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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017 Críticas, Filmes | 07:50

Vencedor do Oscar, “Moonlight” é rico em subtextos visuais e narrativos

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Vencedor de três Oscars, “Moonlight” é cinema articulado de maneira sensível narrativamente, mas robusta em termos visuais. Para a coluna, Oscar de melhor filme é justo em todos os ângulos possíveis

Trevante Rhodes em cena de "Moonlight"

Trevante Rhodes em cena de “Moonlight”

“Moonlight: Sob a Luz do Luar” não é o melhor filme da temporada de premiações, mas é um filme que merece muito o Oscar de melhor filme. Não por qualquer justiça social depois de duas temporadas de #oscarsowhite e muita dissimulação nas redes sociais. Mas porque é um filme de rara franqueza emocional e inteligência argumentativa.

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A direção de Barry Jenkins, que assina o roteiro a partir da peça de Tarell Alvin McCraney, é das coisas mais lindas do cinema recente. A fotografia de James Laxton, em tons de azul e neon, mescla o calor de Miami à solidão do personagem central Chiron. Jenkis filma o corpo masculino negro como se o penetrasse. O ex-atleta Trevante Rhodes, que estreia como ator dando vida a Chiron na 3ª fase da sua vida capturada pelo filme, é filmado como um muso. Seu corpo fala. Um mérito tanto do ator como de Jenkis. “Moonlight” é esse cinema de subtextos visuais e narrativos.

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“Sob a luz do luar todo menino negro é azul”. “Todo crioulo é uma estrela”. Duas frases pinceladas de momentos distintos do filme. A primeira é daquela que talvez seja a melhor cena da produção. Quando Juan (Mahershala Ali) dá uma lição de vida ao jovem Chiron (Alex Hilbert) que ele só poderia ser capaz de entender por completo muito tempo depois. A segunda é de um verso da música “Every nigger is a star”, de Boris Gardiner, que são as primeiras palavras que ouvimos no filme pouco antes de avistarmos Mahershala Ali surgir em um carro azul.

A condução de Jenkis, misturando imagens que são puro devaneio estilístico, mas que remetem ao estado de solidão de Chiron, com momentos de grande intensidade dramática, adensa “Moonlight” enquanto cinema.

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Uma produção que trata o preconceito racial de uma maneira tão suave e incomum que parece que nem mesmo está falando de preconceito. O grande mérito de “Moonlight” talvez seja essa de ser um filme para se sentir diferente à luz do olhar de cada expectador.

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terça-feira, 13 de dezembro de 2016 Análises | 11:34

Qual o melhor filme para Hollywood reagir à ascensão da era Trump no Oscar?

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Com o anúncio dos indicados ao Globo de Ouro 2017 e com a maioria dos prêmios da crítica já entregues, inclusive o Critic´s Choice Awards, distribuídos no último domingo (11), já dá para perceber que três filmes largam na frente na corrida pelo Oscar. “La La Land – Cantando Estações” claramente é o frontrunner. Os dramas indies “Moonlight” e “Manchester à Beira-Mar” gravitam o favoritismo do musical dirigido por Damien Chazelle e, por diversas razões, podem complexar previsões à medida que o Oscar se aproxima.

Ryan Gosling e Emma Stone, os protagonistas de "La La Land" (Foto: reprodução/Premiere)

Ryan Gosling e Emma Stone, os protagonistas de “La La Land”
(Foto: reprodução/Premiere)

“Moonlight”, ainda sem data e título nacional, é um filme sobre crescimento. Na superfície, do tipo que se vê todo dia no cinema americano, mas é protagonizado por negros e conta a história de um garoto que resiste à criminalidade no mesmo compasso em que se descobre gay. Já “Manchester à Beira-Mar” é mais soturno e acompanha a jornada emocional do personagem de Casey Affleck, que retorna à cidade que deixou em seu passado, para cuidar do sobrinho após a morte repentina do irmão.

Cartaz do filme "Moonlight"

Cartaz do filme “Moonlight”

O primeiro filme é nitidamente liberal demais para os padrões que, ainda que de maneira menos convicta, vigoram na Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, que outorga o Oscar. No entanto, dos três mais alinhados ao ouro, seria o candidato mais lapidado para representar uma bandeira Anti-Trump. “Manchester à Beira-Mar” talvez representasse melhor o pessimismo em que grande parte do País, e do mundo, se viu mergulhado com a eleição de Donald Trump. No final dos anos Bush, filmes violentos e taciturnos como “Os infiltrados” e “Onde os Fracos Não Têm Vez” prevaleciam no Oscar. Em 2009, na esteira da eleição de Barack Obama, o solar e otimista “Quem Quer Ser um Milionário?” triunfou de maneira maiúscula no Oscar. De lá para cá, nenhum outro filme venceu de maneira tão elástica – foram oito Oscars.

Por outro lado, o romantismo de “La La Land”, sua universalidade na declaração de amor que faz ao cinema, a Los Angeles e ao sonho americano podem ser percebidos como o remédio necessário para um período tão turbulento na história dos EUA. Hollywood, afinal, naufragou junto com a candidatura Hillary Clinton.

O Globo de Ouro anunciado nesta segunda-feira afunilou, como esperado, a corrida pelo Oscar e deu a esses três filmes a condição de principais postulantes ao Oscar 2017. Agora é esperar para ver como a novela favorita dos cinéfilos vai se desenvolver.

Cena do filme "Manchester à Beira-Mar" (Foto: divulgação)

Cena do filme “Manchester à Beira-Mar”
(Foto: divulgação)

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