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sexta-feira, 24 de julho de 2015 Críticas, Filmes | 19:47

“Homem-Formiga” representa volta da Marvel ao básico e é sucesso criativo

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Foto: divulgação

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Sob muitos aspectos, “Homem-formiga” foi o filme mais complicado da Marvel a ganhar vida. As desavenças entre o estúdio e o diretor Edgar Wright (“Todo mundo quase morto”) ganharam publicidade e ele acabou substituído por Peyton Reed (do ótimo “Abaixo o amor”). O que torna “Homem-formiga” um dos acertos irrepreensíveis da Marvel é o até certo ponto surpreendente DNA de Wright na produção. Além da base do roteiro ser de sua autoria, ele também assina a produção executiva. O humor e a construção dos personagens norteiam os dois primeiros atos de “Homem-formiga” que em poucos momentos se parece com um filme de super-herói convencional.

A Marvel sabia que para promover um herói pouco conhecido do público e com um nome tão pouco atraente era preciso sair do lugar-comum e “Homem – formiga” comprova, como “Guardiões da galáxia” fizera no ano passado, que quando pensa fora da caixa a Marvel rende muito mais.

A escolha de Paul Rudd, um estranho no ninho no subgênero dos super-heróis, se revela calibrada para expandir o escopo da audiência dos filmes Marvel. Ao flertar com a paródia, há todo um clima de filme de assalto no primeiro ato do filme, a Marvel prova que tem estofo para chacoalhar as convenções do gênero.

As referências ao universo Marvel, que dizem as más línguas provocaram a saída de Wright da direção, são um deleite à parte para o seguidor do universo cinematográfico da Marvel. O fato de elas surgirem de maneira leve e divertida mostra que a alternância de tom entre as produções Marvel não afeta seu universo.

No filme, o golpista em busca de reabilitação Scott Lang (Rudd) é recrutado por Hank Pym (Michael Douglas) que vê nele a chance de roubar um segredo industrial da empresa que ele mesmo fundou, mas hoje é controlada por Darren Cross (Corey Stoll) que está próximo de finalizar uma tecnologia capaz de revolucionar a inteligência militar.

Há muitos paralelos que se pode fazer entre este filme e “Homem de ferro” (2008). Além da aposta em um nome incomum para o protagonismo, tanto lá como cá, o humor é um elemento fundamental em uma trama sobre espionagem industrial. Tanto lá como cá, um cientista brilhante dá as cartas e tem alguém muito próximo a si como o vilão megalomaníaco do filme.

“Homem-formiga” encerra a festejada fase 2 da Marvel com muita dignidade e apaga a má impressão deixada pelo badalado, grandioso e cansativo “Vingadores: era de Ultron”. No fim das contas, sem qualquer malícia e apreço a trocadilhos, menos é mais.

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quinta-feira, 16 de julho de 2015 Atores, perfil | 21:08

Jamais houve super-herói como Paul Rudd

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Você já riu com ele. Muito. Paul Rudd é daqueles atores afáveis que melhoram qualquer filme. Não à toa, entrou meio que por osmose para a trupe de comediantes reunida pelo cineasta Judd Apatow que revolucionou o humor americano no começo da década passada com filmes como “O virgem de 40 anos” (2005).

Aos 46 anos, Paul Rudd está preparado para uma radical mudança de rumo. Ele é o protagonista de “Homem-Formiga”, o mais inusitado personagem das HQs da Marvel a ganhar os cinemas. E Rudd não é a mais inusitada das escolhas para vivê-lo, embora possa parecer em um primeiro momento.

O suplemento cultural do jornal New York Times deu capa para o ator no último fim de semana e veiculou uma matéria cujo principal objetivo era explicar o que define como “Ruddness”.  Conceito que tenta capturar a peculiaridade que torna Paul Rudd único.  Para tanto, além de sair para bater papo com o ator e prestigiar eventos culturais em sua companhia, o repórter do Times  fez uma minuciosa análise da carreira do ator e a confrontou com outros nomes egressos da  comédia, como Owen Wilson, Mark Rufallo e Matthew McConaughey.

Paul Rudd em cena de "Homem-Formiga": abraçando o estrelato  (Fotos: divulgação)

Paul Rudd em cena de “Homem-Formiga”: abraçando o estrelato
(Fotos: divulgação)

Jovial, sem ser pedante, estiloso, sem ostentar, bonito, sem se esforçar e genuinamente engraçado, Rudd convence em cena com uma organicidade incomum na Hollywood atual. Daí o fato da Marvel cacifar em cima de sua persona em uma jogada que encontra paralelo na aposta  bem-sucedida em Robert Downey Jr. para “Homem de Ferro” em 2008.

À Variety, Rudd disse entender a resistência de muitos a seu nome em um filme Marvel. “Grande parte da minha carreira foi fazendo comédias, sempre fui esse tipo de ator, então entendo perfeitamente. Interpretar um personagem dos quadrinhos é diferente de tudo que eu já fiz antes, e isso foi algo ótimo para mim”.

Entre o galã e o homem moderno

Rudd logo cativou uma parte do público ao estrelar em 1995 “As patricinhas de Beverly Hills” na pele do irmão postiço e potencial interesse romântico da personagem de Alicia Silverstone. A presença em filmes como “A razão do meu afeto” (1998), “Romeu + Julieta” (1996), “200 cigarros” (1999) e “Regras da vida” (1999) ajudou a estabelecer o status cult do ator.

Com Jennifer Aniston em "A razão do meu afeto"

Com Jennifer Aniston em “A razão do meu afeto”

Com Elizabeth Banks em "Faça o que eu digo, não faça o que eu faço"

Com Elizabeth Banks em “Faça o que eu digo, não faça o que eu faço”

Os anos 2000 o inseriu no “frat pack”, nome dado a este grupo que reunia estrelas da comédia em diversos filmes. Além dos irmãos Luke e Owen Wilson, Rudd tinha a companhia de figuras como Ben Stiller, Will Ferrell, Jack Black, Vince Vaughn, entre outros.

Mesmo nessas comédias cheias de “bromance”, da qual “Eu te-amo, cara”, em que estrelou em 2009 ao lado de Jason Segel é emblemático, o ator achava espaço para se exercitar como galã romântico em fitas como “Nunca é tarde para amar” (2007) ou dar vazão às angústias do homem moderno de 40 anos em “Bem-vindo aos 40” (2012).

“Homem-formiga” inaugura uma nova etapa na carreira do ator que também estará em “Capitão América 3: a guerra civil”, programado para 2016. Como novo integrante do universo Marvel, Rudd passa a ter responsabilidades de astro de cinema e na mesma entrevista a Variety revelou seu modelo. “Nós queríamos ter certeza de que o filme tivesse coração e fosse engraçado mesmo com toda a ação. Para me preparar, eu basicamente não comi nada por um ano. Eu usei o método de Chris Pratt para fazer um filme de ação. Eliminar tudo de bom por um ano para depois poder interpretar um herói”. A referência ao ator que ascendeu ao panteão dos astros do cinema com “Guardiões da galáxia” em 2014 não é acidental. Aceitar fazer parte de “Homem-formiga” foi uma aposta cheia de cálculo do ator que indubitavelmente acredita ser capaz de contaminar a Marvel com sua “Ruddness”.

Paul Rudd e seu bigode em "Tudo por um furo" (2013): levando Rudness à Marvel

Paul Rudd e seu bigode em “Tudo por um furo” (2013): levando Rudness à Marvel

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