Publicidade

Posts com a Tag estúdios

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016 Análises, Notícias | 14:01

Grupo chinês compra estúdio hollywoodiano e movimenta jogo dos tronos do cinema

Compartilhe: Twitter

Legendary

O Grupo chinês Wanda, controlado pelo multibilionário Wang Jianlin, prepara os últimos ajustes de um negócio que promete mudanças no médio e longo prazo no jeito de se produzir cinema em Hollywood e de se consumir Hollywood na China.

A compra do estúdio Legendary Pictures, especializado em produções de ação e atualmente com parceria celebrada com a Universal Pictures, já está acertada. Por U$ 3,5 bilhões, “a maior aquisição internacional da China no setor cultural até o momento”, como definiu Jianlin, deve movimentar as placas tectônicas do negócio chamado cinema.

Primeiro porque a Legendary, dona de um catálogo que inclui a trilogia do Batman de Christopher Nolan, “Jurassic World”, a trilogia “Se Beber não Case”, entre outros, é um estúdio que costuma produzir hits atrás de hits. Trata-se, portanto, de um senhor player para ser o cartão de visitas chinês em Hollywood. A Legendary investe em projetos estratégicos e essa característica deve ser estrategicamente mantida. É, também, uma forma da China – com uma indústria de cinema incipiente – adquirir mais know-how em soft power, e por consequência desenvolvê-lo, a partir da vivência in loco em Hollywood, grande vitrine do soft power americano.

Por outro lado, estabelece-se um canal para lá de dilatado entre Hollywood e China. Vale lembrar que no país asiático há uma cota de produções estrangeiras que podem estrear nos cinemas do país – algo em torno de 60 produções ao ano – e Hollywood, de olho no bilhão de potenciais espectadores, não poderia estar mais insatisfeito com essa condição. Todas as produções da Legendary serão creditadas como coproduções entre China e EUA, driblando, portanto, essa cota.

A discussão sobre a censura, outra particularidade deste país capitalista nas proposições econômicas, mas de regime socialista em seu escopo político, é uma discussão secundária. Pelo menos neste momento em que Hollywood vê nascer a primeira grande chance de penetrar com força no cinema chinês.

Visto à luz deste novo contexto, fica mais fácil entender porque “Jurassic World”, que há pouco perdeu seus recordes para “Star Wars: O Despertar da Força”, foi lançado simultaneamente nos EUA e na China, e o filme de J.J Abrams só pintou nas salas chinesas no 1º fim de semana de janeiro. O que indica que os chineses, assim como Hollywood, não entraram neste jogo para perder.

Autor: Tags: , , ,

terça-feira, 25 de agosto de 2015 Análises, Bastidores | 17:54

Universal, “Mad Max” e Tom Cruise estão entre os vencedores do verão americano de 2015

Compartilhe: Twitter

Ainda faltam alguns fins de semana, mas indústria e analistas já fazem as contas do que deu certo e do que deu (muito) errado na principal janela de lançamentos hollywoodianos, o verão no hemisfério norte.

Ao estabelecer o recorde de faturamento em um ano faltando mais de cinco meses para o fim de 2015, a Universal – que atingiu o feito na esteira do espetacular sucesso de “Jurassic World” – se impôs como o mais cristalino sucesso do verão americano de 2015. Temporada que cinéfilos e críticos ansiavam por prometer ser lucrativa e inesquecível com diversos títulos promissores. Se foram poucas as surpresas e ocasionais as decepções, não houve nenhum arrebatamento na temporada além de “Mad Max: estrada da fúria”. Para todos os efeitos, o filme de George Miller é uma lição de como fazer uma superprodução, anabolizada na ação, com alto potencial de entretenimento e subtextos poderosos. De quebra, o filme forneceu a única personagem a emergir dessa safra de filmes para os anais da cultura pop – como mostrou a San Diego Comic-Com repleta de cosplays da Furiosa de Charlize Theron em julho.

Leia mais: Com “Jurassic World” e “50 tons de cinza”, Universal estabelece recorde de faturamento nas bilheterias

Leia mais: “Mad max: estrada da fúria” se firma como maior obra-prima da ação em décadas

O australiano George Miller leva um lero com Charlize Theron, sua Furiosa, no set de "Estrada da fúria"

O australiano George Miller leva um lero com Charlize Theron, sua Furiosa, no set de “Estrada da fúria”

Apesar do recorde de faturamento nas bilheterias, o verão de 2015 não apresentou grandes filmes. Excetuando-se “A estrada da fúria”, apenas “Divertida mente”, da Pixar, estaria apto a receber tal alcunha.  Não à toa, o filme registrou a maior bilheteria de estreia de um filme totalmente original; ou seja, sem ser sequência, remake ou adaptação de outra mídia. Por outro lado, o fracasso de “Tomorrowland – um lugar onda nada é impossível” reforça o discurso daqueles em Hollywood que defendem menos investimento em ideias originais e mais apoio ao que já foi testado e aprovado. Essa percepção está diretamente relacionada ao sucesso de franquias consagradas como “Os vingadores”, além das já citadas “Jurassic World” e “Mad Max”.  Mesmo assim, o quinto “O Exterminador do futuro” naufragou nas bilheterias americanas. O filme só não vai resultar em fracasso para a Paramount porque o filme está indo muito bem nas bilheterias chinesas. A China, inclusive, se firmou como um player ainda mais importante para os megalançamentos hollywoodianos do que já era até então. Vale lembrar que “Jurassic World” só se firmou como a maior bilheteria internacional de estreia – com mais de US$ 500 milhões arrecadados em um único fim de semana – porque a Universal o lançou simultaneamente com os EUA em mercados estratégicos como China, Rússia e Brasil.

Não obstante, ao apostar em um mix composto por comédias (“A escolha perfeita 2” e “Descompensada”), produtos bem consolidados junto ao público ( “Minions” e “Jurassic park”) e mesmo em produções descartadas sumariamente por outros estúdios (“Straight outta Compton”), a Universal não só espelha um caminho para os estúdios, como indica que não é preciso ter super-heróis no portfólio para fazer bonito nas bilheterias atuais.

Cena de "A escolha perfeita 2": o filme conseguiu uma das bilheterias mais surpreendentes da temporada e deixou para trás projetos muito mais comentados

Cena de “A escolha perfeita 2”: o filme conseguiu uma das bilheterias mais surpreendentes da temporada (quase US$ 300 milhões) e deixou para trás projetos muito mais comentados

Abaixo, o Cineclube lista os maiores vencedores e perdedores da temporada:

Vencedores

George Miller

Desconfiança, terrorismo e problemas de produção contribuíram para que se passassem 30 anos entre “Além da cúpula do trovão” e “Estrada da fúria”, mas ao entregar seu novo e alucinante “Mad Max”, Miller caiu de novo nas graças da Warner. Além de ter um quinto filme confirmado, ele está cotado para dirigir “O homem de aço 2”, um dos projetos mais delicados e importantes do estúdio.

 Tom Cruise

Em uma temporada marcada por heróis e marcas (John Green, Pixar, Marvel), Tom Cruise foi o único astro a levar público ao cinema cacifando-se em si mesmo. Não é pouca coisa. O quinto Missão impossível já caminha para ser o de maior bilheteria da série. Indicativo de que Cruise ainda tem muito fôlego no cinema. Especialmente no de ação.

Pixar

Depois de um hiato sem grandes filmes, “Toy story 3” (2010) foi o último digno de nota – e já era uma sequência – a Pixar faz as pazes com a crítica com ‘Divertida mente”. Um dos melhores do estúdio em todos os tempos.

Warner

Se não dominou a temporada como a Universal e não concentrou arrecadação como a Disney, a Warner merece o destaque por ter diversificado e quantificado. Foi o estúdio que mais lançou filmes na temporada (nove) e permitiu ousadias (o que é “Estrada da fúria”, afinal?), e acertou em produções de baixo e médio orçamento como “Terremoto  -a falha de San Andreas” e “O agente da U.N.C.L.E”.

Amy Schumer

Amy Schumer em um hilário ensaio temático de "Star Wars" para a GQ americana: a personalidade da temporada

Amy Schumer em um hilário ensaio temático de “Star Wars” para a GQ americana: a personalidade da temporada

Ela já era uma realidade na cena de comédia americana, mas com o filme “Descompensada”, a comediante – que também concorre ao Emmy deste ano com seu programa de humor – começou a internacionalização de seu nome.

Elizabeth Banks

Nenhum filme dirigido por mulher fez tanto dinheiro em uma temporada de verão como “A escolha perfeita 2”. Ponto para Banks que, logo em sua estreia na direção de longas-metragens, estabelece uma marca como essa.

Espionagem

Matthew Vaughn disse que queria correr com o lançamento de “Kingsman – serviço secreto” porque vinha uma enxurrada de sátiras de espionagem por aí e ele queria ser o primeiro. Acertou. A temporada teve produções como “O agente da U.N.C.L.E”, “Barely lethal”, “A espiã que sabia de menos”, “American ultra”, “Hitman: agente 47”. Isso para não falar do “oficial” “Missão impossível: nação secreta”. E James Bond ainda chega antes do fim de 2015.

Perdedores

Josh Trank

Ninguém sai tão mal desta temporada quanto o diretor John Trank. Seu “Quarteto fantástico” foi o filme mais execrado do ano. Além de engolir o fracasso de público, Trank ficou com fama de “errático” e se viu demitido de um derivado de Star Wars em meio a boatos de desentendimentos no set.

Sony

O estúdio conseguiu a proeza de ver todos os seus lançamentos para a temporada fracassarem nas bilheterias. Eram apenas três filmes, mas os três minguaram. “Pixels”, “Sob o mesmo céu” e ‘Ricki and the flash”.

Adam Sandler

Com “Pixels”, o ator conseguiu rebaixar ainda mais seu status junto à crítica e viu seu prestígio com o público americano implodir em desinteresse.

Arnold Schwarzenegger

Não deu: Schwarzenegger tentou, mas não conseguiu emplacar o novo "Exterminador" entre os sucessos da temporada (Fotos: divulgação/GQ)

Não deu: Schwarzenegger tentou, mas não conseguiu emplacar o novo “Exterminador” entre os sucessos da temporada
(Fotos: divulgação/GQ)

Ele voltou e investiu bastante na divulgação do quinto “O exterminador do futuro”, mas não conseguiu fazer com que o filme fosse um sucesso de bilheteria. Desde que deixou o gabinete de governador, Schwarzenegger ainda não conseguiu um sucesso de bilheteria para chamar se seu. A aposta da vez é “Conan”.

Fox

O estúdio parece funcionar em biênios. Se foi o que mais arrecadou no verão de 2014 e projeta um 2016 encorpado, em 2015 a pobreza dominou. Além do colossal erro com “Quarteto fantástico”, que gerou bastante buzz negativo para o estúdio, o “John Green” do ano, “Cidades de papel”, ficou bem abaixo das expectativas.

Autor: Tags: , , , , , ,

segunda-feira, 20 de julho de 2015 Análises, Bastidores | 21:22

Com “50 tons de cinza” e “Jurassic World”, Universal estabelece recorde de faturamento nas bilheterias

Compartilhe: Twitter

No último fim de semana, “Jurassic World – o mundo dos dinossauros” ultrapassou a marca de US$ 1.513 bilhões arrecadados nas bilheterias mundiais e deslocou “Velozes e furiosos 7” para a quinta colocação no ranking das maiores bilheterias de todos os tempos. O feito, notável, é especialmente satisfatório para a Universal que produziu ambos os filmes, dois dos três datados de 2015 a já terem superado a marca do bilhão nas bilheterias (o outro é “Vingadores – era de Ultron”).

O estúdio tem razões de sobra para comemorar. Além dos acachapantes recordes conquistados por “Jurassic World”, entre eles os de maior bilheteria no fim de semana de estreia, nos EUA e internacionalmente, e o de filme a chegar mais rapidamente ao patamar de US$ 1 bilhão em ingressos vendidos, a Universal atingiu outra marca significativa. Alcançou os US$ 5 bilhões em faturamento nas bilheterias internacionais mais rápido do que qualquer estúdio em qualquer outro ano.

Apesar de “Ted 2” não ter emplacado nas bilheterias, todos os outros lançamentos de médio e grande porte do estúdio foram hits em 2015. Do aguardadíssimo “50 tons de cinza” ao recente “Descompensada” que estreou nos cinemas americanos fazendo barulho no último fim de semana com U$$ 30 bilhões em caixa. Nada mal para uma comédia totalmente original.

A comediante Amy Schumer e o jogador de basquete LeBron James em cena de "Descompensada"

A comediante Amy Schumer e o jogador de basquete LeBron James em cena de “Descompensada”

Cena de "50 tons de cinza", que arrecadou mais de US$ 560 milhões mundialmente Fotos: divulgação

Cena de “50 tons de cinza”, que arrecadou mais de US$ 560 milhões mundialmente
Fotos: divulgação

O pool de lançamentos da Universal inclui, ainda, “A escolha perfeita 2”, “Minions” e o já referido “Velozes e furiosos 7”.

O Cineclube já atentava para o acerto da estratégia da Universal lá atrás, no começo do verão americano, destacando o investimento na diversidade de lançamentos pelo estúdio e da aposta nas comédias como um caminho menos oneroso para o sucesso.  Outro acerto, cuja menção se faz agora necessária, foi estrategicamente distribuir dois de seus principais filmes do ano fora dessa concorrida temporada. Desde sempre “50 tons de cinza” estava destinado a ser lançado no dia dos namorados americano, comemorado em 12 de fevereiro. A data é boa para lançamentos cheios de potencial, até por ser tradicionalmente um período de entressafra entre as produções do Oscar e as do verão. Ano que vem, a Fox já programou o lançamento de “Deadpool” para fevereiro.

Leia também: A lógica por trás da acachapante bilheteria de “Jurassic world” em seu fim de semana de estreia

Primeiro no Cineclube: Liberado o trailer da comédia que promete ser a mais ultrajante e divertida de 2015 

Os estúdios já vinham puxando seus lançamentos para abril, quando ainda é primavera no hemisfério norte, mas a Universal radicalizou e lançou mundialmente o sétimo filme da franquia “Velozes e furiosos” no dia 2 daquele mês.  A fita estava originalmente programada para maio de 2014, mas a morte de Paul Walker obrigou mudanças no cronograma de filmagens. A Universal então decidiu remover o filme do verão e vendê-lo como uma homenagem a Paul. Não deu outra e “Velozes e furiosos 7”, que nem de longe se aproxima dos melhores momentos da série, foi mais longe do que qualquer filme da franquia e amealhou impressionantes US$ 1.511 bilhão.

“Jurassic World” foi lançado simultaneamente nos EUA, Rússia, China e Brasil, quatro dos principais mercados no mundo. Devido às restrições às produções americanas na China e na Rússia é um movimento muito raro por parte das majors americanas. A iniciativa vingou e a Universal conseguiu mais do que um êxito comercial irrepreensível, um golpe de marketing imbatível para promover o filme além do essencial fim de semana de estreia.

Essa combinação de marketing certeiro, domínio do calendário e risco dosado com ousadia valeram à Universal a marca distinta alcançada em 2015.

Autor: Tags: , , , ,

segunda-feira, 13 de julho de 2015 Análises, Notícias | 21:32

A Warner jogou pesado na Comic-Con 2015, mas convenceu?

Compartilhe: Twitter
Fotos: divulgação

Fotos: divulgação

A Marvel decidiu só levar a Comic-Con, tradicional feira de cultura pop realizada no último fim de semana nos EUA, novidades sobre suas produções para a TV. A escolha, estratégica, talvez tenha sido mais acertada do que parece. Isso porque a Warner se fez valer de uma estratégia tão agressiva na divulgação dos dois filmes do selo DC programados para 2016 que ofuscaria qualquer concorrência. De acordo com um ranking elaborado pela revista americana Entertainment Weekly em parceria com o Twitter e o Youtube, o filme “Batman vs Superman – a origem da Justiça” foi o mais comentado do evento no Twitter e teve seu trailer acessado mais de 21 milhões de vezes. A segunda posição ficou com o material exibido de “Star Wars: o despertar da força” e, em terceiro, o primeiro trailer da sexta temporada da série “The walking dead”.

Depois do trailer vazado de “Esquadrão suicida”, a Warner liberou a prévia na tarde desta segunda-feira. O material apresenta o grupo e a ideia formalizada por Amanda Waller, interpretada pela sempre divina Viola Davis, de confiar a um grupo de vilões uma tarefa de segurança nacional. O Batman de Ben Affleck aparece no trailer, que tem ritmo tão solene quanto o material de “A origem da Justiça”, assim como o Coringa de Jared Leto, que surge bem no finzinho para deixar a plateia salivando.

O material sabe explorar a expectativa que o público tem pela caracterização de Leto e isso é o principal fato a se comemorar em um trailer que não provoca tanta euforia. A razão para isto talvez seja o excesso de exposição ao qual o estúdio e o diretor David Ayer estão submetendo o filme.

Esquadrão 2 Esquadrão 5

Isso posto, tanto o trailer de “Esquadrão suicida” como o de “A origem da Justiça” acertam um ponto nevrálgico. Convencem! Há, justificadamente, todo um receio de como esses filmes vão ser percebidos por público e crítica. A Warner, exceção feita a alguns filmes do Batman, até hoje não acertou com os filmes baseados nas HQs da DC Comics. O estúdio decidiu criar um universo, mas indicou que seus filmes seriam pensados individualmente e que a prioridade seria abraçar a visão de grandes cineastas em detrimento da “Fórmula Marvel”. Se isso de fato se verificará, é preciso ir além desses dois filmes para medir, mas olhando aqui de 2015, é possível ser bastante otimista com o caminho escolhido pelo estúdio.  “Batman vs Superman – a origem da Justiça” estreia em março do próximo ano; enquanto que “Esquadrão suicida” chega em agosto.

Leia também: O mal (ainda) invisível que a Marvel fez ao cinema

Leia também: A guerra entre Marvel e DC atinge nível inédito no cinema. Mas e o espectador nessa história toda? 

Autor: Tags: , , , , ,

sexta-feira, 24 de abril de 2015 Análises, Filmes, Notícias | 18:06

Novo “Vingadores” dá largada à temporada mais lucrativa do cinema americano

Compartilhe: Twitter

Quem acompanha o noticiário de cinema de perto já esperava pelo verão americano de 2015 há muito tempo e com muita ansiedade. O verão nos EUA, parte da primavera também, é quando os estúdios de cinema lançam seus principais blockbusters do ano. Essa faixa que vai de meados de abril até o fim de agosto reserva ainda mais atrações imperdíveis em 2015.

Retorno de franquias adormecidas (“Jurassic Park”), introdução de novos heróis (“Homem-formiga”) e produções originais (“Tomorrowland – um lugar onde nada é impossível” e “Terremoto – a falha de San Andreas”) disputam o interesse do espectador com comédias, sequências e um tal grupo de super-heróis que já toma os cinemas a partir deste fim de semana.

Na esteira de “Vingadores: a era de Ultron”, a Disney ainda tem o aguardadíssimo “Tomorrowland – um lugar onde nada é impossível” (maio), dirigido pelo mesmo Brad Bird de “Os incríveis” e “Missão impossível – protocolo fantasma”, “Homem-formiga” (julho) e “Divertida mente” (junho), nova produção da Pixar. As apostas são de que a Disney deve terminar a temporada como o estúdio número 1 em arrecadação. A Warner adotou uma estratégia arriscada para tentar neutralizar essa liderança. Ao invés de concentrar poucos e gigantes lançamentos, o estúdio pulverizou sua agenda na temporada. São nove filmes no total, a maioria de médio porte, puxados pelo aguardado remake de “Mad Max”, que ganhou o subtítulo de “A estrada da fúria”. Produções como “Terremoto – a falha de San Andreas” (maio), estrelado pelo fortão Dwayne “The Rock” Johnson, são testes para gêneros (no caso, o filme catástrofe) que andavam escassos na temporada pipoca. Já “Entourage” (junho) leva para o cinema a mise-en-scène da série sobre os bastidores de Hollywood. O público feminino e homossexual estão na mira da sequência de “Magic Mike”, que o estúdio programou para julho.  Para o fim do verão, em agosto, a Warner reservou o novo filme de Guy Ritchie, “O agente da U.N.C.L.E”.

"Tomorrowland" (Fotos: divulgação)

“Tomorrowland”
(Fotos: divulgação)

 

A Universal, que chega a mais concorrida temporada do cinema com dois megassucessos na bagagem (“50 tons de cinza” e “Velozes e furiosos 7”) tem tudo para manter o pique. O estúdio tem programados “Ted 2” (julho), “Trainwreck” (julho), nova comédia assinada por Judd Apatow com Amy Schumer, nova sensação da comédia americana, “Minions” (julho), derivado de “Meu malvado favorito”, “A escolha perfeita 2” (maio), além de “Jurassic World – o mundo dos dinossauros”.  A universal, que pode terminar o ano como a maior ameaça ao já declarado reinado da Disney nas bilheterias de 2015, parece ter a melhor fórmula nas mãos. Dos seis filmes de seu portfólio, um é uma comédia original cheia de potencial. Duas são sequências de comédias surpreendentemente bem sucedidas em anos anteriores, um spin-off da animação de maior sucesso do estúdio e a revitalização de uma das mais franquias mais famosas da casa.

A Paramount optou por estratégia oposta às adotadas por Warner e Universal e apostou em apenas dois filmes. Dois filmes bem grandes. O primeiro é “O exterminador do futuro: Gênesis” (julho), que celebra o retorno de Arnold Schwarzenegger à franquia. O segundo é “Missão impossível – nação secreta” (agosto), quinto filme do agente vivido por Tom Cruise.

"Jurassic World - o mundo dos dinossauros"

“Jurassic World – o mundo dos dinossauros”

A Fox, que teve um ótimo 2014 com filmes como “A culpa é das estrelas”, “X-men: dias de um futuro esquecido” e “Planeta dos macacos: o confronto” parece ter menos armas para 2015. “A espiã que sabia de menos” e “Cidades de papel” (ambos em julho) são as duas principais apostas do estúdio na temporada. Há, ainda, o remake de “Quarteto fantástico” que já gera mais desconfiança do que ansiedade. A Sony vive situação semelhante. As duas principais apostas do estúdio parecem pouco competitivas ante as produções de seus principais rivais. A primeira é “Sob o mesmo céu”, nova comédia de Cameron Crowe (“Quase famosos”), estrelada por Bradley Cooper e Emma Stone. A segunda é “Pixels”, comédia de ação estrelada por Adam Sandler, Peter Dinklage e Kevin James. O estúdio lança, ainda, o terceiro capítulo da franquia de terror “Sobrenatural”. O primeiro foi um surpreendente sucesso há cinco anos.

"Pixels"

“Pixels”

O melhor do resto

O remake do clássico oitentista “Férias frustradas”, o novo filme de Woody Allen (“O homem irracional”), Meryl Streep roqueira em “Ricki and the flash”, Jake Gyllenhaal parrudo em “Southpaw”, novas versões de “Hitman: agente 47” e “Carga explosiva”, Ian Mckellen como um Sherlock Holmes idoso, uma releitura de Madame Bovary, um olhar sobre o líder dos Beach boys (“Love & mercy”) e a refilmagem de “Poltergeist” são outras atrações deste que promete ser o mais movimento e lucrativo verão americano dos últimos anos.  A expectativa do setor é de que a temporada registre um aumento de 10 a 15% em relação a 2014 e que contribua efetivamente para o recorde de bilheteria projetado para 2015 na Cinemacon, feira da indústria do cinema realizada nesta semana em Las Vegas.

Autor: Tags: , , , , ,

quarta-feira, 8 de abril de 2015 Análises | 16:39

O mal (ainda) invisível que a Marvel fez ao cinema

Compartilhe: Twitter

Pode parecer um sacrilégio, mas o rastro de sucesso que a Marvel deixa no cinema já amplia a crise criativa vivida pelo mainstream hollywoodiano. Há 20 anos ninguém imaginava que adaptação de HQs daria dinheiro. O primeiro “Blade” (1998) e, fundamentalmente, “X-men – o filme” (2000) mudaram essa perspectiva. A Marvel, que teve de negociar os direitos de seus personagens para o cinema para evitar a falência ainda na década de 90, olhou para seu plantel de heróis e decidiu arriscar-se no cinema.  Apostou em Robert Downey Jr. quando ninguém o fez e no pouco experimentado Jon Favreau para o primeiro “Homem de ferro” (2008) e o resto é história.

Robert Downey Jr.  em "Homem de ferro"

Robert Downey Jr. em “Homem de ferro”

Ocorre que sete anos depois de “Homem de ferro” dar o pontapé inicial na bem sucedida trajetória da Marvel no cinema, hoje a empresa faz parte do conglomerado Disney, todos os estúdios tentam, muitos entre trancos e barrancos, pôr em prática a principal assinatura da grife Marvel. Um universo para chamar de seu. Parte do marketing certeiro do estúdio ao longo dos anos foi costurar de filme em filme o seu universo que estaria, finalmente, todo desenhado com o lançamento de “Os vingadores”. Encerrada a chamada fase 1, o estúdio/editora pôs-se a expandir esse universo. Sejam com as séries de TV, “O demolidor” será lançado nesta sexta-feira (10) mundialmente via Netflix, seja no cinema, com o arrasador “Guardiões da galáxia” (2014), a Marvel não dá ponto sem nó e deixa a concorrência babando.

Leia também: Marvel anuncia os filmes que compõem sua fase 3 no cinema

Leia também: Homem-Aranha na Marvel sela acordo inédito em Hollywood. Mas e agora? 

A terceira fase da Marvel já está toda alinhada e devidamente divulgada. Não restam dúvidas de que transpor seu universo para o cinema foi a decisão correta a ser tomada. Mas o que funciona para a Marvel funciona para todo mundo? A pergunta, aparentemente banal, esconde um raciocínio capcioso.  Todos os estúdios tentam replicar a experiência bem sucedida da Marvel com o objetivo de fidelizar audiência e, dessa forma, potencializar os lucros de franquias que isoladamente correm risco maior de desgaste.

A Warner, por exemplo, tenta unificar todo o universo DC no cinema e já divulgou um calendário de estreias até 2019 para demover a desconfiança comum às produções do estúdio. Afora a trilogia do homem-morcego assinada por Christopher Nolan, todas as produções de heróis da DC, tenham sido elas boas ou não, foram alvo de muito receio por parte de público e crítica. A Disney tenta replicar em Star Wars, franquia que também faz parte do patrimônio da casa do Mickey, a experiência Marvel e já sinalizou a expansão do universo da saga criada por George Lucas. Até os Transformers entraram na brincadeira. A Paramount anunciou há poucos dias que formou uma força-tarefa para pensar em estratégias para erigir um “universo Transformers” no cinema. A Sony, antes do acordo para o Homem-Aranha integrar o universo Marvel quebrava a cabeça dos principais produtores associados à franquia para criar um universo do Aranha no cinema.

Leia também: “Guardiões da galáxia” é o 7 x 1 da Marvel no cinemão americano

É compreensível a corrida dos estúdios para rentabilizar ainda mais aquele que vem sendo o carro-chefe de Hollywood já há algum tempo: as adaptações de HQs. É, também, um movimento para contornar um desgaste que já pode ser sentido. As bilheterias de todos os filmes baseados em quadrinhos fora do universo Marvel encolheram. Os últimos filmes de Superman, Homem-Aranha e Sin city atestam esta decadência.

Cena de "Os vingadores: a era de Ultron", candidato fortíssimo a maior bilheteria do ano (Fotos: divulgação)

Cena de “Os vingadores: a era de Ultron”, candidato fortíssimo a maior bilheteria do ano
(Fotos: divulgação)

O perigo de seguir o modelo da Marvel reside no fato de se engessar ainda mais as engrenagens hollywoodianas ao concentrar energia e dinheiro em um conceito rarefeito. Explica-se: a Marvel já detinha um universo coeso e interligado e confiou a pessoas totalmente vinculadas a ele a missão de transpô-lo para o cinema. E o plano sempre foi esse. Desde o início da jornada. Os demais estúdios estão apenas tentando tapar o sol com a peneira. A grande ironia disso tudo é que a Marvel, como último case de sucesso entre os grandes estúdios de cinema e com toda a sua comprovada originalidade, pode deflagrar a mais longa, duradoura e monótona crise criativa do cinema mainstream americano. Quem viver verá!

Autor: Tags: , , , ,

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015 Análises, Notícias | 15:21

Homem-Aranha na Marvel sela acordo inédito em Hollywood. Mas e agora?

Compartilhe: Twitter
Foto: montagem sobre divulgação

Foto: montagem sobre divulgação

 

Depois de muita boataria, a confirmação. O Homem-Aranha integrará o universo Marvel no cinema. Trata-se de um acordo sem precedentes na história de Hollywood este que abaliza a migração do herói aracnídeo para o universo cinematográfico da Marvel, que tal como nos quadrinhos, é todo coeso e interligado, outro feito ímpar no cinema.

O acordo que já vinha sendo costurado há alguns meses mantém o controle total do personagem com a Sony Pictures, que adquiriu os direitos em 1999 pela bagatela de U$ 7 milhões. Na prática, com a entrada de Kevin Feige, grande cérebro da Marvel, como grande produtor do novo filme do Aranha, o controle criativo fica com a Marvel, o que é boa notícia para os fãs e para a Sony que parecia perdida com os rumos do personagem. Amy Pascal, que renunciou à presidência do estúdio há poucos dias, será coprodutora junto com Feige. É uma forma de devolver prestigio a executiva que teve sua imagem bem arranhada durante o escândalo dos vazamentos de e-mails e documentos da Sony.

A primeira aparição do aracnídeo em um filme Marvel deve ser em “Capitão América: Guerra civil”. Na série de HQs que inspira o filme, o personagem tem papel central. O primeiro filme solo do herói fruto da parceria entre Sony e Marvel será lançado em 28 de julho de 2017, o que provocará alterações em todo o calendário de lançamentos da Marvel na janela entre 2017 e 2019. Filmes como “Thor: Ragnarok” deixa a data de 28 de julho e será lançado em 3 de novembro de 2017. “Pantera negra” vai para 6 de julho de 2018; “Capitã Marvel” vai para 2 de novembro de 2018; e “Inumanos” tem o lançamento transferido para 12 de julho de 2019. “Os vingadores: guerra do infinito partes 1 e 2 permanecem previstos para maio de 2018 e 2019, respectivamente. O Homem-Aranha deve dar as caras nesses dois filmes também.

Andrew Garfield, que foi a melhor coisa dessa reimaginação do Aranha, não deve voltar. Ele e Marc Webb, o diretor responsável pela nova trilogia que jamais se concretizará, não fizeram parte deste bombástico anúncio, o que indica que não fazem parte dos planos. O que faz sentido. Casa nova, vida nova.

A Marvel não deve investir em um novo filme de origem. Afinal, ninguém aguenta mais um filme de origem do Aranha. Os planos da Sony, que já articulava um quarto filme, sem Webb na direção, uma aventura solo do Venon e uma produção reunindo o sexteto sinistro devem ser definitivamente arquivados. Eram todos reflexos de como o estúdio não tinha a menor ideia de explorar sua principal mina de ouro. A franquia, que resultou em cinco filmes ao longo de 12 anos, é a principal do portfólio do estúdio. São quase U$  4 bilhões arrecadados mundialmente nas bilheterias.

O reboot irregular, frustrante para os fãs e decepcionante para os cofres do estúdio, acabou abrindo caminho para o acordo com a Marvel. Os detalhes deste acordo ainda são desconhecidos, mas é razoável supor que a Sony terá uma porcentagem do faturamento dos filmes da Marvel em que o Aranha aparecer. Já os lucros dos filmes solo do Aranha, a despeito do envolvimento da Marvel, devem  permanecer integralmente com a Sony. Mas aí voltamos à esfera da boataria.  Acordos sobre personagens fluindo de um universo para outro poderiam ser feitos eventualmente para filmes no futuro. O mundo de possibilidades que se abre é vultoso.  E a primeira pergunta é: quem será o novo Homem-Aranha? Façam suas apostas!

Autor: Tags: , , , , ,

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014 Curiosidades, Filmes, Notícias | 19:54

Estúdio desiste de lançar “A entrevista” nos cinemas dos EUA

Compartilhe: Twitter
Foto: divulgação

Foto: divulgação

Um precedente perigoso contra a liberdade de expressão foi aberto nesta quarta-feira. O estúdio de cinema Sony, que tem sido vítima de cyber ataques em retaliação à produção do filme “A entrevista”, divulgou comunicado à imprensa informando que desistiu do lançamento comercial em cinemas do filme.

“A entrevista” mostra James Franco e Seth Rogen como emissários do governo americano para matar o ditador norte-coreano Kim Jong-Un.

A decisão da Sony é reflexo dos anúncios de diversas redes exibidoras americanas de que não exibiriam o filme em seus cinemas. “Em face da decisão majoritária de nossos exibidores em não mostrar o filme ‘A  entrevista’, decidimos abdicar do lançamento planejado para o dia 25 de dezembro. Respeitamos e entendemos a decisão de nossos parceiros que prezam pela segurança de seus empregados e clientes”, observa o comunicado do estúdio.

A decisão, por mais compreensível que seja, gera um precedente nefasto. A ação de um grupo anônimo interferir diretamente na liberdade de expressão de um grupo de artistas é preocupante. “A entrevista” é uma grande bobagem. Uma comédia histriônica somente possível em um país que goza de plena democracia.

Por outro lado, abre-se um precedente estimulante. A Sony sabe que tem um filme em mãos que provoca grande interesse do público. Se já havia uma audiência para o filme, ela se multiplicou com a polêmica dos dados vazados. O estúdio deve apostar em um lançamento on demand, ou seja, disponibilizar o filme por streaming na web e em combos da TV paga.

Ou seja, se o impacto da decisão executiva da Sony pode repercutir de forma negativa no âmbito da liberdade de expressão, pode precipitar uma revolução no sistema de distribuição de filmes que já se encontra em curso.

Leia também: Hackers ameaçam com terrorismo e Sony libera salas a não exibirem “A entrevista”

Autor: Tags: , , ,

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014 Análises, Bastidores | 18:27

Marasmo na produção dos estúdios redimensiona produção do cinema independente nos EUA e inflaciona salários de astros e estrelas

Compartilhe: Twitter

“Homem-pássaro”, “O jogo da imitação”, “O abutre”, “Boyhood”, “O ano mais violento”, “Vício inerente” e “Whiplash: em busca da perfeição”. Em comum, todos esses filmes têm o fato de estarem na corrida pelo Oscar e de serem produções independentes. Para quem acompanha o Oscar, ano após ano, não é nenhuma novidade que os filmes independentes são hoje os grandes protagonistas da maior premiação da indústria do cinema. Desde a vitória de “O senhor dos anéis: o retorno do Rei” em 2004, apenas outros dois filmes de estúdio (ambos da Warner) venceram o Oscar de melhor filme: “Os infiltrados” em 2007 e “Argo” em 2013. Um sintoma claro desse domínio é o fato de Hollywood investir cada vez mais em diversão ligeira. Sequências, remakes, adaptações de games, HQs e literatura infanto-juvenil compõe 99% do que se produz hoje na Meca do cinema mundial. “Os estúdios não investem mais naquele filme para adulto”, disse Susan Downey, esposa de Robert Downey Jr.  e produtora de “O juiz”, filme bancado pela Warner em parte porque Downey Jr. estrelaria e todo mundo que produzir um filme com ele. David Fincher, que alcançou a maior bilheteria de sua carreira com “Garota exemplar” concorda.  À revista Variety, ele disse que não é fácil convencer estúdios de cinema a apostarem em filmes como “Garota exemplar” e que a produção só foi aprovada porque é baseada no best-seller homônimo de Gillian Flynn. O próprio Fincher experimentou um revés em caso semelhante. A Sony vetou a continuação da saga “Millenium – Os homens que não amavam as mulheres”, também adaptado de um best-seller, porque o filme não rendeu a bilheteria esperada, a despeito do entusiasmo com que a crítica recebeu a película.

David Fincher, à esquerda com gorro, e Daniel Craig no set de "Os homens que não amavam as mulheres": sem lucro, sem continuação

David Fincher, à esquerda com gorro, e Daniel Craig no set de “Os homens que não amavam as mulheres”: sem lucro, sem continuação

O semanário The Hollywood Reporter publicou uma reportagem nesta semana que mostra como essa postura dos estúdios está refletindo de maneira desequilibrada nas produções independentes. O sucesso no Oscar atraiu mais players e recodificou o jogo de interesses de astros e estrelas. Há mais dinheiro na seara das produções independentes. Matthew McConaughey, por exemplo, recebeu U$ 200 mil para rodar ‘Clube de Compras Dallas”, filme pelo qual recebeu o Oscar neste ano. Para “Sea of trees”, que está em produção, o ator já recebeu U$ 3, 5 milhões. Para “Free state of Jones”, um drama sobre a guerra civil americana orçado em U$ 65 milhões, o ator receberá incríveis U$ 5 milhões. “Estamos fazendo os filmes que os estúdios se negam a fazer”, disse um produtor independente que vê com apreensão essa mudança de cenário. “Mas não temos a estrutura deles”.

Leia também: Primeira imagem de Matthew McConaughey em “The sea of trees”

Leia também: Oferta pública de ações de astros de cinema é o buzz do momento em Hollywood 

O temor de produtores independentes que não dispõem de verbas tão ruidosas é justamente que esse novo perfil descaracterize a essência da produção independente. Quando se investe neste nível em um filme, o retorno financeiro passa a ser prioridade absoluta.  Este é o jogo que Hollywood com seus incontáveis e milionários blockbusters tem jogado. O cinema independente sempre foi sobre filmes, histórias e arte. Os atores faziam parte desses filmes pelo prestígio e pelo amor à arte. Quando se começa a receber quantias vultosas como as que os estúdios pagam a coisa começa a mudar de figura.

Cena de "O ano mais violento", produção já destaca em prêmios satélites do Oscar

Cena de “O ano mais violento”, produção já se destaca em prêmios satélites do Oscar

Garmin GPS, uma empresa nova no negócio de produzir cinema, está financiando “The nice guys”, um thriller ambientado nos anos 70 com Russell Crowe e Ryan Gosling. Os dois atores receberão U$ 7 milhões cada. Gosling, para efeitos de comparação, rodou “Namorados para sempre” (2010) por U$ 30 mil.

O fato de mais dinheiro estar disponível para que filmes que os estúdios resistem a investir sejam feitos não é má notícia. O que preocupa é que é apenas questão de tempo até que o cinema independente incorpore vícios e estratégias ostentados hoje pelos estúdios. Não seria a primeira vez que isso aconteceria. Depois de muito destaque em meados dos anos 70 e 80, o cinema independente americano foi sufocado pelas produções de estúdios, mas ressurgiu revigorado no meio da década de 90 com os irmãos Weinstein, a Miramax e Quentin Tarantino.

Leia também: A última cartada de M. Night Shyamalan

Leia também: Para onde vai o cinema de Christopher Nolan depois de “Interestelar”? 

Há, ainda, a questão de distribuição. Filmes independentes não dispõem da estrutura dos grandes estúdios e acabam reféns de acordos comerciais que reduzem drasticamente a participação nos lucros. O diretor M. Night Shyamalan, caído em desgraça depois de sucessivos fracassos em estúdios diferentes, rodou um filme (“The visit”) de maneira independente e fechou um acordo de distribuição com a Universal.

Ryan Gosling e Michelle Williams em "Namorados para sempre": tipo de filme que pode sair do radar da produção independente americana

Ryan Gosling e Michelle Williams em “Namorados para sempre”: tipo de filme que pode sair do radar da produção independente americana

Esse cenário em franca e veloz transformação favorece duas perspectivas bem ruins. Primeiro, porque fortalece nos estúdios a noção de que devem evitar produzir filmes que fujam à zona de conforto estabelecida; segundo, porque vai ficar cada vez mais difícil para produtores essencialmente independentes e com pouco dinheiro fazerem filmes. Imaginem as preciosidades que serão para sempre perdidas no futuro do pretérito da sétima arte.

Fotos: divulgação

Autor: Tags: , , , ,

quinta-feira, 20 de novembro de 2014 Notícias | 19:07

Sony desiste de fazer filme sobre Steve Jobs

Compartilhe: Twitter

David Fincher desistiu. Leonardo DiCaprio tirou o time de campo. Christian Bale recuou. Agora foi a vez do próprio estúdio, a Sony, desistir do projeto de adaptar a biografia de Steve Jobs, assinada por Walter Isaacson, para o cinema.

Leia também: Por que está tão difícil fazer um (bom) filme sobre Steve Jobs?  

O estúdio não detalhou as razões que o motivaram a desistir do projeto, mas não é preciso ter bola de cristal para entender a desistência da Sony. Com dificuldade em assegurar um intérprete capaz de atrair interesse do público e com o filme estabelecendo a fama de “maldito” a Sony optou por aposentar a ideia de fazer um filme sobre Steve Jobs. O projeto, no entanto, pode ter sobrevida. Segundo o site Deadline, a Universal Pictures estaria interessada em adquirir os direitos da produção. Vale lembrar que o roteiro do filme é assinado por Aaron Sorkin (“A rede social”) e a direção está à cargo de Danny Boyle (“Quem quer ser um milionário?”). Se o projeto for recuperado pelo Universal não é certo se Boyle e Sorkin manterão suas posições. Fato é que a novela do “filme definitivo” sobre Steve Jobs ainda não tem data para acabar.

Autor: Tags: , ,

  1. Primeira
  2. 1
  3. 2
  4. Última