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terça-feira, 23 de maio de 2017 Atores | 15:21

Primeiro Bond a morrer, Roger Moore levou humor à franquia

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Ele foi o James Bond dos títulos inspirados. De “Somente para Seus Olhos” a “007 Contra o Homem com a Pistola de Ouro”, passando por “007 Viva e Deixe Morrer”, Roger Moore consolidou a série no cinema

Roger Moore, eternamente Bond (Divulgação)

Roger Moore, eternamente Bond
(Divulgação)

Primeiro James Bond a morrer. Roger Moore, que aferiu leveza e bom humor ao agente secreto com licença para matar e fez com que James Bond finalmente superasse Sean Connery e pudesse, de fato, virar um diamante eterno da sétima arte, morreu nesta terça-feira (23) em decorrência de um câncer.

Leia também: 007 mais longevo, Roger Moore morre de câncer aos 89 anos de idade

Roger Moore foi James Bond entre 1973 e 1985. É, ainda, o recordista a viver o personagem na série oficial. O britânico estrelou a fase mais cômica do personagem e foi com ele que 007 veio ao Rio de Janeiro em “007 Contra o Foguete da Morte”.

Bond favorito de muitos fãs e com título de Sir, Moore não era uma grande ator. Mas tinha um senso de humor afinadíssimo. Soube fazer graça dos boatos de que era gay em “Cruzeiro das Loucas” (2002) e foi um dos primeiros a defender a flexibilização do estigma de Bond como homem branco e mulherengo.

Ainda que não estivesse aposentado como Sean Connery, Moore praticamente não aparecera no cinema nos últimos dez anos. Estava relegado a produções televisivas na Inglaterra. Sua última participação em uma produção de Hollywood foi em “Como Cães e Gatos 2: A Vingança de Kitty Galore”. Apesar do aparente ostracismo, Roger Moore, continuava sendo um formador de opinião acessado pela imprensa inglesa para pautas de comportamento e cultura.

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quarta-feira, 26 de abril de 2017 Análises, Diretores | 12:47

Cineasta clássico, Jonathan Demme explorou o cinema ao máximo e manteve-se humilde

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Diretor de obras consagradas como “O Silêncio dos Inocentes”, “Filadélfia” e “Sob o Domínio do Mal”, também dirigiu coisas para a TV como as preciosidades “The Killing” e “Enlightened”

O cineasta Jonathan Demme ao lado de Meryl Streep e Rick Springfield no set de "Ricki and The Flash"

O cineasta Jonathan Demme ao lado de Meryl Streep e Rick Springfield no set de “Ricki and The Flash”

Em um ano que já levou Emmanuelle Riva, John Hurt, Bill Paxton, entre outros grandes nomes da sétima arte, a notícia da partida do cineasta Jonathan Demme é especialmente dolorida. O diretor morreu na manhã desta quarta-feira (26) em Nova York  decorrência da luta contra um câncer de esôfago.

Ele tinha 73 anos e seu último filme foi “Justin Timberlake + The Tennessee Kids”, um documentário para a Netflix. Jonathan Demme era do tipo que alternava-se entre longas de ficção e documentários. O gosto por contar histórias era tão altivo que dirigiu episódios de séries de TV antes mesmo delas sequestrarem os talentos de Hollywood.

Leia também: Quem canta os males espanta no delicado “Ricki and The Flash”

Foi um dos grandes, mesmo que não se comportasse como tal e não se importasse em envernizar um legado que, agora, cresce de tamanho. Junto de Milos Forman e Frank Capra ostenta a honorável marca de cineasta a ter dirigido um filme a conquistar o prestigiado big five no Oscar, os prêmios de filme, direção, roteiro, ator e atriz. “O Silêncio dos Inocentes” (1991), o último a conquistar tal façanha, compreensivelmente, será seu filme mais lembrado. Mas sua filmografia é muito mais diversa e reverenciável do que este excelente e definidor filme propõe.

Jonathan Demme, depois do primeiro tratamento contra o câncer, no festival de Veneza em 2015 (Fotos: divulgação/shutterstock

Jonathan Demme, depois do primeiro tratamento contra o câncer, no festival de Veneza em 2015
(Fotos: divulgação/shutterstock)

O primeiro Oscar de Tom Hanks, hoje um patrimônio tanto do cinema como do establishment americano, veio com o suporte de Demme que produziu e dirigiu “Filadéfia” (1993), um robusto drama sobre o impacto da AIDS em um momento que a América ainda tratava o assunto com reticências.

Demme transitava com desenvoltura por diversos gêneros. A comédia sofisticada (“De Caso com a Máfia”), a comédia de ação (“Totalmente Selvagem”), o thriller político (“Sob o Domínio do Mal”), o drama familiar indie (“O Casamento de Rachel”) e suspense (“O Abraço da Morte”). Seu último longa de ficção foi o tenro e musical “Rickiand The Flash: De Volta para a Casa” (2015), estrelado por Meryl Streep, em que pôde conjugar suas duas grandes paixões: a música e o cinema.

Jonathan Demme foi um cineasta clássico, com acurado domínio da gramática do cinema. Soube remover-se de sua zona de conforto e explorou o cinema o máximo que pôde. Construiu uma filmografia plural, rica, intensa e que a história se incumbirá de tornar  grande.

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segunda-feira, 4 de julho de 2016 Diretores | 21:11

Morre Abbas Kiarostami, cineasta que radiografou o Irã, o homem e soube registrar o mundo como ninguém

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Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

O cinema perdeu uma de suas principais forças criativas com a morte do cineasta iraniano Abbas Kiarostami. A notícia foi confirmada nesta segunda-feira (4) pela agência de notícias iraniana Isna. Diagnosticado com um câncer gastrointestinal, Kiarostami se tratou em Paris e, inclusive, submeteu-se a uma cirurgia em junho.  O diagnóstico veio em março e o câncer, como atesta a morte no princípio de julho, foi feroz e impiedoso.

“Gosto dos filmes que fazem as pessoas dormirem”, disse certa vez o vencedor da Palma de Ouro em Cannes com “Gosto de Cereja” em 1997. A frase, ainda que contextualizada por seu caráter anedótico, diz muito sobre o artista Kiarostami. Dono de um cinema altivo e que busca a reflexão contínua e intermitente sobre a vida e suas idiossincrasias, o iraniano filmou seus últimos filmes fora de seu país, assim como alguns dos mais expressivos cineastas de lá como Jafar Panahi e Asghar Farhadi.

Leia também: “Cópia Fiel” é cinema de questionamento 

Sua filmografia congregava rigor narrativo, força etérea e estupor visual. Produções como “Close-up”, a primeira a lhe atribuir alguma visibilidade internacional, dialogam com obras mais reverenciadas e famosas como “Cópia Fiel” em níveis que apenas estudiosos do cinema parecem compreender. Abbas Kiarostami é propulsor de um cinema que se pretende acadêmico, mas não aliena o público que nele pretende imergir.

À Folha, a diretora da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo Renata Almeida, amiga do diretor e que a ele proveu grande espaço no festival paulistano, disse que Kiarostami foi um “poeta visual”.

“De todos os diretores iranianos, ele foi um que conseguiu viajar, filmar em vários lugares. Era universal. Tinha muita poesia. Originalidade. Não era nem o maior cineasta iraniano, era um dos maiores cineastas do mundo. Ponto. Isso é surpreendente”, observou. Para ela, em qualquer lugar que se predispusesse filmar, Kiarostami tinha o talento e a sensibilidade para registrar algo novo, próprio. “Uma perda imensa para as artes”.

“Cópia Fiel”, que assim como a grande maioria dos filmes de Kiarostami a partir de meados da década de 90, integrou a competição oficial do festival de Cannes, talvez seja o seu filme definitivo.  Na produção rodada na Itália, um crítico de arte e um amor do passado discutem o valor da arte e de como a cópia pode reafirmar esse valor, com paralelos na vida e nas relações amorosas. É o filme que melhor traduz, hoje, o gênio de Kiarostami e merece ser elevado ao posto de seu testamento artístico.

O cineasta ao lado da atriz Juliette Binoche no set de "Cópia Fiel" (Foto: divulgação)

O cineasta ao lado da atriz Juliette Binoche no set de “Cópia Fiel”
(Foto: divulgação)

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domingo, 19 de junho de 2016 Atores | 19:51

Anton Yelchin deixa a vida muito jovem, mas com um legado cinematográfico belo e completo

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Yelchin ao lado de Felicity Jones em "Loucamente Apaixonados": um de seus melhores momentos no cinema (Fotos: divulgação)

Yelchin ao lado de Felicity Jones em “Loucamente Apaixonados”: um de seus melhores momentos no cinema
(Fotos: divulgação)

A notícia da morte de Anton Yelchin, ator russo radicado nos EUA, aos 27 anos chocou o mundo. O aspecto bizarro da morte do jovem, atropelado pelo próprio carro em sua garagem em um acidente tão improvável quanto fatal realça o aspecto de incredulidade com o que se sucedeu.

A imprensa noticiou a morte do “ator de Star Trek” com o espanto que ela despertou. O terceiro filme da revitalização da franquia, com estreia marcada para julho nos EUA e setembro no Brasil, é um dos filmes estrelados por Yelchin que agora serão lançados postumamente.

Cena de "Alpha Dog": Ascensão no cinema indie

Cena de “Alpha Dog”: Ascensão no cinema indie

Outros são “Porto”, um romance indie ambientado na cidade portuguesa,  “Rememory”, um sci-fi em que divide a cena com Peter Dinklage, e “We Don´t Belong Here”, em que contracena com Catherine Keener. Além da série animada da Netflix, produzida por Guillermo Del Toro, “Thoroughbred” – esta ainda incompleta.

Yelchin começou a atuar ainda criança, mas não obteve o status de um astro precoce nos termos de Macaulay Culkin. De participações em produções televisas como “E.R”, “Nova York Contra o Crime” e “Taken”, a pontas em filmes como “Na Teia da Aranha” (2002) e “Reflexos da Amizade”, Yelchin foi conquistando seu espaço no cinema americano. Seu primeiro grande papel foi em “Alpha Dog (2006)”, de Nick Cassavetes. Não era o protagonista, mas o filme girava em torno de seu personagem. Um tipo introspectivo que queria ser aceito e acabava se envolvendo com traficantes e jovens arruaceiros. Yelchin já demonstrava brio como ator e a cena independente do cinema americano o acolheu com a mesma energia que ele demonstrava ter.

Filmes como “Charlie, um Grande Garoto”  (2007), “Middle of Nowhere” (2008) e “Nova York, eu Te-Amo” (2008) ajudaram a popularizar seu nome no circuito independente americano e a chamar a atenção de quem estava à cata de novos talentos, como J.J Abrams que o recrutou para ser o russo Chekov na nova versão de “Star Trek”, lançada em 2009 e que ganhou uma primeira sequência em 20013.

O ano de 2009, aliás, foi decisivo. Ele também estrelou, ao lado de Christian Bale, o quarto filme da franquia “O Exterminador do Futuro”, denominado “A Salvação”, na pele do icônico e aqui mais jovem Kyle Reese. Daí para frente, Yelchin passou a trabalhar mais no mainstream, mas sem deixar o alma indie desguarnecida. Todo ano lançava um filme em Sundance e fazia questão de dar as caras em Utah, cidade norte-americana que sedia o evento todo mês de janeiro.

O ator durante o festival de Veneza de 2014 com Alexandra Daddario e Ashley Greene para a estreia de "Enterrando minha ex" (Foto: Getty)

O ator durante o festival de Veneza de 2014 com Alexandra Daddario e Ashley Greene para a estreia de “Enterrando minha ex”
(Foto: Getty)

Foi dublador de Smurf e da ótima animação “Piratas Pirados” (2012), estrelou o divertido remake de “A Hora do Espanto”, lançado em 2011 e caprichou no humor geek em “Enterrando minha ex” (2014), de Joe Dante, em que é perseguido pela namorada zumbi.

Mas é mesmo a seara independente que merece atenção neste momento tão inesperado. Sob as ordens do excelente William H. Macy, impressionou como o garoto com talento para a música que forma uma improvável banda com o pai fracassado em “Sonhos à Deriva” (2014). Assim como agregou brilho ao elenco capitaneado por Mel Gibson reunido por Jodie Foster em “Um Novo Despertar” (2011), que também tinha uma promissora jovem chamada Jennifer Lawrence.

Produções elogiadas em diversos festivais como “Amantes Eternos” (2013), de Jim Jarmusch e “Green Room” (2015) também contam com os préstimos do ator que sabe submergir em personagens distintos, mas unidos por certa melancolia que Yelchin sempre carregou consigo mesmo nos filmes mais leves. Fazia parte de seu charme como intérprete e talvez explique porque “Loucamente Apaixonados”, em que vive idas e vindas com Felicity Jones em um romance dolorosamente afetivo a quem quer que o assista, é o filme pelo qual será mais lembrado.

É aqui, em outra produção surgida em Sundance, que Yelchin melhor exercita seus músculos dramáticos. É aqui que vemos um ator que queremos conhecer por dentro e que tem a felicidade de ser tão ímpar, quanto familiar, aos nossos olhos.

Yelchin e seus colegas de Enterprise: Legado compreende participação em uma das principais franquias da cultura pop

Yelchin e seus colegas de Enterprise: Legado compreende participação em uma das principais franquias da cultura pop

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quinta-feira, 14 de janeiro de 2016 Atores | 20:05

Alan Rickman sofisticava o simples e aferia graça ao malicioso

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Foto: Getty Images

Foto: Getty Images

Morreu nesta quinta-feira (14), aos 69 anos, o ator britânico Alan Rickman. Ele cravou-se no âmago da cultura pop por dar vida a Severus Snape, icônico e primordial personagem da franquia Harry Potter. Para além da graça afetada e do ar intrigante com que revestiu Snape, um dos favoritos dos fãs, Rickman notabilizou-se por sofisticar personagens triviais e hipnotizar a audiência com o melhor dos acentos do famoso charme inglês.

Suas presenças em filmes como “Simplesmente Amor” (2003), “Razão e Sensibilidade” (1995), “Um Certo Olhar” (2006), “Michael Collins” (1996) e “Sweeney Todd – o Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet” (2007) são testemunhos dessa magia que Rickman operava em papeis pequenos ou simplórios.

O britânico agraciou o cinema com um dos maiores vilões de todos os tempos. Seu Hans Gruber de “Duro de Matar” (1988) ajudou a consolidar o filme de John McTiernan como um dos highlights da década e, ainda hoje, impressiona pela caracterização refinada e maquiavélica.

Rickman era desses que navegava com habilidade indecifrável pelos diferentes tons da interpretação. Não à toa, era requisitado por gente tão diferente como Kevin Smith, que o fez ser um anjo em “Dogma” (1999), e Lee Daniels – que o transformou em Ronald Reagan em “O Mordomo da Casa Branca” (2013).

Da comédia ao drama, passando pela aventura – foi vilão também em “Robin Hood – O Príncipe dos Ladrões” (1992) – , Rickman cativava sempre. Seu maior predicado, porém, era a capacidade de aferir graça ao malicioso. De tonar o dúbio, sedutor. Algo que já estava presente em Hans Gruber, mas que ele elevou a um nível de arte nos filmes de Harry Potter.

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segunda-feira, 31 de agosto de 2015 Análises, Diretores | 17:48

Artesão do horror, Wes Craven pavimentou o gênero como o conhecemos hoje

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O cineasta entremeado pelas máscaras do assassino de "Pânico"

O cineasta entremeado pelas máscaras do assassino de “Pânico”

“Era uma combinação de um esperto comentário social, sustos e diversão. Tudo embalado em um ritmo novelesco com um mistério no ar”, afirmou o cineasta Wes Craven ao lançar “Pânico 4”, em abril de 2011, quando indagado sobre o por que de “Pânico” (1996) ter sido o hit que foi. Mais tarde, ele diria que a franquia  era o “Star Wars do terror”.

“Pânico 4” foi o último filme de Wes Craven, que morreu no último domingo (30) aos 76 anos, em decorrência de um câncer no cérebro.  O cineasta foi responsável por alguns dos principais alicerces do terror americano. Sem “Aniversário macabro” (1972), não existiria “Sexta-feira 13”, “O massacre da Serra elétrica” ou “Halloween”, para citar o conjunto mais emblemático dos slasher movies, gênero que pavimentou praticamente sozinho.  No início da década de 80 daria vida a um dos maiores ícones do horror moderno, o Freddy Krueger, de “A hora do pesadelo” (1984). “Quadrilha de sádicos” e “Convite para o inferno” também estão entre seus principais cartões postais.

Craven foi muito copiado tanto na década de 80, como nos anos 90 quando refundou o gênero na esteira do sucesso de “Pânico”, para todos os efeitos, sua grande obra-prima. Uma sátira poderosa do gênero e uma inteligente homenagem ao cinema como um todo, o filme se comunicou com toda uma geração de uma maneira que nenhuma outra produção na década foi capaz.

Filmes de qualidades distintas como “Eu sei o que vocês fizeram no verão passado”, “Lenda urbana”, entre outros tentaram capitalizar a onda iniciada pelo filme, roteirizado por Kevin Williamson. A própria equipe criativa sucumbira aos encantos do que haviam criado e entornaram o caldo em “Pânico 3” (2000).

Mestre e visionário, Craven não era infalível.  “A sétima alma”, seu último filme fora da franquia “Pânico”, é uma equivocada mistura de filme de serial killer com filme de fantasma. Ainda que tenha uma ou outra boa ideia diluída em um rio de mesmice.  “Amaldiçoados” (2005), que o uniu a Williamson fora do esquadro das histórias de Sidney Prescott (Neve Campbell) e “A maldição dos mortos-vivos” foram tentativas de se exercitar no gênero abraçando seres sobrenaturais como zumbis e lobisomens. Mas era na psicopatia que Craven prosperava e um de seus melhores e mais subestimados filmes não é exatamente um terror, mas um suspense de primeira linha com Cillian Murphy e Rachel McAdams. “Voo noturno” é daqueles filmes extremamente satisfatórios e envolventes. Murphy ficaria para sempre com a aura de psicopata em sua volta, um mérito de Craven que soube explorar o ator como poucos souberam.

O diretor com Neve Campbell e Skeet Ulrich no set de "Pânico" Fotos: montagem/divulgação

O diretor com Neve Campbell e Skeet Ulrich no set de “Pânico”
Fotos: montagem/divulgação

Craven também impressionou fora de sua zona de conforto. Escreveu e dirigiu “Música do coração”, que rendeu indicação ao Oscar a Meryl Streep. O filme mostrava uma professora de música que batalhava para ensinar violino para as crianças quando isto não era uma prioridade para ninguém. Nem para a escola, para os pais ou para as próprias crianças. A afetuosidade do registro rendeu novos admiradores ao cinema de Craven, que àquela altura tentava se desvencilhar do estigma de diretor de um gênero só.

Ele fez do então astro Eddie Murphy, um vampiro no Brooklyn no filme homônimo que não fez lá grande sucesso quando foi exibido nos cinemas, mas virou cult quando chegou ao home vídeo. Foi esse filme, aliás, lançado em 1995, que tarimbou o cineasta para realizar “Pânico”, que se notabilizaria pela eficácia com que agrega humor aos ingredientes do terror.

Produtor contumaz, estava envolvido com a adaptação de “Pânico” para a TV. Uma série baseada no filme está sendo exibida pela MTV americana.

Cinéfilo, costumava palpitar sobre cinema em sua conta no twitter. Há dois anos, elogiou efusivamente o filme “Invocação do mal”, de James Wan. E fez um diagnóstico. “Wan tem tudo para ser um dos grandes mestres do cinema de horror”. Após dirigir “Velozes e furiosos 7”, o malaio comandará “Aquaman” e parece propenso a dar um tempo para o cinema de ação. Mas na noite de domingo prestou sua homenagem ao mestre no Twitter. “Não acredito na notícia. Meu coração se comove com a partida de Wes Craven. Verdadeiramente uma de minhas maiores inspirações”.

O homem se vai, mas deixa uma obra de grande impacto e influência no cinema e naqueles que dele se alimentam. Deixa, além das saudades, a convicção de que transformou o gênero. Um epílogo que nem todos os cineastas podem ostentar.

“Se eu tiver que fazer o resto dos meus filmes no gênero (horror), não há problemas.  Se eu serei um pássaro engaiolado, cantarei a melhor canção que eu puder”.

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quinta-feira, 20 de novembro de 2014 Análises, Diretores | 17:59

Mike Nichols observava a vida como poucos e a registrava como ninguém

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Mike Nichols conversa com Julia Robert no set de "Closer", filme definitivo sobre a lógica do amor

Mike Nichols conversa com Julia Robert no set de “Closer”, filme definitivo sobre a lógica do amor

“Closer – perto demais” (2004), “Quem tem medo de Virgina Woolf?” (1966), “A primeira noite de um homem” (1967), “A difícil arte de amar” (1986), “Uma secretária de futuro” (1988), “A gaiola das loucas” (1996) e “Segredos do poder” (1998) são alguns dos highlights de uma carreira construída por acertos inquestionáveis. Mesmo seus equívocos, breve lista que pode compreender “Lobo” (1994) e “De que planeta você veio?” (2000), detinham a luminosidade de um grande autor.

Mike Nichols morreu, aos 83 anos, na noite de quarta-feira (19), vítima de uma parada cardíaca. Nascido na Alemanha, Nichols rumou ainda criança para os EUA para fugir da segunda guerra mundial. A carreira começou nos palcos, na década de 50. Nos anos 60, já um diretor de sucesso na Broadway, migrou para o cinema sem jamais abandonar a primeira paixão, o teatro. O cineasta se destacava, ainda, por ser um dos poucos artistas a ostentar triunfos nos quatro principais prêmios americanos. O Oscar (cinema), o Grammy (Música), o Tony (Teatro) e o Emmy (televisão).  Audrey Hepburn, Barbra Streisand, Mel Brooks, Whoopi Goldberg, James Earl Jones e Rita Moreno foram outros que conseguirem tal feito.

Uma das principais características do cinema de Nichols era seu foco no ser humano. As vicissitudes, as angústias, as belezas, as contradições… O cineasta sabia como poucos expor a essência humana em filmes tão diversos como os citados na abertura deste artigo. Dos relacionamentos amorosos à articulação de uma campanha presidencial, passando por um casal gay às voltas com o conservadorismo ou em uma perola feminista no esplendor dos anos Reagan nos EUA dos anos 80, Nichols sabia dar prevalência às humanidades em qualquer registro e qualquer gênero que fosse. “Era um dos maiores de todos os tempos. Um amigo e um mentor”, disse Steven Spielberg, reconhecidamente outro dos maiores de todos os tempos. Hollywood, de maneira geral, pôs-se a prestar homenagens a um dos seus mais eloquentes e talentosos filhos. Mas veio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, que outorga o Oscar, prêmio vencido por Nichols em 1968 pelo filme “A primeira noite de um homem”, a melhor definição que se pode fazer sobre o cineasta. “Nichols fez filmes que mudaram os filmes”. Adeus mestre!

Partidos em 2014: Nichols orienta Philip Seymour Hoffman no set de "Jogos do poder", seu último filme lançado em 2007

Partidos em 2014: Nichols orienta Philip Seymour Hoffman no set de “Jogos do poder”, seu último filme lançado em 2007
Fotos: divulgação

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sexta-feira, 12 de setembro de 2014 Atores, Notícias | 21:19

O ano de 2014 faz mais uma vítima… morre o ator Denny Miller

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Denny Miller em cena de "Tarzan" (1959)  Foto: divulgação

Denny Miller em cena de “Tarzan” (1959)
Foto: divulgação

O ano de 2014 tem feito valer a prerrogativa, que alguém lá em cima deve ter lhe concedido, de ser especialmente cruel com o mundo do cinema.  Depois das mortes de José Wilker, Eduardo Coutinho, Philip Seymour Hoffman, Robin Williams, entre tantos outros, partiu desta vida o ator Denny Miller.

O ator que se notabilizou por ser o primeiro Tarzan loiro do cinema morreu em decorrência da esclerose lateral amiotrófica, doença que originou o desafio do balde do gelo. Miller foi diagnosticado em janeiro e morreu na última terça-feira em Las Vegas, no Estado americano de Nevada (EUA), informou seu agente ao site The Hollywood Reporter.

Miller não era exatamente um astro, mas aquele ator que provoca certa nostalgia. Trabalhou com alguns dos melhores diretores do crepúsculo da era de ouro hollywoodiana como Blake Edwards, responsável pela grande maioria dos (bons) filmes estrelados por Peter Sellers, e George Cukor, que o ajudou a conseguir um contrato com o estúdio MGM.

Quis a arbitrariedade do destino que Miller refugasse no cinema e encontrasse morada na TV, na qual participou de diversas produções como “O homem de seis bilhões de dólares”, “Battlestar Galactica”, “As panteras”, “Havaí 5.0”, “O fugitivo”, “Dallas” e “Magnum”.

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sábado, 16 de agosto de 2014 Atrizes | 19:16

Lauren Bacall, a estrela que viveu e morreu com discrição

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Cena do filme "Uma aventura na Martinica" (Foto: divulgação)

Cena do filme “Uma aventura na Martinica” (Foto: divulgação)

Em meio a uma semana supreendentemente tumultuada, a morte de Lauren Bacall quase não foi notada. Uma injustiça com uma mulher que estreou no cinema tirando o fôlego, mas que após a morte de Humphrey Bogart, com quem foi casada entre 1945 e 1957 (ano da morte dele), acomodou-se na figura da coadjuvante.

Ser atriz não estava nos planos de Bacall. Mas ela o foi antes mesmo de pensar em sê-lo. Descoberta pelo cineasta Howard Hawks antes dos 20 anos, ela foi recrutada depois de estampar com sua hipnótica beleza uma capa da revista Harper´s Bazaar, para estrelar “Uma aventura na Martinica”, clássico do cinema noir que ajudou a definir os rumos do gênero no cinema americano pelas próximas duas décadas. Seu co-protagonista no filme em questão? Humphrey Bogart. A história de amor renderia quatro filmes. Todos excelentes. “À beira do abismo” (1946), no caso, também assinado por Hawks. Os outros dois, “Prisioneiros do passado” (1947) e “Paixões em fúria” (1948), são de Delmer Daves e John Huston respectivamente.

A morte de Humphrey Bogart se não desestabilizou a carreira de Bacall, realocou-a. Ela deixou de ser a musa do cinema noir, a leading lady, e se abrigou fora dos holofotes. Papeis de menor relevância foram seu norte por anos. Ainda que tenha brilhado em alguns deles como em “Assassinato no Expresso do Oriente” (1974) e “O espelho tem duas faces” (1997), pelo qual recebeu sua única indicação ao Oscar.

A academia lhe outorgou um Oscar honorário em 2010 reconhecendo sua importância para o cinema. Bacall, mulher lindíssima na juventude e na maturidade, mantinha-se na ativa. Atuava majoritariamente em produções televisivas. Seu último papel de destaque no cinema foi sob o comando do polêmico Lars Von Trier em “Dogville”.

A opção pela discrição, que começou como um desdobramento de sua viuvez, acabou se tornando uma característica de sua longeva carreira.  Lauren Bacall foi discreta até em sua morte, mas seu arrebatador início de carreira e sua presença sempre iluminada em filmes tão diversos serão lembrados por aqueles que gostam de cinema em sua plenitude.

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segunda-feira, 11 de agosto de 2014 Atores | 21:41

Relembre a trajetória de Robin Williams, ator com o dom de cativar

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 Fotos: Getty

Fotos: Getty

O mundo não verá o ator de riso fácil e talento dramático sempre subestimado voltar a encarnar aquele que é notadamente seu personagem mais famoso, a senhora Doubtfire de “Uma babá quase perfeita”, cuja sequência estava anunciada para 2015 e já estava em pré-produção. Robin Williams foi encontrado morto nesta segunda-feira (11) em sua casa na Califórnia. A suspeita de suicídio e o alardeado vício em álcool obscurecem uma carreira pontuada por muitos altos, mas que já vivia seu crepúsculo.

Indicado quatro vezes ao Oscar, Robin Williams venceu o prêmio da academia por sua atuação como um psicólogo dedicado em “Gênio indomável” (1998). Suas outras nomeações foram por “O pescador de ilusões” (1991), “Sociedade dos poetas mortos” (1989) e “Bom dia, Vietnã” (1987).

Robin Williams viveu sua grande fase no final dos anos 80 e início dos anos 90, como atestam as indicações ao Oscar pelo ator recebidas.

Em 1992, Williams dublou o gênio da lâmpada na animação “Alladin”. No ano anterior, deu vida a um Peter Pan crescido em “Hook – a volta do capitão gancho”, de Steven Spielberg.

“Uma babá quase perfeita” (1993), “Nove meses” (1995) e “Jumanji” (1996) deram cor a uma fase em que o ator se dedicou a filmes familiares.

Após o Oscar, conquistado por um papel dramático, Williams investiu no filão. Vieram dos dramalhões “Amor além da vida” (1998), “Patch Adams – o amor é contagioso” (1998) e “O homem bicentenário” (1999).

WilliamsO novo milênio trouxe um novo Robin Williams ou, pelo menos, um ator disposto a reinventar-se. “Retratos de uma obsessão” (2002), trazia o ator como um homem solitário e que fica obcecado por uma família. Em “Morra, Smoochy, morra” (2002), o ator vive um comediante que cai em desgraça quando é substituído por outro e passa a sabotá-lo. Trata-se de um filme de humor negro dirigido Danny de Vitto. Já em “Insônia”, o segundo filme de Christopher Nolan, Williams vive o primeiro vilão de sua carreira, pelo menos nos termos convencionais.

Os anos 2000 se seguiram sem grandes destaques e filmes medianos como “Férias no trailer” (2007), “Licença para casar” (2007), “O som do coração” (2007) e “Surpresas em dobro” (2009).

O último filme em que Robin Williams apresentou uma atuação digna de nota foi “Candidato aloprado” (2006), sátira política de Barry Levinson.

Williams deixa incompleta sua participação em “Uma noite no museu 3”. “Absolutely anything” e “Merry friggin´Christmas” já estão em pós- produção e serão lançados em 2015 e no Natal deste ano, respectivamente.

O último filme de Robin Williams lançado no Brasil apresenta uma história agridoce. Ele faz um homem que é notificado por sua médica de que tem apenas 90 minutos de vida devido a um aneurisma no cérebro. Ele então decide se retratar com todos que já magoou. O filme se chama “O que fazer?” e foi lançado diretamente no mercado de home-vídeo.

Robin Williams era um ator que despertava empatia. Essa era uma de suas principais características. Era muito fácil gostar dele e dos personagens que interpretava. Humanizá-los era o seu forte. Williams tinha o dom de comover, mesmo fazendo graça. Um talento raro e que agora, com sua partida, fica mais raro ainda.

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