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sábado, 5 de maio de 2018 Críticas, Filmes | 15:55

Por que “Um Lugar Silencioso” é o melhor filme de terror da atualidade?

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Filme de John Krasinski é um dos maiores hits de 2018. Hype em cima do filme mais original produzido por um estúdio no ano é muitíssimo justificado

Cena de "Um Lugar Silencioso"

Cena de “Um Lugar Silencioso”

O terror mais bem conceituado precisa ser alegórico, desenvolver uma atmosfera de constante tensão e agonia e não fazer concessões a título de barganha com o público ou com o mainstream. Nesse sentido, é um bálsamo assistir a um filme como “Um Lugar Silencioso”, que desde sua exibição no festival SXSW vem adquirindo irrefreável hype.

Com cerca de US$ 250 milhões arrecadados nas bilheterias globalmente e com uma sequência já confirmada, “Um Lugar Silencioso” é um triunfo do cinema que se pretende tanto entretenimento como manifestação artística. Eis uma combinação cada vez mais rara em Hollywood.

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O filme que teve um orçamento de US$ 17 milhões é um bem-vindo sucesso para a Paramount que não conseguia respirar no Box Office fora dos limites das franquias “Transformers” e “Missão Impossível”. Dirigido por John Krasinski, figura mais identificada à comédia, o filme valoriza a imagem – como nos primórdios do cinema – como elemento de organização narrativa, mas também exalta o desenho de som como ferramenta imagética. Trata-se de um desenvolvimento dos mais inteligentes do cinema enquanto técnica e artifício.

Este é o terceiro filme de Krasinski. Sem dúvida o mais ambicioso de sua filmografia. Não à toa, ele contracena com sua esposa, a atriz Emily Blunt. Eles também formam um casal no longa.

John Krasinski dirige sua mulher em Um Lugar Silencioso

John Krasinski dirige sua mulher em Um Lugar Silencioso

Trata-se de um futuro distópico e a realização não se preocupa em pavimentar todo um contexto para o cenário flagelado e angustiante que encontramos quando o filme começa. Há pistas aqui e ali que possibilitam que o espectador tenha uma dimensão da tragédia que se assentou sobre o planeta Terra.

Após uma invasão alienígena, a raça humana pereceu. Sensíveis a qualquer tipo de som, os poderosos aliens atacam a qualquer ruído mais forte. O silêncio é imperativo para a sobrevivência. É nesta árdua e conflitiva realidade que encontramos Lee (Krasinski) e Evelyn Abbott (Emily Blunt) e seus filhos.

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Fotos: divulgação

Fotos: divulgação

“Um Lugar Silencioso” se resolve tanto como um filme de tensão absoluta e ininterrupta – afinal, qualquer vacilo pode ser fatal – como uma alegoria poderosíssima sobre a paternidade. Os anseios, inseguranças e frustrações inerentes à realidade de se ser pai e mãe, algo que se é com frequência em situações adversas.

Krasinski revela pulso firme para o desenvolvimento narrativo e habilidade na direção dos atores. O rigor estético de seu filme rima com a convicção dramática de sua resolução, impassível e resiliente.

Se Millicent Simmonds, atriz surda que já havia causado sensação em “Sem Fôlego”, sequestra cada cena em que aparece, “Um Lugar Silencioso” se reinventa como o grande filme que é a cada novo drama com o qual se deparam os personagens. De quebra, o longa brinda o público com a mais aflitiva, tensa e cinematográfica cena de parto da década.

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domingo, 24 de abril de 2016 Filmes, Notícias | 20:24

Vamos falar sobre o trailer de “A Garota no Trem”?

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A Garota no tremFoi liberado na última semana o primeiro trailer de um dos filmes mais aguardados de 2016. Baseado no best-seller homônimo de Paula Hawkins, “A Garota no Trem” promete ser um thriller do gabarito do que o melhor do cinema de gênero tem a oferecer no nível de produções como “Atração Fatal” (1987) e “Garota Exemplar” (2014).

A produção conta a história de Rachel, uma mulher que sofre as dores de um divórcio recente. Acostumada à sua rotina solitária, ela passa o tempo a caminho do trabalho fantasiando sobre um casal aparentemente perfeito que vive em uma casa próxima ao caminho por onde seu trem passa todos os dias. Só que em uma manhã, pela janela do trem, ela vê algo surpreendente acontecer e se torna parte de um mistério ainda sem explicação.

O trailer, que pode ser conferido abaixo com legendas em português, é dos mais felizes do ano até o momento. Revela bastante, mas instiga mais ainda e deixa o público salivando pela estreia do filme, programada para 13 de outubro no Brasil.

Emily Blunt, que vive ótima fase na carreira, vive a protagonista, mas o elenco da produção dirigida por Tate Taylor (“Histórias Cruzadas”) é ainda amais empolgante e conta com Rebecca Ferguson (“Missão Impossível: Nação Secreta”), Justin Theroux (“The Leftovers”), Edgar Ramirez e Allison Janney.

Há, ainda, a presença iluminada de Haley Bennett, atriz que tem tudo para explodir e ser a grande revelação de 2016 no cinema. Ela ainda está no elenco de “Sete Homens e um Destino”, da biografia de Howard Hughes assinada por Warren Beatty e em “Thank you for your service”. Sob muitos aspectos, a aposta é de que ela causará a sensação que Margot Robbie e Alicia Vikander causaram em anos recentes.

Hayley Bennett na premiere de "O Protetor" em 2014 (Foto: Hollywood Reporter/Reprodução)

Hayley Bennett na premiere de “O Protetor” em 2014
(Foto: Hollywood Reporter/Reprodução)

Já há comentários sobre uma possível indicação ao Oscar para Blunt. Especulações à parte, depois de conferir este trailer, você vai querer que 13 de outubro chegue logo.

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sábado, 31 de outubro de 2015 Críticas, Filmes | 08:19

Amoralidade do combate às drogas move “Sicario: Terra de Ninguém”

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foto: Montagem/reprodução

foto: Montagem/reprodução

Muitos filmes sobre a guerra ao tráfico de drogas já foram feitos e é comum apontar “Traffic – ninguém sai ileso” (2000) como o mais representativo desta frente cinematográfica. Quinze anos depois da premiada fita de Steven Soderbergh, “Sicario: Terra de ninguém” (2015) se apresenta para assumir o posto ocupado por “Traffic”. Não se trata de ser um filme melhor, mas de radiografar os efeitos perniciosos do combate às drogas com o mesmo agravo de “Traffic”, mas com o acinte da contemporaneidade. O mundo capturado por Denis Villeneuve é ainda mais sórdido, tenebroso e amoral do que o mostrado por Soderbergh.

Os filmes têm ainda outro elemento em comum. Benicio Del Toro, oscarizado por viver um policial honesto em meio ao mar de corrupção na fronteira entre México e EUA em “Traffic”, surge agora como um misterioso colombiano recrutado por uma força-tarefa entre agências americanas montada pela Secretaria da Defesa para desbaratar um cartel mexicano que expande seus domínios nos EUA. Essa força-tarefa, comandada com o devido grau de cinismo e insolência por Matt Graver (Josh Brolin) tem na agente do FBI Kate Macer (Emily Blunt) seu corpo estranho.

Macer, que liderava a divisão antissequestro da polícia federal americana no Arizona, cai meio de paraquedas no grupo e à medida que questiona sua função na equipe, questiona também os rumos ambíguos que o combate ao tráfico pelos EUA tomou.

O fato de o filme ser protagonizado por uma personagem feminina eleva não só a tensão dramática, como recodifica a percepção da brutalidade daquele universo estranho a Kate, mas também a audiência. “Sicario” não reclama para si a responsabilidade de ofertar respostas para um problema que parece maior cada vez que se presta atenção nele, mas se incumbe de apontar a crescente de amoralidade em uma guerra sem mocinhos. “Os limites foram alterados”, explica a uma queixosa Kate seu superior direto em um dado momento do filme. Uma luta em que agendas pessoais, corporativas e geopolíticas se misturam corrompendo qualquer objetivo probo que possa existir.

A violência e os desvios morais inerentes a ela compõem a matéria-prima da filmografia de Villeneuve – como pode ser visto em “Incêndios” (2010) e “Os suspeitos” (2013) – e o roteiro de Taylor Sheridan (ator da série “Sons of Anarchy” estreante como roteirista) oferece o relevo necessário para o canadense evoluir no escopo de sua própria obra.

Não há qualquer espaço para redenção em “Sicario” e Villeneuve, embora capriche na tensão (uma cena de tiroteio em Juarez, no México, é toda ela construída apenas com veículos parados e closes nos atores), se recusa a filmar obedecendo convenções de gênero. Seu filme em nada se parece com as produções que abordam o combate ao tráfico de drogas. As informações não são mastigadas para a plateia e ação importa menos do que o raciocínio a fomentá-la. Denso, brilhantemente fotografado e provocativo nos detalhes, “Sicario” não é o melhor de Villeneuve, mas atesta que o canadense é mesmo um dos melhores cineastas da atualidade. E com sobras.

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