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sexta-feira, 17 de novembro de 2017 Críticas, Filmes | 16:02

“Amores Canibais” se destaca pela estética, mas se perde em sopa de metáforas

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Filme, lançado diretamente na Netflix aqui no Brasil, é uma das produções esteticamente mais ambiciosas do ano

Amores canibais 1

A cineasta Ana Lily Amirpour causou sensação em 2014 com um pequeno, pulsante e extremamente original filme de vampiro falado em persa e rodado em preto e branco, o acachapante “Garota Sombria Caminha pela Noite”. Com mais ambição, um pouco mais de dinheiro e o mesmo senso estético, “Amores Canibais” (The Bad Batch, no original) pode não reproduzir o mesmo deslumbramento do primeiro, mas certamente ratifica a percepção de que estamos diante de uma autora (e esteta) que evita convenções da indústria.

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“Amores Canibais” é brilhante do ponto de vista técnico. A fotografia de Lyle Vincent, que também assinou o primeiro de Amirpour, é cheia de cores saturadas e dotada de tonalidades fortes. Ajuda e muito na construção anticlimática pretendida pela inglesa. Este é um filme que não esconde o desejo de ser cult e tem na sua elaboração visual um de seus grandes predicados.

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Em um futuro distópico, a região do Texas foi abandonada pelos EUA e uma profunda área desértica é onde os lotes estragados, os tais dos bad batch do título original, são exilados e entregues a própria sorte. Uns se rearranjam como predadores e canibais e Arlen (Suki Waterhouse) é logo capturada por um desses. Logo no início do filme, a protagonista é mutilada. Tiram-lhe uma perna e um braço. Ela consegue fugir e é ajudada na vastidão do deserto por um andarilho, papel de um irreconhecível, mas dono de forte presença cênica Jim Carrey.

Fotos: divulgação

Fotos: divulgação

Arly chega a Conforto, um projeto de cidade que é comanda pelo ditador The Dream, papel de um histriônico Keanu Reeves. Ele mantém uma série de mulheres grávidas. É um personagem interessante, ainda que ocupe pouco do filme de duas horas de metragem.

Jason Momoa surge como Miami Man, um imigrante cubano que é canibal, mas que parece se ressentir disso. Os caminhos de Miami Man e Arly se cruzam após uma breve vingança de Arly e o fato da filha dele ir parar sob os cuidados de The Dream em Conforto, lugar em que os canibais viram a caça.

Altamente estilizado, “Amores Canibais” salpica metáforas para todos os cantos com a América, a “terra prometida pós-moderna” como ponto focal. A maneira como Amirpour unta tudo isso é singular. Construído com muitos silêncios e elipses, o longa busca tanto uma sensorialidade como certa condescendência no público. É um cinema de ideias não necessariamente fluidas narrativamente, mas definitivamente do tipo que vale a pena racionalizar a respeito.

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