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sábado, 31 de outubro de 2015 Críticas, Filmes | 08:19

Amoralidade do combate às drogas move “Sicario: Terra de Ninguém”

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foto: Montagem/reprodução

foto: Montagem/reprodução

Muitos filmes sobre a guerra ao tráfico de drogas já foram feitos e é comum apontar “Traffic – ninguém sai ileso” (2000) como o mais representativo desta frente cinematográfica. Quinze anos depois da premiada fita de Steven Soderbergh, “Sicario: Terra de ninguém” (2015) se apresenta para assumir o posto ocupado por “Traffic”. Não se trata de ser um filme melhor, mas de radiografar os efeitos perniciosos do combate às drogas com o mesmo agravo de “Traffic”, mas com o acinte da contemporaneidade. O mundo capturado por Denis Villeneuve é ainda mais sórdido, tenebroso e amoral do que o mostrado por Soderbergh.

Os filmes têm ainda outro elemento em comum. Benicio Del Toro, oscarizado por viver um policial honesto em meio ao mar de corrupção na fronteira entre México e EUA em “Traffic”, surge agora como um misterioso colombiano recrutado por uma força-tarefa entre agências americanas montada pela Secretaria da Defesa para desbaratar um cartel mexicano que expande seus domínios nos EUA. Essa força-tarefa, comandada com o devido grau de cinismo e insolência por Matt Graver (Josh Brolin) tem na agente do FBI Kate Macer (Emily Blunt) seu corpo estranho.

Macer, que liderava a divisão antissequestro da polícia federal americana no Arizona, cai meio de paraquedas no grupo e à medida que questiona sua função na equipe, questiona também os rumos ambíguos que o combate ao tráfico pelos EUA tomou.

O fato de o filme ser protagonizado por uma personagem feminina eleva não só a tensão dramática, como recodifica a percepção da brutalidade daquele universo estranho a Kate, mas também a audiência. “Sicario” não reclama para si a responsabilidade de ofertar respostas para um problema que parece maior cada vez que se presta atenção nele, mas se incumbe de apontar a crescente de amoralidade em uma guerra sem mocinhos. “Os limites foram alterados”, explica a uma queixosa Kate seu superior direto em um dado momento do filme. Uma luta em que agendas pessoais, corporativas e geopolíticas se misturam corrompendo qualquer objetivo probo que possa existir.

A violência e os desvios morais inerentes a ela compõem a matéria-prima da filmografia de Villeneuve – como pode ser visto em “Incêndios” (2010) e “Os suspeitos” (2013) – e o roteiro de Taylor Sheridan (ator da série “Sons of Anarchy” estreante como roteirista) oferece o relevo necessário para o canadense evoluir no escopo de sua própria obra.

Não há qualquer espaço para redenção em “Sicario” e Villeneuve, embora capriche na tensão (uma cena de tiroteio em Juarez, no México, é toda ela construída apenas com veículos parados e closes nos atores), se recusa a filmar obedecendo convenções de gênero. Seu filme em nada se parece com as produções que abordam o combate ao tráfico de drogas. As informações não são mastigadas para a plateia e ação importa menos do que o raciocínio a fomentá-la. Denso, brilhantemente fotografado e provocativo nos detalhes, “Sicario” não é o melhor de Villeneuve, mas atesta que o canadense é mesmo um dos melhores cineastas da atualidade. E com sobras.

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sábado, 28 de fevereiro de 2015 Análises, Notícias | 07:00

Sequências de “Alien” e “Blade Runner” geram boas perspectivas

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bladeHá quem acredite que não se deveria mais mexer na mitologia de “Alien”. Ridley Scott expandiu o universo que já rendera quatro filmes com “Prometheus” (2012), um filme que nunca atinge sua potencialidade, mas tampouco faz feio. Antes mesmo de “Prometheus”, que já tem sequência confirmada, já havia um zum zum zum em torno de um novo “Alien”. Ridley Scott estava cotado para dirigir caso a Fox aprovasse um novo filme. As coisas aconteceram meio por acaso. O cineasta sul-africano Neill Blomkamp (“Distrito 9” e “Elysium”) publicou em suas redes sociais artes conceituais que ele mesmo fizera para o caso de dirigir um filme da franquia. Poucas semanas depois, mais precisamente em 19 de fevereiro, a Fox anunciou que haveria uma nova sequência de “Alien” com Blomkamp na direção e Scott ocupando a produção executiva.

Corta para a noite da última quinta-feira (26). A Alcon Entertainment, que adquirira os direitos de “Blade Runner – o caçador de androides” (1982), em 2011, anunciou que faria uma sequência e que Harrison Ford reprisaria seu papel como Rick Deckard. A direção ficará a cargo do canadense Dennis Villeneuve, de “O homem duplicado”. Filme que certamente funcionou como a melhor das credenciais para Villeneuve.

Desde que comprou os direitos sobre “Blade Runner”, muito especulou-se que a Alcon estaria interessada em rodar uma prequela da trama do filme de 1982. Ridley Scott também atuará na produção executiva servindo como um consultor de luxo.

“Alien” e “Blade Runner” têm mais do que Ridley Scott em comum. São filmes revolucionários, na linguagem e na forma, e seminais na arquitetura de uma ficção científica mais independente e altiva.

Arte conceitual de Blomkamp para o novo filme da franquia "Alien"

Arte conceitual de Blomkamp para o novo filme da franquia “Alien”

Mais uma imagem da visão de Blomkamp para "Alien"

Mais uma imagem da visão de Blomkamp para “Alien”

Harrison Ford voltará a viver Rick Deckard, mas pode se desligar em definitivo de outro icônico personagem. Há uma onda de boatos ganhando cada vez mais força em Hollywood de que Steven Spielberg trabalha para dirigir uma nova versão de “Indiana Jones” com Chris Pratt (“Guardiões da galáxia”) como Indy.

Hollywood, como diriam as más línguas, não sabe largar o osso. Mas especificamente sobre os novos “Alien” e “Blade Runner”, as perspectivas são as melhores possíveis. Blomkamp é fã confesso dos dois primeiros filmes – o segundo foi dirigido por James Cameron – e já anunciou que seu filme deve desconsiderar os eventos das terceira e quarta produções. Blomkamp é um dos últimos nomes realmente promissores a emergir na cena da ficção científica e sua devoção à essência de “Alien” e especialmente o trabalho apresentado em “Distrito 9” são razões que fundamentam o otimismo.

Villeneuve é um dos diretores mais inventivos e inteligentes a ter pisado em Hollywood. Depois de ir ao Oscar com o drama canadense “Incêndios”, ele debutou no mainstream americano com o tenso e intenso “Os suspeitos” (2013), estrelado por Hugh Jackman como um pai à procura de sua filha sequestrada. Seu filme seguinte, “O homem duplicado”, uma adaptação de Saramago, versava sobre identidade – tema caro ao universo de “Blade Runner”.

Esses filmes não precisariam de novos desdobramentos ou capítulos, mas já que esse é um caminho inevitável no negócio do cinema, essas relíquias cinematográficas não poderiam ter sido entregues a melhores mãos.

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