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sexta-feira, 20 de março de 2015 Críticas, Filmes | 17:48

Margot Robbie dá credibilidade a conflito central de “Golpe duplo”

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Foto: divulgação

Foto: divulgação

“Golpe duplo”, novo filme de Glenn Ficarra e John Requa, diretores dos ótimos “O golpista do ano” (2009) e “Amor a toda prova” (2011), pertence àquela estirpe dos filmes de assaltantes geniosos e geniais. Will Smith é Nicky, um ladrão habilidoso que se dedica a pequenos trambiques. Criado na malandragem, ele lidera um grupo especializado na arte da traquinagem e tem na figura de Jess (Margot Robbie), uma promissora golpista interessada em integrar o grupo. Nicky faz o tipo solitário, mas é cativado por Jess com quem engata uma relação amorosa meio que por osmose. Mas ele se ressente de engatar nessa paixão por entender que na vida que leva, amor e negócio não podem se cruzar.

Trata-se do filme menos original e cativante da dupla, mas ainda assim “Golpe duplo” se mostra charmoso e envolvente. Muito disso se deve exclusivamente a Margot Robbie que, bela, talentosa e carismática, legitima para o público a hesitação que toma conta de Nicky. No entanto, as (muitas) reviravoltas do filme – nem todas satisfatórias – atestam que se trata de um genérico do subgênero “heist movie”, que tem exemplares destacáveis como “Onze homens e um segredo” (2001), “Thomas Crown, a arte do crime” (1999), entre outros.

Há, pelo menos, uma grande cena em “Golpe duplo”. Uma que sugere o filme que Requa e Ficarra talvez tivessem em mente e não conseguiram transferir para celuloide. É quando Nicky se engaja em uma aposta megalomaníaca com um bilionário chinês em meio a uma partida de futebol americano. Genuinamente eletrizante e ainda mais surpreendente, a cena brinca com o nome original do filme, “Focus” (foco), a primeira lição que Nicky ensina a Jess. Brincar com o foco da plateia é um dos passatempos dos diretores com seu filme, um exercício de técnica que merece ser apreciado independente do filme em si. A tergiversação, obviamente, fica muito mais fácil quando se dispõe de Will Smith e, especialmente, Margot Robbie.

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quinta-feira, 12 de março de 2015 Análises, Atores | 19:34

Sem a magia de antes, Will Smith tateia novo caminho em Hollywood

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Will Smith é a única garantia que existe de uma boa bilheteria no fim de semana de estreia”, bradou em 2007 Akiva Goldsman, produtor de “Eu sou a lenda” (2007), “Eu, robô” (2004) e “Hancock” (2008), todos filmes estrelados pelo ator. De lá para cá, a coisa mudou bastante. Hollywood continua determinando o sucesso de um filme pela arrecadação do primeiro fim de semana de exibição, mas Will Smith já não é esse amuleto que provoca sorrisos em produtores e estúdios. A bem da verdade, “Hancock” foi o último sucesso genuíno do ator, porque “MIB 3” (2012) já foi uma tentativa, relativamente bem sucedida, de retomar a trilha das grandes bilheterias.

Will Smith entrou para o Guinness, famigerado livro dos recordes, por ter superado Tom Hanks, Harrison Ford e Tom Cruise na condição de astro a ter o maior número de filmes rompendo a barreira dos U$ 100 milhões nas bilheterias americanas. Desde “Independence day” (1996) até “Hancock”, apenas “Lendas da vida” (2000), de Robert Redford, não superou a marca.

Will Smith e Margot Robbie em cena de "Golpe duplo"

Will Smith e Margot Robbie em cena de “Golpe duplo”

“Sete vidas” (2008), reunião do astro com o diretor do bem sucedido “A procura da felicidade” (2006), que lhe rendeu indicação ao Oscar, marcou o começo do declínio da carreira do ator. Não só o filme foi malhado pela crítica como foi um fracasso retumbante de público. Smith sentiu o golpe. Conversas para retornar às franquias “MIB” e “Independence day” foram iniciadas. Analistas da indústria diagnosticaram um cansaço do público para com Will Smith. Passaram-se quatro anos e ele retornou com a segurança da franquia “MIB”, que se não foi um sucesso retumbante, não comprometeu nas bilheterias. Depois de negar o protagonismo de “Django livre” (Quentin Tarantino havia concebido o papel de Django com Smith em mente), o ator bancou o sci-fi com fundo ambientalista “Depois da terra”. A discussão de relação mais cara da história do cinema (o filme reeditava a parceria entre o ator e seu filho Jaden) foi um risível fracasso de público e crítica e ajudou a denegrir ainda mais a já combalida carreira do cineasta M. Night Shyamalan.

"Sete vidas" marcou o início do declínio da carreira do outrora filho pródigo de Hollywood

“Sete vidas” marcou o início do declínio da carreira do outrora filho pródigo de Hollywood

"Depois da terra": Smith pagou mico com o filme

“Depois da terra”: Smith pagou mico com o filme

De astro exaltado por seu toque de Midas, Smith havia virado motivo de escárnio na cidade dos anjos. O homem que negara arrependimento por ter recusado o papel de Neo em “Matrix”, que consagraria Keanu Reeves, estava em busca de projetos que lhe dessem certa margem de segurança. “Esquadrão suicida”, ambiciosa produção da Warner com vilões clássicos do universo da DC Comics, seria este filme. Trata-se de um projeto estratégico para a Warner, já que introduz o novo conceito de universo que estúdio e editora tentam levar ao cinema. Para Smith, é a chance de dividir a responsabilidade com outros nomes poderosos, como o de Jared Leto, e se beneficiar do interesse crescente pela produção. Antes, porém, o ator estrela “Golpe duplo”, estreia deste fim de semana nos cinemas brasileiros.

O filme não começou bem sua carreira nos EUA e tudo indica que só deve se pagar no mercado internacional. Smith não recobrou aquela magia que tanto maravilhava Akiva Goldsman. Em meio a boatos de que deve estrelar a segunda sequência de “Bad Boys”, o ator precisa mostra que ainda é viável comercialmente. Neste sentido, “Golpe duplo” seria um trunfo maior do que “Esquadrão suicida”, onde os riscos são menores, mas também os dividendos. Smith, convém citar, foi a terceira opção para o filme de John Requa e Glenn Ficarra (“O golpista do ano”).  Ryan Gosling era o sonho de consumo dos diretores que tiveram Ben Affleck escalado. Ele saiu para ser o Batman e a chegada de Will Smith provocou a saída da outra protagonista, Kristen Stewart, desinteressada de trabalhar com ele.

O poder de atração de Will Smith não é mais o mesmo. Resta saber se ele fará como Tom Cruise e se refugiará nas franquias de ação sem grandes ambições ou vai tentar se reinventar como fez Matthew McCounaughey. Certo é que ele não deve mais negar projetos promissores que lhe forem oferecidos. De qualquer jeito será preciso saber dizer adeus ao Will Smith campeão de bilheteria de outrora.

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