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segunda-feira, 23 de novembro de 2015 Análises | 18:52

Com espólios de guerra, “Jogos Vorazes” reina entre franquias teen

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Principal estreia do último fim de semana no Brasil e no mundo, “A Esperança – O Final” encerra uma das franquias jovens mais bem sucedidas do cinema.  Baseado na obra de Suzanne Collins, a série gerou quatro filmes no cinema e diferentemente de outras franquias teen como “Crepúsculo” e “Harry Potter” foi ficando mais sombria e politizada a cada filme.

Há muitos paralelos possíveis em “Jogos Vorazes”. Desde o óbvio discurso feminista, com a heroína Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) como principal expoente contra o totalitarismo de um regime essencialmente composto por homens, até a mais sofisticada articulação política de bastidores, que ganha mais relevo nos dois últimos filmes baseados no último volume da obra de Collins.

Mesmo o feminismo precisa ser bem dosado, parece advertir o desfecho de "Jogos Vorazes": todo totalitarismo merece desconfiança (Foto: divulgação)

Mesmo o feminismo precisa ser bem dosado, parece advertir o desfecho de “Jogos Vorazes”: todo totalitarismo merece desconfiança
(Foto: divulgação)

O que mais impressiona na evolução de “Jogos Vorazes” é a maneira como a franquia trabalha a ideia de pão e circo e vai afunilando conceitos essencialmente políticos em uma trama de apelo jovem. O triangulo amoroso entre os personagens de Katniss, Peeta (Josh Hutcherson) e Gale (Liam Hemsworth) desaparece em importância no contexto – ainda que mantenha algum espaço no desenvolvimento da trama.

Com a chegada de personagens como Alma Coin (Julianne Moore) e Plutarch Heavensbee (Philip Seymour Hoffman) a série expandiu seu horizonte político dando mais profundidade ao tema e revestindo os filmes de um aspecto sombrio incomum para franquias tão populares. O grande mérito, no entanto, está no fato de que essa evolução narrativa não afugentou o público alvo. É bem verdade que o material original de Collins é a grande matriz desse bem-aventurado processo, mas a direção de Francis Lawrence – que assumiu a franquia em “Em Chamas” – e o time de roteiristas (Simon Beafoy, Michael Arndt, Peter Craig e Danny Strong) souberam envernizar “Jogos Vorazes” de maneira que a franquia se distinguisse de todos os grandes blockbusters contemporâneos.

Se a construção do mito do Tordo rivaliza com a crescente fragilidade de Katniss ao se perceber um peão na contenda entre a capital e a rebelião, “Jogos Vorazes” expõe toda a movimentação política inerente a grandes movimentos populares e – diferentemente da noção clássica hollywoodiana – revela que uma guerra não se decide no campo de batalha, mas sim na movimentação de bastidor. Não à toa, desde “Em Chamas”, a série se abstém de um clímax de ação e investe em cena anticlimáticas posteriores aos grandes eventos do capítulo.

Trata-se de um recurso narrativo poderoso e que ajuda a cristalizar essa vocação reflexiva da série. Valoriza-se o ensejo da ação e a repercussão dela em detrimento da mera exposição de efeitos especiais. Uma ousadia e tanto para uma série destinada a um público que, em suma, consome cenas de ação por atacado.

Espólios da guerra: duro e trágico, último "Jogos Vorazes" rompe com qualquer ilusão  comum a franquias hollywoodianas (Foto: divulgação)

Espólios da guerra: duro e trágico, último “Jogos Vorazes” rompe com qualquer ilusão comum a franquias hollywoodianas
(Foto: divulgação)

O último capítulo da franquia chega com entonação grave. “Jogos Vorazes: A Esperança – O Final” não foge de suas responsabilidades dramáticas e propõe o final tão apoteótico quanto necessário para a série.

As tragédias pessoais e a perda da inocência – no viés de que não podemos salvar o mundo da maneira que desejamos – reclamam o protagonismo do novo filme e transformam o último filme em um fecho doído, na conjugação esperta que faz de emoção e razão. Um triunfo e tanto para uma franquia que começou no rastro da muito menos laudatória “Crepúsculo”.

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