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sábado, 12 de novembro de 2016 Críticas, Filmes | 16:50

“Snowden” assume ponto de vista do protagonista e vende a terrível verdade de nosso tempo

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Cena do filme "Snowden: Herói ou Traidor"

Cena do filme “Snowden: Herói ou Traidor”

É um tanto desorientador que “Snowden: Herói ou Traidor” chegue aos cinemas brasileiros na esteira da vitória surpreendente de Donald Trump nas eleições presidenciais dos Estados Unidos. Afinal, o agora presidente eleito ostenta uma retórica que vai de encontro a tudo aquilo que o filme de Oliver Stone defende enquanto obra artística. Essa inesperada oposição dá uma nova perspectiva à audiência e transforma a experiência de se assistir “Snowden” em algo muito mais exasperador.

O filme, originalmente previsto para 2015, se ocupa da trajetória de Edward Snowden nos serviços de inteligência dos Estados Unidos. Mas não só. Stone, com o préstimo do coroteirista Kieran Fitzgerald, elabora um perfil quase jornalístico do ex-agente da CIA e da NSA. Uma característica herdada muito provavelmente dos livros de não ficção que amparam o roteiro.

Trata-se de um filme sóbrio, o que em matéria de Oliver Stone já é um trunfo. O que não quer dizer que haja um esforço em prol de isenção. E nem deveria. Aqui assume-se o ponto de vista de Edward Snowden, mas há vícios de linguagem e narrativa que poderiam ser evitados. A opção por dar voz ao próprio Snowden no desfecho do filme, além de desnecessária, compromete a própria construção dramática da produção. Mais: Há um momento em particular que a justificativa de Snowden é pobre. Depois de ter deixado a CIA, ele alega ter retornado a trabalhar em uma agência de inteligência americana, no caso a NSA (Agência de Segurança Nacional), porque imaginava que as coisas melhorariam e tinha fé em Obama. Trata-se de uma visão ingênua para quem já testemunhara o que testemunhara. Daí, apesar da breguice, o subtítulo nacional que brinca com as noções de heroísmo e traição.  É algo que, talvez, Oliver Stone não tenha se dado conta e ao colocar Snowden em seu filme acaba por sublinhar.

De todo modo, há aspectos muito interessantes em “Snowden”. O primeiro deles, sem dúvida nenhuma, é vislumbrar a crescente do dilema moral em que o personagem se flagra. Algo que a performance minimalista de Joseph Gordon-Levitt aborda muito bem. O ator abraça o desconforto irascível de quem se vê forçado a mudar sua visão de mundo e do País que ama e hesitar sobre o que fazer a respeito. Snowden é um patriota e por sê-lo, tanto sua atitude como as acusações que pairam sobre ele ganham mais relevo e isso é algo que Oliver Stone tem plena consciência e explora bastante ao longo das 2h15min de projeção.

O romance com Lindsay (Shailene Woodley) vive às margens da vida de agente de Snowden

O romance com Lindsay (Shailene Woodley) vive às margens da vida de agente de Snowden

Outro aspecto interessante é observar o hibridismo entre posicionamento político e paranoia nos tempos atuais. Nesse sentido, “Snowden” se aproxima de um filme de terror ao emaranhar as percepções do público e fazer com que temamos uma câmera de celular tanto quanto dormir de luz apagada depois de um filme de terror.

Ao fazer mais um filme contra o sistema, outros foram o duo “Wall Sreet”, “Nixon”, “JFK – A Pergunta Que Não Quer Calar”, “Nascido em 4 de Julho” e “Platoon”, Oliver Stone demonstra mais compostura discursiva e permanece ostensivo na gramática cinematográfica. “Snowden” é cinemão, com seus prós e contras, no melhor sentido do termo.

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terça-feira, 14 de outubro de 2014 Bastidores, Filmes, Notícias | 19:18

A segunda vida de Edward Snowden no cinema

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Edward Snowden em reprodução de foto do The Guardian

Edward Snowden em reprodução de foto do The Guardian

O filme que Oliver Stone prepara sobre o ex-analista da NSA ainda está em fase de pré-produção. Outro dia foi anunciado que o ator Joseph Gordon-Levitt (“500 dias com ela” e “A origem”) interpretará Snowden no filme de Stone, um cineasta costumeiramente crítico ao establishment norte-americano. Edward Snowden, no entanto, já é o personagem do momento no cinema que se pretende mais reflexivo. Um documentário sobre o homem que expôs um virulento, complexo e ainda hoje pouco explicado sistema de vigilância e amplo monitoramento do governo americano sobre cidadãos americanos, empresas e líderes estrangeiros, debutou no Festival Internacional de Cinema de Nova York, encerrado no último fim de semana, e obteve forte acolhida.

“Citizenfour”, dirigido por Laura Proitas e produzido por Steven Soderbergh, escrutina a rotina de Snowden desde sua ação em Hong Kong, quando vazou os dados confidenciais do governo americano, até o exílio na Rússia. O documentário se investe da urgência de estudar um dos personagens mais instigantes do começo do século ao mesmo tempo em que se incumbe de discutir os limites da privacidade na esfera institucional.

O trailer de “Citizenfour”

O diretor do festival de Nova York, Kent Jones, deu a seguinte declaração ao justificar a seleção do filme de Proitas para sua mostra: “Jamais esquecerei da experiência de assistir este filme. Ele opera em múltiplos níveis ao mesmo tempo. É um estudo de personagem, um suspense da vida real e um filme denúncia. É um documentário corajoso, mas também uma poderosa narrativa de uma mestra no ofício”.

O filme, uma coprodução entre a HBO e a Participant Media, gerou um buzz tão positivo que analistas da indústria já especulam a respeito de uma possível indicação ao Oscar. De melhor filme. Seria o primeiro documentário destacado na categoria desde a criação da categoria específica para documentários.

“Rivalizando com qualquer thriller de John Le Carré ou Grahan Greene, “Citizenfour”  coloca uma inegável face humana no delator da NSA”, indicou em sua crítica o prestigiado site Deadline.

Proitas, que não tem a fama ou o repertório de polêmicas de Oliver Stone, é ela mesma uma questionadora mordaz da política externa americana. Ela disse em Nova York que “Citizenfour” é a conclusão da trilogia iniciada com “My Country, My Country” (sobre o Iraque) e continuada com “The Oath”, sobre Guantánamo.  Estes dois filmes já podem ser conferidos no catálogo da Netflix.

“Citizenfour” estreia em 24 de outubro em cinemas selecionados dos EUA e deve ser exibido no Brasil pelo canal HBO no início do próximo ano.

Assista o trailer de “The Oath”

Assista o trailer de “My Country, my Country”

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segunda-feira, 2 de junho de 2014 Diretores, Notícias | 22:34

Edward Snowden pode ser a senha para Oliver Stone recuperar a relevância artística

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O ex-analista da NSA, Edward Snowden será tema do novo filme de Oliver Stone (Foto: AP/Guardian)

O ex-analista da NSA, Edward Snowden será tema do novo filme de Oliver Stone (Foto: AP/Guardian)

Entre o fim dos anos 80 e a primeira metade dos anos 90 não havia cineasta mais significativo, temido e ousado do que Oliver Stone. Fortemente liberal, esse americano nascido em Nova York dirigiu alguns dos filmes políticos mais ácidos produzidos nos EUA no período. Mirou na guerra do Vietnã (“Platoon” e “Nascido em quatro de julho”, na sociedade de consumo (“Assassinos por natureza”) e nas teorias conspiratórias (“JFK – a pergunta que não quer calar”).

Já faz mais de vinte anos que Oliver Stone não consegue se notabilizar a não ser pela polêmica fácil e simples. Das cinebiografias dos presidentes americanos, Bush foi o último pincelado por ele no dispensável “W” (2008), à recriação do drama da queda das torres gêmeas pela perspectiva de dois bombeiros que ficaram sob os escombros do World Trade Center, “As torres gêmeas” (2006), Stone acostumou-se a ser uma sombra do cineasta que foi um dia.

Depois de produzir e dirigir uma série documental para a tv americana em que conta uma versão alternativa para muitos fatos que marcaram a história americana, intitulada “The Untold history of The United States”(2012-2013), Stone prepara um retorno em grande estilo. Ele irá dirigir um filme sobre Edward Snowden, o homem cuja complexidade para defini-lo desafia articulistas políticos e jornais em todo o mundo.

Oliver Stone orienta o ator Josh Brolin, caracterizado como Bush, em "W" (Foto: divulgação)

Oliver Stone orienta o ator Josh Brolin, caracterizado como Bush, em “W” (Foto: divulgação)

Stone, de acordo com a revista Variety, está escrevendo o roteiro do filme que será baseado no livro “The Snowden files: The inside story of the World´s most wanted man”, do jornalista Luke Harding.

O livro é considerado um thriller cinemático e tudo indica que Stone irá se beneficiar dessa lógica narrativa. Em suas incursões pelo mundo financeiro, fez dois filmes sobre os bastidores de Wall Street, Stone apropriou-se desse ritmo de thriller para contar uma história sobre os pilares e fundamentos do capitalismo. A ideia é evocar o clima de “JFK – a pergunta que não quer calar”, já que Snowden é um personagem que favorece teorias conspiratórias.

Fazer um filme sobre um dos personagens mais controvertidos do novo século, Julian Assange, Mark Zuckerberg e Steve Jobs seriam outros, mas já tiveram seus filmes, pode ser a redenção que Stone tanto busca como cineasta.

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