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quinta-feira, 8 de outubro de 2015 Críticas, Filmes | 20:53

“Evereste” é experiência visual poderosa, mas apresenta narrativa frouxa

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Mais do que uma receita, o cinema-catástrofe tem uma meta. Expor o ser humano ao seu limite, de preferência com o acinte do que há de melhor em matéria de efeitos especiais no cinema da época. “Evereste”, incursão do islandês Baltasar Kormákur dos divertidos “Dose dupla” (2013) e “Contrabando” (2012) no filão, é um preenchimento pouco inspirado narrativamente, mas soberbo visualmente dessa meta.

A grande protagonista da fita é a montanha que representa o desafio para os alpinistas. Até aí, nenhum problema. Mas Kormákur nega qualquer tipo de redenção a seus personagens. Não pelo fato do filme ser inspirado em uma tragédia real ocorrida em 1996 e contada nos livros “Deixado para morrer”, de Beck Weathers (vivido no filme pelo ator Josh Brolin) e “No ar rarefeito”, de Jon Krakauer (no filme, vivido por Michael Kelly), mas por tratar seus personagens como meros fantoches.

Cena do filme "Evereste" (Foto: divulgação)

Cena do filme “Evereste”
(Foto: divulgação)

A ideia de adaptar não um, mas dois livros que detalham a tragédia deveria enriquecer “Evereste”, mas Kormákur tem como meta particular fazer um filme que seja antes de ser um drama fidedigno e envolvente sobre aquela tragédia específica, algo a ser experimentado em uma sala IMAX.

Ao subaproveitar algumas das ideias ofertadas pelo roteiro de William Nicholson e Simon Beaufoy, o islandês se contenta em estabelecer um jogo com sua audiência para ver quais astros de seu elenco sobrevivem ao devastador desfecho.  E eles são muitos. Jason Clarke, Jake Gyllenhaal, Sam Worthington, Martin Henderson e John Hawkes para citar alguns deles.

No frigir dos ovos, “Evereste” não chega a ser exatamente um filme-catástrofe. Em parte por ostentar apenas uma (ainda que longa) cena de destruição, mas fundamentalmente porque falha em levar o ser humano ao seu limite. Apesar de apresentar personagens ansiosos por aventuras radicais e, em última análise, em circunstâncias desesperadoras, “Evereste” não dimensiona seus personagens e, apesar do pedigree, sucumbe à nevasca da mediocridade.

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