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quinta-feira, 22 de maio de 2014 Críticas, Filmes | 22:11

Obrigatório, “O passado” trata da complexidade das relações amorosas

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O passado é uma presença inescapável em “O passado” (2013), novo e potente filme do premiado Asghar Farhadi (“A separação”).  Como no filme iraniano vencedor do Oscar de melhor produção estrangeira em 2012, o cineasta está interessado em debater não só as escolhas, mas suas consequências na rotina conjugal de um casal. O casal em questão está desfeito. “O passado” começa com Marie (Bérénice Bejo) à espera de Ahmad (Ali Mosaffa) no aeroporto. Depois de quatro anos, ele retorna à França para oficializar o divórcio, a pedido dela. Ele a abandonara, sem grandes justificativas, para retornar ao Irã. Logo sabemos que Marie está em uma nova relação, com Samir (Tahar Rahim), cuja esposa está em coma no hospital, e deseja se casar com ele.

Ela tem duas filhas de um primeiro casamento frustrado. A mais velha (Pauline Burlet) rejeita a nova relação e demonstra isso com todas as suas forças. Samir tem um menino. Que sofre de um jeito bastante explosivo os reflexos dessa fase de mudanças, com a mãe em coma, o pai em uma nova relação, etc.

Ahmad, meio que inadvertidamente, entra no olho desse furacão. “O passado”, como se pode observar, não é um filme que almeja discutir uma história de amor, mas sim nossa capacidade de complexar nossas relações amorosas; e os efeitos colaterais dessa inclinação.

O que mais impressiona no cinema de Farhadi é sua capacidade de evoluir a narrativa com o aprofundamento constante dos conflitos centrais. Assim como o era “A separação”, “O passado” é um filme cujas camadas vão se revelando pacientemente à medida que mais da trama se toma conhecimento.

Esse rigor narrativo, tão bem engendrado por atores atuando com segurança, por um texto bem azeitado, e por escolhas de direção assertivas, torna “O passado” um filme de muitos níveis.

Filme explora muito bem o que não é dito, mas pressentido pela audiência (Foto: divulgação)

Filme explora muito bem o que não é dito, mas pressentido pela audiência (Foto: divulgação)

Por um lado, há a análise sugestiva dessa mulher que tenta a todo custo ser feliz em uma relação amorosa, que apresenta sinais de bipolaridade, e que negligencia as filhas. Por outro, há o iraniano que retorna à França depois de ter abandonado essa mulher. Sabemos que ele partiu por estar em profunda depressão, mas mais não sabemos. Ficamos apenas com conjecturas. Sua serenidade, no entanto, convida o espectador a assumir seu ponto de vista.

Há, ainda, Samir. Homem rústico, bem intencionado, e que sutilmente estabelece uma guerra silenciosa com Ahmad. Conforme o filme avança, a consciência alcança Samir. Aí entra em cena outro grande acerto de Farhadi. Aos poucos ele vai incutindo um debate inóspito. Existe uma ética a ser preservada em uma história de amor? É correto abandonar, sem qualquer aviso prévio, alguém com quem você divide uma vida e uma família? É correto se relacionar com alguém, cuja esposa se encontra em coma? Como se entregar a um novo amor, se há outro moribundo no hospital?

Farhadi aborda a culpa sob diferentes facetas e utiliza desde a inocência da infância até aspectos políticos como a imigração para aferir cor a esse recorte.

Por tudo isso “O passado” se fia como uma das obras cinematográficas mais extraordinárias a aportar nos cinemas brasileiros em 2014.

Uma menção especial, principalmente ao talento de Farhadi na direção de atores, é o menino Elyes Aguis, que interpreta Fouad, filho de Samir. Em seu primeiro filme, Aguis assume o personagem mais complexo da trama e com mais margem de erro, afinal não é fácil exteriorizar uma crise emocional interna, ainda mais em uma criança. Aguis abisma com talento, mesura e emoção. Ele é a demonstração mais eloquente de que “O passado” é um filme obrigatório.

Farhadi, à direita, orienta Bejo e Rahim no set de "O passado"  ( Foto: divulgação)

Farhadi, à direita, orienta Bejo e Rahim no set de “O passado”
( Foto: divulgação)

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sexta-feira, 2 de maio de 2014 Filmes, Notícias | 00:03

Cinco filmes imperdíveis em maio

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O mês de maio costuma acomodar alguns dos principais lançamentos do cinemão americano. Blockbusters recheados de efeitos especiais e cheios de ambição nas bilheterias como “X-men: dias de um futuro esquecido” e “O espetacular Homem-Aranha 2: a ameaça de Electro”. O Cineclube faz a peneira e destaca cinco filmes que valem o ingresso. Tem espaço para blockbuster, filme nacional, filme de arte e até filme grego.

“Godzilla”

Bryan Cranston e Aaron Taylor-Jonhson em cena do filme (Foto: divulgação)

Bryan Cranston e Aaron Taylor-Jonhson em cena do filme (Foto: divulgação)

Quando estreia? 15 de maio

O hype: O rei dos monstros está de volta. A nova produção da Warner tem como principal ambição apagar a má impressão deixada pela versão de 1998, dirigida por Roland Emmerich e estrelada pelo improvável Matthew Broderick. Além do mais, o filme chega exatas seis décadas depois da primeira aparição do monstrego no cinema.

Por que assistir? O elenco é de encher os olhos e para reunir um time que tem Ken Watanabe, Juliette Binoche e Bryan Cranston, o roteiro tem que ser bom. Além do mais, os efeitos especiais são de arrasar.

“Praia do futuro”

(Foto: divulgação)

(Foto: divulgação)

Quando estreia? 15 de maio

O Hype: Novo filme do elogiado cineasta brasileiro Karim Aïnouz, diretor dos ótimos “O céu de Suely” e “O abismo prateado”. O filme integrou a seleção oficial do festival de Berlim e tem o ator Wagner Moura no que o próprio classificou como “o  papel mais difícil” de sua carreira.

Por que assistir? Donato (Moura) é salva-vidas em uma praia do Ceará. Depois de resgatar um turista alemão de um afogamento, ele se apaixona e muda para a Alemanha. A trama acompanha o irmão dele (Jesuíta Barbosa) tentando se reaproximar e entender suas escolhas. O filme se passa maiormente em Berlim, cidade em que Aïnouz escolheu para viver.

“Miss violence”

(Foto: divulgação)

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Quando estreia? 29 de maio

O Hype: O filme grego foi recebido no último festival de Veneza, de onde saiu com quatro prêmios, como a mais aterradora interpretação da crise financeira que assolou a Grécia.

Por que assistir? Um dos filmes mais violentos e paradoxais a ter surgido no cinema moderno. Essa é avaliação do New York Times para o drama cuja ação é desencadeada pelo suicídio de uma menina de 11 anos no dia do seu aniversário.

 

“O passado”

(Foto: divulgação)

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Quando estreia? 8 de maio

O Hype: Trata-se do novo filme de Asghar Farhadi, diretor do premiadíssimo “A separação”. Em “O passado” ele retoma o espinhoso tema das relações conjugais sob a ótica da divergência cultural.

Por que assistir? A argentina radicada na França Bérénice Bejo ganhou a Palma de Ouro de melhor atriz no último festival de Cannes. A crítica internacional saudou o filme como uma grande realização de um diretor sensível e obstinado.

“Sob a pele”

(Foto: divulgação)

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Quando estreia? 15 de maio

O Hype: Scarlet Johannson faz uma alienígena que, entre outras coisas que faz para entender os humanos, seduz homens, faz sexo com eles e os devora. Sim, esse é o filme em que ela aparece totalmente nua.

Por que assistir? Outro filme saído de festival e com uma ambição nada comum: entender o que é que nos faz humanos.

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