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domingo, 20 de novembro de 2016 Críticas, Filmes | 10:39

“Indignação” é adaptação fiel da corajosa e intransigente obra de Philip Roth

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Um dos mais aclamados, controvertidos e complexos autores americanos, Philip Roth não é fácil de ser adaptado. Ainda assim, é tão concorrido que em 2016 são lançados dois filmes baseados em romances de sua autoria. “Pastoral Americana” marca a estreia do ator Ewan McGregor como diretor e este “Indignação” é o ponto de partida como cineasta do produtor e roteirista James Schamus. Colaborador habitual de Ang Lee, Schamus se serviu de uma das últimas obras de Roth antes da aposentadoria. “Indignação” é um complexo estudo do ferrolho que era a sociedade americana dos anos 50 que vetava toda e qualquer oxigenação aos costumes sociais. Claro, isso temperado com a habitual acidez do registro de Roth com a inflexão à religião – com especial atenção à situação dos judeus no pós- guerra – e à masculinidade.

Cena do filme "indignação"

Cena do filme “indignação”

“Indignação”, o filme, é mais sensível do que o livro de Roth, mas não menos demolidor. Essa sofisticação, se é que podemos qualificar de tal modo, se deve ao refinamento de Schamus, responsável pelos textos de filmes tão incomuns como “Banquete de Casamento” (1993), “Tempestade de Gelo” (1997) e “Desejo e Perigo” (2007); mas também à entrega do ator Logan Lerman, aprofundando-se no registro da verve experimentada em “As Vantagens de ser Invisível”, mas exercitando outras tonalidades.

Estamos em 1951. Marcus (Lerman), devido às boas notas, consegue uma bolsa para cursar uma faculdade em Ohio. A novidade vem em boa hora. A guerra na Coreia ceifa vidas de jovens, muitos de seu círculo social, e a oportunidade evita seu alistamento. O ciclo de mudanças interfere no convívio familiar e afeta a relação do introspectivo Marcus com seu pai. Na faculdade, Marcus resiste às típicas interações – como ingressar em uma fraternidade -, mas o que mais lhe irrita é a obrigação de comparecer semanalmente à capela da instituição. Judeu de nascença, Marcus se declara ateu e francamente contrariado com as imposições da agenda religiosa na instituição. A cena em que debate a respeito com o reitor interpretado por Tracy Letts já é um dos grandes momentos do cinema em 2016.

Em meio a tudo isso, ele se deixa fascinar por Olivia Hutton, vivida pela fascinante Sarah Gadon. A menina parece ter um passado difícil e seu jeito de ser desafia convenções que Marcus ainda não parece compreender inteiramente.

“Indignação” não é um filme de elevadas notas dramáticas, mas a simplicidade aparente dos conflitos propostos revela uma América de contradições enrolada em muitos e enraizados preconceitos. Schamus se escora em Roth para radiografar com certo pessimismo o estado das coisas. Não à toa, em um determinado momento uma personagem cita a famosa frase de Benjamin Franklin: “Democracia são dois lobos e uma ovelha decidindo o que  comer no almoço”.

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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015 Análises, Bastidores | 19:49

Quem pode ser o novo Homem-Aranha no cinema?

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A onda de boatos começou. Enquanto Hollywood ainda tenta entender como foi costurado o acordo mais surpreendente e inovador da história da indústria, a internet se remói tentando projetar para onde um dos personagens mais queridos das HQs, e mais rentáveis do cinema, vai agora que sua tutela é dividida entre a Marvel Studios e a Sony Pictures.

São dois caminhos mais óbvios os que podem ser seguidos daqui para frente. Como a primeira aparição deste novo Aranha não deve ser em um filme solo, o mais provável é que um novo filme de origem seja dispensado, o que não implica em abdicar de um Homem-Aranha jovem, perfil que parece ter agradado com Andrew Garfield. Neste recorte, alguns nomes já são aventados por publicações como Variety e sites como Collider e The Daily Beast. Logan Lerman de “As vantagens de ser invisível” e “Percy Jackson” e Dylan o´Brien de “Maze Runner: correr ou morrer” são aventados. A coluna destaca ainda o nome de Freddie Highmore, que aos 22 anos e atualmente estrelando a série Bates Motel como um jovem Norman Bates, é disparado o melhor ator dos três e poderia substituir com desenvoltura Andrew Garfield. Lerman, no entanto, é mais experimentado em blockbusters, como o recente “Corações de ferro” e “Noé” e pode ser uma aposta mais segura por parte dos estúdios.

Freddie Highmore é ótimo ator e seria uma boa aposta (Foto: Getty)

Freddie Highmore é ótimo ator e seria uma boa aposta
(Foto: Getty)

Dylan o´Brien capricha na pose "Andrew Garfield" para descolar a vaga...  (Foto: reprodução/MTV)

Dylan o´Brien capricha na pose “Andrew Garfield” para descolar a vaga…
(Foto: reprodução/MTV)

Outro caminho a ser seguido é apostar em um Homem-Aranha mais experiente o que poderia significar recuperar Tobey Maguire, e talvez Sam Raimi, ou apostar em Jake Gyllenhaal, que quase estrelou o terceiro filme em substituição a um lesionado Maguire. Gyllenhaal traria star power e prestígio ao papel.

A Marvel deve explorar sagas das HQs e, justamente por isso, a uma forte onda de boatos dando conta de que Peter Parker poderia ser substituído, o que abriria espaço para Miles Morales, o Homem-Aranha da linha alternativa da HQ denominada Ultimate. Morales é negro e latino. Seria um movimento ousado, mas talvez não exatamente bem-vindo. Muitos fãs torcem o nariz para a linha Ultimate.

Tobey Maguire e Jake Gyllenhaal em editorial de moda do New York Times: star power ou nostalgia?

Tobey Maguire e Jake Gyllenhaal em editorial de moda do New York Times: star power ou nostalgia?

A Marvel, que para todos os efeitos detém a curadoria deste Homem-Aranha em gestação, ainda não errou na escolha de seus protagonistas, mas as atenções sobre o novo Aranha serão redobradas. Primeiro pelo ineditismo da parceria forjada, mas também pelo fato da Sony já ter reiniciado o personagem e ter sido bastante criticada por isso.

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