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sábado, 4 de março de 2017 Atores, Filmes | 14:00

Wolverine está no inverno de sua vida em “Logan”, diz Hugh Jackman

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Coluna participou de bate-papo com Hugh Jackman em São Paulo e ator abriu o coração sobre sua despedida de Wolverine no cinema. “Foi agridoce”

Hugh Jackman vive Wolverine pela última vez em "Logan"

Hugh Jackman vive Wolverine pela última vez em “Logan”

“Para mim, essa é a história definitiva de Logan”, avalia Hugh Jackman em papo com a imprensa brasileira durante estadia em São Paulo para promover sua última incursão como Wolverine no cinema. “Ele está no inverno de sua vida e nós não queríamos fazer uma mera adaptação de HQ, nós queríamos um filme sobre esse homem machucado”.

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“Logan”, de fato, conecta a audiência com a alma de Wolverine. Não é à toa, que as HQs dos X-men são citadas mais de uma vez para provocar distanciamento de um universo convencional de super-heróis. O que temos aqui são referências do cinema de autor e no faroeste, o gênero americano por excelência. “Eu sou um grande fã de Clint Eastwood e tinha 19 anos quando assisti ‘Os Imperdoáveis’ e fiquei muito impressionado. É um filme que dimensiona com incrível complexidade as noções de certo e errado”.

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Em “Logan”, o impacto da violência em um matador calejado é a matéria-prima do filme. Não à toa, Jackman elege o filme de Eastwood, vencedor de quatro Oscars, como a referência primária dessa sua última aparição como o personagem.  “Eu não acho que você possa entender Logan sem entender o que a violência fez com ele”, opina.

Laura é uma jovem Wolverine em "Logan"

Laura é uma jovem Wolverine em “Logan”

Justamente por essa disposição de entender Logan, ao invés de entregar para o público um personagem rascunhado, o filme de James Mangold abraça a violência inerente ao universo do personagem com desimpedimento, mas também com compaixão. Aí surgem as outras referências aventadas por Jackman e que um olhar mais atento compreende por si só.

“O Grande medo de Logan é a intimidade, algo que todos nós podemos nos relacionar. Justamente por isso, cerca-lo da família foi uma excelente escolha narrativa”, explica ao citar “Pequena Miss Sunshine”, como um modelo dramático para o filme. Na produção, Logan, Xavier (Patrick Stewart) e Laura (Dafne Keen), uma criança mutante perseguida por paramilitares, são obrigados a cair na estrada em uma tentativa de fuga cada vez mais improvável.

Jackman espera que o filme seja percebido com o mesmo potencial revolucionário do primeiro X-men lá em 2000. E o ator não está medindo esforços para isso. Além do Brasil e da Alemanha, onde exibiu o filme no festival de Berlim, o australiano está engajado em viagens internacionais para promover o filme. “Eu acho que esse é o filme pelo qual Wolverine será lembrado e eu sei que este é um desejo corajoso”.

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sábado, 20 de agosto de 2016 Atrizes, Filmes, Notícias | 09:00

Roteiro foi fundamental para impacto de “Quando as Luzes se Apagam”, diz a atriz Maria Bello em entrevista exclusiva

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Em “Quando as Luzes se Apagam”, uma das principais estreias do fim de semana nos cinemas, a atriz Maria Bello vive uma “mamãe urso”, em suas próprias palavras. Sophie, uma mulher afetada por um transtorno mental, se flagra cada vez mais afastada de seus filhos, Martin (Gabriel Bateman) e Rebecca (Teresa Palmer). Tudo por causa da presença de Diane, uma figura assustadora que não desgruda de Sophie e ajuda a mergulhá-la em uma profunda depressão. A jornada da personagem é uma das coisas mais impactantes da produção assinada por David F. Sandberg.

Atriz com bom trânsito no cinema independente, Maria Bello conversou com exclusividade com o Cineclube sobre essa sua incursão pelo terror, algo que já havia experimentado em filmes como “A Casa dos Mortos” (2015) e “A Janela Secreta” (2001) e sobre projetos futuros.

Crítica: Medo do escuro faz de “Quando as Luzes se Apagam” melhor filme de terror do ano

A atriz Maria Bello em cena do filme "Quando as Luzes se Apagam"

A atriz Maria Bello em cena do filme “Quando as Luzes se Apagam”

Mãe coragem

Eu acho uma mamãe urso em toda mulher que eu encontro. Eu não costumo fazer este gênero, mas se você tirar o terror da equação, ainda é um drama familiar comovente sobre essa mãe com problemas mentais e como isso afeta sua relação com os filhos.

Complexidade da personagem

Fazer este papel foi realmente libertador porque eu estava lendo esse livro sobre transtorno bipolar e pude oferecer para as pessoas um retrato do que é estar desconectada da realidade.

Relação entre mãe e filha

Eu acho que o roteiro foi fundamental nisso. A primeira cena já é bem afiada em mostrar a história dessa relação e as fraturas que existem. Esse é o benefício de trabalhar com profissionais como James (Wan, produtor) e Lawrence (Grey, produtor) que são papas do gênero e que sabem colocar as peças certas no lugar certo.

Hype

O filme foi feito em poucas semanas e com um orçamento bem apertado em Los Angeles e é o primeiro do David. Não dá nem para notar. Eu acho que ele fez um trabalho incrível.

Alicia (Vela-Bailey), que interpreta a Diane, parece uma supermodelo… A forma como ela mexe os dedos, se movimenta no escuro. Eu acho que ela fez um excelente trabalho. As pessoas na Comic-Com vão se vestir como Diane.

Relação fraturada entre mãe e filha move "Quando As Luzes se Apagam"

Relação fraturada entre mãe e filha move “Quando As Luzes se Apagam”

Critérios para escolher um papel

Eu leio o roteiro e vejo se a história tem apelo para mim e vejo se o personagem é complexo ou se eu posso torna-lo mais complexo. Esta é minha primeira regra.

Próximos projetos

Eu estou realmente mergulhando na produção agora porque quero contar mais histórias com vozes femininas na frente e atrás das câmeras. Vai sair um filme com Viola Davis agora. Essa é minha meta agora. Fazer TV e cinema com personagens femininas fortes.

 

 

 

 

 

 

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sábado, 25 de junho de 2016 Atores, Filmes | 17:14

“Acho que a mudança climática é a grande ameaça que pode unir a humanidade”, diz Bill Pullman no Brasil

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Foto: AgNews

Foto: AgNews

“Eu acho que a mudança climática é a grande ameaça que pode unir a humanidade”, disse ao iG o ator Bill Pullman em entrevista realizada durante sua passagem por São Paulo para divulgar “Independence Day: O Ressurgimento”. A coluna quis saber do ator, que volta a viver o presidente Whitmore, agora ex-presidente e marcado por sequelas emocionais e psicológicas do primeiro confronto contra os aliens, o que precisaria acontecer para unir a humanidade.

Isso porque em “Independence Day: O Ressurgimento” há paz e colaboração plena entre as nações e há, ainda, a sugestão de inexistência de ameaças terroristas como as que nos deparamos na vida real. “Eu não tinha parado para pensar sobre como os medos dos anos 90 evoluíram e são diferentes dos de hoje. O primeiro filme veio um pouco depois do fim da Guerra Fria e hoje me parece que não podemos parar de pensar na mudança climática. Não podemos nos dar ao luxo de ignorar essa questão”, observa Pullman. “Está acontecendo”.

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“Não deixa de ser irônico que a Grã-Bretanha esteja votando para se separar da União Europeia”, continua o ator. A entrevista foi realizada na quinta-feira (23), dia em que os britânicos foram às urnas para decidir se permaneciam ou não no bloco econômico. “Se você olhar por este contexto, da necessidade de colaboração entre as nações, é muito interessante que a sequência do filme esteja chegando neste momento”.

Pullman explicou à coluna que não vê o terrorismo como o elemento possível de unir nações porque o medo chega a níveis tão exasperados que faz com que pessoas, ou nações, tomem medidas extremas contra outras. “É algo novo para a gente e que está acontecendo com uma frequência assustadora”, observa em referência a recentes casos na França e nos EUA. “O sentimento de tentar diminui-lo (terrorismo) é bom, mas acho que devemos tentar gerenciar nosso medo e não nos deixar guiar por ele, o que resultaria em diminuição da nossa liberdade. Eu não acho que o terrorismo seja algo que vá nos unir ou que vá nos levar ao nosso fim”.

Pullman em cena do novo "Independence Day": um ator sensível que faz muito bem o tipo durão... (Foto: divulgação)

Pullman em cena do novo “Independence Day”: um ator sensível que faz muito bem o tipo durão…
(Foto: divulgação)

Relutância

Falando sobre Obama, mas de certa forma também sobre os candidatos à presidência dos EUA, Pullman o descreveu como “um líder relutante”. “Eu acho que ele não gosta de exagerar em relação às circunstâncias. Por isso, talvez, tenha tido um primeiro mandato percebido como pouco produtivo. Ele é um líder relutante. Eu acho que isso é algo que deve ser admirado. Não necessariamente devemos votar em um candidato que se apresenta como solução para tudo”, diz sem citar Donald Trump explicitamente.

Crítica: Novo “Independence Day” remete a “Star Wars” e não decepciona fãs do original

Por falar em presidência, seu personagem volta a ter grandes momentos em “Independence Day: O Ressurgimento”. Há, inclusive, uma cena em que Whitmore volta a discursar. Mas por pouco essa cena não acontece.  “Foi interessante como isso evoluiu”, confessa Pullman entre risos quando ouve do colunista que o público estaria ansioso pela “cena do discurso de Bill Pullman”. “Quando me encontrei com Roland e os escritores, Roland não queria se repetir. ‘Não seria legal provocar o público com a possibilidade de ter um discurso seu e ele não acontecer?’. Eu até aceitei a ideia, mas me incomodava o fato de não ter uma cena com Jeff (Goldblum, que também retorna para a sequência). Aí alguém na Fox disse que um dos melhores momentos do primeiro filme era a cena do discurso e começou a ter uma pressão para isso”.

Roland Emmerich teve que ceder às pressões que, àquela altura, já eram bem claras e a cena do discurso informal foi pensada para ser um diálogo com o personagem de Jeff Goldblum. “Aí bolaram essa cena com o Jeff que começa como um diálogo e aí algumas pessoas começam a prestar atenção e de repente começa a soar para o público muito como um discurso. Eu acho que foi uma solução ótima e que funciona para os personagens naquele contexto em que eles se encontram”.

Como relutância pouca é bobagem, quando perguntado sobre qual sua cena favorita do novo filme, ele confessou que ela não está no corte final. “Foi cortada. Todos os atores tiveram cenas cortadas. Essa é a verdade de todo o filme. É doloroso. Nós atores somos almas sensíveis”.

Pullman se referia a uma cena dramática em que ele explica para sua filha as razões que o levam a tomar determinada atitude no filme. “Como ator eu gostaria de ver aquele momento mais aprofundado, mas entendo que Roland precisa equilibrar toda uma história. Acho que ele manteve as cenas que remetem à essência dos personagens”, minimiza o ator. “Eu superei os meus arrependimentos”.

Da relutância de se repetir um discurso, à relutância que deve pautar um bom líder, “Independence Day: O Ressurgimento” se abaliza como um entretenimento para ser apreciado sem qualquer constrangimento.

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sexta-feira, 8 de janeiro de 2016 Diretores, Filmes | 14:39

Eu queria resgatar o tempo do sexo no cinema, diz diretor do aclamado “Boi Neon”

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Na próxima quinta-feira (14), estreia no Brasil o filme “Boi Neon”, o mais novo elixir oriundo do cinema pernambucano. Assinado por Gabriel Mascaro, que antes já havia causado sensação com “Doméstica” (2012) e “Ventos de Agosto” (2014), o filme mostra um Nordeste radicalmente diferente da leitura tradicional que se tem da região. Mas não é só.

“Boi Neon” é um filme que pensa o corpo como nenhum outro ousou fazer no cinema recente. Mascaro, com muita sutileza, tateia a questão de gênero, e seus limites cada vez mais dilatados, com imaginação e riqueza visual.

O cineasta pernambucano Gabriel Mascaro na pré-estreia do filme em São Paulo (Foto: divulgação/Imovision)

O cineasta pernambucano Gabriel Mascaro na pré-estreia do filme em São Paulo
(Foto: divulgação/Imovision)

Premiado em Veneza e Toronto e grande vencedor do último festival do Rio, “Boi Neon” é, sob muitos aspectos, representante de um cinema brasileiro mais oxigenado e que pode, e deve, ajudar a transformar o olhar estrangeiro sobre o nosso cinema. Não à toa, o filme fez uma longa carreira em festivais internacionais antes do lançamento comercial no País.

A coluna bateu um papo com o cineasta no dia em que ele apresentou o filme para convidados na capital paulista. Mascaro se mostrou orgulhoso do resultado.  Nada mais justo, já que o filme é maravilhoso, e entusiasmado com as possibilidades para seu rebento daqui para a frente. “Quero que o filme seja descoberto e que chegue ao interior. Quero muito ver quais serão seus efeitos por lá”.

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Cineclube: Você diria que “Boi Neon” é seu filme mais ousado? Por quê?

Gabriel Mascaro: Eu não saberia dizer. Porque não faria “Boi Neon” se não tivesse feito os outros filmes. É uma experiência muito única. Essa troca com os atores, com a equipe. Certo, posso dizer, é que foi um processo muito rico.

Cineclube: Qual é a sensação de estrear um filme no Brasil depois de uma carreira tão bem sucedida em festivais mundo afora?

GM: Alegria imensa. Ter essa possibilidade de mostrar para as pessoas que o filme é reconhecido. A sensação é de ter fechado esse ciclo.

Cineclube: O corpo e a questão de gênero são muito prementes no filme. Como foi trabalhar isso visualmente e de que maneira você concebeu essa característica do filme para os propósitos narrativos?

GM: O corpo é uma coisa muito forte no filme. É sobre transformação. Ele acumula. Onde os homens estão reapropriando essa ideia do masculino. Tem uma série de novas possibilidades de vivência que estão acontecendo lá (no Nordeste) e que para mim era importante trazer para o filme. O sexo, a urina do Iremar (o filme se demora na exposição desses ritos). O cinema não tem tempo para mostrar um ato sexual do começo ao fim e eu queria resgatar isso.

Cineclube: A quebra de paradigmas parece um norte do filme. Vivemos em um mundo que a relativização é bem-vinda? Seria esse o ponto de encontro da sua filmografia? Eu estou viajando ou é por aí mesmo?

GM: Acho que você coloca uma coisa muito pertinente. Personagens diferentes. Estranhos. Que são exceções. O filme cria ambiguidade e o filme te aproxima desses personagens que a gente acha diferente e escancara a possibilidade de convergência. A ambiguidade está lá apenas para afastar a ideia de normalidade. Viajei mais do que você (risos).

A gente imagina que a cultura do Nordeste é aquele lugar que as pessoas querem ir embora pela dificuldade e tal, nesse filme ninguém quer ir embora. Querem modificar a vida, mas permanecer ali. São personagens que resistem de certa forma. Ousam sonhar sonhos diferentes.

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