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terça-feira, 20 de junho de 2017 Análises, Bastidores, Notícias | 19:05

Mau jornalismo afeta agenda feminista com informações equivocadas sobre remuneração de Gal Gadot em “Mulher-Maravilha”

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Informações mal apuradas substanciaram revolta nas redes sociais a respeito da disparidade salarial entre a Mulher-Maravilha e o Superman, mas a história estava mal contada

Superman, Mulher-Maravilha e Batman em cena de "Batman vs Superman" (Fotos: divulgação)

Superman, Mulher-Maravilha e Batman em cena de “Batman vs Superman”
(Fotos: divulgação)

É bem público e ainda mais notório que existe uma abismal diferença nos salários pagos aos atores e atrizes em Hollywood. Desde o Oscar 2015, com aquele emblemático discurso de Patricia Arquette, uma discussão séria e constante capitaneada por atrizes como Jessica Chastain, Natalie Portman, Robin Wright e Jennifer Lawrence tem sido abastecida quase que diariamente a respeito e já há (tímidos) sinais de mudança.

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Na noite desta segunda-feira (19), porém, Hollywood foi tomada de assalto com a notícia de que Gal Gadot recebera US$ 300 mil pela atuação em “Mulher-Maravilha”, um reiterado sucesso de crítica e de público. Já Henry Cavill teria recebido US$ 14 milhões por “O Homem de Aço” (2013). O artigo da edição americana da Elle, embasado em um dado divulgado pela Variety em 2014, detonou uma reação global de achaque a Warner por sexismo. Foi tudo um mal entendido, para dizer o mínimo.  Um reflexo desses tempos afoitos de redes sociais em que se tem como objetivo não noticiar, mas viralizar nas redes.

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Existe, sim, uma diferença alarmante na remuneração praticada por estúdios junto a atores e atrizes, mas aqui, no caso que gerou protestos e indignação de toda ordem, ela não existe. É praxe na negociação de contratos de filmes de super-heróis – o gênero mais abundante e lucrativo do cinema contemporâneo – vincular salários e bônus ao rendimento dos filmes, bem como já alinhar contratos duradouros para três ou mais filmes.

Gal Gadot é a Mulher-Maravilha

Gal Gadot é a Mulher-Maravilha

Os US$ 14 milhões atribuídos a Cavill, que é importante frisar não são passíveis de confirmação, contabilizam bônus por performance de bilheteria de três filmes em que ele surja como o Superman. Além do mais, o orçamento de “O Homem de Aço” foi de US$ 250 milhões, o que permitia certa extravagância na remuneração do elenco, que ainda contou com nomes como Kevin Costner, Russell Crowe, Amy Adams e Michael Shannon. Já “Mulher-Maravilha”, que ainda não superou “O Homem de Aço” nas bilheterias, mas já é percebido como um sucesso, foi orçado em US$ 125 milhões.

Os US$ 300 mil de Gal Gadot, contrato estabelecido nos mesmos moldes do de Chris Evans , o Capitão América, e Chris Hemsworth, o Thor, da rival Marvel, não considera os bônus por performance nas bilheterias. Até porque esses bônus não estão fechados. O contrato também prevê US$ 300 mil de remuneração básica por filme e cobre três filmes. O terceiro sendo “Liga da Justiça”, que estreia em novembro deste ano. Para  o segundo “Mulher-Maravilha”, portanto, um novo contrato será redigido. O valor da remuneração, não estranhem, deve continuar baixo. Para o intérprete, seja ele ator ou atriz, mais vale beliscar o lucro do filme na bilheteria e Gal Gadot já se capitalizou para pleitear cerca de 10% da bilheteria do filme.

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A julgar pela bilheteria de “Mulher -Maravilha”, a atriz receberia por performance algo em torno de US$ 6 milhões, fora os US$ 300 mil da remuneração básica.

Hollywood gosta de ferver seus boatos e um jornalismo cada vez mais impreciso, cada vez mais refém dos humores das redes sociais, vira palha nessa fogueira de vaidades. Pior: a verdadeira demanda por paridade salarial acaba eclipsada à luz de uma patetada como essa.

 

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sábado, 3 de junho de 2017 Críticas, Filmes | 09:00

“Mulher-Maravilha” é acerto da Warner em Hollywood, no cinema e na vida

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Com o sucesso de crítica consolidado, o céu é o limite para “Mulher-Maravilha”, o filme que por razões externas à tela grande, coloca a Warner um passo a frente da Marvel na briga de foice entre as gigantes de Hollywood

Gal Gadot é a Mulher-Maravilha

Gal Gadot é a Mulher-Maravilha

É a maior aprovação crítica de um filme de super-herói desde “Batman – O Cavaleiro das trevas” (2008), o paradigma definitivo para o gênero que virou o carro-chefe de Hollywood. “Mulher- Maravilha” detinha até sexta-feira (2) o índice de 93% de aprovação no Rotten Tomatoes, agregador de críticas na internet. O filme de Nolan ostenta 94%. É um senhor dividendo em um contexto bem adverso.

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É sabido que a Warner vem tentando reiteradamente repetir o sucesso da Marvel. Obsessão tamanha que afetou a qualidade de “Esquadrão Suicida” (2016), que apesar de ter arrecadado mais de US$ 700 milhões, foi percebido como um fiasco. “Mulher-Maravilha”, que era um filme já pressionado por ser o primeiro desse filão protagonizado por uma heroína e com uma diretora no comando, recebeu ainda mais pressão. Esse filme tinha que dar certo.

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Patty Jenkins tinha apenas um filme independente no currículo, “Monster – Desejo Assassino”, que rendeu o Oscar de atriz a Charlize Theron. E lá se vão 13 anos. Jenkins não foi a primeira escolha para o projeto. A Warner escalou Michelle MacLaren, que havia dirigido alguns episódios de “Breaking Bad”, para a empreitada. Mas diferenças criativas com o estúdio provocaram sua saída. Jenkins, que já estava no radar dos estúdios – esteve para dirigir “Thor – O Mundo Sombrio” – assumiu o projeto, o orçamento de US$ 150 milhões e a responsabilidade de corresponder às expectativas de uma agenda feminista que vinha a tiracolo.

Patty Jenkins no set de Mulher-Maravilha

Patty Jenkins no set de Mulher-Maravilha

Para todos os efeitos, “Mulher-Maravilha” é um filme que opera dentro da margem de segurança. Do estúdio – e este é um filme de estúdio – , da referida agenda feminista – há ótimas piadas para agradar a militância – e à audiência convencional do gênero – os clichês estão todos lá, dos vilões às cenas de ação, passando pelo romance. Mas Patty Jenkins tem muitos méritos. O cuidado com as arestas da narrativa é o principal deles. O que parecia fora do tom e do eixo nas produções assinadas por Zack Snyder (“O Homem de Aço” e “Batman vs Superman”) surge como aspecto positivo aqui. Outro acerto foi a dimensão do humor na fita. Jenkins resiste à tentação de emular a Marvel e consegue fazer um filme que não é pautado pelo humor, mas que ainda assim é bem humorado.

Fotos: divulgação

Fotos: divulgação

“Mulher-Maravilha” não é um candidato natural ao clube do bilhão, cada vez mais inflado, mas diferentemente das últimas produções do universo DC no cinema, deve ser percebido como um sucesso. A marca de US$ 600 milhões globalmente é tangível e qualquer coisa além será a confirmação de um sucesso irrepreensível. Fato corroborado, claro, pela boa vontade dispensada ao filme. Não fosse bom, “Mulher-Maravilha” poderia representar um retrocesso nessa pauta que hoje move Hollywood – a da igualdade de oportunidades e remuneração entre os gêneros.

Não é um filme para 93% de aprovação no Rotten Tomatoes, mas é compreensível o entusiasmo com ele. Além do excelente trabalho de Jenkins, a outra grande responsável pelo sucesso do filme é a atriz Gal Gadot. Ela é a Mulher-Maravilha que eles e elas pediram a Deus. Um filme que chega (bem) perto de agradar gregos e troianos merece o confete.

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sábado, 23 de julho de 2016 Filmes, Notícias | 17:32

Na guerra contra a Marvel, Warner e DC mostram os dentes na Comic-Con 2016

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Primeira foto promocional de "Liga da Justiça"

Primeira foto promocional de “Liga da Justiça”

Como muitos esperavam, “Capitão América: Guerra Civil” fez mais dinheiro do que “Batman VS Superman: A Origem da Justiça” no primeiro semestre deste ano. A Warner, que produz e distribui os filmes baseados nos personagens da DC Comics, espera que “Esquadrão Suicida”, que chega aos cinemas no início de agosto, recupere terreno e alcance o sucesso de público e crítica que os filmes da rival gozam. Além de um novo e suculento material deste filme, o estúdio apresentou na Comic-Con, que acontece em San Diego, o primeiro trailer de “Mulher Maravilha” e um material exclusivo montado para o evento de “Liga da Justiça”; os dois previstos para chegarem aos cinemas em 2017.

Crítica: “Batman vs Superman” não supera o hype e deixa transparecer improvisos

Crítica: Superlativo e humano, “Capitão América: Guerra Civil” é o filme que a Marvel estava devendo

 Confira o novo trailer de “Esquadrão Suicida” 

Os três trailers são de dar água na boca. “Mulher-Maravilha”, como se sabe, é o primeiro grande blockbuster de super-heróis estrelado por uma personagem feminina e o primeiro trailer do filme dirigido por Patty Jenkins não deixa esse elefante na sala passar incólume. A Warner larga na frente da Marvel em matéria de diversidade no universo dos super-heróis com um filme que promete corresponder às altas expectativas. A julgar, claro, pelo material promocional disponibilizado no evento.

Leia mais: Troca de diretoras em “Mulher-Maravilha” é mais uma rusga na disputa entre Marvel e Warner 

Já o teaser de “Liga da Justiça” mostra que Zack Snyder está atento às críticas. Em pouco mais de dois minutos de material, há mais humor do que em todos os filmes do diretor somados. A tensão entre Batman e Aquaman e a malandragem marota do Flash são os destaques desse mimo que o estúdio preparou para os fãs. Convém lembrar que as filmagens da produção começaram em abril último, na esteira da má recepção a “Batman VS Superman”.

Ben Affleck, que como toda a família DC compareceu ao painel da Warner neste sábado, falou sobre a pressão de dirigir o filme solo do “Batman”, que deve mesmo ser lançado apenas em 2019.

Confira o trailer de “Liga da Justiça”

Confira o trailer de ‘Mulher-Maravilha”

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quinta-feira, 16 de abril de 2015 Análises, Bastidores | 07:00

Troca de diretoras em “Mulher-Maravilha” é mais uma rusga na disputa entre Marvel e Warner

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Patty Jenkins no set de "Monster- desejo assassino"  (Foto: divulgação)

Patty Jenkins no set de “Monster- desejo assassino”
(Foto: divulgação)

A escolha de Patty Jenkins para substituir Michelle MacLaren no comando do longa-metragem “Mulher-Maravilha” tem mais nuanças do que alcançam os olhos ou a informação de que a diretora já esteve envolvida com uma produção da Marvel, no caso “Thor – o mundo sombrio” (2013).

MacLaren, como se sabe, se retirou da produção que será protagonizada pela atriz israelense Gal Gadot e que tem estreia prevista para o dia 23 de junho de 2017, por ter diferenças criativas com a Warner. Quais diferenças são essas, como habitual nesse tipo de imbróglio, não houve esclarecimento à imprensa.

Além de ratificar, mais uma vez, que diretores com um visão artística mais sensível têm dificuldades de se ajustar às demandas de estúdios ansiosos pela grife representada por esses cineastas, mas resistentes ao compartilhamento do controle sobre suas franquias, a saída de MacLaren levantou as suspeitas de que a Warner poderia confiar a direção do filme a um homem. O que seria lido como um retrocesso no contexto em que Hollywood discute a escassez de ofertas e reconhecimento para cineastas mulheres. E aí entra o pulo do gato dessa história toda. Patty Jenkins, que fora substituída por Alan Taylor na direção de “Thor: o mundo sombrio”, substitui MacLaren no comando de “Mulher-Maravilha”.  Com a escolha, a Warner ratifica sua posição progressista na construção de seu universo cinematográfico de heróis (vale lembrar da escolha do ator Ezra Miller, bissexual assumido, para ser o Flash do cinema), e cutuca a Marvel frontalmente ao escolher para substituir uma diretora com quem teve “diferenças criativas” outra que teve diferenças criativas com a Marvel.

Não obstante, Marvel e Warner assediaram Angelina Jolie para dirigir seus filmes protagonizados por mulheres, no caso da Marvel, “Capitã Marvel”. Mesmo sem Jolie, nesse delicado jogo de xadrez pelo apreço da opinião pública, a Warner agiu rápido e conseguiu drenar a má publicidade que a saída de MacLaren pudesse gerar.

 

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