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sábado, 6 de junho de 2015 Críticas, Filmes | 16:39

“Mad Max: Estrada da Fúria” se firma como maior obra-prima da ação em décadas

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Nos trailers de “Mad Max: Estrada da fúria” surgiam antes do nome do cineasta George Miller a alcunha “visionário”. Caso o leitor seja destes que ainda não tem familiaridade com a obra do diretor australiano, o porquê do uso do termo estará plenamente justificado quando os créditos do filme subirem. “Estrada da fúria” não só é o melhor filme da carreira do australiano, como é a grande obra-prima que o cinema de ação aguardava desde a década de 80, quando produções como “Mad Max: a caçada continua” (1981) e “Duro de matar” (1988) davam viço ao gênero. De lá para cá, com o advento dos efeitos especiais e heróis de HQs, o cinema de ação virou oura coisa. Mais pasteurizado, artificial e comportado. “Estrada da fúria”, com sua anarquia barulhenta, caótica e brilhantemente coreografada, devolve ao cinema de ação sua brutalidade, sua imprevisibilidade e, fundamentalmente, seu encanto.

Som, fúria e arrebatamento: o melhor filme de ação em anos (foto: divulgação)

Som, fúria e arrebatamento: o melhor filme de ação em anos
(foto: divulgação)

Som e fúria, em um balé apocalíptico no meio do deserto, norteiam uma história que poderia ser erroneamente sintetizada como uma grande e histriônica perseguição. Essa escandalosa e espetacular obra-prima é, no entanto, uma sinfonia do caos tão perfeita que é preciso louvar tanto a ousadia da Warner Brothers, de liberar U$ 200 milhões para a produção de um filme tão incomum e estranho, como o gênio de Miller que usa CGI o mínimo possível e faz ação de verdade com veículos assustadores e capotamentos espetaculosos.

A plasticidade de “Estrada da fúria” impressiona. Seja pelas paletas de cores amareladas ou pelos ângulos inusitados escolhidos por Miller. O gigantismo das alegorias, em muitos momentos o filme se assemelha a um desfile enlouquecido, arrebata. Somente em um filme tão brutal como “Mad Max” seria possível um sujeito tocando insanamente rock em uma guitarra do alto de uma alegoria enquanto percussionistas tribais “cantam” uma perseguição frenética pelo deserto.

Miller avança na mitologia do universo de “Mad Max” reaproveitando e expandindo ideias ensejadas na trilogia original, mas “Estrada da fúria” se sustenta sozinho. Depois de ser capturado, Max (Tom Hardy) vira uma bolsa de sangue para os war boys feridos da cidadela. A cidadela é controlada por Immortan Joe (Hugh Keays-Bryne, que já havia sido o vilão do primeiro filme). Ele promove uma caçada nervosa a Imperator Furiosa (Charlize Theron) que fugiu com suas parideiras. O war boy Nux (Nicholas Hoult) para participar da perseguição leva sua “bolsa de sangue” e daí em diante é prudente se preparar para os alucinantes desdobramentos da frenética narrativa.

Apesar do frenesi, “Estrada da fúria” traz mais em seu âmago. É, primordialmente, um filme de forte apelo feminista. Além da premissa de livrar mulheres da objetificação de um homem tirano, a personagem Furiosa reclama para si o protagonismo do filme. Determinada, inteligente, articulada e forte, Furiosa conquista o respeito de Max de um jeito que somente os homens estão permitidos a conquistar em westerns. “Estrada da fúria” subverte essa lógica ao afastar o romance da equação. Não obstante, trata-se, ainda, de um olhar algo raivoso sobre o impacto da religião e de como o suicídio pode ser usado a serviço do terror.

Western de vanguarda: Há muito mais do que alcançam os olhos em "Estrada da fúria" (Foto: divulgação)

Western de vanguarda: Há muito mais do que alcançam os olhos em “Estrada da fúria”
(Foto: divulgação)

Se há um porém em “Estada da fúria” é o saldo da inevitável comparação entre Tom Hardy e Mel Gibson. Talvez Hardy já saia perdendo porque seu Max compartilha importância na narrativa com Furiosa, mas fato é que em matéria de carisma Gibson sobra. Hardy convence na brutalidade de Max, especialmente no começo do filme, mas come poeira quando precisa aferir humanidade ao personagem.

É uma ressalva que não compromete em nada a grandiosidade da fita. Tampouco demove “Estrada da fúria” do topo da cadeia alimentar do cinema de ação contemporâneo. Visionário, George Miller faz o que parecia impossível e relega produções como “Vingadores” e “Velozes e furiosos”, grandes sensações da temporada, ao posto de meros recalques.

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