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Posts com a Tag O homem duplicado

quinta-feira, 3 de julho de 2014 Críticas, Filmes | 20:57

“O Homem duplicado” leva inflexão vigorosa de Saramago ao cinema

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O cineasta canadense Denis Villeneuve, aos poucos, constrói uma filmografia que, além de rica e pensativa, é das mais instigantes do cinema moderno. Depois de apresentar uma das maiores sensações do cinema em 2013, o misto de thriller e drama “Os suspeitos”, o diretor chega aos cinemas com “O homem duplicado” (2013), uma adaptação essencial da obra homônima do escritor português José Saramago.

“O homem duplicado” versa sobre identidade. Sobre a singularidade do indivíduo à sombra da sociedade e, também, sobre como a vaidade é um forte elemento transformador. Isso tudo em um filme que se resolve primordialmente como um tubo de ensaio. Seja em sua lógica visual, seja no ritmo fragmentado e desabrido da narrativa. Lacunas e elipses se erguem com a benção de Saramago em um filme que não tem medo de provocar perplexidade na plateia.

Jake Gyllenhaal vive Adam, um introspectivo professor de história, que se encontra à beira da depressão quando descobre, ocasionalmente em um filme qualquer, um homem que é idêntico a ele. Adam resolve ceder a essa curiosidade e passa a perseguir, ainda que atabalhoadamente, seu sósia. Anthony St. Claire (também vivido por Jake Gyllenhaal) é o oposto de Adam. Confiante, boa vida e mora em um apartamento ensolarado – um contraponto ao escuro apartamento de Adam. A estranheza de conhecer um homem igualzinho a ele logo dá espaço a uma curiosidade mórbida por parte do ator que não consegue romper o terceiro escalão da fama. Adam, por sua vez, passa a se sentir incomodado por entender estar perdendo a referência de sua identidade.

Um encontro que coloca os personagens em caminhos opostos: "O homem duplicado" nunca opta pela via mais fácil ao instigar constantemente a audiência  ( Foto: divulgação)

Um encontro que coloca os personagens em caminhos opostos: “O homem duplicado” nunca opta pela via mais fácil ao instigar constantemente a audiência ( Foto: divulgação)

A Toronto que recebe a ação é estranhamente fria e atemporal, em uma solução visual digna de nota do fotógrafo Nicolas Bolduc para dimensionar a letargia emocional que aflige o protagonista. Conforme a trama avança, as dúvidas, ensejadas por pistas nada óbvias por parte da realização, se proliferam e a certeza se afasta. A jornada proposta por Saramago e replicada aqui por Villeneuve com espantosa fidelidade não busca o sentido formal, mas a gravidade da inflexão. Nesse aspecto, “O homem duplicado” triunfa com a sobriedade do grande pensador em que se acolhe.

Um adendo à extraordinária composição de Jake Gyllenhaal precisa ser feito. O ator distingue seus personagens quando necessário e borra essas tintas de distinção quando preciso.

Gyllenhaal é um elemento tão importante na narrativa quanto os símbolos projetados por Villeneuve. Um destes é uma tarântula. A tarântula representa o lado sinistro, o aspecto obscuro de um ser humano. Reside na combinação da performance de Gyllenhaal e da compreensão dessa metáfora exposta na tela em dois momentos distintos, a força de “O homem duplicado” enquanto cinema.

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sábado, 31 de maio de 2014 Filmes, Listas | 22:40

Cinco filmes imperdíveis nos cinemas em junho

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Não é um mês, digamos, dos mais prolíferos em matéria de cinema. Estúdios e distribuidoras cientes de que neste mês de junho a Copa do Mundo reinará absoluta, não programaram grandes lançamentos para o período. Mesmo assim, o Cineclube deu uma peneirada geral e destaca cinco belos lançamentos do mês. Tem espaço para filme teen, produção nacional multipremiada, adaptação de José Saramago e filme francês.

 

“O lobo atrás da porta” (Brasil, 2013)

(Fotos: divulgação)

(Fotos: divulgação)

Filme brasileiro que coleciona prêmios festivais afora, a fita dirigida por Fernando Coimbra e estrelada por Milhem Cortaz (“Tropa de elite”) e Leandra Leal (“Mato sem cachorro”), nas palavras da Variety, revista americana especializada em entretenimento, “é um suspense intrigante e extremamente inteligente”. Curioso? A trama mostra um triângulo amoroso como estopim do sequestro de uma criança no Rio de Janeiro. Exibido em diversos festivais fora do Brasil, “O lobo atrás da porta” é considerado o filme brasileiro mais surpreendente desde “Cidade de Deus” (2002).

Estreia em 05/06

“O amor é um crime perfeito” (França, 2013)

O amor é um crime perfeito

 

Representante francês da lista é daqueles que faz jus à fama dos filmes franceses. Um professor de literatura conquistador, vivido por Mathieu Amalric (“007 – Quantum of Solace”) recebe a visita da mãe de uma das alunas que levou para a cama. A pegadinha é que a menina desapareceu. Entre o thriller e o drama, o filme vai revelando suas camadas.

Estreia em 19/06

 

“Vizinhos” (EUA, 2014)

Film Title: Neighbors

Dos mesmos produtores de “É o fim”, um dos filmes mais descolados e engraçados dos últimos tempos, esta comédia protagonizada por Seth Rogen (“Ligeiramente grávidos”) e Zac Efron (“Obsessão”) chegou fazendo barulho nos EUA. Rogen faz um pai de família que se muda para um subúrbio aparentemente ideal. A paz de sua família, no entanto, é ameaçada pela algazarra dos vizinhos, literalmente um clube do bolinha dos mais endiabrados.

Estreia em 19/06

 

O homem duplicado (EUA, 2013)

O Homem duplicado (1)

Filme do mesmo diretor do tenso e complexo “Os suspeitos”, uma das boas surpresas do ano passado nos cinemas, essa adaptação da clássica obra de Saramago traz Jake Gyllenhaal como um professor de história com fortes tendências depressivas. Um dia, vendo um filme, ele descobre uma pessoa idêntica a ele. A partir daí, fica obsessivo em descobrir tudo sobre essa pessoa.

Estreia em 19/06

“A culpa é das estrelas” (EUA, 2014)

A culpa é das estrelas

 

Trata-se da adaptação cinematográfica de um grande sucesso da literatura infanto-juvenil. Adaptado do livro de John Green, que por sua vez foi lançado em 2012, o filme acompanha a luta de Hazel (a encantadora e ascendente Shailene Woodley) contra um câncer e como a perspectiva do amor muda toda a sua percepção sobre si e sobre a vida.

Estreia em 05/06

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