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quarta-feira, 21 de maio de 2014 Críticas, Filmes | 22:38

“Amante a domicílio” é manifestação do ego de John Turturro

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Foto: divulgação

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Sabe quando você se sente mal e meio que por impulso e meio que por hábito resolve fazer compras no shopping ou ceder às investidas daquele grude do trabalho só para massagear o ego? John Turturro, ator e pretenso diretor, fez um filme movido por esse mesmo impulso.

Em “Amante a domicílio” (2013), Turturro vive Fioravante, um ítalo-americano que trabalha dois dias por semana em uma floricultura. Um amigo de longa data, um judeu vivido por Woody Allen, tenta convencê-lo a atender sua médica (Sharon Stone) que anda desejosa de pular a cerca, mas pagando por isso.   Fioravante, naturalmente, a princípio recusa a ideia de se prostituir. “Sou um homem feio” se resigna. Ao que o personagem de Allen devolve, “mas você tem o mesmo sexy appeal de Mick Jagger”, notório feio de sucesso junto ao mulherio.

Estabelece-se dessa maneira o elemento que desencadeia a ação do filme. Fioravante topa se prostituir e rapidamente se torna uma figura concorrida no séquito de clientes do cafetão informal bancado por Allen.

Fioravante se define como um homem simples, sem grandes predicados, mas fala italiano, francês e espanhol em variados momentos do filme, demonstra conhecimentos literários e históricos, e ainda tem jeito com a mulherada. É Turturro falhando na missão de afastar seu filme da mera masturbação egóica.

Conforme avança a trama, surgem pequena nuanças como um painel, mal configurado, da cultura judaica e um comentário sobre como a solidão amarga a existência, mas são apenas ruídos em um filme que parece moldado para atender demandas, sejam elas quais forem, de seu realizador.

É lógico que todo esse raciocínio se arrefece com a curiosidade de ver Allen atuando em um filme que não é seu, algo raríssimo, e ainda por cima fazendo um cafetão. Outro hype certeiro é juntar Sharon Stone e Sofia Vergara, mulheres maduras reconhecidas pela sensualidade, como ricas entediadas a procura de aventuras sexuais.

“Amante a domicílio” não chega a ser decepcionante, desde que dele não se espere um filme de Woody Allen, uma armadilha previsível, mas sim um entretenimento rasteiro com ar de sofisticado.

Sharon Stone e Sofia Vergara em cena do filme: a serviço de um hype que nunca se sustenta

Sharon Stone e Sofia Vergara em cena do filme: a serviço de um hype que nunca se sustenta

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quarta-feira, 7 de maio de 2014 Críticas, Filmes | 22:33

Crítica – “Divergente”

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Em um mundo em que a literatura juvenil é explorada quase que a toque de caixa pelo cinema e que duas ficções científicas com futuros distópicos ganham os cinemas contemporaneamente, é um prazer ver que “Divergente” (2014), baseado na obra homônima de Veronica Roth apresenta reflexões que fogem ao esquematismo do gênero. Não é o caso de comparar com “Jogos vorazes”, comparação automatizada pelas similaridades entre as sagas, mas de distinguir o discurso muito mais bem fundamentado e eloquente apresentado no filme dirigido por Neil Burger.

No futuro de “Divergente”, a sociedade cedeu ao totalitarismo e se organiza em cinco facções. Erudição, audácia, abnegação, franqueza e amizade. Na adolescência, todo cidadão é submetido a um teste que deve orientá-lo a escolher em qual facção irá viver. Existe até um slogan: “facção antes do sangue”. Essa objetividade aumenta a pressão, uma vez que submetido a uma fação, não há caminho de volta. Aqueles que não se encaixam em nenhum desses recortes são chamados de divergentes.

É uma premissa interessante muito bem explorada pela dramaturgia de Roth e potencializada pelas escolhas de Burger. Nossa sociedade adorar rotular. É algo inescapável a ao convívio. O gordo, a vagabunda, o gay, o chato e por aí vai. O que “Divergente” propõe enquanto reflexão é a força que insurge do íntimo de cada ser humano contra esse rótulo externo.

Nesse sentido, se comunica com a audiência com muito mais propriedade por não se restringir à alegoria política, como o faz seu “rival” “Jogos vorazes”.

Com uma heroína cativante e um plot bem amarrado, filme agrada e convence    (Foto: divulgação)

Com uma heroína cativante e um plot bem amarrado, filme agrada e convence (Foto: divulgação)

A luta da protagonista (Beatrice Prior), vivida com indesviável carisma e dedicação pela competente Shailene Woodley, é tanto contra o sistema, como contra o rótulo que lhe foi imposto pela sociedade. É, também, contra seus próprios limites.

Existe, é claro, a necessária subtrama do romance. Mas ela é administrada com a sutileza necessária para não se impor às prioridades narrativas. Outro acerto da condução de Burger. Além do mais, Theo James, que vive o indecifrável Four, é um talento nato. Transbordando carisma e com muito domínio de seu personagem, o ator gera boa química com Shailene Woodley e garante fôlego impensável para seu papel.

Já foi anunciado que a franquia terá quatro filmes, o terceiro livro será dividido em duas produções. Se não tem uma bilheteria irrepreensível, “Divergente” tem uma história pulsante, muito bem transposta para a tela grande e, principalmente, promissora, a seu favor.

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terça-feira, 6 de maio de 2014 Críticas, Filmes | 22:11

Crítica – “O espetacular Homem- Aranha 2: a ameaça de Electro”

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“O espetacular Homem-Aranha 2: a ameaça de Electro” é um filme que tem a ambição de ser superlativo. Tem duração de duas horas e meia; tem um conjunto nada desprezível de três vilões; objetiva dar seguimento a linha cronológica envolvendo os pais de Peter Parker e, simultaneamente, ser cativante como filme individual.

Isso tudo em uma embalagem para lá de pop e calcada em ação acelerada entremeada por um romance que ganha mais atenção do que o habitual em filmes de super-heróis.

Neste segundo filme, Peter Parker já surge à vontade como o Aranha. A cidade de Nova Iorque, no entanto, parece questionar a viabilidade de um herói mascarado que gera muitos prejuízos à cidade. Mas essas reminiscências pouco interessam à realização, mais centrada em propor uma colisão dos conflitos do adolescente Peter Parker com os do herói ainda inseguro quanto a sua função social.

O problema é que essa colisão é muito mal executada. Marc Webb atendeu bem ao desejo do estúdio de rejuvenescer o personagem e se houve mudanças que desagradaram os fãs mais xiitas, elas se justificam na necessidade de se distinguir da trilogia rodada por Sam Raimi.

Mas a trilogia em questão é um fantasma que não pode ser apartado por mudanças pontuais aqui e ali. A evolução de Peter Parker foi melhor tateada por Raimi. Enquanto Webb desenrola uma teia conspiratória que só se mostra excessiva, seu Homem-Aranha perde em apelo dramático na comparação com o de Raimi. Ele parece revisitar os mesmos conflitos, mas com muito menos propriedade.

O romance entre Peter e Gwen é o grande destaque do filme (Foto: divulgação)

O romance entre Peter e Gwen é o grande destaque do filme (Foto: divulgação)

Tome-se como ponto fundamental os vilões desse filme. Electro, o vilão principal e que tem seu nome no título, perde a posição de antagonista para o Duende verde, catalisador de um evento chave que já vem das HQs e tem todo o seu arco dramático comprometido por motivações nunca bem adensadas narrativamente. Não ajuda o fato de Jamie Foxx ceder à caricatura em sua caracterização.

Outro aspecto é a linguagem adotada por Webb. Enquanto muitos correm atrás do realismo, na esteira dos feitos de Christopher Nolan na trilogia do Batman, Webb opta por mimetizar a linguagem visual das HQs. O que a princípio pode parecer uma vantagem, gera um estranhamento irreversível e que, em última análise, torna o filme perigosamente pueril.

A seu favor, “A ameaça de Electro” tem a química entre Andrew Garfield e Emma Stone, que são namorados na vida real, e o bom uso do humor, uma prerrogativa básica do Aranha, mas é muito pouco. Para um filme tão ambicioso, ter seus melhores momentos no adornamento de um romance teen chega a ser ofensivo.

“A ameaça de Electro”, no entanto, é um produto mais bem acabado do que seu antecessor. Mas sofre da mesma sina. É um filme esquecível.

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