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quinta-feira, 7 de maio de 2015 Críticas, Filmes | 19:41

“Vingadores: a era de Ultron” expõe perigosamente fórmula da Marvel

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A fórmula da Marvel parece infalível e “Vingadores: a era de Ultron”, para o bem e para o mal, ratifica essa condição. Novamente dirigido por Joss Whedon, “A era de Ultron” repisa os acertos do primeiro filme, como a boa dinâmica entre os personagens e o uso do humor como principal artifício narrativo. Contudo, se Whedon se prova um diretor mais cuidadoso (e megalomaníaco) na condução de cenas de ação, ele repete muitos dos problemas do filme de 2012. O mais grave deles talvez seja o exagero. “A era de Ultron” parece um “Transformers metabolizado”. Tudo no filme parece um pretexto para cenas hiperbólicas de ação e o humor, um subterfúgio para que essa manobra passe despercebida. Esse já era o maior problema de “Vingadores” que se diferenciava de produções como “Homem de ferro” e “Thor” justamente por eleger a ação como norte.

É interessante comparar o recente “Guardiões da galáxia” com “A era de Ultron”. O tratamento dado ao roteiro em um e em outro ajuda a entender as funções do humor e da ação. Se no primeiro há equilíbrio e simbiose, no segundo há dependência. As piadinhas, algumas extremamente funcionais outras voltadas para os fanboys, oxigenam um filme mergulhado em adrenalina.

Muito riso, pouco siso: "A era de Ultron" depende do humor fácil para disfarçar seus defeitos

Muito riso, pouco siso: “A era de Ultron” depende do humor fácil para disfarçar seus defeitos

Como não há necessidade de maiores apresentações, “A era de Ultron” já começa com os vingadores em ação para recuperar o cetro de Loki (Tom Hiddleston) em poder da Hydra. Lá eles têm o primeiro contato com Mercúrio e Feiticeira Escarlate. Complexa, a personagem interpretada por Elizabeth Olsen deflagra em Tony Stark (Robert Downey Jr.) o sentimento que o move a construir Ultron, uma forma de inteligência artificial extremamente evoluída e que deveria resguardar o mundo de invasores alienígenas. Naturalmente, Ultron tem uma interpretação muito particular de como a paz mundial deve ser acalentada e entende que a destruição dos vingadores, em um primeiro momento, e da humanidade, no geral, são vitais para o processo.

Ultron, inadvertidamente criado a imagem e semelhança de Tony Stark (um paralelo que nunca é bem aprofundado pelo roteiro), é um vilão cheio de potencial, mas absolutamente decepcionante. A despeito dos esforços de James Spader, que faz a voz de Ultron, o vilão jamais excede a caricatura. Um defeito crônico dos filmes da Marvel, mais incômodo aqui em virtude da envergadura do vilão.

Há um esforço de “vender” essa sequência como mais febril, sombria e definitiva. Em meio a mortes e segredos revelados, há mudanças que se pretendem paradigmais dentro do universo Marvel. Nesse sentido, o filme alcança resultados mais positivos. Na sugestão de um possível filme-solo do Hulk, “A era de Ultron” é felicíssimo. Na exposição da ambivalência entre Tony Stark e Steve Rogers (Motor de “Capitão América: guerra civil”), “A era de Ultron” traz pistas e sutilezas para animar quem já sabe o que vem por aí. Estão aqui, também, os eventos iniciais da saga do Pantera Negra. Como parte desse universo em constante evolução que é o “Marvelverse”, “A era de Ultron” é o que se espera de um filme da Marvel. Até mais sofisticado nas interposições narrativas, já que não se tratam de pistas óbvias ou cenas soltas. Como um filme fechado, no entanto, a nova aventura dos vingadores fica no meio termo. É um entretenimento eficiente, mas cuja fórmula Marvel ganha mais evidência do que o desejável. Todo mundo sabe que não se deve entregar a receita do bolo de mão beijada.

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