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quarta-feira, 14 de maio de 2014 Críticas, Filmes | 22:36

Espaço Cult: “Só Deus perdoa”

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Ryan Gosling em cena do filme "Só Deus perdoa" (Foto: divulgação)

Ryan Gosling em cena do filme “Só Deus perdoa” (Foto: divulgação)

Nicolas Winding Refn não era exatamente um novato, mas um desconhecido quando impressionou o mundo com o estilizado e impactante “Drive” em 2011, mas o prêmio de melhor diretor conquistado em Cannes naquele ano e a forte acolhida da crítica lhe motivaram a ser ainda mais autoral no seu trabalho seguinte. Diferentemente de “Drive”, no entanto, “Só Deus perdoa” (2013) tinha a forte libido das expectativas a lhe preceder. E o resultado da combinação entre expectativas exacerbadas e veia autoral irrestrita não poderia ser mais desestabilizador.

Não é o caso de dizer que o filme é ruim. Ou bom, que o valha. “Só Deus perdoa” é um filme de clima, filme com uma proposta muito clara, ainda que complexa: subverter uma narrativa clássica do gênero da ação com arrojo estético tão prolixo que beira o delírio.

No filme, Ryan Gosling volta a viver um tipo silencioso. Ele é Julian, dono de uma academia de boxe na Tailândia que é, também, traficante de drogas. Depois que seu irmão é assassinado, Julian é incitado pela controladora mãe (papel de Kristin Scott Thomas) a vingá-lo. Acontece que seu irmão foi morto pelo pai da menina de 16 anos que ele havia estuprado e matado. E a sina vingativa da mãe de Julian esbarra em um policial pouco ortodoxo que costuma tomar a justiça em suas próprias mãos, papel de Vithaya Pansringarm.

A sinopse sugere um filme muito mais acelerado do que o que se tem. “Só Deus perdoa” conjuga violência, luzes frias e silêncios como se somente esses recursos viabilizassem a narrativa cinematográfica. A ideia de Refn não é fazer um filme de ação, mas pensar o gênero. Ele se apropria do mote mais manjado (policial faz justiça com as próprias mãos e enfrenta cartel de traficantes) e tira toda a velocidade da narrativa, preservando os personagens comuns, a cena de luta bem coreografada e a sede de vingança que movimenta a trama.

A montagem não busca revelar, mas esconder. A relação de Julian com sua mãe é erguida sobre elipses e o fantasma da sexualidade é uma presença marcante. Em filmes de ação, os personagens costumam alimentar uma tensão sexual improvável para tais circunstâncias, mas Refn recorre a Freud e estabelece uma lógica edipiana por trás das hesitações de Julian em assumir o papel que sua mãe dele espera.

Mas o melhor do filme de Refn, que para todos os efeitos é menos entusiasmante do que “Drive”, é mesmo Kristin Scott Thomas. Aos 54 anos, a atriz ainda consegue projetar-se como um vulcão de sexualidade e sempre que surge em cena eleva o interesse da audiência. Thomas captura a essência da dramaturgia de Refn em “Só Deus perdoa” e quanto mais se revela, mais esconde de sua personagem. Uma atuação que sobrevive à provável decepção que muitos terão com o filme.

Kristin Scott Thomas como a loira platinada mais selvagem que você poderia imaginar ( Foto: divulgação)

Kristin Scott Thomas como a loira platinada mais selvagem que você poderia imaginar ( Foto: divulgação)

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