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sexta-feira, 24 de outubro de 2014 Críticas, Filmes | 17:52

Presença vulnerável e carismática de Robert Downey Jr. norteia “O Juiz”

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Produzido por Susan Downey, esposa de Robert Downey Jr, “O Juiz” é um veículo para o astro de “Homem de ferro” e “Sherlock Holmes” exercitar sua veia dramática. O que não implica na assunção de que se trata de um filme desonesto ou limitado. Dirigido por David Dobkin, diretor de filmes como “Amizade colorida” e “Penetras bons de bico”, também ele em busca de um reposicionamento na carreira, “O juiz” é daqueles dramas familiares eficientes e ainda tem o bônus de não fazer feio como filme de júri.

Todo esse hype se sustenta em um filme que sabe muito bem como trabalhar seus predicados. Robert Downey Jr. vive Hank Palmer, um poderoso e prestigiado advogado que volta à cidade interiorana em que cresceu quando recebe a notícia de que sua mãe morreu. O retorno invariavelmente lhe coloca em colisão com o pai (Robert Duvall)  –  o juiz do título –  com quem tem uma relação difícil, e com os irmãos, um com problemas mentais (Jeremy Strong), e outro com quem tem um histórico conturbado de traumas e culpa (Vincent D´Onofrio).

Dois Roberts valem mais que um: cenas de Duvall e Downey Jr. respondem pelos melhores momentos de "O juiz" (Foto: divulgação)

Dois Roberts valem mais que um: cenas de Duvall e Downey Jr. respondem pelos melhores
momentos de “O juiz”
(Foto: divulgação)

Dobkin acertadamente privilegia o trabalho dos atores e abre espaço para eles brilharem. Downey Jr. e Duvall têm pelo menos um par de cenas memoráveis. Duvall, aliás, assume um papel que Downey Jr. havia oferecido para Jack Nicholson. Desde já comentado para o Oscar de ator coadjuvante, o ator acostumou-se a ser a segunda opção em castings de grandes filmes hollywoodianos, mas, como de hábito, entrega uma atuação de primeira grandeza.

Se existe um “porém” neste filme que não se incomoda em levar seu público às lágrimas, são as opções do roteiro para a exposição e resolução dos conflitos familiares. Há, por parte do texto assinado por Nick Schenk e Bill Dubuque, uma desconfiança muito grande no poder de intuição da audiência. De certa forma a relativamente excessiva metragem da fita, 141 minutos, se faz necessária para acomodar toda a sanha explicativa do roteiro. Muito da força dramática do filme se esvai em cenas e diálogos explicativos que são totalmente desnecessários. A produção ganharia em musculatura dramática se o minimalismo perseguido na caracterização de Downey Jr., por exemplo, fosse um objetivo comungado pelo filme.

Paira sobre esses conflitos de prós e contras, a presença poderosa e carismática de Downey Jr., mais vulnerável do que em suas incursões recentes pelo cinema, estabelecendo mais um ponto de virada em sua carreira. O que virá a seguir para o astro mais valioso e bem cotado da indústria do cinema?

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