes achados cinematográficos.

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O filme se passa em um bairro planejado, um daqueles subúrbios acima de qualquer suspeita. A vizinhança se inquieta com a chegada de uma família negra. O alvoroço denota o racismo institucionalizado e serve como paisagem para os conflitos que movem a trama. Estamos aqui em um terreno tipicamente Coeniano:  personagens menos inteligentes do que acham que são, da ganância desenfreada e da imponderabilidade do acaso.

Cena do filme Suburbicon

Cena do filme Suburbicon

Gardner (Matt Damon) vive um casamento cheio de ruídos e ressentimentos com Rose (Julianne Moore), presa a uma cadeira de rodas após um acidente de carro dirigido pelo marido. Ele vive um caso com a irmã de Rose, Margaret, também vivida por Moore, e é possível que esteja por trás da arquitetura de um plano para matar a mulher.

O filme começa cheio de sutilezas e sugestões e vai ganhando gravidade e agudeza aos poucos até se configurar em uma ópera de erros e desgraças. A direção de Clooney segue no mesmo compasso. Começa embevecida dos olhos tristes de Nicky (Noah Jupe), o filho dos Gardners, e vai ficando histérica – ao ponto que a própria música se torna onipresente e delirante.

“Suburbicon: Bem-Vindos ao Paraíso” é uma sátira potente, no todo, mas fundamentalmente nos detalhes. A relação do menino branco com o vizinho negro, a perversidade de Gardner que vai escalando conforme ele vai se sentindo sufocado e mesmo as cenas que exibem o racismo descampado de uma sociedade febril e destemperada são pequenos comentários cheios de lucidez e espanto de um realizador senhor de suas convicções e dos efeitos que quer alcançar.

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sábado, 23 de dezembro de 2017 Críticas, Filmes | 14:52

“De Canção em Canção” é epílogo conceitual das relações amorosas contemporâneas

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Novo filme de Terrence Malick mostra as idas e vindas de personagens às voltas com suas escolhas e seus relacionamentos amorosos. É o equivalente dessa década ao que foi “Closer – Perto Demais” em 2004

O triangulo amoroso que move a história

O triangulo amoroso que move a história

O cinema de Terrence Malick é o mais polarizador da atualidade e há uma razão muito clara para isso. O cineasta escreve um filme, roda outro e monta um terceiro, frequentemente descolado das propostas que orientaram os dois primeiros. Não à toa, seu processo criativo é incontornável e, quiçá, irreproduzível. A pessoalidade do cinema de Malick é, ao mesmo tempo, sua maior força e sua inegável fragilidade.

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Especialmente depois de “A Arvore da Vida”, vencedor da Palma de Ouro e indicado aos Oscars de filme e direção em 2012, o americano se lançou em uma jornada de profunda introspecção e reverberação e levou seu cinema junto. Não à toa, esta é sua década mais prolífera e em que seus filmes mais se assemelham em termos de estrutura narrativa e temática.

“De Canção em Canção” é erguido sobre fragmentos, como o eram fundamentalmente seus antecessores (“Amor Pleno” e “Cavaleiro de Copas”). São memórias, devaneios, angústias e desejos materializadas em imagens que se organizam como poesia visual, mas também verbetes emocionais com os quais o cineasta pretende construir o sentido dos personagens, não necessariamente do filme. Para esse outro objetivo, o público terá que ser partícipe; coautor. Para que “De Canção em Canção” produza efeitos efetivamente no espectador, ele terá que se engajar. Abraçar aqueles personagens e seus conflitos – que não são apresentados cronologicamente – com o mesmo carinho e curiosidade com que Malick os propulsa.

Ryan Gosling e Rooney Mara em "De Canção em Canção"

Ryan Gosling e Rooney Mara em “De Canção em Canção”

O ponto de vista central aqui é de Faye (Rooney Mara), um dos vértices de um triangulo amoroso entre um aspirante a cantor (Ryan Gosling) e um produtor arrogante (Michael Fassbender). Há, claro, reminiscências de ambos ao longo das pouco mais de duas horas de metragem da fita, mas são as angústias de Faye que pautam o longa. “Tinha uma fase em minha vida que eu precisava que o sexo fosse violento”, ela diz logo de início. Estamos diante, portanto, de uma pessoa remoendo suas dores. Lá pelo final ela desenvolve: “Compaixão sempre foi uma palavra que eu não imaginava que fosse precisar”. O que Malick oferta por meio desses fragmentos é uma reflexão sobre como os relacionamentos amorosos nos transformam, nos moldam e é Faye a principal condutora dessa jornada. Não obstante, a maneira como o cineasta filma Mara é desconcertante. Sempre buscando ângulos inusitados, momentos banais e uma intimidade desarmada.

A maneira como Malick trabalha seus atores e com seus atores também atinge um novo patamar em “De Canção em Canção”. A fisicalidade das atuações é utilizada para explicar convulsões emocionais em uma construção audiovisual incomum para narrativas cinematográficas e que pode se perder para aqueles pouco treinados ou inspirados pelo cinema de vocação sensorial.

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Natalie Portman, mais linda e triste do que nunca, e Cate Blanchett, sempre uma presença atordoante, surgem como mulheres nas vidas dos protagonistas masculinos. Elas são apêndices para homens complicados. É o personagem de Fassbender quem mais fascina. Uma espécie de predador sexual que mergulha desimpedidamente em seus demônios. “Eles tem uma beleza em sua vida que me faz feio”, reflete sobre a relação entre Faye e BV (Gosling), a qual se introjeta com nenhuma outra finalidade que não desestabiliza-la.

Patti Smith e Rooney Mara em cena do filme

Patti Smith e Rooney Mara em cena do filme

Este é um filme sobre os percalços das relações amorosas, como elas nos definem e como nos deixamos nos definir por elas e o fato de usar a cena musical de Austin, no Texas, como contexto torna tudo ainda mais universal, tântrico, artístico. Há diversas boas pontas, ou cameos, no filme. Do Red Hot Chili Peppers a Iggy Pop, passando por Val Kilmer e tantos mais. Mas é Patti Smith quem responde por um dos momentos mais brilhantes e quando o filme se deixa flagrar em sua verdade mais condoída. Em uma conversa com Faye, em que a exorta a brigar por seu amor, ela diz que ainda mantém a aliança do marido que morreu. Sob uma outra “que eles dão para aqueles corredores que não vencem a maratona, mas terminam a prova”.

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sexta-feira, 24 de novembro de 2017 Críticas, Filmes | 17:13

Documentário sobre Fernando Gabeira mostra falência do sistema político-partidário do Brasil

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“Mais do que um político, ele é um homem do presente. Está sempre atuando, interferindo e reagindo”, observa o poeta Ferreira Gullar (1930 – 2016) sobre Fernando Gabeira, matéria-prima de “Gabeira”, documentário de Moacyr Goés a respeito de uma das figuras mais complexas, ricas e polarizantes da história recente do Brasil.

Gabeira 1

Como cinema, “Gabeira” é pouco propositivo. O próprio Fernando pauta a narrativa. É mais um gesto de reverência, um desagravo às memórias de um inconformista do que um longa investigativo ou problematizante. Ainda assim, o filme é interessantíssimo. Até porque o personagem sempre agiu como ombudsman de si e do meio – para evocar a formação e vocação jornalística do mineiro de alma carioca.

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Além de Gabeira, que ocupa a tela a maior parte do tempo, e Gullar, figuras célebres como Nelson Motta, Armínio Fraga, Cora Ronai, Caetano Veloso, além de familiares, surgem pincelando esse painel sobre uma figura tão contraditória que antecipou a crise de representatividade político-partidária que o Brasil vive hoje. Plural e fluído, Gabeira não se acomodou em nenhuma legenda brasileira. Arredio ao sistema político-partidário do País, esse homem de esquerda viu nossa esquerda ruir. No fim do filme, tece comentários sobre a Lava Jato, a crise surda da esquerda brasileira, a condenação de Lula e faz uma análise potente e reverberante da ascensão eleitoral de Jair Bolsonaro.

Fotos: divulgação

Fotos: divulgação

O ativismo político de Gabeira começou lá na adolescência quando ele foi expulso de todos os colégios que participou, advoga o amigo e poeta Afonso Romano Sant`Anna em dado momento.

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O grande mérito do documentário é tentar abarcar a evolução do pensamento de Gabeira, um homem sem freios e sem receios em lançar-se a suas verdades, de defendê-las. Ver Gabeira falando é sempre um ato de inteligência, de reflexão e quando ele fala da importância de viver o “ridículo” da campanha de 1989, aquilo ecoa forte na audiência. “Eu gosto de ver as reportagens dele na GloboNews e de lê-lo no Globo”, pontua Caetano Veloso, “mas hoje me vejo mais à esquerda do que ele”.

“Gabeira” pode ser percebido como um manifesto. Um homem velho (76 anos) refletindo sobre os erros, acertos e convicções do passado. Do ponto de vista cultural, um programa imperdível.

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sábado, 18 de novembro de 2017 Críticas, Filmes | 15:46

Sem ambição, “Liga da Justiça” entrega diversão ligeira e bons personagens

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Reunião dos heróis da DC no cinema não decepciona, mas não é o filme que muitos esperavam. Com Joss Whedon, de “Os Vingadores” na produção, Warner se aproxima da fórmula Marvel

Os heróis em "Liga da Justiça" Fotos: divulgação

Os heróis em “Liga da Justiça”
Fotos: divulgação

A expectativa era grande e talvez “Liga da Justiça” não fique à altura, mas é inegável que ao coração do fã que sempre sonhou em ver alguns de seus heróis preferidos reunidos no cinema, a produção ecoa de uma maneira diferente, mais especial. Até porque os heróis aqui reunidos sempre fizeram parte do time A da DC Comics, diferentemente dos vingadores, que foram ganhando hype no cinema, já que antes não integravam a coroa da Marvel.

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Embora apenas Zack Snyder esteja creditado como diretor, ele se afastou da direção do longa por força de uma tragédia pessoal (o suicídio da filha) e Joss Whedon assumiu o cargo, reescrevendo muita coisa do roteiro e fazendo refilmagens (algumas para sempre infames no universo das redes sociais como o bigode de Henry Cavill apagado digitalmente de maneira bem contestável). “Liga da Justiça”, para todos os efeitos, é um filme esquizofrênico. Tem a sisudez e reverência do cinema de Snyder, além da beleza visual potente, e o escapismo bem humorado da pena de Whedon, que sempre se notabilizou por ser melhor escriba do que cineasta.

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Não é preciso ter afinidade com o cinema dos dois para constatar isso. Basta a referência dos trabalhos anteriores de ambos no universo dos heróis (Snyder dirigiu “O Homem de Aço” e “Batman VS Superman”, enquanto Whedon os dois primeiros “Vingadores”). Essa mistura rende um filme de efeitos visuais majoritariamente vistosos, mas outros um tanto comprometedores (longe do ideal para uma produção que beijou os US$ 300 milhões). Um fio narrativo por demais simplista, um vilão ruim, mas um bom desenho de personagens, uma dinâmica muitíssimo bem lubrificada entre os heróis e garantia de uma diversão ligeira em um filme de tamanho ideal – cerca de 120 minutos.

Após a morte do Superman, vista em “Batman VS Superman: A Origem da Justiça”, não só a desesperança movimenta os dias, como alienígenas começam a invadir a terra e, numa dessas, o Lobo da Estepe (Ciarán Hinds) reaparece para tentar unificar as três caixas maternas (artefatos ancestrais que acumulam imenso poder) e subjugar a Terra e todos que nela habitam. O Batman é o primeiro a perceber o perigo à espreita e ele tenta estabelecer uma aliança com outros seres extraordinários que vinha monitorando.

Zack Snyder orienta Jason Momoa no set de "Liga da Justiça"

Zack Snyder orienta Jason Momoa no set de “Liga da Justiça”

Atenção aos personagens

Se a trama é banal e seu desenvolvimento obedece a mesma lógica, “Liga da Justiça” pelo menos oferece um bom desenho de personagens. Sim, Bruce Wayne está mais piadista, mas ele não virou um piadista. Isso é meramente fruto das circunstâncias. Ele continua um homem amargurado, cheio de inseguranças e dono de um instinto suicida. Ben Affleck em mais uma demonstração de que é um ator mais consciente do que muitos se dão conta, estica na base do talento o pouco que o roteiro oferece de angustia a seu personagem.

O grande mérito do filme, no entanto, é apresentar personagens cativantes. O Barry Allen de Ezra Miller, um nerd clássico que se sente como um fã no meio dos heróis, é um dos highlights do filme. Jason Momoa dá conotação de rock star a seu Aquaman e agrada. Ray Fisher vê seu Cyborg como uma criatura angustiada que ainda não sabe se definir e começa a fazê-lo a partir do momento em que se vê inserido naquele grupo de super-humanos. Gal Gadot repete o encantamento que tanto arrebatou em “Mulher-Maravilha”.

A Liga em formação responde ao Bat Sinal: Elenco cheio de estrelas

A Liga em formação responde ao Bat Sinal: Elenco cheio de estrelas

Quando surge, o Superman está revigorado. A mitologia do Superman é muito melhor dimensionada aqui do que nos últimos filmes solo do personagem. A exemplo do que já havia acontecido em “Batman Vs Superman”.

“Liga da Justiça” certamente é um filme menos ambicioso narrativa e esteticamente do que se poderia supor, principalmente considerando o legado da DC no cinema. É, e a participação de Joss Whedon explica isso, o filme que mais se aproxima da bem sucedida fórmula Marvel. É tão pouco memorável como a maioria dos filmes da rival, mas diverte tanto quanto. Warner e DC perseguiam isso há algum tempo. É ver o que o sacramento das bilheterias indicará para o futuro. As duas ótimas cenas pós-crédito orientam certo otimismo.

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sexta-feira, 17 de novembro de 2017 Críticas, Filmes | 16:02

“Amores Canibais” se destaca pela estética, mas se perde em sopa de metáforas

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Filme, lançado diretamente na Netflix aqui no Brasil, é uma das produções esteticamente mais ambiciosas do ano

Amores canibais 1

A cineasta Ana Lily Amirpour causou sensação em 2014 com um pequeno, pulsante e extremamente original filme de vampiro falado em persa e rodado em preto e branco, o acachapante “Garota Sombria Caminha pela Noite”. Com mais ambição, um pouco mais de dinheiro e o mesmo senso estético, “Amores Canibais” (The Bad Batch, no original) pode não reproduzir o mesmo deslumbramento do primeiro, mas certamente ratifica a percepção de que estamos diante de uma autora (e esteta) que evita convenções da indústria.

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“Amores Canibais” é brilhante do ponto de vista técnico. A fotografia de Lyle Vincent, que também assinou o primeiro de Amirpour, é cheia de cores saturadas e dotada de tonalidades fortes. Ajuda e muito na construção anticlimática pretendida pela inglesa. Este é um filme que não esconde o desejo de ser cult e tem na sua elaboração visual um de seus grandes predicados.

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Em um futuro distópico, a região do Texas foi abandonada pelos EUA e uma profunda área desértica é onde os lotes estragados, os tais dos bad batch do título original, são exilados e entregues a própria sorte. Uns se rearranjam como predadores e canibais e Arlen (Suki Waterhouse) é logo capturada por um desses. Logo no início do filme, a protagonista é mutilada. Tiram-lhe uma perna e um braço. Ela consegue fugir e é ajudada na vastidão do deserto por um andarilho, papel de um irreconhecível, mas dono de forte presença cênica Jim Carrey.

Fotos: divulgação

Fotos: divulgação

Arly chega a Conforto, um projeto de cidade que é comanda pelo ditador The Dream, papel de um histriônico Keanu Reeves. Ele mantém uma série de mulheres grávidas. É um personagem interessante, ainda que ocupe pouco do filme de duas horas de metragem.

Jason Momoa surge como Miami Man, um imigrante cubano que é canibal, mas que parece se ressentir disso. Os caminhos de Miami Man e Arly se cruzam após uma breve vingança de Arly e o fato da filha dele ir parar sob os cuidados de The Dream em Conforto, lugar em que os canibais viram a caça.

Altamente estilizado, “Amores Canibais” salpica metáforas para todos os cantos com a América, a “terra prometida pós-moderna” como ponto focal. A maneira como Amirpour unta tudo isso é singular. Construído com muitos silêncios e elipses, o longa busca tanto uma sensorialidade como certa condescendência no público. É um cinema de ideias não necessariamente fluidas narrativamente, mas definitivamente do tipo que vale a pena racionalizar a respeito.

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terça-feira, 14 de novembro de 2017 Críticas, Filmes | 11:17

Drama argentino “Invisível” aborda desalento de jovem em busca de aborto

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Com narrativa seca, mas texto previsível, “Invisível” é um filme contraditório. Peca pelo ponto de vista engessado, mas tem boa carga dramática

Cena do filme Invisível

Cena do filme Invisível

Há filmes que tem uma premissa tão boa e objetivos tão nobres que parecem nos obrigar a gostar deles e, no caso da crítica, a contar com certa condescendência. É o caso do argentino “Invisível”. O novo filme de Pablo Giorgelli (“Las Acacias”) trata sobre a necessidade de se discutir o aborto pelo viés da saúde pública. Observa, ainda, com certa crueza a desesperança e desalento das classes menos favorecidas economicamente.

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Ely (Mora Arenillas) tem 17 anos e mora no bairro da Boca em Buenos Aires. Ela cursa o último ano do ensino médio e trabalha num pet shop para completar a renda familiar. Ao descobrir que está grávida do Raúl (Diego Cremonesi), dono do Pet Shop, seu mundo interno colapsa. Enquanto tenta manter sua rotina diária como se nada tivesse acontecido ela é tomada pelo medo e angústia.

A maneira silenciosa e aflitiva que Giorgelli desenvolve sua trama merece elogios. O diretor sabe que tem um drama poderoso em mãos e o aborda da maneira mais concentrada e incisiva possível, mas o roteiro (do próprio Giorgelli) não ajuda. Os desdobramentos são previsíveis e obedecem a certa lógica fetichista na abordagem do tema.

A obviedade das resoluções de “Invisível” se ajustam mais ao contexto de uma peça publicitária de viés ideológico do que a um cinema que se pretende encorpado, pensativo. Os conflitos parecem prévios, pré-estabelecidos e isso vai minando o poder de empatia do público. Exceção feita, é claro, àquela parcela que não se sente confortável em apontar malfeitos em um filme com premissa tão nobre.

“Invisível” padece de um ponto de vista engessado e de uma lógica unidimensional que busca única e exclusivamente a comoção e não se importa muito com aquilo que deveria promover com desprendimento: a promoção de um debate sério sobre aborto.

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quinta-feira, 12 de outubro de 2017 Críticas, Filmes | 18:26

“O Advogado” captura tensão entre as Coreias no despertar da consciência de seu protagonista

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Produção sul-coreana de 2013 chega finalmente ao País com a deferência de ser um dos maiores sucessos de bilheteria da história da Coreia do Sul

Divulgação

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Estreia deste fim de semana em São Paulo, “O Advogado” chega referendado pelo fato de ser uma das maiores bilheterias do cinema sul-coreano e por ser inspirado na história de Roh Moo-hyun, advogado tributarista que se tornou o nono presidente do País.

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O filme se escora no “Burim Case”, de 1981, durante o regime militar do autoritário Chun Doo-hwan, quando 22 estudantes, professores e trabalhadores foram presos sob a alegação de serem simpatizantes de norte-coreanos. “O Advogado”, portanto, se incumbe de avalizar as tensões entre as coreias e, também, de ser um filme sobre o despertar político de um “self made man”.

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O esnobado advogado Song (Kang-ho Song) não tem clientes, nem conexões, mas é particularmente engenhoso. Tanto que virou advogado mesmo não tendo todas as graduações jurídicas necessárias para isso. É importante ter em mente que o sistema legal da Coréia do Sul difere fundamentalmente do brasileiro, mesmo do americano que costuma ser uma referência no cinema.

Song é até mesmo um pouco arrogante e não tem consciência de sua alienação. A coisa começa a mudar de figura quando ele se depara com um caso indesejado de um jovem acusado de um crime e torturado na prisão. Ninguém parece disposto a defendê-lo e Song só aceita o caso, a princípio, como um favor para uma pessoa importante em sua vida.

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“O Advogado” não é um filme exatamente especial, é até um pouco mais longo do que o desejável, mas o diretor Woo-Seok Yang trabalha os códigos de gênero muito bem. O filme começa como uma comédia algo cínica, envereda pelo thriller de tribunal e se consagra como um drama com fundo humanista.

“O Advogado” é, portanto, uma opção para quem quer fugir da programação mais comercial e fazer um esquenta para a Mostra internacional de São Paulo que se avizinha.

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segunda-feira, 25 de setembro de 2017 Análises, Críticas, Filmes | 14:13

Orgia testamental de Aronofsky, “mãe!” é cinema que busca sentido em quem o assiste

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Novo filme de Darren Aronofsky é uma das produções mais polarizantes de 2017 e um petardo difícil de ser digerido pelo público. Entre o ruído e a excelência, “mãe!” é um filme marcante

Jennifer Lawrence em cena de "Mãe!"

Jennifer Lawrence em cena de “Mãe!”

Se o cinema é a conjugação de enquadramentos e extracampo, Darren Aronofsky parece decidido a levar essa máxima ao limite.  “mãe!” é um filme que parece existir apenas por meio das alegorias que viabiliza. Essa construção tão hermética quanto rocambolesca é, em si, uma restrição à grandeza cinemática objetivada pelo cineasta. É como se seu filme, ao abrir-se quase que por inteiro à interpretação daqueles que se deixem tocar por ele, prescindisse de sua inteireza narrativa e se contentasse com o fato de ser uma colcha de retalhos. De seu criador e daqueles em contato com ele.

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Feita essa restrição, “mãe!” é um filme de profunda e constante reverberação. Não é um filme fácil, tampouco para ser digerido como nos acostumamos a digerir o cardápio usual oferecido pelo cinema contemporâneo.  Esteta de mão cheia, Aronofsky propõe uma experiência incômoda, provocadora e capaz de subsistir em referências e devaneios filosóficos de toda ordem.

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mãe posterÉ premente identificar a bíblia como principal fonte para as referências e metáforas salpicadas ao longo das duas horas de filme. Mas as alegorias vão além. É possível perceber um comentário potente a respeito do casamento, do machismo inerente ao viés religioso, de nossa relação com o planeta, à vaidade intelectual, entre outras coisas. O mais acachapante em “mãe!”, no entanto, é a radiografia de um Deus narcisista e autocomplacente.

O filme é, sob muitos aspectos, uma intermitente sessão de terapia. Aronofsky se tem em grande estima e isso fica muito claro nos paralelos que estipula com a figura do criador, mas essa prepotência não é despropositada. O criador não é uma figura tão simpática e benevolente como muitos podem crer. É um filme de muitas camadas e capaz de produzir sentidos conflitantes em diferentes revisões.

 

Entre a parábola e as metáforas

Jennifer Lawrence é a mãe do título. Ela mora com Ele (Javier Bardem) em uma casa afastada no campo. Ele é um escritor e passa por uma profunda crise criativa. Ela é devotada a ele. A relação dos dois parece resfriada e começa a sofrer espasmos quando um estranho (Ed Harris) bate à porta e é acolhido por Ele. Pouco tempo depois é a mulher do estranho (Michelle Pfeiffer) quem chega para desestabilizar de vez mãe, cada vez mais incomodada com a atenção dispensada por Ele aos estranhos.

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Aronofsky não é um diretor conhecido pela sutileza e a metáfora para Adão e Eva está posta. Logo vem Cain e Abel e quando nos damos conta estamos diante do novo testamento. E o que Aronofsky propõe é uma reinterpretação furiosa desse ciclo bíblico.

A ideia de humanizar a natureza, Jennifer Lawrence nada mais é do que a Mãe Natureza, parece tão desalojada quando genial. Assumir o ponto de vista da Natureza em sua relação com Deus e com o homem pode parecer pueril, mas demanda uma energia criativa potente. Algo que o cinema de poucas concessões de Aronofsky é capaz de prover e aí é preciso alinhar a performance corajosa de Jennifer Lawrence. A atriz assume um papel difícil, todo ele sustentado por expressões de agonia, desentendimento e dor, e se entrega a um diretor disposto a usá-la como artífice e arquétipo em um filme de rara megalomania. Metade da força bruta de “mãe” reside na atuação de Lawrence, que alterna fúria e delicadeza com a mesma intensidade que a natureza oferta um arco-íris após a tempestade.

Darren Aronofsky orienta Jennifer Lawrence no set de mãe!

Darren Aronofsky orienta Jennifer Lawrence no set de mãe!

A falta de química com Javier Bardem é um dos brilhantismos da direção de Aronosfky – há outros. Trata-se de um mecanismo narrativo providencial para adensar as alegorias pretendidas e ensejadas pelo longa-metragem.

“mãe!” é delirante em seus superlativos. Talvez Aronofsky desacredite do cinema de entretenimento. Talvez tenha levado ao extremo o clichê de se pôr no lugar do outro. Talvez seja um filme que só o tempo será capaz de açoitar preconceitos e expectativas. Certo é que “mãe!” é de uma rigidez intelectual ímpar no cinema contemporâneo. Não há como desgostar de uma obra que se proponha a tanto.

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domingo, 10 de setembro de 2017 Críticas, Filmes | 12:37

Boas cenas de ação e Charlize letal não garantem qualidade de “Atômica”

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Charlize Theron apanha e bate muito, mas não consegue fazer com que “Atômica” seja tão divertido quanto o filme pensa ser

Charlize Theron em cena de "Atômica" Fotos: divulgação

Charlize Theron em cena de “Atômica”
Fotos: divulgação

Charlize Theron já havia demonstrado mandar bem na ação em produções como “Mad Max: Estrada da Fúria” (2015), “Velozes e Furiosos 8” (2017), “Hancock”  (2008), “Aeon Flux” (2003), entre outros. “Atômica” (2017), no entanto, é seu atestado de excelência no gênero. É quando reclama o posto de versão feminina de Liam Neeson na contemporaneidade do cinema americano.

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Dirigido por David Leitch, um ex-dublê que estreou na direção codirigindo “De Volta ao Jogo”, “Atômica” é visualmente exuberante. Seja pela gélida e plácida recriação da Berlim do fim dos anos 80, seja pelas coreografias espertas das cenas de luta. Falta ao filme, no entanto, autoconsciência. A produção, que versa sobre a espiral de traições envolvendo espiões na esteira da tensão política pré-queda do muro, se leva (muito) mais a sério do que o desejável.

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Não que o público não entenda as maquinações e não seja possível intuir as motivações dos personagens, todos de maneira geral pouco simpáticos, mas porque elas se mostram mais tediosas do que um filme do gênero poderia suportar e porque francamente boa parte delas não faz o menor sentido e exige da audiência mais condescendência do que o combinado.

Entre os pontos fortes do filme estão Charlize Theron, fria, linda e letal como se espera de uma personagem como Lorraine Broughton, a trilha sonora caprichada que ajuda a emular o clima punk rock da fita e James McAvoy como o operativo do MI6 em Berlim, David Percival. McAvoy é, em mais de um momento, a fagulha que traz de volta o público para a onda do filme.

Charlize e Sophia se pegam em uma das melhores cenas do longa

Charlize e Sophia se pegam em uma das melhores cenas do longa

Lorraine é despachada para Berlim para tentar recuperar um arquivo que contém o nome de todos os espiões atuando na cidade que vive grande efervescência político-social. De quebra, ela precisa descobrir a identidade de um traidor nas hostes do MI6. É tudo relativamente óbvio e a maneira como as revelações se organizam expõe mais uma fragilidade narrativa.

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“Atômica” é o exemplar perfeito para o argumento de que boas cenas de ação sozinhas não fazem um bom filme de ação. Leitch tem talento, mas precisa controlar sua ambição. A carreira pode descarrilar antes mesmo de se consolidar.

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