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quinta-feira, 27 de novembro de 2014 Atores, Notícias | 05:00

James Franco viverá ativista homossexual que vira evangélico anti-gay em “Michael”

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Foto: Reprodução/Instagram

Foto: Reprodução/Instagram

Não será a primeira vez que James Franco dará vida a um personagem homossexual no cinema. O ator, diretor, roteirista, produtor e explorador de tantas outras manifestações artísticas, no entanto, prepara sua mais barulhenta incursão pelo universo homossexual. Em “Michael”, filme atualmente em produção, Franco viverá o personagem título que vivia uma vida hedonista  ao lado do namorado (Zachary Quinto) e atuava em prol da causa gay com fervor na década de 90. Contudo, ele renegou essa vida e assumiu-se heterossexual após começar a frequentar uma igreja fundamentalista e professar que “encontrou sua sexualidade em Deus”.

Com forte potencial polêmico, o roteiro do filme – assinado por Justin Kelley e Stacey Miller – é baseado em um artigo publicado em 2011 no New York Times sob o título “My ex-gay friend”. É comum vermos pessoas que se reconhecem como heterossexuais assumirem-se gays e mesmo no cinema isso já foi abordado (como nos filmes “O golpista do ano” e “Toda  forma de amor”, entre tantos outros), mas o caminho inverso, além de incomum, representa um tabu de difícil aceitação no mundo gay e que gera desconfiança e abertura para debates acerca de preconceito, intolerância religiosa e tantas outras reminiscências de cunho social, cultural e psicológico. É possível deixar de ser gay? Não se sabe se o filme se enveredará por esse debate. Produzido por Gus Van Sant, cineasta homossexual assumido e responsável por filmes icônicos da cultura LGBT como “Garotos de programa” (1991) e “Milk – a voz da igualdade” (2008), é possível imaginar que algum debate o filme deseje suscitar. Talvez não exatamente este.

De qualquer maneira, pode-se esperar provocação do filme que marcará a primeira incursão de Justin Kelley na direção. O E! online noticiou que entre muitas cenas sensuais haverá uma cena de sexo a três entre Franco, Quinto e o ator Charlie Carver, que já faz um personagem gay na série de TV “Teen Wolf”.

Foto postada por James Franco em seu Instagram em que surge ao lado de Quinto e Carver

Foto postada por James Franco em seu Instagram em que surge ao lado de Quinto e Carver

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quinta-feira, 13 de novembro de 2014 Bastidores, Filmes | 05:00

O lado gay do Oscar 2015

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Cena do filme "Saint Laurent" (Foto: bastidores)

Cena do filme “Saint Laurent” (Foto: divulgação)

Ninguém esquece o ano de 2006 quando o favoritíssimo “O segredo de Brokeback Mountain” acabou derrotado na categoria principal, a do Oscar de melhor filme, por “Crash – no limite”. A percepção dominante foi a de que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood cedera a um mal resolvido preconceito e preterira o melhor filme pelo mais palatável ao gosto médio. Especulações à parte, apenas  dois filmes com temática homossexual, “Milk – a voz da igualdade” (2008) e “Minhas mães e meu pai” (2010), receberam indicação ao Oscar na categoria principal de lá para cá. Desde 2010, vale a pena frisar, a disputa pelo Oscar de melhor filme admite entre cinco e dez produções indicadas.

“O Amor é estranho”, produção independente assinada por Ira Sachs e com roteiro do brasileiro Mauricio Zacharias, é um dos filmes que suscitam algum burburinho para o Oscar 2015. A produção, que tem estreia programada para 25 de dezembro no Brasil, acompanha a saga de dois homens (Alfred Molina e John Lithgow) que após obterem a permissão para se casarem em Nova York se veem em uma situação inusitada. Depois que um deles é demitido, eles precisam vender a casa em que moram e precisam morar, separadamente, em casas de parentes e amigos. Uma situação que afeta a todos os envolvidos. “O amor é estranho” amealhou elogios calorosos da crítica e fez bilheteria notável nos EUA, tendo seu circuito de exibição expandido semana após semana.

Leia também: Brasil acerta ao apontar “Hoje eu quero voltar sozinho” para tentar o Oscar

Leia também: O cinema descortina o mundo pós-gay?

“O amor é estranho” conseguiu vencer a barreira de filme gay, algo que pode ser útil para sua inserção na corrida pelo Oscar e mais útil ainda para o cinema de vertente homossexual que deseja romper preconceitos. Outro aspecto da corrida pelo Oscar 2015 pode contribuir para esse cenário. Cinco dos oitenta três países que submeteram filmes para concorrer a uma vaga entre os finalistas na disputa pelo Oscar de filme estrangeiro apontaram filmes com temática homossexual.

“Hoje eu quero voltar sozinho” é o representante brasileiro na disputa. O Canadá submeteu “Mommy”, de Xavier Dolan – considerado um dos favoritos para ficar com uma das cinco vagas. “The circle”, sobre o surgimento de cena gay na Suíça no pós-guerra, é o representante do país. A cinebiografia do estilista francês Yves Saint-Laurent assinada pelo cineasta Bertrand Bonello (“Saint Laurent”) é o pleiteante da França. Portugal apontou um documentário em primeira pessoa em que um homossexual reflete sobre como é viver com vírus da Aids. “E agora? Lembra-me” é dirigido por Joaquim Pinto. É possível que nenhum desses filmes sejam selecionados para figurar entre os finalistas do Oscar, mas além do fato de estarem na disputa já representar um avanço, há na crítica especializada americana um clamor, e um lobby, muito grandes para que a categoria de filme estrangeiro assuma sua vocação queer em 2015.

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quinta-feira, 25 de setembro de 2014 Análises | 18:57

O cinema descortina o mundo “pós-gay”?

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O Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro anunciou que está extinguindo em sua 16ª edição, já em vigor, a mostra “Mundo gay”, dedicada a repercutir e iluminar filmes com temática homossexual. Concomitantemente a esta decisão, a organização do festival criou o prêmio Felix, que será outorgado ao melhor filme gay da programação. A justificativa para a combinação das novidades apresentada pelo festival é de que os filmes da mostra ficaram diversificados demais para serem reunidos sob um único recorte, o de filme gay.

Em abril, época do lançamento do filme “Praia do futuro”, Wagner Moura disse que o fato de ser gay não era uma questão central para as ações de seu personagem. O diretor Karim Aïnouz pensava diferente. Disse que somente o fato de ser gay legitimava a atitude do personagem de largar tudo para trás e ir se reinventar em Berlim, uma cidade mais evoluída e, por consequência, mais receptiva à homossexualidade.

Cena de "Praia do futuro": a homossexualidade ainda é um conflito no cinema, mas no mesmo compasso da orfandade,  , maternidade, divórcio, entre outros

Cena de “Praia do futuro”: a homossexualidade ainda é um conflito no cinema, mas no mesmo compasso da orfandade, maternidade, divórcio, entre outros

Em contrapartida, o Brasil escolheu “Hoje eu quero voltar sozinho” para representar o País na disputa por uma indicação ao Oscar de filme estrangeiro. O filme de Daniel Ribeiro pode ser tomado como o símbolo desse cinema “pós-gay” em que a orientação sexual é abordada de maneira dessegmentada. Algo parecido acontece com um dos fenômenos nos cinemas americanos atualmente. “O amor é estranho”, que tem roteiro do brasileiro Mauricio Zacharias, mostra um casal formado por John Lithgow e Alfred Molina lidando com o ônus do preconceito e como ele pode interferir em uma relação conjugal bem estabelecida.  O filme, lançado de maneira independente, apresenta carreira triunfal nos cinemas americanos onde está em cartaz há mais de um mês com uma das melhores médias de público por sala do país.

Não custa lembrar que em 2006, o favorito ao Oscar “O segredo de Brokeback Mountain”, que tratava de um amor homossexual, foi preterido por “Crash- no limite”, filme sobre as tensões raciais em Los Angeles.

Em 2008, Barack Obama colocou-se como um candidato pós-racial.  Se a ideia ajudou a elegê-lo presidente, tornando-o primeiro negro a comandar a nação mais poderosa do mundo e uma das que ostenta mais grave histórico de polarização racial, o conceito parece não ter sobrevivido à gestão obamista na Casa Branca; como demonstram o recente caso do assassinato do jovem negro no Missouri e as manifestações que se seguiram.

"Hoje eu quero voltar sozinho": símbolo do cinema "pós-gay"

“Hoje eu quero voltar sozinho”: símbolo do cinema “pós-gay”

"O amor é estranho": um reposicionamento na abordagem do preconceito em filmes com personagens gays

“O amor é estranho”: um reposicionamento na abordagem do preconceito em filmes com personagens gays

Obviamente as tensões raciais, homofóbicas ou de qualquer outra natureza preconceituosa não cessarão pela elevação de um Messias negro na Casa Branca ou com um punhado de filmes bem azeitados e articulados. Esta é uma questão de arremedo geracional e a arte, como habitual, exerce importante papel nessa fruição social e comportamental.

Dessa maneira, esta tendência que o cinema enseja como uma espécie de emancipação do cinema gay é uma boa notícia. Não é exatamente uma renúncia às bandeiras ou ao substrato temático, mas um aceno a uma era em que o cinema não precisará ser um instrumento de afirmação e educação na matéria.

Fotos: divulgação

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