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quarta-feira, 30 de dezembro de 2015 Filmes, Listas | 16:58

Retrospectiva 2015: Os vinte melhores filmes do ano

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Foi um ano intenso. Não só no cinema. Mas talvez o cinema seja o melhor fórum para uma análise dessa natureza. A pluralidade dos filmes selecionados pelo Cineclube para compor esse ranking do que de melhor surgiu no Brasil (cinema, VOD, home vídeo, etc) entre janeiro e dezembro de 2015, garante a satisfação de quem gosta de cinema em toda a sua plenitude.

Uma boa passagem de ano para todos os leitores e nos vemos em 2016!

20 – Força Maior”, de Ruben Östlund  (Suécia, 2014)

Um olhar frio, distante e irreversível sobre a dinâmica familiar burguesa contemporânea em um filme sem medo de inconveniências.

19 – “A Visita”, de M. Night Shyamalan (EUA, 2015)

Shyamalan redescobre a simplicidade narrativa em um filme que tem sustos, sim, mas tem muito mais coração

18 – “Um Amor a cada Esquina”, de Peter Bogdanovich (EUA, 2014)

O maior trunfo do cinema é a imaginação nesta comédia deliciosa que homenageia Hollywood com inteligência e delicadeza

Foxcatcher: o que não é mostrado move o poderoso filme de Bennett Miller

Foxcatcher: o que não é mostrado move o poderoso filme de Bennett Miller

17 – “A Pequena Morte”, de Josh Lawson (Austrália, 2014)

A ideia de normalidade é afastada em um filme que a partir de inusitados fetiches sexuais fala da nossa necessidade de conexão

16 – “Love 3D”, de Gaspar Noé (FRA, 2015)

A sexualização do amor, intangível como só ela, é tateada com fatalismo romântico pelo polêmico Gaspar Noé em um filme que fala à alma de um jeito muito particular

15 – “Divertida Mente”, de Pete Docter (EUA, 2015)

Você se sente exposto, representado e compreendido pelo filme que melhor combina emoção e diversão na temporada

14 – “Foxcatcher – um Crime que Chocou o Mundo”, de Bennett Miller (EUA, 2014)

O patriotismo distorcido de uma América competitiva dá o tom desse filme de muitas camadas e grandes atuações

13 – “O Jogo da Imitação”, de Morten Tyldum (EUA/INGL 2014)

O academicismo de Tyldum realça a boa história de Alan Turing, mas é Benedict Cumberbatch quem faz do filme algo a mais

12 – “À Beira-Mar”, de Angelina Jolie (EUA, 2015)

O inverno do amor é flagrado em toda a sua dor e agonia em um filme que se constrói nos detalhes de uma relação amorosa implodida

À Beira Mar: Quando o amor só exite pelo ódio, o que fazer?

À Beira Mar: Quando o amor só exite pelo ódio, o que fazer?

11 – “Que Horas ela Volta?”, de Anna Muylaert (Brasil, 2015)

Dando nome aos bois dessa coisa de ser mãe é padecer no paraíso e, no ínterim, revelando a dicotomia do Brasil de duas gerações diferentes

10 – “Ponte dos Espiões”, de Steven Spielberg (EUA, 2015)

Thriller de espionagem de alta voltagem rima com filme edificante? Spielberg faz crer que sim

9 – “Mapa para as Estrelas”, de David Cronenberg (EUA/FRA,2014)

Hollywood, esse lugar de gente doida, esquisita e esculhambada por David Cronenberg

8 – “Casa Grande”, de Fellipe Barbosa (Brasil, 2015)

O derretimento da classe média no pós-Lula ganha o cinema com um filme articulado, reflexivo e com muito a dizer

7 – “A Gangue”, de Miroslav Slaboshpitsky (UCR, 2014)

Nosso fôlego se esvai com um dos filmes mais duros e violentos dos últimos anos. O fato de não haver som e todos os diálogos serem na linguagem de sinais torna tudo mais impactante

6 – “Kingsman: Serviço Secreto”, de Matthew Vaughn (EUA 2015)

Nenhum filme foi tão eficiente em simplesmente entreter como este aqui. De quebra, cinismo em alta, cenas de ação estilosas e o melhor vilão do ano

Kingsman: Porque o cinema também é diversão pura e simples

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5 – “Corrente do Mal”, de David Robert Mitchell (EUA, 2015)

O terror mais original em anos no cinema conta uma história de amor que vai ganhando gravidade e sentido e torna a resolução ainda mais assustadora

4 – “Beasts of No Nation”, de Cary Fukunaga (EUA, 2015)

O horror irrefreável de uma África esquecida que força suas crianças a se demonizarem para subsistir é um dos filmes paradoxalmente mais lindos do ano. E mais cruéis também!

3- “Whiplash – Em Busca da Perfeição”, de Demien Chazelle (EUA, 2014)

A música e a obsessão compõem um soneto perfeito neste filme pulsante, cheio de energia e que se recusa a deixar o espectador a sós com seus pensamentos

2- “Mad Max: Estrada da Fúria”, de George Miller (EUA, 2015)

A ópera do caos em toda a sua fúria, cor e excelência. Nenhum outro filme cravou-se no imaginário popular quanto esse petardo de estilo de Miller. O cinema de ação se despede outro de 2015

1 – “Birdman – ou a Inesperada Virtude da Ignorância”, de Alejandro González Iñárritu (EUA 2014)

Um pequeno conto sobre vaidade, insegurança e outras coisitas mais com Hollywood como pano de fundo. Imperdível.

Birdman: Porque a eletricidade do registro faz a inteligência da história crescer de tamanho

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terça-feira, 15 de setembro de 2015 Críticas, Filmes | 19:04

Gaspar Noé tenta capturar complexidade do amor por meio do sexo em “Love”

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Love - 2

Gaspar Noé é um polemista insaciável. Mas talentoso. Para o bem e para o mal, “Love” (França, 2015) é um reflexo de seu autor. O filme que está sendo vendido como “o mais polêmico do ano”, afasta qualquer polêmica se tirarmos a nudez e o sexo explícito da equação.

A proposta de Noé é fazer um filme sobre o amor a partir da perspectiva sexual. Mostrar o sexo, portanto, passa a ser uma necessidade narrativa. Necessidade muito bem justificada pelo cineasta conforme suas ideias ganham corpo no transcorrer da obra.

Murphy (Karl Glusman) está insatisfeito com sua vida. Entre seus grandes arrependimentos está como deixou as coisas com Electra (Aomi Muyock). Murphy vive com Omi (Klara Kristin), a quem conheceu e engravidou enquanto ainda estava com Electra. Na manhã de ano novo, época em que estamos todos propensos a reavaliações de nossas vidas, Murphy recebe um telefonema da mãe de Electra, preocupada com a filha a quem não consegue contatar há dois meses. A ligação mexe com Murphy que mergulha em certa catatonia e põe-se a rememorar a relação com Electra.

“Love” então estabelece uma narrativa não linear, totalmente influenciada pela perspectiva masculina, heteronormativa e fatalista de Murphy. Noé incumbe-se de desalinhar uma história de amor repleta de clichês como em todo filme hollywoodiano, mas esses clichês são abordados com um realismo desencantado em que o sexo surge como expressão dos sentimentos dos personagens. Trata-se de um uso do sexo como ferramenta narrativa inédito no cinema.  A explicitude dos atos sexuais, muito bem filmadas por Noé, não é propositalmente erotizada. Aliás, em momento algum Noé busca o erotismo gráfico, aquele pretendido por closes de genitais e captura de gemidos histéricos em filmes pornográficos. Os corpos aqui são filmados em sua beleza trivial e trivialmente apresentados à audiência.

O que não impede que o sexo seja filmado e ambientado de maneiras diferentes ao longo da produção, reforçando a expressividade narrativa pretendida pela realização. Quando Electra e Murphy levam a vizinha menor de idade Omi para a cama. É quando Noé se permite mais erotizar uma cena de sexo. É, também, a cena mais demorada de sexo do filme. Da música à câmera ciosa dos corpos que se contorcem em tesão incontido, Noé registra aquele momento de comunhão de um casal em plena realização de uma fantasia em comum. É a partir deste momento que a memória de Murphy passa a projetar mais linearmente a desestruturação de sua relação com Electra.

Há cenas exageradamente planejadas em "Love", mas impulsos toleráveis de um realizador habituado a causar certo desconforto (Fotos: divulgação)

Há cenas exageradamente planejadas em “Love”, mas são impulsos toleráveis de um realizador habituado a causar certo desconforto
(Fotos: divulgação)

Apesar da retidão temática, Noé cede a seus impulsos de vaidade. Se autoreferencia no filme em dois personagens e “explica” a razão de ser de “Love” em diálogos soltos. Em um dado momento, Murphy, que estuda cinema, diz que fará um filme regado a “sangue, esperma e lágrimas” porque “esta é a essência da vida”. Em outro momento, o mesmo Murphy, assumindo-se como alter ego do cineasta, diz que deseja fazer um filme sobre a sexualidade sentimental.

Fruto de vaidade ou insegurança, “Love” não carecia dessas elaborações interdiegéticas para se validar. A experiência estética proposta por Noé transmuta completamente o sentido do filme. Não mostrasse o sexo entre os personagens, “Love” não adentraria a derme da audiência com sua inquietação, com seu fatalismo. Talvez fosse possível psicologizar Murphy, mais reprimido sexualmente do que Electra e menos ponderado também, mas não se atingiria a verve do que “Love” pretende ser. Um olhar dolorosamente romantizado sobre como é amar. Atentando à complexidade do sentimento em todas as suas sabotagens, fases, desejos, convenções, ilações e experimentações.

Polêmico por ofertar sexo explícito e, decepcionante para alguns por não apresentar nada de novo, “Love” é um triunfo da estética a serviço de um norte narrativo. Noé fez sua versão de “Romeu e Julieta” com muito mais sapiência do que a nudez constante em seu filme permite aos apressados enxergar. É um filme que vai crescer com o tempo e, como grandes amores, adquirir novo significado.

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segunda-feira, 29 de junho de 2015 Filmes, Notícias | 21:43

“Love”, comentado filme de Gaspar Noé, ganha trailer para maiores

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Love 2O diretor franco-argentino Gaspar Noé levou ao último festival de Cannes seu mais recente filme, “Love”, e se viu no epicentro de uma saraivada de críticas desfavoráveis. Noé já havia sido objeto de polêmica no mesmo festival em 2002 ao exibir “Irreversível”, com uma demorada cena de estupro. “Love”, rodado em 3D, é repleto de cenas de sexo explícito (“algumas muito reais e outras apenas bravamente encenadas”, nas palavras do diretor) e conta a história de um estudante de cinema que se envolve em um triangulo amoroso. Murphy (Karl Glusman) se apaixona por Electra, mas estraga tudo ao engravidar a vizinha. A história não é linear e agrega diversos fetiches, como swing, suruba, ménage, sexo com travesti, entre outras coisas.

A distribuição do filme no Brasil é da Imovision que programa o lançamento para o começo de 2016.

Em Cannes, o cineasta disse que seu filme é sobre estar apaixonado do ponto de vista do sexo e que não havia como filmar isso sem mostrar genitálias. Aos que reclamam do viés egocêntrico e gratuito da obra – Noé é tido como um cineasta mais vaidoso do que a média – o coprodutor do filme, o brasileiro Rodrigo Teixeira, da RT Features, disse em tom defensivo que investiu no artista. “Posso dizer que meu filme pornográfico está em Cannes e não no YouPorn”.

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