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quarta-feira, 1 de abril de 2015 Críticas, Filmes | 18:48

“Insurgente” adota ritmo diferente de seu predecessor, mas agrada público-alvo

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Foto: divulgação

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Na segunda parte da franquia “Divergente”, encontramos uma Tris (Shailene Woodley) mais frágil, um Quatro (Theo James), mais protetor e um regime totalitarista ciente de que enfrenta os primórdios de uma revolução. “Insurgente” (EUA, 2015), dirigido pelo alemão Robert Schwentke, dos ótimos “Red – aposentados e perigosos” (2010) e “Plano de voo” (2005), tem um ritmo diferente de seu predecessor. Primeiro porque assume o fôlego de uma fita de ação. Segundo porque não se preocupa com o fato de ter uma heroína fragilizada, pelo contrário, capitaliza em cima disso. Tris precisa lidar com a raiva e a tristeza provenientes da perda de seus pais. A frustração de não ter dado um fim à traiçoeira Janine (Kate Winslet) também lhe assombra.

O filme apresenta um pouco mais das outras facções, apenas citadas em “Divergente”.  Franqueza e Amizade, portanto, têm seus momentos de brilho no longa. Mas Schwentke se ocupa mesmo é de preparar o terreno para a grande virada que a segunda parte da série de três livros enseja. Nesse sentido, “Insurgente”, o filme, não decepciona seu público-alvo. Reviravoltas, traições e mais demonstrações dos talentos e qualidades de Tris, bem como da devoção imaculada de Quatro por ela pipocam na tela.

“Insurgente”, porém, empalidece o aspecto de crônica distópica que a franquia professa. A consciente escolha pela ação em detrimento do aprofundamento de um comentário político sugere um caminho diferente do adotado por outra franquia teen de sucesso, “Jogos vorazes”. Essa escolha também enfraquece a metaforização da rebeldia dos jovens frente às convenções das gerações anteriores. Um dos grandes apelos do primeiro filme, essa metaforização é totalmente diluída nos propósitos assumidos pela série neste segundo filme.

De qualquer maneira, “Insurgente” é uma experiência satisfatória para seu público-alvo. A manutenção da data de lançamento em março, diferentemente do que ocorreu com a sequência de “Jogos vorazes”, deslocada para o mais concorrido mês de novembro, ratifica que este é um movimento consciente do estúdio, a Lionsgate. Goste-se ou não dos rumos perseguidos pela série a partir de “Insurgente”, eles são frutos de um criterioso target.

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quarta-feira, 7 de maio de 2014 Críticas, Filmes | 22:33

Crítica – “Divergente”

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Em um mundo em que a literatura juvenil é explorada quase que a toque de caixa pelo cinema e que duas ficções científicas com futuros distópicos ganham os cinemas contemporaneamente, é um prazer ver que “Divergente” (2014), baseado na obra homônima de Veronica Roth apresenta reflexões que fogem ao esquematismo do gênero. Não é o caso de comparar com “Jogos vorazes”, comparação automatizada pelas similaridades entre as sagas, mas de distinguir o discurso muito mais bem fundamentado e eloquente apresentado no filme dirigido por Neil Burger.

No futuro de “Divergente”, a sociedade cedeu ao totalitarismo e se organiza em cinco facções. Erudição, audácia, abnegação, franqueza e amizade. Na adolescência, todo cidadão é submetido a um teste que deve orientá-lo a escolher em qual facção irá viver. Existe até um slogan: “facção antes do sangue”. Essa objetividade aumenta a pressão, uma vez que submetido a uma fação, não há caminho de volta. Aqueles que não se encaixam em nenhum desses recortes são chamados de divergentes.

É uma premissa interessante muito bem explorada pela dramaturgia de Roth e potencializada pelas escolhas de Burger. Nossa sociedade adorar rotular. É algo inescapável a ao convívio. O gordo, a vagabunda, o gay, o chato e por aí vai. O que “Divergente” propõe enquanto reflexão é a força que insurge do íntimo de cada ser humano contra esse rótulo externo.

Nesse sentido, se comunica com a audiência com muito mais propriedade por não se restringir à alegoria política, como o faz seu “rival” “Jogos vorazes”.

Com uma heroína cativante e um plot bem amarrado, filme agrada e convence    (Foto: divulgação)

Com uma heroína cativante e um plot bem amarrado, filme agrada e convence (Foto: divulgação)

A luta da protagonista (Beatrice Prior), vivida com indesviável carisma e dedicação pela competente Shailene Woodley, é tanto contra o sistema, como contra o rótulo que lhe foi imposto pela sociedade. É, também, contra seus próprios limites.

Existe, é claro, a necessária subtrama do romance. Mas ela é administrada com a sutileza necessária para não se impor às prioridades narrativas. Outro acerto da condução de Burger. Além do mais, Theo James, que vive o indecifrável Four, é um talento nato. Transbordando carisma e com muito domínio de seu personagem, o ator gera boa química com Shailene Woodley e garante fôlego impensável para seu papel.

Já foi anunciado que a franquia terá quatro filmes, o terceiro livro será dividido em duas produções. Se não tem uma bilheteria irrepreensível, “Divergente” tem uma história pulsante, muito bem transposta para a tela grande e, principalmente, promissora, a seu favor.

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