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segunda-feira, 6 de outubro de 2014 Críticas, Filmes | 20:38

Woody Allen pondera sobre abraçar ou não o ceticismo em “Magia ao luar”

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Aos 78 anos, Woody Allen – ainda que vigoroso na abundância com que lança filmes (um por ano, média invejável em qualquer parâmetro que se adote), está plenamente ciente de que se aproxima da finitude de sua vida. É natural nessas circunstâncias entregar-se às divagações existenciais. Agnóstico assumido, o cineasta tem abraçado o tema de maneira recorrente em sua filmografia recente. Filmes como “Tudo pode dar certo” (2009), “Você vai conhecer o homem dos seus sonhos” (2010) e “Meia-noite em Paris” (2011), abordam a crença no oculto, a nostalgia e o poder mobilizador da fé e da energia positiva em tons e gradações distintos.

“Magia ao luar”, o Woody Allen de 2014, mergulha mais a fundo nessa inquietação metafísica. Não é um grande filme, mas é a verificação de que o clichê ainda funciona. Um filme menor de Woody Allen ainda é mais instigante e recompensador do que a média das produções em cartaz nos cinemas.

No filme, Colin Firth vive Stanley, um prestigiado mágico que nas horas vagas se dedica a desmascarar farsantes que se passam por videntes, médiuns e similares. Ele é acionado por um amigo (Simon McBurney) para desmascarar uma jovem americana que encantou uma família de abastados do sul da França. Em especial o primogênito, que está perdidamente apaixonado pela jovem mediúnica.  Se Colin Firth dá vida às habituais neuroses dos personagens woodyallenianos com um indefectível ar próprio, já que Firth raramente renuncia ao charme de ser Firth, Emma Stone interpreta Sophie como a visão que ela é para os personagens em cena. Um acerto dessa atriz que sabe se fazer notar até mesmo quando sua personagem deveria apenas favorecer companheiros em cena.

Woody Allen e seus protagonistas no set: divagações sobre o pós-vida  (Foto: divulgação)

Woody Allen e seus protagonistas no set: divagações sobre o pós-vida
(Foto: divulgação)

Woody Allen, ele mesmo um cético incorrigível, discute com “Magia ao luar” as benesses da auto-ilusão, na sua concepção.  Ele imagina como reagiria se, nesta etapa sisuda da vida, descobrisse que esteve sempre errado. Que existe, afinal, um pós-vida e que o oculto é muito mais extraordinário do que a crença humana pode articular. No entanto, e “Magia ao luar” resolve isso da maneira mais cética possível, Woody Allen ainda não está preparado para desapegar de suas convicções filosóficas e metafísicas. Mas há um adendo narrativo que desequilibra os pesos e as medidas dos personagens, da audiência e das próprias convicções do artista a manejar todo esse espetáculo: o amor. Para Woody Allen, que não se furta ao prazer de se analisar por meio de um personagem discípulo de Freud que paradoxalmente abraça a crença no oculto, o amor transfigura a mais solene razão em inexplicável magia.

No final das contas, não tem como manter-se cético em relação a uma teoria como essa.

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sábado, 2 de agosto de 2014 Curiosidades, Filmes, Listas | 07:00

Cinco filmes imperdíveis nos cinemas em agosto

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Filmes como “O mercado de notícias” e “Amantes eternos”, que estreiam na próxima quinta-feira (07) nos cinemas já foram destacados pelo Cineclube, mas agosto reserva muitos outros bons lançamentos para quem deseja curtir um filme na sala escura. Um Robert Pattinson totalmente diferente do que estamos habituados a ver, o Woody Allen de sempre e um dos últimos filmes estrelados pelo saudoso Philip Seymour Hoffman estão entre os destaques.

 

“The Rover – a caçada”

Fotos (Divulgação)

Fotos (Divulgação)

Novo filme do diretor australiano David Michôd, do intenso e violento “Reino animal” (2010). Na trama Robert Pattinson faz um homem abandonado pelo irmão para morrer e Guy Pierce, um homem que teve seu carro roubado pelo irmão do personagem de Pattinson. Em um futuro apocalíptico em que a economia global ruiu e o crime impera, esses dois homens iniciam uma caçada ao mesmo homem por razões distintas.

 

Previsão de estreia: 07 de agosto

 

“O homem mais procurado”

O homem mais procurado

Daqueles filmes de espionagem que remetem diretamente ao bom cinema americano dos anos 70. Um imigrante de origem chechena chega à Alemanha para tentar resgatar uma herança que seu pai teria lhe deixado. Mas ele entra no radar das polícias secretas alemã e americana. O que se postula no filme que trabalha com meias verdades e muitas sombras é se este homem seria apenas uma vítima ou um extremista com um plano terrorista muitíssimo  bem elaborado. Quem assina a direção deste que é um dos últimos filmes de Philip Seymour Hoffman é o holandês Anton Corbijn, do excelente “Um homem misterioso” (2010). Como se não bastasse todo esse pedigree, o filme é uma adaptação de John Le Carré.

Previsão de estreia: 14 de agosto

 

“Era uma vez em Nova Iorque”

Era uma vez em NY

Outro filme que aborda, de maneira ambígua, a imigração. Na Nova York de 1920, duas irmãs polonesas buscam uma vida melhor, mas acabam nas garras de um cafetão. Quando o primo deste, um mágico, se apaixona por uma das irmãs, um cenário de muita dor e imprevisibilidades se aproxima. O filme de James Gray (“Amantes” e “Caminho sem volta”) tem Joaquin Phoenix, Marion Cotillard e Jeremy Renner no elenco e integrou a mostra competitiva do festival de Cannes em 2013.

 

Previsão de estreia: 28 de agosto

 

“Magia ao luar”

Magia ao luar

Um falso mágico (Colin Firth) é contratado para desmascarar uma jovem e simpática médium (Emma Stone), mas aos poucos vai se encantando com ela. Estamos, é claro, na seara Woody alleniana e em um filme de Woody Allen, o simplório e o genial caminham irmanados.

 

Previsão de estreia: 28 de agosto

 

“A oeste do fim do mundo”

A oeste do fim do mundo

Leon (César Troncoso) é um homem introspectivo que vive em um velho posto de gasolina, perdido na imensidão da estrada transcontinental entre a Argentina e o Chile. Seu único amigo é Silas (Nelson Diniz), um brasileiro que volta e meia o visita para trazer peças para consertar a moto dele. Um dia, a paz de Leon é abalada com a chegada de Ana (Fernanda Moro), uma mulher que escapou da tentativa de abuso sexual de um caminhoneiro com quem tinha pegado carona.  Essa convivência se provará desestabilizadora para todos os envolvidos. O filme, uma coprodução entre Brasil e Argentina, foi destaque na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo do ano passado, mas só agora terá lançamento comercial.

Previsão de estreia: 28 de agosto

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