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terça-feira, 6 de maio de 2014 Críticas, Filmes | 22:11

Crítica – “O espetacular Homem- Aranha 2: a ameaça de Electro”

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“O espetacular Homem-Aranha 2: a ameaça de Electro” é um filme que tem a ambição de ser superlativo. Tem duração de duas horas e meia; tem um conjunto nada desprezível de três vilões; objetiva dar seguimento a linha cronológica envolvendo os pais de Peter Parker e, simultaneamente, ser cativante como filme individual.

Isso tudo em uma embalagem para lá de pop e calcada em ação acelerada entremeada por um romance que ganha mais atenção do que o habitual em filmes de super-heróis.

Neste segundo filme, Peter Parker já surge à vontade como o Aranha. A cidade de Nova Iorque, no entanto, parece questionar a viabilidade de um herói mascarado que gera muitos prejuízos à cidade. Mas essas reminiscências pouco interessam à realização, mais centrada em propor uma colisão dos conflitos do adolescente Peter Parker com os do herói ainda inseguro quanto a sua função social.

O problema é que essa colisão é muito mal executada. Marc Webb atendeu bem ao desejo do estúdio de rejuvenescer o personagem e se houve mudanças que desagradaram os fãs mais xiitas, elas se justificam na necessidade de se distinguir da trilogia rodada por Sam Raimi.

Mas a trilogia em questão é um fantasma que não pode ser apartado por mudanças pontuais aqui e ali. A evolução de Peter Parker foi melhor tateada por Raimi. Enquanto Webb desenrola uma teia conspiratória que só se mostra excessiva, seu Homem-Aranha perde em apelo dramático na comparação com o de Raimi. Ele parece revisitar os mesmos conflitos, mas com muito menos propriedade.

O romance entre Peter e Gwen é o grande destaque do filme (Foto: divulgação)

O romance entre Peter e Gwen é o grande destaque do filme (Foto: divulgação)

Tome-se como ponto fundamental os vilões desse filme. Electro, o vilão principal e que tem seu nome no título, perde a posição de antagonista para o Duende verde, catalisador de um evento chave que já vem das HQs e tem todo o seu arco dramático comprometido por motivações nunca bem adensadas narrativamente. Não ajuda o fato de Jamie Foxx ceder à caricatura em sua caracterização.

Outro aspecto é a linguagem adotada por Webb. Enquanto muitos correm atrás do realismo, na esteira dos feitos de Christopher Nolan na trilogia do Batman, Webb opta por mimetizar a linguagem visual das HQs. O que a princípio pode parecer uma vantagem, gera um estranhamento irreversível e que, em última análise, torna o filme perigosamente pueril.

A seu favor, “A ameaça de Electro” tem a química entre Andrew Garfield e Emma Stone, que são namorados na vida real, e o bom uso do humor, uma prerrogativa básica do Aranha, mas é muito pouco. Para um filme tão ambicioso, ter seus melhores momentos no adornamento de um romance teen chega a ser ofensivo.

“A ameaça de Electro”, no entanto, é um produto mais bem acabado do que seu antecessor. Mas sofre da mesma sina. É um filme esquecível.

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domingo, 27 de abril de 2014 Atores | 19:08

Andrew Garfield, além de Peter Parker

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(Foto: reprodução Instagram)

(Foto: reprodução Instagram)

Muita gente torce o nariz para essa nova versão do Homem-Aranha, cujo segundo filme (“O espetacular Homem-Aranha 2 – a ameaça de Electro) estreia na próxima quinta-feira. Mas há um aspecto dessa reimaginação do universo aracnídeo que foge à polêmica. A adequação de Andrew Garfield ao personagem. Tanto ao Aranha, com seu corpo esguio, como a Peter Parker.  A essência do personagem, nerd, introvertido e inseguro, já havia sido capturada por Tobey Maguire, mas Garfield é mais orgânico ao frisá-la, ainda que seu Peter  Parker seja mais seguro de si e jeitoso do que a concepção clássica do personagem, mais respeitada na versão do diretor Sam Raimi que tinha Maguire como protagonista.

Andrew Garfield tem 30 anos, mas não se deixe enganar pela cara de moleque e aparência franzina. O intérprete de Peter Parker é um ator muito ambicioso. Assumir o risco de viver o Homem-Aranha quando ninguém queria um novo ator vivendo o herói é um reflexo dessa ambição e o fato de ter convencido público e crítica em um filme que não fez o mesmo prova que Garfield tem talento e carisma a ofertar além do que o rostinho bonito entrega.

A primeira vez que o ator chamou a atenção foi no drama com fortes cores liberais (e ainda mais forte na postura contra a invasão americana no Iraque, então em pleno vapor) “Leões e cordeiros” (2007), de Robert Redford. Ele fazia um estudante brilhante, mas aparentemente pouco interessado com os rumos de sua vida profissional e da política de seu país. O professor vivido por Redford tenta incutir alguma consciência política no rapaz, mas esbarra em seu cinismo.

O ator em cena de "Leões e Cordeiros": primeira impressão acima da média

O ator em cena de “Leões e Cordeiros”: primeira impressão acima da média ( Foto: divulgação)

O papel, mais difícil do que parece, ajudou Garfield a conseguir outro papel relevante em um filme de inegável ambição artística, “O mundo imaginário do doutor Parnassus” (2009), que acabou ficando popular por se tratar do último filme estrelado pelo saudoso Heath Ledger, cuja participação fora completada pelos atores Johnny Depp, Colin Farrel e Jude Law.

O trabalho o colocou na mira de David Fincher que o escalou para o papel mais desafiador de sua carreira, o do co-fundador do Facebook Eduardo Saverin em “A rede social” (2010). Era o personagem mais difícil do filme e Garfield conseguiu preenchê-lo com as exatas doses de carisma, contradição e coração. No mesmo ano, estrelou o pequeno ( em orçamento e visibilidade, mas grande em qualidade) “Não me abandone jamais”, uma mescla ousada de drama existencial e ficção científica hardcore e provou ser capaz de segurar um filme dramaticamente.

Ainda em 2010, ele foi anunciado com o novo intérprete do Homem-Aranha. Era um caminho sem volta para o estrelato, mas também uma oportunidade de fisgar melhores trabalhos, receber propostas para filmes que, talvez, não chegariam a ele sem o Homem-Aranha em sua vida. Um desses trabalhos é “Silence”, novo filme de Martin Scorsese, previsto para 2015, em que o ator será protagonista. No filme, ele viverá um padre jesuíta que vai ao Japão investigar acusações de perseguição religiosa.

Garfield nos bastidores de "O espetacular Homem-Aranha 2": uma carreira muito bem conduzida ( Foto: divulgação)

Garfield nos bastidores de “O espetacular Homem-Aranha 2”: carreira muito bem conduzida ( Foto: Splash News)

Não é o caso de supor que Garfield porá fim à lucrativa, elogiada e premiada parceria entre Scorsese e Leonardo DiCaprio, mas os dados estão rolando e Garfield tem fome.

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