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quarta-feira, 21 de janeiro de 2015 Críticas, Filmes | 16:29

Ambição de Angelina Jolie compromete narrativa de “Invencível”

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Os esperançosos olhos azuis do ator Jack O´Connell, que vive Zamperini (Foto: divulgação)

Os esperançosos olhos azuis do ator Jack O´Connell, que vive Zamperini
(Foto: divulgação)

Angelina Jolie disse que decidiu rodar “Invencível” (2014) motivada pela mensagem de esperança que a extraordinária história de Louis Zamperini, atleta olímpico, náufrago e prisioneiro de guerra, sintetiza.

Jolie, em seu segundo longa-metragem como diretora, investe na ostentação dessa esperança. Desde a trilha sonora solene e incidente de Alexandre Desplat, passando pela fotografia algo clássica e vívida de Roger Deakins e culminando na atenção aos olhos azuis do protagonista vivido com garra por Jack O´Connell. Franzino e com queimaduras, repleto de carvão ou sujeira, ou mesmo surrado, os olhos azuis de Zamperini são um bálsamo. Um lembrete de que a esperança é algo ao qual vale a pena se fiar. Os olhos azuis são mais impactantes na narrativa, o que poderia ser tomado como um capricho, do que a religiosidade que aos poucos se consolidava em um homem que por diversas situações e circunstâncias só tinha a fé, ainda que mal articulada, para se apegar.

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Essa opção diz muito sobre a cineasta que Angelina Jolie é e sobre a cineasta que ambiciosa ser. A metaforização visual de um interesse temático tão forte como é a esperança é algo valioso, mas não se pode perder de vista a engenharia interna dos personagens, algo que “Invencível” não dá conta de elaborar e transmitir.

O que nos leva à indagação do que deu errado, afinal, no projeto. Talhado para o Oscar, Jolie reuniu sob seu comando a nata do cinema atual. Além dos já citados diretor de fotografia e músico, os irmãos Coen assinam o roteiro e outras figuras prodigiosas de Hollywood assinam os trabalhos de figurino, montagem e direção de arte. Se é tecnicamente vistoso, “Invencível” se limita ao óbvio na abordagem das emoções. Isso ocorre, talvez, por ser Jolie uma diretora menos experiente no trato de certas gorduras da história. O ritmo do filme oscila bastante e algumas opções narrativas contestáveis se oferecem como filtro para lágrimas da plateia.

A história de Zamperini não precisaria de subterfúgios para se provar iluminada e única. Esse expediente, no entanto, não revela mau gosto da diretora, mas sim sua ansiedade em entregar um filme acadêmico (quem não quer causar no Oscar?) e algo substancial e longevo sobre a vida desse personagem tão rico e fascinante.

Se fica no meio-termo, Jolie entrega um filme que não faz feio na média do cinema americano atual e ganha pontos por isso. Ela obtém boas atuações de um elenco em geral desconhecido e consegue embrenhar o coração de cada cena mais dramática, detalhes que revelam uma diretora habilidosa; ainda que não essencialmente preparada para entregar o filme que “Invencível” poderia ser sob os cuidados de alguém mais experimentado.

“Invencível” é um bom filme, mas estranhamente desperta no espectador aquele sentimento de “poxa, queria ter gostado mais deste filme”.  Não há olho azul que desfaça essa sensação efêmera de desapontamento.

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