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sexta-feira, 9 de setembro de 2016 Análises | 08:29

Verão americano de 2016 sugere ajuste de rota para estúdios de Hollywood

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Foi um verão atípico nas bilheterias dos cinemas. A grande temporada de blockbusters, como sempre, fez muito dinheiro, mas colocou pulga atrás das orelhas dos engravatados de Hollywood como nunca.

Montagem/divulgação

Montagem/divulgação

Foram 14 sequências lançadas nesta janela entre abril e o último fim de semana de agosto. Um recorde absoluto. A última vez que tantas sequências foram lançadas foi em 2003 e foram 13. Apenas quatro dessas sequências debutaram com uma bilheteria de estreia superior aos filmes anteriores. “Jason Bourne” (US$ 59,2 milhões), “Procurando Dory” (US$ 135 milhões), “Capitão América: Guerra Civil” (US$ 179 milhões) e “Uma Noite de Crime 3” (US$ 36,2 milhões). A grande maioria das sequências fracassou. Filmes como “Alice Através do Espelho”, “As Tartarugas ninja: Fora das Sombras”, “Star Trek: Sem Froneiras”, “Independence Day: O Ressurgimento”, entre outras produções floparam enormemente.

+ Universal, Mad Max e Tom Cruise estão entre os vencedores do verão americano de 2015

Foi um verão de extremos. A Disney tem razões para comemorar já que os dois filmes com maiores bilheterias da temporada integram seu portfólio. Mas se “Guerra Civil” e “Procurando Dory” juntos beiram quase US$ 1 bilhão em faturamento nos EUA e ultrapassam US$ 2 bilhões no mundo, filmes como “O Bom Gigante Amigo”, “Alice Através do Espelho” e “Meu Amigo, o Dragão” foram fracassos que o estúdio teve que amargar. A respeito deste quadro, o jornalista e crítico de cinema Rubens Ewald Filho até brincou: “acho que a Disney faz esses filmes que sabe que vão fracassar só para pagar menos imposto”.

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De fato, “O Bom Gigante Amigo”, um gesto nostálgico do estúdio em parceria com Steven Spielberg parecia um produto descolado de seu espaço tempo, mas esse raciocínio, por exemplo, não pode se aplicar a uma produção como “Ben-hur”. Com um orçamento superior a US$ 100 milhões, o filme se consagrou como o maior fracasso da temporada e demonstrou aos estúdios que a aposta em astros de cinema ainda é necessária. Coincidência ou não, depois do flop do filme estrelado por Rodrigo Santoro, Tom Cruise passou a negociar um aumento de cachê com a mesma Paramount para o novo “Missão Impossível”, programado para 2017.

O caso de “Esquadrão Suicida”

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Fracasso ou sucesso? Ainda que o filme não consolide as expectativas financeiras projetadas pela Warner Bros, não dá para dizer que o filme de David Ayer é um fracasso. No último fim de semana ultrapassou a barreira dos US$ 300 milhões nos EUA. Globalmente, a fita já amealhou cerca de US$ 700 milhões. As críticas foram venenosas, para dizer o mínimo, mas o marketing, vitorioso.

Tocando o terror

Não foi o primeiro ano que vislumbrou o gênero terror como um dos principais vitoriosos do verão americano. Com três exemplares entre as 20 maiores arrecadações da janela de lançamento – e três exemplares baratos – o gênero volta a fazer bonito. Novamente a Warner  desponta nesse segmento. Além da sequência de “Invocação do Mal”, que arrecadou mais de US$ 100 milhões nas bilheterias, o estúdio viu o baratíssimo e eficiente “Quando as Luzes se Apagam” fazer bonito no Box Office. O gênero ainda emplacou os sucessos de “Uma Noite de Crime 3” e “O Homem nas Trevas”, que lidera a bilheteria dos EUA há duas semanas e está em estreia no Brasil.

A surpresa do ano

A comédia com pegada feminista “Perfeita é a mãe” foi a grande surpresa da temporada com arrecadação superior a US$ 100 milhões nas bilheterias americanas. Além do mais, junto com “A Vida Secreta dos Pets” e “Festa da Salsicha”, foram os únicos exemplares entre as vinte maiores bilheterias do verão que não são sequências, refilmagens ou adaptações.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

Saldo final

A lição que fica é que Hollywood terá que pensar mais detidamente sobre a produção de sequências. A mensagem do público nas bilheterias é bem clara. Uma continuação de um blockbuster no cinema só com muito critério. Apenas a Disney e a Warner, apesar do pouco crescimento em relação a 2015, conseguiram lucrar com a temporada. Os ganhos da Universal e da Sony foram modestos. Já Paramount, Fox e Lionsgate amargaram prejuízos.

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terça-feira, 23 de agosto de 2016 Curiosidades, Notícias | 16:32

Queremos resgatar o cinema de rua, diz sócio do Reserva Cultural que inaugura unidade no Rio de Janeiro

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A cinefilia carioca tem muitas razões para comemorar. Será inaugurada nesta quarta-feira (24), a unidade carioca do prestigiado Reserva Cultural, espaço referencial para os apreciadores do cinema de arte em São Paulo.

O Cineclube bateu um papo com Jean Thomas Bernardini, diretor da distribuidora Imovision, sócio do Reserva e um dos grandes promotores do bom cinema no país. Francês que escolheu o Brasil como nação, Jean revela entusiasmo pelo projeto de “recuperar o cinema de rua”, uma batalha que muitos já julgam perdida. Mas que ele faz questão de entrincheirar-se no lado do cinema. “Quando o Reserva abriu há doze anos foi um dos primeiros cinemas a ter restaurantes e lojas para os cinéfilos em um cinema de rua”, observa. “Depois veio esse conceito de cinema vip, um pouco exagerado, na minha opinião. Mas a filosofia foi a mesma”.

Jean Thomas Bernardini (divulgação/Imovision)

Jean Thomas Bernardini (divulgação/Imovision)

Jean conta que a ideia de levar uma unidade do Reserva Cultural para o Rio de Janeiro é antiga. Há cinco anos foi feita uma tentativa que não deu certo. Aí, de repente, surgiu esse prédio que tem a grife do arquiteto Oscar Niemayer para abrigar o cinema em Niterói. O espaço terá cinco salas de cinema, várias lojas (somando cerca de 600 m2), estacionamento de 1800 m2, além dos espaços livres que vão contemplar mesas para café na parte superior e mesas para restaurante e bar no piso inferior. O investimento para a reforma e adequação do prédio, o antigo Centro Petrobras de Cinema, custou aproximadamente R$ 12 milhões.

O novo espaço já se assegura como xodó de Jean que admite que no Rio vai sobrar o que falta em São Paulo: espaço. “A estrutura é realmente superior. Em São Paulo sofremos um pouco por causa do espaço. Conseguimos fazer algo muito positivo com o espaço que temos. No entanto, é fato que as salas no Rio serão muito mais confortáveis”.

Leia mais: Vencedor da Palma de Ouro, “Eu, Daniel Blake” já tem distribuição garantida no Brasil

Localizado na avenida Visconde do Rio Branco, nº 880, o cinema terá a pré-estreia do aguardado “Aquarius” como estrela da noite de inauguração. “Fomos perguntando que títulos poderiam ser importantes para a abertura’, explica Jean. “O filme do Ken Loach foi aventado (o vencedor da Palma de Ouro ‘Eu, Daniel Blake’), mas a estreia do ‘Aquarius’ era próxima (o filme estreia em 1º de setembro) e o Kleber (Mendonça Filho, diretor da obra) adorou a ideia”, diz Jean sobre a escolha da produção que abre os trabalhos do Reserva Cultural carioca.

 

 

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sábado, 18 de junho de 2016 Análises, Bastidores, Filmes | 20:17

Fracasso de continuações acende sinal de alerta em Hollywood

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É público e notório que Hollywood está cada vez mais dependente das sequências e franquias. Muito já se falou da falta de criatividade que assombra a Meca do cinema e do receio exacerbado de executivos e estúdios em apostar no incerto e correr riscos com filmes originais. O que esse primeiro semestre de 2016 revela, no entanto, é ainda mais preocupante. Na ânsia para surfar em sucessos não necessariamente retumbantes, Hollywood tem ofertado continuações que ninguém quer ver. É uma crise insuspeita e inesperada essa que se estabelece no coração do cinema americano.

Megan Fox em cena de "As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras", em estreia no Brasil: bilheterias decepcionantes (Foto: divulgação)

Megan Fox em cena de “As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras”, em estreia no Brasil: bilheterias decepcionantes
(Foto: divulgação)

“Vizinhos 2”, “Alice Através do Espelho”, “O Caçador e a Rainha do Gelo”, “As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras” e “Policial em Apuros 2” são sequências diretas de filmes lançados entre 2012 e 2014 que, se não fracassaram retumbantemente nas bilheterias, ficaram bem aquém das expectativas dos estúdios. Em uma temporada que sequências e franquias são os principais atrativos do cinema americano, como em qualquer outro ano, esse dado preocupa bastante.

A lista de sequências de desempenho pífio ainda conta com “Zoolander 2”.

Mesmo um filme como “A Saga Divergente: Convergente”, com um público já fidelizado, decepcionou nas bilheterias. A frustração foi tão grande que a Lionsgate, estúdio por trás da franquia, reduziu o orçamento da última parte da adaptação cinematográfica da obra de Veronica Roth.

O ano ainda terá um quinto “A Era do Gelo”, um segundo e temporão “Independence Day”, uma refilmagem de “Os Caça-Fantasmas” só com mulheres, um quinto Bourne, uma improvável sequência de “Procurando Nemo” e um novo “Star Trek”. O vigente verão americano apresenta uma queda de 65% de bilheteria em relação ao ano passado. Os números, claro, ainda não estão fechados e até o fim de agosto muita coisa pode e vai mudar. Mas existe uma tendência clara e, muito provavelmente, irrefreável nas entrelinhas.

Cena de "Zoolander 2": Muitas estrelas em cena e pouco dinheiro em caixa (Foto: divulgação)

Cena de “Zoolander 2”: Muitas estrelas em cena e pouco dinheiro em caixa
(Foto: divulgação)

O público não vai mais aceitar goela abaixo sequências enlatadas e produzidas a toque de caixa. Um exemplo disso é a bilheteria decepcionante de “X-men: Apocalipse”. O filme recebeu resenhas ruins e em cartaz há praticamente um mês, ainda não cruzou os U$ 500 milhões de faturamento no mundo e não deve nem mesmo alcançar os U$ 200 milhões nos EUA.

Há muitas razões contribuindo para este cenário. A preponderante, obviamente, é a qualidade baixa dos filmes em questão. Em um segundo momento, Hollywood não tem deixado o público sentir falta, nostalgia de certos filmes. O que ajuda a entender o fenômeno de bilheteria de produções como “Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros” e “Star Wars: O Despertar da Força” no ano passado é o longo hiato entre os filmes dessas franquias.

Uma boa sequência será abraçada pelo público, como mostra o sucesso de “Invocação do Mal 2”. A continuação de um filme recente, o primeiro é de 2013, que se mostrou o ponto fora da curva e já se pagou no primeiro fim de semana nos EUA.

Leia também: O mal (ainda invisível) que a Marvel fez ao cinema

De qualquer modo, Hollywood se flagra em uma sinuca. Enquanto estúdios tentam emplacar multiversos em suas franquias mais valiosas, mirando-se no exemplo da Marvel, veem o desgaste de sequências mal planejadas e liberadas a canetadas. Como equilibrar a equação? A receita é conhecida, mas filmes novos (que não são continuações ou refilmagens) como “Dois Caras Legais” e “Warcraft – O Primeiro Encontro de Dois Mundos” também fracassaram nas bilheterias. A aversão ao risco em Hollywood pode ter gerado uma bolha que, quando explodir, vai causar estragos.

"Invocação do Mal 2": a exceção de uma nova regra? (Foto: divulgação)

“Invocação do Mal 2”: a exceção de uma nova regra?
(Foto: divulgação)

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sábado, 23 de janeiro de 2016 Análises | 20:42

Polêmica em torno de racismo no Oscar pode segmentar ainda mais indústria do cinema

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O cineasta Spike Lee é um dos capitães do movimento que pede boicote ao Oscar

O cineasta Spike Lee é um dos capitães do movimento que pede boicote ao Oscar

A semana esquentou um debate para lá de controverso que vira e mexe volta à tona em tempos de Oscar. O fato de em 2016 todos os atores e atrizes nomeados serem brancos, bem como roteiristas, diretores e demais contemplados em categorias nobres pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood gerou algum mal-estar entre a comunidade negra. De imediato surgiram protestos nas redes sociais e estes deram vez a declarações pesadas de artistas negros como Spike Lee, Ice Cube e Will Smith.

Há, sim, pouca diversidade na academia. Esse é um problema crônico e derivado da indústria do cinema como um todo, mas não implica no fato da academia ser racista. Não é.  O que a ausência de artistas negros em 2016 reflete é o gargalo de uma indústria que ainda engatinha na promoção de diversidade. Há poucas mulheres no comando de estúdios, dirigindo filmes, escrevendo-os, fotografando-os e há poucos negros como protagonistas de superproduções de estúdio. Não há, porém, em termos proporcionais, pouco reconhecimento do Oscar a esses artistas. Há, apenas, um indesejado reflexo que ganha lente de aumento com todo o barulho provocado pelo Oscar.

Apesar da virulência cada vez mais flagrante nas declarações de atores como Michael Caine, Jeffrey Wright e Jada Pinkett-Smith, o debate é bom, mas precisa ser ajustado ao contexto para produzir efeitos positivos e perenes.

A presidente da Academia, Cheryl Boone Isaacs anunciou que a Academia considera promover uma série de mudanças para aumentar o espaço das minorias entre seu quadro de votantes. Se em espírito é uma atitude bem-vinda, à reboque do mal-estar experimentado no âmago da opinião pública, é uma decisão desastrada. Isaacs, que disse que a Academia não ficará à espera da indústria na questão, quer alterar a regulamentação que dá direito aos votos, mas sem mexer nos demais benefícios de um membro da Academia, o que deve aferir mais transitoriedade e (espera-se) diversidade no corpo votante.

"12 Anos de Escravidão" foi consagrado o melhor filme no Oscar 2014, último que não teve polêmicas sobre exclusão de negros

“12 Anos de Escravidão” foi consagrado o melhor filme no Oscar 2014, último que não teve polêmicas sobre exclusão de negros

Pode dar muito certo e pode dar muito errado – principalmente pelo fato de gerar desequilíbrio e ruídos na qualidade dos indicados. Há de se observar, ainda, que ela não garante que negros estejam entre os indicados em 2017. É, contudo, uma resposta ao clamor generalizado. Nesse sentido, como medida paliativa, muito bem-vinda.

É preciso ter atenção, no entanto, à forma de manter o debate vivo sem o Oscar como alvo. Afinal, o Oscar está sendo crucificado por um pecado que, na verdade, não é seu. Que ele apenas ilumina. De todo modo, a Academia pode sim exercer um papel pedagógico na questão. Esse caminho já estava sendo trilhado, mas de forma muito morosa. O que Isaacs sinaliza é a aceleração de um desenvolvimento que já era natural. Os efeitos disso, não na Academia, mas na indústria como um todo, podem ser ironicamente perniciosos. Hollywood já se viu dividida antes – o Macarthismo está aí para provar isso – e a maneira descontextualizada que o debate está sendo gerido na opinião pública inflige receios aos mais conscientizados.

Os indicados a melhor ator e atriz: brancura e culpa

Os indicados a melhor ator e atriz: brancura e culpa

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quarta-feira, 13 de janeiro de 2016 Análises, Notícias | 14:01

Grupo chinês compra estúdio hollywoodiano e movimenta jogo dos tronos do cinema

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Legendary

O Grupo chinês Wanda, controlado pelo multibilionário Wang Jianlin, prepara os últimos ajustes de um negócio que promete mudanças no médio e longo prazo no jeito de se produzir cinema em Hollywood e de se consumir Hollywood na China.

A compra do estúdio Legendary Pictures, especializado em produções de ação e atualmente com parceria celebrada com a Universal Pictures, já está acertada. Por U$ 3,5 bilhões, “a maior aquisição internacional da China no setor cultural até o momento”, como definiu Jianlin, deve movimentar as placas tectônicas do negócio chamado cinema.

Primeiro porque a Legendary, dona de um catálogo que inclui a trilogia do Batman de Christopher Nolan, “Jurassic World”, a trilogia “Se Beber não Case”, entre outros, é um estúdio que costuma produzir hits atrás de hits. Trata-se, portanto, de um senhor player para ser o cartão de visitas chinês em Hollywood. A Legendary investe em projetos estratégicos e essa característica deve ser estrategicamente mantida. É, também, uma forma da China – com uma indústria de cinema incipiente – adquirir mais know-how em soft power, e por consequência desenvolvê-lo, a partir da vivência in loco em Hollywood, grande vitrine do soft power americano.

Por outro lado, estabelece-se um canal para lá de dilatado entre Hollywood e China. Vale lembrar que no país asiático há uma cota de produções estrangeiras que podem estrear nos cinemas do país – algo em torno de 60 produções ao ano – e Hollywood, de olho no bilhão de potenciais espectadores, não poderia estar mais insatisfeito com essa condição. Todas as produções da Legendary serão creditadas como coproduções entre China e EUA, driblando, portanto, essa cota.

A discussão sobre a censura, outra particularidade deste país capitalista nas proposições econômicas, mas de regime socialista em seu escopo político, é uma discussão secundária. Pelo menos neste momento em que Hollywood vê nascer a primeira grande chance de penetrar com força no cinema chinês.

Visto à luz deste novo contexto, fica mais fácil entender porque “Jurassic World”, que há pouco perdeu seus recordes para “Star Wars: O Despertar da Força”, foi lançado simultaneamente nos EUA e na China, e o filme de J.J Abrams só pintou nas salas chinesas no 1º fim de semana de janeiro. O que indica que os chineses, assim como Hollywood, não entraram neste jogo para perder.

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sexta-feira, 28 de agosto de 2015 Análises, Bastidores, Curiosidades | 17:47

Imune a crises, cinema de ação cresce em todas as frentes enquanto outros gêneros oscilam

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Quando você ouvir que “Tubarão” (1975) é um dos três filmes mais importantes da história do cinema americano, preste atenção na pessoa que elabora este raciocínio. Ela provavelmente sabe das coisas. Pelo menos em matéria de cinema.  O filme de Steven Spielberg, que ajudou a criar o conceito de “blockbuster” é o principal signatário da ascensão do cinema de ação em Hollywood.

A supremacia dos filmes de super-heróis que testemunhamos nessa metade da segunda década do século XXI nada mais é do que a evolução de um movimento desabrochado pelo filme de Spielberg.

Antes de “Tubarão”, “007 contra o satânico Dr. No”, o primeiro filme de James Bond, foi o único exemplar estritamente do gênero ação a liderar as bilheterias em um ano. De lá para cá, foram 26 filmes de ação no topo das bilheterias em 39 anos. “Toy Story 3”, em 2010, foi o último filme não pertencente ao gênero a liderar em arrecadação em seu ano de lançamento. Os dados são do Box Office Mojo e remetem apenas às bilheterias americanas.

Spielberg em icônico registro feito no set de "Tubarão": filme que revolucionou a indústria de cinema americano

Spielberg em icônico registro feito no set de “Tubarão”: filme que revolucionou a indústria de cinema americano

A 2ª revolução? "Avatar" levou cerca de dez anos para ser produzido e é fruto da tecnologia de seu tempo

A 2ª revolução? “Avatar” levou cerca de dez anos para ser produzido e é fruto da tecnologia de seu tempo

Como essa estatística demonstra, o cinema de ação é o gênero que mais cresce. Tanto em produção como em público. A chegada do videocassete incrementou o boom no gênero, mas o constante aparato tecnológico rompe fronteiras para o gênero mais do que para qualquer outro. Em 2009, por exemplo, vimos “Avatar”, um épico de ação, superar “Titanic” como o filme de maior arrecadação da história do cinema. O filme só se viabiliza pela contemporaneidade de sua tecnologia. James Cameron levou uma década para filmá-lo e promete mais inovações em 2017, quando chega a primeira sequência.

De acordo com números do site The numbers, entre 1995 e 2015, o gênero teve 29% de share no mercado e uma arrecadação de US$ 72.000.989.990,00. A amostragem compreende 1.367 filmes lançados no período. Para se ter uma ideia do impacto do cinema de ação na audiência moderna, a comédia ficou em segundo lugar com 17% de share e U$$ 40.705.738.488 amealhados. A amostragem de filmes lançados nesta janela, porém, é muito maior: 2.147 filmes.

Um gráfico do Priceonomics, formulado a partir de dados coletados no IMDB, demonstra a oscilação dos principais gêneros ao longo das décadas em termos de popularidade. Nele, é possível perceber que, enquanto gêneros como horror e comédia apresentam altos e baixos e o drama vive sua mais longeva curva descendente, a ação mantém-se em expressa e espessa alta.

gráfico dos gêenros

Tomando como base as postagens deste Cineclube, o percentual de audiência – e de comentários – é muito maior quando o gênero ou suas principais estrelas e grifes (Marvel, Star Wars, 007, Sylvester Stallone, Bruce Willis, etc) são abordados.

Mas o que isso tudo quer dizer, afinal? Acossado pela repercussão da novela “Império”, o autor Aguinaldo Silva – que já escreveu para cinema – disse há alguns meses que é preciso dar o que o público quer. É esta linha de pensamento, preconizada pelos preceitos básicos do marketing, que norteia a produção Hollywoodiana atual. “As pessoas não sabem o que querem, até mostrarmos a elas”, divagou Steve Jobs. Mas poderia ter sido Steven Spielberg.

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terça-feira, 25 de agosto de 2015 Análises, Bastidores | 17:54

Universal, “Mad Max” e Tom Cruise estão entre os vencedores do verão americano de 2015

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Ainda faltam alguns fins de semana, mas indústria e analistas já fazem as contas do que deu certo e do que deu (muito) errado na principal janela de lançamentos hollywoodianos, o verão no hemisfério norte.

Ao estabelecer o recorde de faturamento em um ano faltando mais de cinco meses para o fim de 2015, a Universal – que atingiu o feito na esteira do espetacular sucesso de “Jurassic World” – se impôs como o mais cristalino sucesso do verão americano de 2015. Temporada que cinéfilos e críticos ansiavam por prometer ser lucrativa e inesquecível com diversos títulos promissores. Se foram poucas as surpresas e ocasionais as decepções, não houve nenhum arrebatamento na temporada além de “Mad Max: estrada da fúria”. Para todos os efeitos, o filme de George Miller é uma lição de como fazer uma superprodução, anabolizada na ação, com alto potencial de entretenimento e subtextos poderosos. De quebra, o filme forneceu a única personagem a emergir dessa safra de filmes para os anais da cultura pop – como mostrou a San Diego Comic-Com repleta de cosplays da Furiosa de Charlize Theron em julho.

Leia mais: Com “Jurassic World” e “50 tons de cinza”, Universal estabelece recorde de faturamento nas bilheterias

Leia mais: “Mad max: estrada da fúria” se firma como maior obra-prima da ação em décadas

O australiano George Miller leva um lero com Charlize Theron, sua Furiosa, no set de "Estrada da fúria"

O australiano George Miller leva um lero com Charlize Theron, sua Furiosa, no set de “Estrada da fúria”

Apesar do recorde de faturamento nas bilheterias, o verão de 2015 não apresentou grandes filmes. Excetuando-se “A estrada da fúria”, apenas “Divertida mente”, da Pixar, estaria apto a receber tal alcunha.  Não à toa, o filme registrou a maior bilheteria de estreia de um filme totalmente original; ou seja, sem ser sequência, remake ou adaptação de outra mídia. Por outro lado, o fracasso de “Tomorrowland – um lugar onda nada é impossível” reforça o discurso daqueles em Hollywood que defendem menos investimento em ideias originais e mais apoio ao que já foi testado e aprovado. Essa percepção está diretamente relacionada ao sucesso de franquias consagradas como “Os vingadores”, além das já citadas “Jurassic World” e “Mad Max”.  Mesmo assim, o quinto “O Exterminador do futuro” naufragou nas bilheterias americanas. O filme só não vai resultar em fracasso para a Paramount porque o filme está indo muito bem nas bilheterias chinesas. A China, inclusive, se firmou como um player ainda mais importante para os megalançamentos hollywoodianos do que já era até então. Vale lembrar que “Jurassic World” só se firmou como a maior bilheteria internacional de estreia – com mais de US$ 500 milhões arrecadados em um único fim de semana – porque a Universal o lançou simultaneamente com os EUA em mercados estratégicos como China, Rússia e Brasil.

Não obstante, ao apostar em um mix composto por comédias (“A escolha perfeita 2” e “Descompensada”), produtos bem consolidados junto ao público ( “Minions” e “Jurassic park”) e mesmo em produções descartadas sumariamente por outros estúdios (“Straight outta Compton”), a Universal não só espelha um caminho para os estúdios, como indica que não é preciso ter super-heróis no portfólio para fazer bonito nas bilheterias atuais.

Cena de "A escolha perfeita 2": o filme conseguiu uma das bilheterias mais surpreendentes da temporada e deixou para trás projetos muito mais comentados

Cena de “A escolha perfeita 2”: o filme conseguiu uma das bilheterias mais surpreendentes da temporada (quase US$ 300 milhões) e deixou para trás projetos muito mais comentados

Abaixo, o Cineclube lista os maiores vencedores e perdedores da temporada:

Vencedores

George Miller

Desconfiança, terrorismo e problemas de produção contribuíram para que se passassem 30 anos entre “Além da cúpula do trovão” e “Estrada da fúria”, mas ao entregar seu novo e alucinante “Mad Max”, Miller caiu de novo nas graças da Warner. Além de ter um quinto filme confirmado, ele está cotado para dirigir “O homem de aço 2”, um dos projetos mais delicados e importantes do estúdio.

 Tom Cruise

Em uma temporada marcada por heróis e marcas (John Green, Pixar, Marvel), Tom Cruise foi o único astro a levar público ao cinema cacifando-se em si mesmo. Não é pouca coisa. O quinto Missão impossível já caminha para ser o de maior bilheteria da série. Indicativo de que Cruise ainda tem muito fôlego no cinema. Especialmente no de ação.

Pixar

Depois de um hiato sem grandes filmes, “Toy story 3” (2010) foi o último digno de nota – e já era uma sequência – a Pixar faz as pazes com a crítica com ‘Divertida mente”. Um dos melhores do estúdio em todos os tempos.

Warner

Se não dominou a temporada como a Universal e não concentrou arrecadação como a Disney, a Warner merece o destaque por ter diversificado e quantificado. Foi o estúdio que mais lançou filmes na temporada (nove) e permitiu ousadias (o que é “Estrada da fúria”, afinal?), e acertou em produções de baixo e médio orçamento como “Terremoto  -a falha de San Andreas” e “O agente da U.N.C.L.E”.

Amy Schumer

Amy Schumer em um hilário ensaio temático de "Star Wars" para a GQ americana: a personalidade da temporada

Amy Schumer em um hilário ensaio temático de “Star Wars” para a GQ americana: a personalidade da temporada

Ela já era uma realidade na cena de comédia americana, mas com o filme “Descompensada”, a comediante – que também concorre ao Emmy deste ano com seu programa de humor – começou a internacionalização de seu nome.

Elizabeth Banks

Nenhum filme dirigido por mulher fez tanto dinheiro em uma temporada de verão como “A escolha perfeita 2”. Ponto para Banks que, logo em sua estreia na direção de longas-metragens, estabelece uma marca como essa.

Espionagem

Matthew Vaughn disse que queria correr com o lançamento de “Kingsman – serviço secreto” porque vinha uma enxurrada de sátiras de espionagem por aí e ele queria ser o primeiro. Acertou. A temporada teve produções como “O agente da U.N.C.L.E”, “Barely lethal”, “A espiã que sabia de menos”, “American ultra”, “Hitman: agente 47”. Isso para não falar do “oficial” “Missão impossível: nação secreta”. E James Bond ainda chega antes do fim de 2015.

Perdedores

Josh Trank

Ninguém sai tão mal desta temporada quanto o diretor John Trank. Seu “Quarteto fantástico” foi o filme mais execrado do ano. Além de engolir o fracasso de público, Trank ficou com fama de “errático” e se viu demitido de um derivado de Star Wars em meio a boatos de desentendimentos no set.

Sony

O estúdio conseguiu a proeza de ver todos os seus lançamentos para a temporada fracassarem nas bilheterias. Eram apenas três filmes, mas os três minguaram. “Pixels”, “Sob o mesmo céu” e ‘Ricki and the flash”.

Adam Sandler

Com “Pixels”, o ator conseguiu rebaixar ainda mais seu status junto à crítica e viu seu prestígio com o público americano implodir em desinteresse.

Arnold Schwarzenegger

Não deu: Schwarzenegger tentou, mas não conseguiu emplacar o novo "Exterminador" entre os sucessos da temporada (Fotos: divulgação/GQ)

Não deu: Schwarzenegger tentou, mas não conseguiu emplacar o novo “Exterminador” entre os sucessos da temporada
(Fotos: divulgação/GQ)

Ele voltou e investiu bastante na divulgação do quinto “O exterminador do futuro”, mas não conseguiu fazer com que o filme fosse um sucesso de bilheteria. Desde que deixou o gabinete de governador, Schwarzenegger ainda não conseguiu um sucesso de bilheteria para chamar se seu. A aposta da vez é “Conan”.

Fox

O estúdio parece funcionar em biênios. Se foi o que mais arrecadou no verão de 2014 e projeta um 2016 encorpado, em 2015 a pobreza dominou. Além do colossal erro com “Quarteto fantástico”, que gerou bastante buzz negativo para o estúdio, o “John Green” do ano, “Cidades de papel”, ficou bem abaixo das expectativas.

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quinta-feira, 23 de julho de 2015 Análises, Atores | 16:27

Em meio à crise na carreira, Adam Sandler busca abrigo na internet

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O ator em cena do filme "Esposa de mentirinha" (Fotos: divulgação)

O ator em cena do filme “Esposa de mentirinha”
(Fotos: divulgação)

Adam Sandler sempre foi um campeão de bilheteria. Desde que iniciou seu reinado em meados da década de 90 com filmes como “Um maluco no golfe” (1996), “Afinado no amor” (1998) e “O paizão” (1999), o ator deu de ombros para a crítica que sempre lhe torceu o nariz.

Nos anos 2000, em plena fase em que astros de cinema se desvalorizavam em detrimento de adaptações de outras mídias e franquias de apelo juvenil, Sandler manteve sólida sua base de fãs e dava lucro com seus filmes relativamente baratos.

Sandler, diferentemente de figuras como Johnny Depp e Robert Downey Jr. que se reinventaram para acontecer no mainstream, levava público ao cinema sendo sempre ele mesmo. As galhofas e as piadas grosseiras vez ou outras rivalizavam com alguma aparição mais séria como no drama pós-11 de setembro “Reine sobre mim” (2007).

Sandler conseguia que até mesmo filmes como “Golpe baixo” (2005), sobre futebol americano, ganhasse distribuição nos cinemas brasileiros. Um feito raro para filmes sobre esportes impopulares no país. A primeira década do milênio foi delirantemente positiva para o ator.

Estrelou filmes muitíssimo bem sucedidos como “A herança de Mr. Deeds” (2002), “Tratamento de choque” (2003), em que contracenou com a fera Jack Nicholson, “Como se fosse a primeira vez” (2004) e “Click” (2006).

Não obstante, colaborou com verdadeiras legendas da sétima arte como Paul Thomas Anderson (“Embriagado do amor”) e James L. Brooks (“Espanglês”), além de se experimentar em um tipo diferente de humor, mais amargo, em fitas como “Tá rindo do quê?”, de Judd Apatow, maior nome da comédia americana atual.

Sandler em "Pixels": crítica reprovou o filme. Como o público reagirá neste fim de semana?

Sandler em “Pixels”: crítica reprovou o filme. Como o público reagirá neste fim de semana?

A virada da década, no entanto, representou um doloroso revés para o ator. Sandler continuou operando na mesma fórmula. Comédias histriônicas (“Gente grande”, “Cada um tem a gêmea que merece” e “Esse é o meu garoto”), com incursões dramáticas pontuais (“Homens, mulheres e filhos”).

“Pixels”, principal aposta da Sony na temporada e que chega hoje aos cinemas do Brasil e nesta sexta-feira nos EUA, já é um filme em que Sandler divide o protagonismo com outros atores. Além de seu habitual parceiro Kevin James, figuras ascendentes como Josh Gad e Peter Dinklage estrelam a fita que coloca personagens de videogames contra a humanidade.

Recolocação

Os últimos filmes do ator foram fiascos de bilheteria. “Juntos e misturados” (2014), terceira colaboração com a atriz Drew Barrymore (as outras foram “Afinado no amor” e “Como se fosse a primeira vez”) já não foi lançado nos cinemas de muitos países.

A crítica continua pouco amistosa com Sandler, mas estaria o público cansado dele? A revista Forbes colocou o ator no topo da lista dos atores menos rentáveis nos últimos dois anos. A equação é simples. A taxa de retorno de Sandler anda baixíssima. Com um salário ainda inflado, o ator rendeu US$ 3,20 para cada dólar recebido. Na contramão da expectativa ensejada pela Forbes, a Netflix fechou um acordo com Sandler para produzir e distribuir seus próximos quatro filmes. O desenvolvimento será conduzido em parceria com a Happy Madison Productions, produtora do ator.

Em Cannes, Ted Sarandos, diretor de programação da Netflix,  disse que a opção por fechar um contrato com Sandler se deu baseado em levantamento feito pela empresa de que os filmes estrelados pelo ator são dos mais procurados pela base de assinantes nos mercados em que a Netflix opera.

Sandler e Barrymore em "Juntos e misturados": velhas receitas não estavam dando certo

Sandler e Barrymore em “Juntos e misturados”: velhas receitas não estavam dando certo

Ao buscar abrigo na internet, Sandler não só aponta um caminho para astros em decadência – e há uma fila cada vez maior deles – como relativiza o impacto negativo das bilheterias de seus últimos filmes. O interesse por ele teria apenas migrado de plataforma. Pode não ser o sonho de aposentadoria do outrora rei da comédia besteirol americana, mas é uma saída para lá de digna.

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segunda-feira, 20 de julho de 2015 Análises, Bastidores | 21:22

Com “50 tons de cinza” e “Jurassic World”, Universal estabelece recorde de faturamento nas bilheterias

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No último fim de semana, “Jurassic World – o mundo dos dinossauros” ultrapassou a marca de US$ 1.513 bilhões arrecadados nas bilheterias mundiais e deslocou “Velozes e furiosos 7” para a quinta colocação no ranking das maiores bilheterias de todos os tempos. O feito, notável, é especialmente satisfatório para a Universal que produziu ambos os filmes, dois dos três datados de 2015 a já terem superado a marca do bilhão nas bilheterias (o outro é “Vingadores – era de Ultron”).

O estúdio tem razões de sobra para comemorar. Além dos acachapantes recordes conquistados por “Jurassic World”, entre eles os de maior bilheteria no fim de semana de estreia, nos EUA e internacionalmente, e o de filme a chegar mais rapidamente ao patamar de US$ 1 bilhão em ingressos vendidos, a Universal atingiu outra marca significativa. Alcançou os US$ 5 bilhões em faturamento nas bilheterias internacionais mais rápido do que qualquer estúdio em qualquer outro ano.

Apesar de “Ted 2” não ter emplacado nas bilheterias, todos os outros lançamentos de médio e grande porte do estúdio foram hits em 2015. Do aguardadíssimo “50 tons de cinza” ao recente “Descompensada” que estreou nos cinemas americanos fazendo barulho no último fim de semana com U$$ 30 bilhões em caixa. Nada mal para uma comédia totalmente original.

A comediante Amy Schumer e o jogador de basquete LeBron James em cena de "Descompensada"

A comediante Amy Schumer e o jogador de basquete LeBron James em cena de “Descompensada”

Cena de "50 tons de cinza", que arrecadou mais de US$ 560 milhões mundialmente Fotos: divulgação

Cena de “50 tons de cinza”, que arrecadou mais de US$ 560 milhões mundialmente
Fotos: divulgação

O pool de lançamentos da Universal inclui, ainda, “A escolha perfeita 2”, “Minions” e o já referido “Velozes e furiosos 7”.

O Cineclube já atentava para o acerto da estratégia da Universal lá atrás, no começo do verão americano, destacando o investimento na diversidade de lançamentos pelo estúdio e da aposta nas comédias como um caminho menos oneroso para o sucesso.  Outro acerto, cuja menção se faz agora necessária, foi estrategicamente distribuir dois de seus principais filmes do ano fora dessa concorrida temporada. Desde sempre “50 tons de cinza” estava destinado a ser lançado no dia dos namorados americano, comemorado em 12 de fevereiro. A data é boa para lançamentos cheios de potencial, até por ser tradicionalmente um período de entressafra entre as produções do Oscar e as do verão. Ano que vem, a Fox já programou o lançamento de “Deadpool” para fevereiro.

Leia também: A lógica por trás da acachapante bilheteria de “Jurassic world” em seu fim de semana de estreia

Primeiro no Cineclube: Liberado o trailer da comédia que promete ser a mais ultrajante e divertida de 2015 

Os estúdios já vinham puxando seus lançamentos para abril, quando ainda é primavera no hemisfério norte, mas a Universal radicalizou e lançou mundialmente o sétimo filme da franquia “Velozes e furiosos” no dia 2 daquele mês.  A fita estava originalmente programada para maio de 2014, mas a morte de Paul Walker obrigou mudanças no cronograma de filmagens. A Universal então decidiu remover o filme do verão e vendê-lo como uma homenagem a Paul. Não deu outra e “Velozes e furiosos 7”, que nem de longe se aproxima dos melhores momentos da série, foi mais longe do que qualquer filme da franquia e amealhou impressionantes US$ 1.511 bilhão.

“Jurassic World” foi lançado simultaneamente nos EUA, Rússia, China e Brasil, quatro dos principais mercados no mundo. Devido às restrições às produções americanas na China e na Rússia é um movimento muito raro por parte das majors americanas. A iniciativa vingou e a Universal conseguiu mais do que um êxito comercial irrepreensível, um golpe de marketing imbatível para promover o filme além do essencial fim de semana de estreia.

Essa combinação de marketing certeiro, domínio do calendário e risco dosado com ousadia valeram à Universal a marca distinta alcançada em 2015.

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domingo, 14 de junho de 2015 Bastidores, Notícias | 19:43

A lógica por trás da acachapante bilheteria de “Jurassic world” em seu fim de semana de estreia

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Foto: divulgação

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Os números ainda não estão consolidados, mas já são assombrosos o suficiente para colocar “Jurassic World – o mundo dos dinossauros” como a melhor estreia de todos os tempos. Com U$ 511 milhões em caixa, o filme supera a abertura do último “Harry Potter”, “As relíquias da morte – parte II”, que fez U$ 483 milhões mundialmente em seu fim de semana de estreia em julho de 2011.

Não obstante, o filme dirigido por Colin Trevorrow ameaça destronar o primeiro “Os vingadores” (2012) do posto de maior abertura da história nos EUA.  “Jurassic world” tem arrecadação projetada neste fim de semana nos EUA de U$ 204 milhões enquanto que “Vingadores” faturou U$ 207 milhões em seu primeiro fim de semana. Nos EUA, o filme foi lançado em 4.273 cinemas. Maior lançamento da história do estúdio Universal.

Apesar dos números serem grandiosos, há toda uma engenharia por trás deles. “Jurassic World” foi o primeiro filme do ano a estrear simultaneamente nos EUA e na China. Os dois mercados mais importantes da atualidade para os estúdios hollywoodianos.  Ao todo, o filme foi disponibilizado em 66 mercados. Analistas calculam que U$ 100 milhões do montante arrecadado pelo filme seja originário da China. País mais populoso do mundo, a China tem uma política restritiva de lançamento de filmes americanos. Uma barreira que os estúdios vêm tentando transpor com parcerias comerciais e criativas.

A Universal, que já é o estúdio que mais lucrou em 2015 (o portfólio do ano inclui ainda os sucessos “50 tons de cinza” e “Velozes e furiosos 7”) acertou em cheio em equiparar as estreias nos dois mercados. Como se sabe, um sucesso de bilheteria é mensurado nesses tempos de internet e lançamentos globais no primeiro fim de semana de exibição.

iG On: Universal fatura mais de R$ 6 bilhões com “Jurassic World” e “Velozes e furiosos”

Leia também: Novo “Vingadores” dá largada à temporada mais lucrativa do cinema americano

A Marvel vinha adotando uma estratégia diferente, privilegiando importantes mercados internacionais como Brasil e Rússia, antes de lançar seus principais filmes em solo americano. Estratégia replicada em 2015 com “Vingadores – a era de Ultron”.

A Universal, com o sucesso estrondoso de “Jurassic World” força as empresas a repensarem o modelo de distribuição. Afinal de contas, se a China já era um mercado estratégico do ponto de vista financeiro, com o êxito jurássico do novo filme da franquia iniciada em 1993 pelo Midas Steven Spielberg, passa a ser também vital do ponto de vista marqueteiro. Afinal de contas, a carreira e os dividendos de “O mundo dos dinossauros” estão apenas começando.

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