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sexta-feira, 26 de junho de 2015 Críticas, Filmes | 18:27

“Lugares escuros” ameniza conteúdo sombrio do livro e se resolve como suspense bacanão

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Quando os créditos sobem após a exibição de “Lugares escuros” (FRA, EUA 2015) uma certeza invade o espectador com força devastadora. David Fincher é mesmo um cineasta para lá de diferenciado. Não, este não é um filme de David Fincher, mas do francês Gilles Paquet-Brenner. O elo perdido aqui é Gillian Flynn, escritora cujas obras originaram este “Lugares escuros” e “Garota exemplar”, último filme de Fincher roteirizado pela própria Flynn.

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Ambos os livros mergulham fundo na sociedade do espetáculo, mas enquanto Fincher  subverte linearidades e expectativas para fazer um filme muito mais robusto e complexo do que uma mera adaptação literária preconiza, Brenner – que também assina a adaptação – se contenta em dar forma a um suspense bacanão e climático, mas sem muitas camadas. Não há demérito nenhum nessa escolha. A comparação é apenas laudatória. “Lugares escuros” é um suspense bem azeitado e se beneficia tanto dos personagens interessantes – uma imposição umbilical de Flynn como da atmosfera europeia que Brenner naturalmente impregna em seu registro.  É indesviável, porém, a constatação de que “Lugares escuros” poderia ser outro filme. Mais taxativo das circunstâncias dramáticas que aventa e menos pudico com personagens tão sombrios.

foto: divulgação

foto: divulgação

Libby Day (Charlize Theron) é uma mulher traumatizada pelo assassinato de toda a sua família quando ela ainda era criança. Libby passou 28 anos de sua vida acreditando que seu irmão mais velho era o responsável pelo crime. Procurada por um grupo aficionado por crimes midiáticos e sem dinheiro, Libby aceita revirar seu passado. Mesmo convencida da culpa do irmão, ela se imbui na busca por novos fatos e suspeitos para o caso. Em um primeiro momento, “Lugares escuros” se ocupa dessa jornada da protagonista.  Em outra constante, Brenner esmiúça o passado de Ben – irmão de Libby – o que permite ao espectador confrontar o que é sabido de antemão, o que se vê no tempo presente com o que vai se descobrindo sobre o passado por meio desses ostensivos flashbacks. Tem-se aí uma construção interessante, que foge à unidimensionalidade com que Brenner move a trama.

Com um elenco de apoio em ótima forma, destaque para os jovens Tye Sheridan e Chloë Grace Moretz, “Lugares escuros” prende a atenção e agrada ao fã de um bom suspense. Mas o pior dos mundos para o filme de Brenner foi ter chegado depois de “Garota exemplar” no cinema. David Fincher soube capitalizar os temas trabalhados por Flynn de uma maneira que poucos parecem capaz de fazê-lo. E isso fica bem claro ao assistir “Lugares escuros”.

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