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sábado, 28 de junho de 2014 Bastidores, Filmes | 07:00

Os 25 anos de “Batman – o filme”

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Fotos: divulgação

Fotos: divulgação

Adaptações de HQs são contumazes nos dias de hoje, mas nem sempre foi assim. Quando Tim Burton lançou “Batman – o filme” em 1989 foi como quando o homem foi à lua pela primeira vez. Ninguém sabia se daria certo. A excentricidade de Burton era questionada e sua escolha por Michael Keaton para viver Bruce Wayne/Batman era ridicularizada por fãs e indústria. Entre as preocupações da Warner figuravam ainda o temor de que como o programa de tv estrelado por Adam West, maior referência do personagem para o grande público, poderia afetar o filme.

Nesta última semana, comemoraram-se os 25 anos do lançamento do filme que teve ainda Jack Nicholson como o Coringa e Kim Basinger, no auge da beleza, como o interesse romântico de Bruce Wayne.

Jack Nicholson, a propósito, inaugurou na ocasião uma nova modalidade de cachê em Hollywood que hoje é praxe. Na contramão das desconfianças do estúdio, Nicholson resolveu apostar forte no filme. Aceitou o pagamento mínimo previsto pelo sindicato dos atores e colocou em contrato que o restante de seu cachê deveria ser pago com 15% da bilheteria total da produção. A Warner topou, crente que estaria barateando o passe de um dos maiores astros de Hollywood. “Batman – o filme”, no entanto, faturou U$ 412 milhões, recorde até então e uma monstruosidade de dinheiro para os padrões de 1989. As adaptações de HQs eram um sucesso e Batman, em particular, passava a ser o grande talismã da Warner. Foram mais seis filmes desde então. Para bem ou para o mal, nenhum reproduziu a perplexidade deste exemplar dirigido por Tim Burton. O segundo filme dirigido por Christopher Nolan, “Batman – o cavaleiro das trevas” (2008) amealhou relevância ímpar para uma adaptação de HQ, mas o próprio não existiria se Burton não tivesse surpreendido a todos em 1989.

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Em “Batman – o filme”, ainda que soturno, o personagem não inflexiona as questões existenciais ensejadas por Chistopher Nolan em sua recém-encerrada trilogia. Mas o aspecto sombrio do personagem está lá, esmerado em uma complexidade que Burton expõe visualmente. Sua Gothan City é menos realista do que a de Nolan, mas mais intimidadora. Isso porque Burton trabalha na mesmo tom as sombras da cidade e dos personagens. A angústia de Wayne não é menos nociva do que a loucura do Coringa e a aparente falta de sobriedade na mise-en-scène reforça justamente o aspecto fantástico inerente aquele universo, mas que como em toda boa ficção fala à realidade com indefectível propriedade.

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