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sábado, 18 de março de 2017 Análises, Filmes | 08:30

Redescobrindo “Trainspotting”: Filme resiste ao tempo e se mantém como um soco no estômago do espectador

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Cena de Ewan McGregor mergulhando em uma privada ainda é das coisas mais impressionantes que o cinema já produziu. 21 anos depois, “Trainspotting – Sem Limites” ainda mesmeriza e preserva impacto

Ewan McGregor em cena de "Trainspotting - Sem Limites"

Ewan McGregor em cena de “Trainspotting – Sem Limites”

Com a chegada do novo filme, que estreia no Brasil na próxima quinta-feira (23), parece oportuno relembrar “Trainspotting – Sem Limites” (1996). Um dos filmes mais expressivos da década de 90, a produção de Danny Boyle se tornou um cult instantâneo e pavimentou principalmente a carreira de Ewan McGregor, que dois anos antes tinha feito “Cova Rasa” com Boyle.

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Adaptado da obra Irvine Welsh, “Trainspotting” não só é o filme mais enfático e absoluto sobre o uso de drogas, sem se resolver a partir de um julgamento moral, mas também um retrato desromantizado de toda uma geração. Durante a promoção do segundo filme, Ewan McGregor disse que sentiu que Mark Renton era o papel de sua vida e talvez seja mesmo. McGregor é muito bom ator e fez muita coisa boa de lá para cá, mas este personagem é tão emblemático e reverberante que é difícil esbarrar em algo mais significativo do ponto de vista histórico.

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As desventuras e picadas de um grupo de jovens de Edimburgo, na Escócia, envelheceu muito bem. No aniversário de 21 anos do filme, com a eminência da continuação, o filme original resiste como um soco no estômago.

A trilha sonora vibrante, a linguagem viodeoclipada, o cinismo efervescente de Renton, o bromance com Sick Boy (Johnny Lee Miller), a urgência do registro sobre o apelo das drogas para uma juventude potencialmente alienada e aquela Escócia à vontade às sombras da Inglaterra.

A turma de Trainspotting reunida

A turma de Trainspotting reunida

“Trainspotting” chegou à segunda década do século XXI em carne viva.

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Rever o filme hoje é interessante, ainda, à luz de um pensamento social cada vez mais tolerante ao consumo de drogas. Transbordante em cultura pop, as referências de Sick Boy a Sean Connery são especialmente saborosas agora que o ator escocês já está aposentado, o filme se assevera como documento histórico que ainda detém a bonificação de ser um símbolo do britpop que explodiu na década de 90.

Rever “Trainspotting” é ser invadido por uma sensação que alguns filmes dos anos 90 provocaram e que o cinema recente parece capaz de instigar com menos frequência. A sagacidade da obra, seu vaticínio, força dramática e, fundamentalmente, seu espírito permanecem intactos.

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quinta-feira, 21 de janeiro de 2016 Críticas, Filmes | 14:11

“Steve Jobs” não paga o risco da dobradinha Boyle e Sorkin no cinema

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Cena do filme "Steve Jobs":  Filme é bom, mas se vende como algo muito melhor

Cena do filme “Steve Jobs”: Filme é bom, mas se vende como algo muito melhor

A junção de Danny Boyle e Aaron Sorkin inspirava desconfiança para com “Steve Jobs”, a biografia de pedigree que a Sony queria produzir sobre o visionário co-fundador da Apple e que acabou sob o jugo da Universal.  O risco era que o hipertireoidismo visual do diretor de “Quem Quer Ser um Milionário?” (2008), combinado com o histrionismo textual de Sorkin prejudicasse a estrutura dramática do filme.

Do jeito que veio ao mundo, “Steve Jobs” é um bom filme. Impregnado pela científica disposição de problematizar Steve Jobs. De iluminar o homem que colhia inimizades e detratores no mesmo compasso em que influenciava o mundo e acumulava bilhões de dólares.

Nesse contexto, “Steve Jobs” se apresenta com certa obviedade para quem já está minimamente familiarizado com a figura de Jobs. Até o mediano filme “Jobs” (2013), de Joshua Michael Stern é mais didático e elucidativo de quem foi Jobs e dos ideais que o nortearam.

Com o documentário “Steve Jobs: the Man in The Machine” (2015), de Alex Gibney, o filme de Boyle guarda poucas semelhanças. No documentário a investigação de quem, de fato, é Jobs é muito mais perene, profunda e ressonante. Em “Steve Jobs” tudo parece uma questão de estilo. O filme parece demasiadamente preocupado com a maneira com que vai se vender para o público – emprestando uma característica de Jobs muito bem sublinhada ao longo do filme.

Michael Fassbender, por seu turno, empresta todo o seu carisma a um homem que parece refém de seu gênio. É esse o recorte que Fassbender dá a ele. É, sim, uma leitura condescendente do personagem. Afinal de contas, rótulos como “um homem a frente de seu tempo” e “gênio incompreendido” costumam ser atribuídos a Jobs. De qualquer modo, Fassbender o encarna com uma energia bruta e brutal. É impossível desviar de seu magnetismo.

O restante do elenco, com nomes como Jeff Daniels, Kate Winslet e Seth Rogen, também está muito bem alinhado. Coeso e uniforme. Mas é a parte técnica de “Steve Jobs” que salta aos olhos. Boyle aposta na forma e confia ao texto de Sorkin, que brinda o espectador com ótimos diálogos e um punhado nada desprezível de grandes cenas, a força dramática de seu filme.

Trata-se de uma escolha que limita o impacto de “Steve Jobs” enquanto cinema. Tem-se um produto muito bem embalado, com forte apelo pop, mas de pouca relevância narrativa ou dramática. Não é o pior dos mundos, mas passa longe de se configurar como um dos melhores.

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