Publicidade

Posts com a Tag Leonardo DiCaprio

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016 Críticas, Filmes | 12:42

Filmado de maneira artesanal, “O Regresso” promove comunhão entre corpo e natureza

Compartilhe: Twitter
Foto: divulgação

Foto: divulgação

Depois de mesmerizar público, crítica e indústria com uma ácida leitura do jogo hollywoodiano em “Birdman ou a Inesperada Virtude da Ignorância”, também um triunfo estético, Alejandro González Iñárritu muda radicalmente de ritmo e dinâmica, mas mantém-se fiel à essência de sua filmografia com “O Regresso”; uma obra com argumento pueril – o desejo de vingança -, mas executada com a agudeza de estilo que precede o cineasta mexicano.

Com 12 indicações ao Oscar, incluindo filme, direção, ator e fotografia, “O Regresso” é, à primeira vista, um western. Mas o cinema de Iñarritu, desde o rompimento da parceria com Guillermo Arriaga, tem problematizado os limites do gênero cinematográfico.

Se “Birdman” começava como uma comédia de tintas surrealistas, passava por um drama existencial soturno e terminava com ares de fábula cartunesca, “O Regresso”, apesar de subscrever-se logo aos códigos do western, é também um filme de contemplação, que busca a sensorialidade a todo o momento. É tanto um filme sobre a vida, como é sobre a morte e o manancial de instintos que transitam entre uma e outra.

Ainda que seja ousado tecnicamente, “O Regresso” não ostenta a mesma engenhosidade de “Birdman”. Não representa o sobressalto estético do filme protagonizado por Michael Keaton, mas é capaz de seduzir parte do público – e afastar outra – com seu adorno artesanal. É um filme lindamente filmado. Dos movimentos de câmera inusitados à fotografia em luz natural de Emmanuel Lubezki.

Leonardo DiCaprio, que dá vida ao protagonista Hugh Grass – um homem meio índio, meio homem branco que parece pagar o preço por essa ousadia biológica -, atua conforme o absorto e solene marejar fílmico de Iñárritu demanda.  O ator sujeita seu corpo a provações desagradáveis de forma a abalizar a dramaticidade do registro. A comunhão entre corpo e natureza, entre espírito e obstinação, é algo que DiCaprio é muito bem sucedido em tangenciar. Trata-se de uma atuação escorada, sim, na fisicalidade, mas ciosa, também, daquilo que pode apenas sugerir para o público. Um trabalho que exige um grande ator e encontra em DiCaprio um homem digno para tal.

Tom Hardy, por seu turno, empresta a habitual competência à confecção de um homem mais inteligente do que aparenta e em melhor comunicação com seus instintos do que nos damos conta. John FitzGerald tem uma compreensão mais dilatada do mundo em que vive. É a interpretação que faz dele, no entanto, que alimenta a grande dicotomia do filme – e da humanidade.

Neste contexto, e dimensionado pelo trabalho desses dois grandes atores, “O Regresso” se viabiliza como um conto romântico – não na acepção amorosa do termo – sobre a prevalência dos instintos a qualquer força que ouse contê-los.

Autor: Tags: , , ,

terça-feira, 3 de março de 2015 Atores, Notícias | 06:00

Novo projeto de Leonardo DiCaprio tem cheiro de Oscar

Compartilhe: Twitter
Ilustração de Reagan Ray para a série "The Many Faces"

Ilustração de Reagan Ray para a série “The Many Faces”

Leonardo DiCaprio viverá 24 personagens em um mesmo filme. Não, DiCaprio não está tentando dar uma de Eddie Murphy, especialista nesse tipo de abordagem – basta lembrar de “O professor aloprado 2 – a família Klump” (2000). O ator está confirmado como o protagonista de “The crowded room”, cinebiografia de Billy Milligan, o primeiro réu a alegar distúrbio de personalidade em sua defesa em um tribunal.

Milligan, que morreu aos 59 anos em 2014, foi absolvido no final da década de 70 dos crimes de estupro de três mulheres no campus da Universidade de Ohio. Ele passou dez anos em sanatórios.

O projeto, segundo informações do The Hollywood Reporter, é caro a DiCaprio que vinha trabalhando para comprar os direitos do livro “The minds”, escrito por Daniel Keys e lançado em 1981. Por muito tempo, o projeto figurou na famigerada blacklist de Hollywood, listinha que compreende grandes projetos tidos como infilmáveis por razões diversas (caros demais, tecnologia atual insatisfatória, etc).

Os últimos dois filmes que DiCaprio batalhou arduamente para produzir foram “O aviador” (2004) e “O lobo de Wall Street” (2013), ambos também produzidos e dirigidos pelo seu parceiro artístico e amigo Martin Scorsese. Ainda não há nenhum diretor vinculado a “The crowded room”. Scorsese pode ser novamente o escolhido. Tanto DiCaprio quanto o diretor estão vinculados a “Sinatra”, projeto que tem esbarrado em interesses difusos para ganhar vida, o diretor está finalizando “Silence” que será lançado no final do ano. DiCaprio, por sua vez, está terminando “The Revenant”, novo filme do oscarizado Alejandro González Iñarritu, que também será lançado no fim deste ano. As agendas, sob essa perspectiva, podem bater e “The crowded room” se configurar como o sexto fruto da prolífica parceria.

As más línguas podem atentar para o fato de que DiCaprio vai apelar para um doente mental em sua saga pela conquista de um Oscar. Pura maldade. “The crowded room” é mais uma prova do faro apurado de DiCaprio para boas histórias e pode ser o atestado definitivo de sua versatilidade como intérprete.

Autor: Tags: , ,

terça-feira, 13 de janeiro de 2015 Bastidores, Curiosidades | 16:39

Cassino reúne DiCaprio, De Niro e Scorsese e coloca a cinefilia em transe

Compartilhe: Twitter
Foto: divulgação

Foto: divulgação

Um cassino. Um dos maiores cineastas da história e dois dos maiores atores de suas gerações. Martin Scorsese, Robert De Niro e Leonardo DiCaprio pela primeira vez juntos em um mesmo projeto. É uma sacada de gênio do magnata James Packer, dono de uma rede de cassinos e resorts,  de brincar com um dos grandes desejos da cinefilia: ver esses monstros sagrados do cinema juntos.  Um  curta-metragem orçado em U$ 70 milhões será lançado na inauguração de um novo cassino nas Filipinas, marcado para o primeiro trimestre de 2015. O curta-metragem conta ainda com a presença de Brad Pitt. É especulado que cada ator recebeu um cachê na casa dos U$ 15 milhões pela empreitada. Não à toa, Brad Pitt adiou a lua de mel pelo compromisso de dois dias nas Filipinas.

Assista abaixo ao primeiro comercial deste curta-metragem com potencial de fazer cinéfilos no mundo inteiro babarem.

Autor: Tags: , , ,

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014 Atores, Curiosidades, Listas | 05:26

Retrospectiva 2014 – As melhores atuações masculinas do ano

Compartilhe: Twitter

Jonah Hill (“O lobo de Wall Street”)

Atores - Jonah

Os olhos esbugalhados, a ansiedade extrapolada como quem está à beira de um infarto e o humor perverso de Donnie Azoff, o braço direito do lobo de Wall Street, são alguns dos cacoetes geniais bancados por Jonah Hill, ator que quando quer mata a cobra e mostra o pau (literalmente, no caso aqui). Hill recebeu sua segunda indicação ao Oscar em três anos pelo papel. Coisa que muito ator mais valorizado não tem para botar no currículo. Não é pouca coisa.

Michael Fassbender (“12 anos de escravidão”)

Atores  - Michael

Esse alemão de ascendência irlandesa é um ponto fora da curva. Astro tardio, combina carisma e talento em escalas sempre surpreendentes. Como a encarnação do mal no filme de Steve McQueen, ele tergiversa a humanidade do senhor de escravos que interpreta ao sublinhar o desespero de um homem apaixonado por sua escrava e sem saber o que fazer com o sentimento que nutre por um “objeto”.

Leonardo DiCaprio (“O lobo de Wall Sreet”)

Atores - leo

Voraz, dínamo sexual, zombeteiro, esperto, chocante e, acima de tudo isso, nauseante. Este é Leonardo Dicaprio, à imagem e semelhança do biografado nesta obra-prima moderna de Martin Scorsese que é “O lobo de Wall Street” (alguma dúvida de que o filme figurará na lista de melhores do ano da coluna?). DiCaprio atinge as notas mais altas de uma carreira cheia de grandes arranjos ao compor um homem alucinado e banhado na cobiça exacerbada de um conceito de vida que tem seus ciclos. E ele quer estar no topo de todos eles.

Joaquin Phoenix (“Ela”/ “Era uma vez em Nova York”)

Joaquin 3

Phoenix é daqueles atores que nos faz levantar os braços para os céus e agradecer a Deus, orixás ou qualquer energia e presença que deva ser agradecida por tamanho talento. Praticamente todo filme que estrela entra na lista de melhores do ano e suas atuações, bem, suas atuações são sempre revigoradas, cheias de vida, detalhes e profundamente conectadas com a verdade buscada pelo roteiro. É assim em “Ela”, misto de romance e ficção científica imaginado por Spike Jonze, e em “Era uma vez em Nova York”, saga desromantizada do sonho americano alçada por James Gray – com quem Phoenix habitualmente colabora. Trabalhos em diferentes tons e compassos, mas dotados da mesma obstinação e fervura.

Jake Gyllenhaal (“O abutre”/”O homem duplicado”)

Jake 3

Jake Gyllenhaal rejeitou a alcunha de astro para viver o cinema. Essa experiência tem sido recompensadora para ele e para o público. Em 2014, o ator estrelou dois dos filmes mais instigantes, desafiadores e reflexivos da temporada. Gyllenhaal vai se revelando ator de muitos recursos e gana. Se perdeu peso e mergulhou na sociopatia de seu personagem em “O abutre”, em “O homem duplicado” foi fundo no jogo de espelhos proposto pela obra de Saramago. Um ator sem medo de tatear o desconhecido.

Jesuíta Barbosa (“Praia do futuro”)

Atores - Jesuíta

Jesuíta Barbosa é um poço de talento e um ímã tão poderoso que o gigante Wagner Moura parece um acessório de cena em “Praia do futuro”. Esse dom natural é temperado com uma expressividade corporal e sentimental que poucos atores, brasileiros ou estrangeiros, dispõem. Barbosa tem pouco tempo em cena no filme, mas a lembrança de sua passagem é das mais perenes.

Matthew McConaughey (“Clube de Compras Dallas”/ “O lobo de Wall Street”)

Fotos: divulgação

Fotos: divulgação

É até chato falar da reinvenção de Mathhew McConaughey e blá, blá, blá. Mas o signo de McConaughey paira sobre 2014. Na TV, o assombro que foi sua participação em “True Detective”. O Oscar, justíssimo, por “Clube de Compras Dallas” dispensa defesas sobre sua figuração nesta lista. Mas se você quer medir um grande ator o desafie a superar a participação de cinco minutos de Matthew McConaughey em “O lobo de Wall Street”. É de dar desarranjo em muito ator discípulo do método de Lee Strasberg.

Autor: Tags: , , , , , , , ,