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quarta-feira, 26 de abril de 2017 Análises, Diretores | 12:47

Cineasta clássico, Jonathan Demme explorou o cinema ao máximo e manteve-se humilde

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Diretor de obras consagradas como “O Silêncio dos Inocentes”, “Filadélfia” e “Sob o Domínio do Mal”, também dirigiu coisas para a TV como as preciosidades “The Killing” e “Enlightened”

O cineasta Jonathan Demme ao lado de Meryl Streep e Rick Springfield no set de "Ricki and The Flash"

O cineasta Jonathan Demme ao lado de Meryl Streep e Rick Springfield no set de “Ricki and The Flash”

Em um ano que já levou Emmanuelle Riva, John Hurt, Bill Paxton, entre outros grandes nomes da sétima arte, a notícia da partida do cineasta Jonathan Demme é especialmente dolorida. O diretor morreu na manhã desta quarta-feira (26) em Nova York  decorrência da luta contra um câncer de esôfago.

Ele tinha 73 anos e seu último filme foi “Justin Timberlake + The Tennessee Kids”, um documentário para a Netflix. Jonathan Demme era do tipo que alternava-se entre longas de ficção e documentários. O gosto por contar histórias era tão altivo que dirigiu episódios de séries de TV antes mesmo delas sequestrarem os talentos de Hollywood.

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Foi um dos grandes, mesmo que não se comportasse como tal e não se importasse em envernizar um legado que, agora, cresce de tamanho. Junto de Milos Forman e Frank Capra ostenta a honorável marca de cineasta a ter dirigido um filme a conquistar o prestigiado big five no Oscar, os prêmios de filme, direção, roteiro, ator e atriz. “O Silêncio dos Inocentes” (1991), o último a conquistar tal façanha, compreensivelmente, será seu filme mais lembrado. Mas sua filmografia é muito mais diversa e reverenciável do que este excelente e definidor filme propõe.

Jonathan Demme, depois do primeiro tratamento contra o câncer, no festival de Veneza em 2015 (Fotos: divulgação/shutterstock

Jonathan Demme, depois do primeiro tratamento contra o câncer, no festival de Veneza em 2015
(Fotos: divulgação/shutterstock)

O primeiro Oscar de Tom Hanks, hoje um patrimônio tanto do cinema como do establishment americano, veio com o suporte de Demme que produziu e dirigiu “Filadéfia” (1993), um robusto drama sobre o impacto da AIDS em um momento que a América ainda tratava o assunto com reticências.

Demme transitava com desenvoltura por diversos gêneros. A comédia sofisticada (“De Caso com a Máfia”), a comédia de ação (“Totalmente Selvagem”), o thriller político (“Sob o Domínio do Mal”), o drama familiar indie (“O Casamento de Rachel”) e suspense (“O Abraço da Morte”). Seu último longa de ficção foi o tenro e musical “Rickiand The Flash: De Volta para a Casa” (2015), estrelado por Meryl Streep, em que pôde conjugar suas duas grandes paixões: a música e o cinema.

Jonathan Demme foi um cineasta clássico, com acurado domínio da gramática do cinema. Soube remover-se de sua zona de conforto e explorou o cinema o máximo que pôde. Construiu uma filmografia plural, rica, intensa e que a história se incumbirá de tornar  grande.

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sábado, 19 de setembro de 2015 Críticas, Filmes | 19:38

Quem canta os males espanta no delicado “Ricki and the flash”

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Filmes sobre conflitos familiares pipocam em Hollywood, mas “Ricki and The flash – de volta pra casa” (EUA 2015) tem um molho especial. Além de ser regado à melhor música dos anos 70 e 80, a produção reúne Meryl Streep, o diretor Jonathan Demme e a roteirista Diablo Cody. Como bônus, promove o reencontro da atriz com Kevin Kline, seu parceiro no atemporal e inesquecível “A escolha de Sofia” (1982) e o encontro da atriz com sua filha Mamie Gummer nas telas.

Meryl Streep vive a Ricki do título, que na verdade se chama Linda, uma mulher que abandonou marido e filhos para perseguir o sonho de ser uma rock star. Não deu certo. Quando o filme começa, com uma apresentação da banda Ricki and the flash, porém, a energia daquela sexagenária no palco nos faz crer outra coisa e passa por aí parte do êxito de “Ricki and the flash” enquanto experiência cinematográfica. De uma delicadeza tangível, o filme de Demme transborda energia e sensibilidade. Onde as palavras parecem não dar conta, uma cena de música surge para preencher todo o sentido possível.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

Ricki tem sua rotina – que ela tenta colorir com um ‘peguete’ da banda e um bartender gay que a idolatra como sua Madonna particular – interrompida com a ligação do ex-marido (Kline) a convocando para ajudar na recuperação de sua filha (Gummer), atravessando uma crise depressiva após ser abandonada pelo marido. Naturalmente esse reencontro, não só de Ricki com sua filha – e seus outros filhos, mas com seu passado e com sua vida pregressa irá promover choques e atritos. Ainda que o roteiro de Cody perpasse por esses choques com alguma pressa, não dá para dizer que o filme suprima a tensão dramática para facilitar a redenção familiar. A música, afinal, está ali para purgar todo esse carma.

Demme é um narrador fugaz e conta com uma atriz poderosa em cena. Streep já não entregava uma atuação tão condoída, tão envolvente desde “Álbum de família” (2013). Não era tão cativante desde “Simplesmente complicado” (2009).

O elenco de apoio não decepciona. Rick Springfield, um roqueiro decadente que abraçou atuar como um roqueiro decadente no cinema agrega ainda mais singeleza a “Ricki and the flash” como o inesperado ponto de equilíbrio de Ricki. Com pouco tempo em cena, Kevin Kline fundamenta bem seu personagem, um tipo que parece ter enrijecido ainda mais após Ricki ter partido de sua vida.

Ademais, como não poderia deixar de ser em um texto assinado por Diablo Cody, o filme resvala no feminismo, mas com doçura e generosidade. É uma cena bonita e que antecipa o momento mais apoteótico e emocional da fita ao som de “Drift away”, de Dobie Gray.

Com personagens iluminados e uma atmosfera inebriante, “Ricki and the Flash” se revela um dos filmes mais agradáveis e saborosos do ano. Não é pouca coisa.

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