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terça-feira, 1 de setembro de 2015 Críticas, Filmes | 18:46

Woody Allen permite que fantasias desestruturem razão dos personagens no sombrio “Homem irracional”

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Pode ser mera coincidência, mas a escolha de Joaquin Phoenix para viver o depressivo Abe Lucas, um professor de filosofia desgostoso com a vida, ilumina “Homem irracional” de uma subjetividade muito bem vinda (curioso notar, por exemplo, como Phoenix não evoca Allen um momento sequer em sua caracterização). O ator, para quem não lembra, transformou um aparente surto em um documentário sobre mesquinhez e excentricidades da vida em Hollywood e vive a despejar perolas pessimistas sobre o reduto da fama. Pode ser mera coincidência, mas dez anos depois de lançar “Match point – ponto final”, na avaliação do próprio Allen, seu melhor filme, o cineasta estabelece um diálogo intermitente com este no âmago de sua nova obra.

São (possíveis) subtextos que enriquecem a experiência de se assistir este novo exemplar, que presta um tributo a Alfred Hitchcock ao reimaginar a questão ‘dostoiveskiana’ já trabalhada por Allen em “Match point”, “Crimes e pecados” e “O sonho de Cassandra”.

Lucas chega a uma universidade de uma pequena cidade dos EUA com a promessa de “ser um Viagra no departamento de filosofia” da instituição, como brinca a professora vivida por Parker Posey que não demora em se insinuar para o novo docente. Outra que se engraça com o professor é Jill (Emma Stone), uma aluna que já tinha uma quedinha pelo pensador Abe Lucas de quem já lera muitos artigos.

Lucas e Jill: a colisão entre fantasia e moralidade coloca a relação dos personagens em xeque

Lucas e Jill: a colisão entre fantasia e moralidade coloca a relação dos personagens em xeque

Lucas, porém, vive uma fase depressiva. Ele está insatisfeito com os cânones da filosofia e, por consequência, com as amarras da existência. Pensador voraz, estipula que a ansiedade é a vertigem produzida pela liberdade.

O professor, sem forças para resistir, se entrega às investidas da personagem de Posey, mas reluta em ceder aos encantos de Jill, comprometida com o devotado Roy (Jamie Blackley). Aí Woody Allen estabelece as bases para a discussão da moralidade que calça “Homem irracional”. Mais além, há uma pulsante reflexão sobre casualidade, mas o interesse preponderante parecer ser confrontar as fantasias que nos dominam de quando em quando com a insalubre realidade.

É este tempero que faz do novo Woody Allen, mais sombrio do que o habitual e com um senso de humor mais perverso, tão saboroso.

Lucas tem uma epifania quando ouve o relato de uma mulher que julga estar sendo deliberadamente prejudicada por um juiz. Lucas decide então atuar como uma espécie de bom samaritano, matar o juiz e devolver à tal mulher a chance de um julgamento justo. Lucas entende que sua falta de relação com o juiz e aquele universo lhe afastam de qualquer suspeita. Somente a elaboração do que o próprio professor entende ser o crime perfeito devolve a ele o tesão; pela vida, suas minúcias e pelas mulheres que lhe procuram. Resistente às investidas de Jill, Lucas se entrega à paixão furtiva da aluna apaixonada.

A partir desse pacto sinistro de Lucas consigo mesmo, em que rompe com a razão, Allen tece um painel robusto sobre o impacto das fantasias em nosso posicionamento perante o mundo.  Um bom ponto de inflexão é alternância na narrativa entre as divagações de Jill e as de Lucas.

A personagem de Posey fantasia em ir com Lucas para a Espanha: a realidade  pode ser opressiva demais para o romantismo humano (Fotos: divulgação)

A personagem de Posey fantasia em ir com Lucas para a Espanha: a realidade pode ser opressiva demais para o romantismo humano
(Fotos: divulgação)

O desgostoso professor de filosofia ganha brilho e cor ao renunciar a paradigmas sociais e a assumir como “mantra” uma perspectiva alarmante (para a audiência, para a moral). As relações das duas mulheres interessadas em Lucas com ele a partir desta guinada do personagem aferem a “Homem irracional” esse verniz existencialista tão caro ao cineasta.

Desvirtuar-se pode ser a chave da felicidade, admite Woody Allen, mas para tudo há de se ter um limite, parece indicar o ruidoso desfecho que propõe outro olhar sobre a obra pregressa do cineasta de mesma matiz temática.

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quarta-feira, 29 de abril de 2015 Filmes, Notícias | 21:17

Joaquin Phoenix é professor de filosofia em crise no 1º trailer do novo filme de Woody Allen

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Tal como “Magia ao luar”, seu filme lançado em 2014, o Woody Allen de 2015 traz um homem maduro interessado por uma mulher mais jovem. “Irrational man”, que deve se chamar “O homem irracional” no Brasil, no entanto, traz mais à equação. A paixão pela jovem devolve ao professor de filosofia vivido por Joaquin Phoenix o gosto pela vida, mas tira dele aquele “qzinho especial” que havia cativado a moça. O mal estar da civilização, em Woody Allen, tem seu charme. A moça em questão é Emma Stone, em sua segunda parceria com o cineasta.  O filme, que será exibido fora de competição no festival de Cannes, chega ao Brasil em 8 de agosto.

Leia também: Woody Allen pondera sobre abraçar ou não o ceticismo em “Magia ao luar”

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