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terça-feira, 22 de maio de 2018 Críticas, Filmes | 19:26

“Os Fantasmas de Ismael” versa sobre a continuidade cruel do abandono

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Arnaud Desplechin e Mathieu Amalric vivem uma história de amor no cinema. O diretor tem em Amalric mais do que um parceiro, um catalisador para seus anseios e digressões sobre a vida e a arte. “Os Fantasmas de Ismael” dá sequência à colaboração que apresentou obras como “Reis e Rainhas” (2004), “Um Conto de Natal” (2008), “Terapia Intensiva” (2013) e “Três Lembranças da Minha Juventude” (2015).

Mathieu Amalric em cena de "Os Fantasmas de Ismael"

Mathieu Amalric em cena de “Os Fantasmas de Ismael”

Amalric aqui vive o diretor de cinema Ismael Vuillard que está fazendo um filme inspirado pela vida de seu irmão. Ele vive uma relação com Sylvia (Charlotte Gainsbourg) que parece serena e bem desenvolvida, mas ainda se ressente do sumiço da mulher Carlotta (Marion Cotillard), que desapareceu há 20 anos e foi dada como morta em algum momento.  Acossado na condição de viúvo, Ismael tem uma relação parental com o pai de Carlotta, que também sofre a ausência da filha.

Os ânimos, no entanto, se exaltam quando ela reaparece disposta a reconquistar Ismael, que se flagra em crise existencial profunda. A chegada de Carlotta detona, ainda, crises em seu filme e na relação com Sylvia.

“Os Fantasmas de Ismael” trata de abandonos. Da crueldade e da continuidade deles. O retorno de Carlotta pode ser interpretado literalmente, como a desestruturação emocional que enseja na vida de Ismael, ou simbolicamente, como o desarranjo psicológico insanável que a morte sem corpo deixou.

Marion Cotillard dança em uma das mais lindas cenas do filme

Marion Cotillard dança em uma das mais lindas cenas do filme

O filme de Desplechin, embora conte com momentos de pura eletricidade, é filmado com contrariedade e equívocos aqui e acolá. O “filme dentro do filme” surge dispersivo demais e não se justifica dentro do contexto narrativo espichado pelo cineasta.

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O trio de protagonistas, no entanto, é de um esmero notável e jamais abandona a essência da dramaturgia pretendida por Desplechin. Ainda que não alcance os dividendos possíveis, “Os Fantasmas de Ismael” tem uma cena formidável em sua singeleza. Quando Marion Cotillard dança ao som de Bob Dylan, o espectador rapidamente entende a razão de tamanha desorientação do protagonista.

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