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quinta-feira, 23 de abril de 2015 Críticas, Filmes | 17:46

Ficção científica diferente, “Chappie” mira problemas educacionais do terceiro mundo

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Quando lançou “Distrito 9” (2009), promovido por Peter Jackson, Neill Blomkamp foi incensado como o último biscoito do pacote dos cineastas jovens ascendentes. Depois de “Elysium” (2013) essa percepção foi questionada por crítica e indústria que receberam com ceticismo a produção que revisitava temas já trabalhados em “Distrito 9” com menos profundidade e mais pirotecnia.

Blomkamp agora lança “Chappie” (EUA, 2015), um retorno à África do Sul e ao baixo orçamento, mas uma diferente angulação de um tema que persegue com fervor: a desigualdade social.

Criador e criatura: educação problemática  (foto: divulgação)

Criador e criatura: educação problemática
(foto: divulgação)

“Chappie” pode ser lido como uma ficção científica pouco original fortemente influenciada pelos clássicos oitentistas “Robocop” (1987) e “Um robô em curto-circuito” (1986) ou pode ser percebido como uma analogia tão inventiva quanto poderosa sobre as circunstâncias da educação e a premência destas na formação de uma personalidade potencialmente criminosa.

Em uma África do Sul dominada pela criminalidade, a cidade de Joanesburgo entra na vanguarda ao confiar a robôs o patrulhamento e demais atividades policiais de risco.  Dev Patel faz o gênio por trás dos bem sucedidos robôs policiais, enquanto Hugh Jackman faz um ex-militar que tem seu projeto posto para escanteio depois do sucesso alcançado pelas criações do personagem de Patel. Que por sua vez resolve testar aquilo que pode representar a nova fronteira em matéria de inteligência artificial. Um robô capaz de desenvolver consciência.

O personagem não contava que fosse ser sequestrado e que sua mais importante criação seria objeto de interesse de pretensos gângsteres em busca de fortuna.  É aí que “Chappie” capitaliza a metáfora sobre como a educação deficitária em países de terceiro mundo se revela perniciosa. “Chappie”, que leva minutos para balbuciar as primeiras palavras – processo que consome ao menos três meses de uma criança, é alvo de uma educação descriteriosa e hostil e por meio dela, Blomkamp assume uma postura esquerdista ao frisar que os lapsos na educação são determinantes para o ciclo de violência. Se focasse nessa inusitada camada de sua ficção científica, o cineasta sul-africano talvez tivesse colhido mais frutos. Contudo, “Chappie” sofre do mesmo mal do filme antecessor de Blomkamp. São muitos temas para serem lapidados. O cineasta enfileira uma série de tópicos e acaba por enfraquecer o todo. O final é bastante problemático. “Chappie” praticamente vira outro filme sobre os limites da inteligência artificial. Essa transição, mal trabalhada, afasta a plateia do sentido que o filme vinha construindo até então e dá margem àqueles que criticam Blomkamp por reciclar outros filmes sobre robôs.

De todo modo, “Chappie” é um filme mais redondo do que “Elysium” e reafirma ser Blomkamp um dos poucos cineastas a pensar a ficção científica na atualidade. Uma qualidade que, a despeito dos resultados díspares alcançados em seus três filmes, não pode ser desprezada.

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sábado, 28 de fevereiro de 2015 Análises, Notícias | 07:00

Sequências de “Alien” e “Blade Runner” geram boas perspectivas

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bladeHá quem acredite que não se deveria mais mexer na mitologia de “Alien”. Ridley Scott expandiu o universo que já rendera quatro filmes com “Prometheus” (2012), um filme que nunca atinge sua potencialidade, mas tampouco faz feio. Antes mesmo de “Prometheus”, que já tem sequência confirmada, já havia um zum zum zum em torno de um novo “Alien”. Ridley Scott estava cotado para dirigir caso a Fox aprovasse um novo filme. As coisas aconteceram meio por acaso. O cineasta sul-africano Neill Blomkamp (“Distrito 9” e “Elysium”) publicou em suas redes sociais artes conceituais que ele mesmo fizera para o caso de dirigir um filme da franquia. Poucas semanas depois, mais precisamente em 19 de fevereiro, a Fox anunciou que haveria uma nova sequência de “Alien” com Blomkamp na direção e Scott ocupando a produção executiva.

Corta para a noite da última quinta-feira (26). A Alcon Entertainment, que adquirira os direitos de “Blade Runner – o caçador de androides” (1982), em 2011, anunciou que faria uma sequência e que Harrison Ford reprisaria seu papel como Rick Deckard. A direção ficará a cargo do canadense Dennis Villeneuve, de “O homem duplicado”. Filme que certamente funcionou como a melhor das credenciais para Villeneuve.

Desde que comprou os direitos sobre “Blade Runner”, muito especulou-se que a Alcon estaria interessada em rodar uma prequela da trama do filme de 1982. Ridley Scott também atuará na produção executiva servindo como um consultor de luxo.

“Alien” e “Blade Runner” têm mais do que Ridley Scott em comum. São filmes revolucionários, na linguagem e na forma, e seminais na arquitetura de uma ficção científica mais independente e altiva.

Arte conceitual de Blomkamp para o novo filme da franquia "Alien"

Arte conceitual de Blomkamp para o novo filme da franquia “Alien”

Mais uma imagem da visão de Blomkamp para "Alien"

Mais uma imagem da visão de Blomkamp para “Alien”

Harrison Ford voltará a viver Rick Deckard, mas pode se desligar em definitivo de outro icônico personagem. Há uma onda de boatos ganhando cada vez mais força em Hollywood de que Steven Spielberg trabalha para dirigir uma nova versão de “Indiana Jones” com Chris Pratt (“Guardiões da galáxia”) como Indy.

Hollywood, como diriam as más línguas, não sabe largar o osso. Mas especificamente sobre os novos “Alien” e “Blade Runner”, as perspectivas são as melhores possíveis. Blomkamp é fã confesso dos dois primeiros filmes – o segundo foi dirigido por James Cameron – e já anunciou que seu filme deve desconsiderar os eventos das terceira e quarta produções. Blomkamp é um dos últimos nomes realmente promissores a emergir na cena da ficção científica e sua devoção à essência de “Alien” e especialmente o trabalho apresentado em “Distrito 9” são razões que fundamentam o otimismo.

Villeneuve é um dos diretores mais inventivos e inteligentes a ter pisado em Hollywood. Depois de ir ao Oscar com o drama canadense “Incêndios”, ele debutou no mainstream americano com o tenso e intenso “Os suspeitos” (2013), estrelado por Hugh Jackman como um pai à procura de sua filha sequestrada. Seu filme seguinte, “O homem duplicado”, uma adaptação de Saramago, versava sobre identidade – tema caro ao universo de “Blade Runner”.

Esses filmes não precisariam de novos desdobramentos ou capítulos, mas já que esse é um caminho inevitável no negócio do cinema, essas relíquias cinematográficas não poderiam ter sido entregues a melhores mãos.

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