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sábado, 25 de junho de 2016 Atores, Filmes | 17:14

“Acho que a mudança climática é a grande ameaça que pode unir a humanidade”, diz Bill Pullman no Brasil

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Foto: AgNews

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“Eu acho que a mudança climática é a grande ameaça que pode unir a humanidade”, disse ao iG o ator Bill Pullman em entrevista realizada durante sua passagem por São Paulo para divulgar “Independence Day: O Ressurgimento”. A coluna quis saber do ator, que volta a viver o presidente Whitmore, agora ex-presidente e marcado por sequelas emocionais e psicológicas do primeiro confronto contra os aliens, o que precisaria acontecer para unir a humanidade.

Isso porque em “Independence Day: O Ressurgimento” há paz e colaboração plena entre as nações e há, ainda, a sugestão de inexistência de ameaças terroristas como as que nos deparamos na vida real. “Eu não tinha parado para pensar sobre como os medos dos anos 90 evoluíram e são diferentes dos de hoje. O primeiro filme veio um pouco depois do fim da Guerra Fria e hoje me parece que não podemos parar de pensar na mudança climática. Não podemos nos dar ao luxo de ignorar essa questão”, observa Pullman. “Está acontecendo”.

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“Não deixa de ser irônico que a Grã-Bretanha esteja votando para se separar da União Europeia”, continua o ator. A entrevista foi realizada na quinta-feira (23), dia em que os britânicos foram às urnas para decidir se permaneciam ou não no bloco econômico. “Se você olhar por este contexto, da necessidade de colaboração entre as nações, é muito interessante que a sequência do filme esteja chegando neste momento”.

Pullman explicou à coluna que não vê o terrorismo como o elemento possível de unir nações porque o medo chega a níveis tão exasperados que faz com que pessoas, ou nações, tomem medidas extremas contra outras. “É algo novo para a gente e que está acontecendo com uma frequência assustadora”, observa em referência a recentes casos na França e nos EUA. “O sentimento de tentar diminui-lo (terrorismo) é bom, mas acho que devemos tentar gerenciar nosso medo e não nos deixar guiar por ele, o que resultaria em diminuição da nossa liberdade. Eu não acho que o terrorismo seja algo que vá nos unir ou que vá nos levar ao nosso fim”.

Pullman em cena do novo "Independence Day": um ator sensível que faz muito bem o tipo durão... (Foto: divulgação)

Pullman em cena do novo “Independence Day”: um ator sensível que faz muito bem o tipo durão…
(Foto: divulgação)

Relutância

Falando sobre Obama, mas de certa forma também sobre os candidatos à presidência dos EUA, Pullman o descreveu como “um líder relutante”. “Eu acho que ele não gosta de exagerar em relação às circunstâncias. Por isso, talvez, tenha tido um primeiro mandato percebido como pouco produtivo. Ele é um líder relutante. Eu acho que isso é algo que deve ser admirado. Não necessariamente devemos votar em um candidato que se apresenta como solução para tudo”, diz sem citar Donald Trump explicitamente.

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Por falar em presidência, seu personagem volta a ter grandes momentos em “Independence Day: O Ressurgimento”. Há, inclusive, uma cena em que Whitmore volta a discursar. Mas por pouco essa cena não acontece.  “Foi interessante como isso evoluiu”, confessa Pullman entre risos quando ouve do colunista que o público estaria ansioso pela “cena do discurso de Bill Pullman”. “Quando me encontrei com Roland e os escritores, Roland não queria se repetir. ‘Não seria legal provocar o público com a possibilidade de ter um discurso seu e ele não acontecer?’. Eu até aceitei a ideia, mas me incomodava o fato de não ter uma cena com Jeff (Goldblum, que também retorna para a sequência). Aí alguém na Fox disse que um dos melhores momentos do primeiro filme era a cena do discurso e começou a ter uma pressão para isso”.

Roland Emmerich teve que ceder às pressões que, àquela altura, já eram bem claras e a cena do discurso informal foi pensada para ser um diálogo com o personagem de Jeff Goldblum. “Aí bolaram essa cena com o Jeff que começa como um diálogo e aí algumas pessoas começam a prestar atenção e de repente começa a soar para o público muito como um discurso. Eu acho que foi uma solução ótima e que funciona para os personagens naquele contexto em que eles se encontram”.

Como relutância pouca é bobagem, quando perguntado sobre qual sua cena favorita do novo filme, ele confessou que ela não está no corte final. “Foi cortada. Todos os atores tiveram cenas cortadas. Essa é a verdade de todo o filme. É doloroso. Nós atores somos almas sensíveis”.

Pullman se referia a uma cena dramática em que ele explica para sua filha as razões que o levam a tomar determinada atitude no filme. “Como ator eu gostaria de ver aquele momento mais aprofundado, mas entendo que Roland precisa equilibrar toda uma história. Acho que ele manteve as cenas que remetem à essência dos personagens”, minimiza o ator. “Eu superei os meus arrependimentos”.

Da relutância de se repetir um discurso, à relutância que deve pautar um bom líder, “Independence Day: O Ressurgimento” se abaliza como um entretenimento para ser apreciado sem qualquer constrangimento.

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