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sábado, 19 de setembro de 2015 Críticas, Filmes | 19:38

Quem canta os males espanta no delicado “Ricki and the flash”

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Filmes sobre conflitos familiares pipocam em Hollywood, mas “Ricki and The flash – de volta pra casa” (EUA 2015) tem um molho especial. Além de ser regado à melhor música dos anos 70 e 80, a produção reúne Meryl Streep, o diretor Jonathan Demme e a roteirista Diablo Cody. Como bônus, promove o reencontro da atriz com Kevin Kline, seu parceiro no atemporal e inesquecível “A escolha de Sofia” (1982) e o encontro da atriz com sua filha Mamie Gummer nas telas.

Meryl Streep vive a Ricki do título, que na verdade se chama Linda, uma mulher que abandonou marido e filhos para perseguir o sonho de ser uma rock star. Não deu certo. Quando o filme começa, com uma apresentação da banda Ricki and the flash, porém, a energia daquela sexagenária no palco nos faz crer outra coisa e passa por aí parte do êxito de “Ricki and the flash” enquanto experiência cinematográfica. De uma delicadeza tangível, o filme de Demme transborda energia e sensibilidade. Onde as palavras parecem não dar conta, uma cena de música surge para preencher todo o sentido possível.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

Ricki tem sua rotina – que ela tenta colorir com um ‘peguete’ da banda e um bartender gay que a idolatra como sua Madonna particular – interrompida com a ligação do ex-marido (Kline) a convocando para ajudar na recuperação de sua filha (Gummer), atravessando uma crise depressiva após ser abandonada pelo marido. Naturalmente esse reencontro, não só de Ricki com sua filha – e seus outros filhos, mas com seu passado e com sua vida pregressa irá promover choques e atritos. Ainda que o roteiro de Cody perpasse por esses choques com alguma pressa, não dá para dizer que o filme suprima a tensão dramática para facilitar a redenção familiar. A música, afinal, está ali para purgar todo esse carma.

Demme é um narrador fugaz e conta com uma atriz poderosa em cena. Streep já não entregava uma atuação tão condoída, tão envolvente desde “Álbum de família” (2013). Não era tão cativante desde “Simplesmente complicado” (2009).

O elenco de apoio não decepciona. Rick Springfield, um roqueiro decadente que abraçou atuar como um roqueiro decadente no cinema agrega ainda mais singeleza a “Ricki and the flash” como o inesperado ponto de equilíbrio de Ricki. Com pouco tempo em cena, Kevin Kline fundamenta bem seu personagem, um tipo que parece ter enrijecido ainda mais após Ricki ter partido de sua vida.

Ademais, como não poderia deixar de ser em um texto assinado por Diablo Cody, o filme resvala no feminismo, mas com doçura e generosidade. É uma cena bonita e que antecipa o momento mais apoteótico e emocional da fita ao som de “Drift away”, de Dobie Gray.

Com personagens iluminados e uma atmosfera inebriante, “Ricki and the Flash” se revela um dos filmes mais agradáveis e saborosos do ano. Não é pouca coisa.

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