Publicidade

Posts com a Tag David Cronenberg

sexta-feira, 23 de setembro de 2016 Curiosidades, Diretores, Notícias | 12:00

Fase mais obscura de David Cronenberg ganha retrospectiva em São Paulo

Compartilhe: Twitter
Cena do filme "Videodrome: A síndrome do vídeo" (Foto: divulgação)

Cena do filme “Videodrome: A síndrome do vídeo”
(Foto: divulgação)

As deformações que surgem em nós mesmos, resultado de mutações silenciosas e radicais provocadas pela ciência moderna e que transformam nosso corpo e mente. Esse é o tipo de horror – bizarro e obscuro – dos filmes do diretor canadense David Cronenberg selecionados para o ciclo Cronenberg Século XX que a Sala Drive-In do Caixa Belas Artes em São Paulo exibe, a partir desta sexta-feira (23) até o dia 5 de outubro.

Em duas semanas de mostra, serão exibidas dez produções de 1975 a 1991, a fase mais obscura de Cronenberg, que carrega a fama de “cineasta do bizarro”: “A Mosca”, “Videodrome – A síndrome do vídeo”, “Scanners – Sua mente pode destruir”, “Enraivecida na fúria do sexo”, “Gêmeos – Mórbida Semelhança”, “Os filhos do medo”, “A hora da zona morta”, “Calafrios”, “Escuderia do poder” e “Mistérios e Paixões”.

Para quem teve um primeiro contato com o cineasta canadense por meio de sua mais recente e verborrágica fase, em que se destacam filmes como “Cosmópolis” e “Um método Perigoso”, trata-se de uma excelente oportunidade para descobrir a visceralidade e o poder metafórico de um dos cineastas mais criativos do cinema em todos os tempos.

“Selecionamos os filmes mais antigos de David Cronenberg para que o espectador possa conhecer melhor a obra deste cineasta. Em seus primeiros trabalhos, Cronenberg usa de personagens e situações bastante excêntricas para questionar as hipocrisias da sociedade burguesa”, contextualiza André Sturm, diretor de programação do Caixa Belas Artes.

A programação completa pode ser conferida no site do Caixa Belas Artes.

Jeremy Irons em dose dupla no filme "Gêmeos – Mórbida semelhança", destaque deste sábado no Caixa Belas Artes (Foto: divulgação)

Jeremy Irons em dose dupla no filme “Gêmeos – Mórbida semelhança”, destaque deste sábado no Caixa Belas Artes
(Foto: divulgação)

Autor: Tags: ,

quarta-feira, 25 de março de 2015 Análises, Filmes | 19:36

Devassando Hollywood: um paralelo entre “Birdman” e “Mapas para as estrelas”

Compartilhe: Twitter

Dois filmes recentes de cineastas com profunda veia autoral tratam de cinema. Em suas generalidades e minúcias, “Birdman” e “Mapas para as estrelas” compartilham de muitas ideias e antagonizam em tantas outras.

O grande vencedor do Oscar 2015, ainda que tonificado pelo humor negro, é menos ácido que o filme de David Cronenberg. Alejandro González Iñárritu faz uma crítica dura ao establishment hollywoodiano, mas construtiva, digamos assim. É possível, seja o espectador um ator ou não, se identificar com o conflito vivido por Riggan Thomson (Michael Keaton). Um astro de uma franquia de ação em busca de relevância artística na Broadway. “Birdman” não caçoa da fragilidade de Thomson, tampouco o poupa. Iñárritu sublinha a frivolidade do personagem, seu ego irrefreável em cenas como quando ele conta sobre o quase desastre de avião que sofreu ou nas conversas com a ex-mulher em que vislumbramos o terror da convivência com um ser humano incapaz de enxergar limites para suas vontades.

Crítica: Do que falamos quando falamos de “Birdman”?

Em “Mapas para as estrelas”, qualquer identificação com Havana Segrand (Julianne Moore) é mais difícil. A atriz deseja expurgar o fantasma da mãe, com quem tinha uma difícil relação, ao assumir o papel que a consagrou em um remake de um filme premiado. Havana é intratável, arrogante e cheia de inseguranças. É como Thomson talvez fosse enquanto estrelava a franquia Birdman. Mas Havana está em decadência e sabe disso. Daí Cronenberg submetê-la a um escrutínio que não existem em “Birdman”. A chance de redenção é vista no horizonte, mas trata-se de uma miragem. Hollywood te come vivo, sugere o cineasta com seu final surrealista.

Crítica: Cronenberg ridiculariza Hollywood com sátira delirante em “Mapas para as estrelas” 

 

Diálogos existencialistas em "Birdman" revelam o lado sombrio de Thomson (Foto: divulgação)

Diálogos existencialistas em “Birdman” revelam o lado sombrio de Thomson
(Foto: divulgação)

A rejeição é um fantasma que assombra Havana, a materialização de um estilo de vida em Hollywood (Foto: divulgação)

A rejeição é um fantasma que assombra Havana, a materialização de um estilo de vida em Hollywood
(Foto: divulgação)

“Você é uma celebridade”

Em um dado momento de “Birdman”, a crítica teatral megera se vira para Thomson e diz que ele não é um ator, mas uma celebridade. A cena pretende discutir mais o ofício da crítica e a tumultuada e simbiótica relação desta com a indústria cultural do que as diferenças entre um ator e uma celebridade. Já David Cronenberg mergulha mais livremente nessa melindragem conceitual. O astro teen Benjie (Evan Bird), assim como a filha de Thomsom, é egresso de uma clínica de reabilitação e nos remete a Macaulay Culkin. É uma celebridade antes de ser um ator e compreende todos os tiques e obsessões dessa figura alçada ao Olimpo antes mesmo de ter maturidade para entender o que, de fato, é este Olimpo..

“Mapas para as estrelas” é histérico onde “Birdman” se permite ser lírico. O filme de Iñarritu, embora experimental, crítico e incrivelmente original na forma, é muito mais palatável do que o petardo cheio de ironia e malícia de Cronenberg. Por isso, um foi ao Oscar e outro ficou soterrado sob incompreensão e esquecimento.

Se “Birdman” alinhava um comentário sobre o real significado de arte e sua umbilical relação com a fama, com o status, “Mapas para as estrelas” escancara a perversidade incontida nesse status. É uma leitura mais sombria, anárquica e desesperançada do cinema, da arte e da humanidade. Em contrapartida, “Birdman” é duro, mas não pessimista. O Oscar a “Birdman” é o sinal verde para uma discussão de relação. Um hipotético cenário de Oscar para “Mapas para as estrelas” iria além da autocrítica.  Seria dar um tiro na própria consciência!

Fora do arranjo: Cronenberg grafa os absurdos de Hollywood em  um filme que aos poucos se transforma em puro terror

Fora do arranjo: Cronenberg grafa os absurdos de Hollywood em um filme que aos poucos se transforma em puro terror
(Foto: divulgação)

Autor: Tags: , , , , ,

terça-feira, 17 de março de 2015 Críticas, Filmes | 16:45

Cronenberg ridiculariza Hollywood com sátira delirante em “Mapas para as estrelas”

Compartilhe: Twitter

Ao terminar de assistir “Mapas para as estrelas” (EUA/CAN/FRA/ALE  2014), o espectador certamente hesitará se está diante de uma comédia carregada em tintas de humor negro ou de uma ópera de horror nervosa. Mas terá a certeza que acabou de assistir um legítimo Cronenberg. E dos melhores!

O cineasta oferece aqui uma sátira poderosa das engrenagens de Hollywood. “Mapas para as estrelas” é um olhar cínico, profano e subversivo para o mundo do cinema e a fogueira de vaidades que o alimenta. O cinema, e Hollywood, já foram tema de muitos filmes. Dos recém-oscarizados “Argo” (2012) e “Birdman” ao clássico “Crepúsculo dos Deuses” (1950), a pegada crítica podia até estar presente nesses filmes, mas gravitava um universo de interesses difuso. David Cronenberg se desapega de todo o mais e concentra-se única e exclusivamente no aspecto sórdido, absurdo e, porque não, cronenberguiano da Meca do Cinema. Essa opção por focar no grotesco desse mundo de porcelana e aparências distingue o filme dos outros que miram em Hollywood. Com Cronenberg tudo é mais hediondo, grave, extremo e surreal.

Loucura ou lucidez? A personagem de Mia Wasikowska conclama o melhor, e o pior, dos dois conceitos (Foto: divulgação)

Loucura ou lucidez? A personagem de Mia Wasikowska conclama o melhor, e o pior, dos dois conceitos
(Foto: divulgação)

Há cenas que vão do hilário ao suspense em segundos e outras que trafegam pelo nonsense e se refugiam no drama. É um trabalho de direção tão singular quanto irrepreensível.

A sinopse não dá conta da experiência que é interiorizar “Mapas para as estrelas”. São três arcos que acompanhamos. No primeiro, uma misteriosa menina (Mia Wasikowska), com partes do corpo queimadas, chega a Los Angeles para conhecer a cidade e acaba se envolvendo com o motorista de limusine que sonha em ser ator ou roteirista vivido por Robert Pattinson. Em outro, Havana Segrand (Julianne Moore) é uma atriz em decadência que faz tudo para conseguir o papel que foi de sua mãe em um remake dirigido por um prodígio saído do festival de Sundance. Finalmente, no terceiro arco, há uma estrela teen, Benjie (Evan Bird), um misto de Macaulay Culkin com Justin Bieber, que estrela uma franquia milionária, recupera-se de um vício em drogas e tem um gênio para lá de difícil.

Cronenberg, com o préstimo do roteirista Bruce Wagner – ele mesmo um ex-motorista de limusines em Hollywood – disseca esses clichês ambulantes com agudeza e escárnio.

Os arcos se bifurcam brilhantemente e um dos expedientes mais extraordinários para esse feito é o personagem de John Cusack, um guru de autoajuda de celebridades, que tem conexão com os três personagens centrais que puxam a narrativa.

Ego, vaidade, insegurança, desejo... a fogueira hollywoodiana queima sob o olhar atento de Cronenberg (Foto: divulgação)

Ego, vaidade, insegurança, desejo… a fogueira hollywoodiana queima sob o olhar atento de Cronenberg
(Foto: divulgação)

Referências pipocam na tela. Desde o bom momento vivido pelas produções da TV americana à inevitável rivalidade em sets de filmagens. Cronenberg tem um comentário sobre tudo. Das circunstâncias a que muitos se submetem na busca por um lugar ao sol em Hollywood à insegurança que vitima atrizes, especialmente as mais velhas, em um contexto estético ditatorial. Pescar essas referências sortidas durante toda a projeção é um dos prazeres de se assistir “Mapa paras as estrelas”. Outro, é testemunhar a crescente de delírio e tensão orquestrados pelo cineasta. É uma história sobre Hollywood e ilusão, delírio e vertigem estão no pacote. Cronenberg, visionário, esfacela a realidade ao ridicularizá-la sem rodeios. Seu filme, culto à desordem, inebria e desestabiliza o espectador. Nada mais sintomático de Hollywood.

Autor: Tags: , , , , ,