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segunda-feira, 26 de maio de 2014 Críticas, Filmes | 23:25

“Godzilla” explora signos de potência e vulnerabilidade

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Não é apenas a disposição de se apropriar de eventos trágicos reais, como a bomba atômica sobre Hiroshima, ou o mais recente tsunami, para legitimar seu desenvolvimento narrativo que distingue a mais recente versão de “Godzilla” tanto de seus antecessores, como da média do blockbusters da temporada. O que difere fundamentalmente a fita de Gareth Edwards, inspirado e seguro à frente de sua primeira produção de grande orçamento, é sua habilidade de problematizar a vulnerabilidade humana no mesmo compasso em que destaca a potência e força maiores que a vida de Godzilla, finalmente retratado como a indomável força da natureza, ainda que em sua concepção fantástica, que é.

O prólogo de “Godzilla” é bem climático. Por um lado, mostra um pesquisador (Ken Watanabe) no encalço da mística criatura. Por outro, mostra o engenheiro Joe Brody (Bryan Cranston) perdendo a esposa (Juliette Binoche) em uma usina nuclear em Tóquio em uma catástrofe sísmica que por 15 anos ele questionaria.

No presente, somos apresentados a Ford Brody (Aaron Taylor-Johnson), o filho crescido de Joe e verdadeiro protagonista do filme. Ele se ressente do pai ausente, dedicado a provar uma teoria conspiratória que ocultaria as reais razões do terremoto que matou sua esposa. A partir desse mote, “Godzilla” vai construindo uma trama que independe dos anseios de vermos o rei dos monstros em ação. Há um drama familiar genuíno, mais bem estruturado do que de hábito em produções desse tamanho, e que oxigena a trama além do óbvio.

Godzilla: uma força devastadora e sempre impressionante (Foto: divulgação)

Godzilla: uma força devastadora e sempre impressionante (Foto: divulgação)

Há quem se queixe da demora de Godzilla em aparecer. Essa demora, se é que podemos qualificar o tempo que Edwards leva para mostrar sua principal atração de “demora”, é muito bem administrada narrativamente. “Godzilla” é um filme de clima, em que a ansiedade da plateia é muito bem alimentada pelo cineasta. Spielberg é uma referência muito forte neste sentido. Tanto “Tubarão” (1975) como “E.T” (1982) surgem como inspirações nada ocultas de Edwards. Passa por aí opção de frisar “Godzilla” como um herói incompreendido e também por observar o monstro a partir dos personagens em cena, excluindo-se o delirante e acachapante clímax da fita.

Essa atenção às miudezas, aliada a expressão inequívoca do gigantismo do Godzilla e das ameaças que ele enfrenta no planeta, confere à produção esse teor reflexivo que é vocalizado pelo personagem de Ken Watanabe de quando em quando.

Ken Watanabe dá relevância dramática a seu personagem, embora ele esteja ali só para explicar ( Foto: divulgação)

Ken Watanabe dá relevância dramática a seu personagem, embora ele esteja ali só para explicar ( Foto: divulgação)

Isso posto, “Godzilla” é, também, muito divertido. É diversão daquele tipo que buscamos no cinema. Deslumbramento e tensão entremeados por momentos de humor. Algo que o cinema americano faz tão bem, mas vem rareando no traquejo da fórmula. “Godzilla” é, em todos os sentidos, uma bem-vinda sessão de nostalgia.

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