Publicidade

Posts com a Tag Oscar 2016

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016 Análises, Filmes | 16:04

Com vitória de DiCaprio e triunfo de “Spotlight”, Oscar reafirma suas apaixonantes contradições

Compartilhe: Twitter
Foto: Getty Images

Foto: Getty Images

Era o ano de Leonardo DiCaprio. Era, também, o ano de Ennio Morricone. Tudo mundo meio que já sabia disso. O Oscar tem seus caprichos e Leonardo DiCaprio, tantas vezes esnobados, teve o privilégio de fazer um relativamente longo discurso de agradecimento sem o inconveniente incômodo da música lhe lembrando da finitude daquele momento de glória.

Morricone, grande compositor que já ganhara um Oscar honorário em 2006, venceu pela robusta e oponente trilha de “Os Oito Odiados”. A bem da verdade, o Oscar da mea-culpa estava armado bem antes disso. Na esteira de toda a polêmica envolvendo a falta de diversidade entre os indicados, o Oscar abraçou a crítica e o mestre de cerimônias Chris Rock foi o arauto do apocalipse ao apontar o quão elitista e segregacionista Hollywood pode ser. Foram muitos os momentos inspirados do apresentador, a começar por seu monólogo de abertura, passando por quadros satíricos envolvendo Jack Black e a falta de representatividade entre os principais filmes concorrentes junto a comunidade negra americana.

Mas caprichosa que é, a academia preferiu o britânico Mark Rylance, egresso do teatro, a Sylvester Stallone, o brucutu que ganhou o coração do povo, entre os atores coadjuvantes. O que dizer da cara de desapontamento de Patricia Arquette quando não anunciou a vitória de Sly? Ou da emoção mais do que platônica de Kate Winslet quando viu o seu eterno Jack voltar a ser o rei do mundo? E o punho cerrado de Michael Keaton para celebrar a vitória de seu filme na principal categoria da noite?

Porque o Oscar, afinal, tem tudo a ver com ciclos, justiças históricas, injustiças perenes, preferências, prioridades e autoindulgência.

Mas foi, também, o ano de “Spotlight”. Filme redondo, bem fundamento dramática e narrativamente, que tinha tudo para prevalecer em um ano de tantas hesitações na categoria principal. Ah, mais é menos cinema do que “Mad Max” e “O Regresso”! Talvez por isso tenha ficado com menos Oscars do que seus dois rivais. Mas é um filme que valoriza a prospecção da verdade. A perseverança dos justos. Que pisca os olhos para um mundo melhor. É, portanto, uma escolha mais emocional do que racional. Algo bem comum em termos de Oscar.

O que não é comum é um diretor ganhar o Oscar por dois anos seguidos. Alejandro González Iñárritu fez, sim, história e ele merece. É um artesão do cinema. Um pensador inquieto de seu ofício e ainda que não fosse o melhor realizador entre os indicados ostentava um trabalho digno do Oscar. Seu colaborador Emmanuel Lubezki venceu pelo terceiro ano consecutivo a estatueta de melhor fotografia por “O Regresso”. Ele havia vencido por “Birdman” em 2015 e “Gravidade” em 2014. Mais um feito histórico alcançado no Oscar deste ano.

Assim, ali entre a história que foi feita e a que por um suspiro deixou de acontecer, a edição de 2016 do Oscar se subscreveu como o sonho dourado que todos os mortais, sejam eles estrelas de cinema, cinéfilos ou meros espectadores, sonham uma vez por ano todos os anos.

Autor: Tags: , ,

sábado, 27 de fevereiro de 2016 Análises, Críticas, Filmes | 18:33

Que produção, afinal, ganha o Oscar de melhor filme em 2016?

Compartilhe: Twitter
Oscar

Foto: Montagem/reprodução

O fim do mistério está próximo. Neste domingo (28) será realizada a 88ª edição do Oscar, maior prêmio do cinema e tudo o que precisava ser dito a respeito da competição em 2016 já foi dito. São oito os concorrentes a melhor filme do ano e a disputa chega ao grand finale muito mais aberta do que costuma chegar nesta etapa.

A grande pergunta é qual filme, afinal, será consagrado o melhor na noite do dia 28. Estão na disputa “Brooklin”, “A Grande Aposta”, “Ponte dos Espiões”, “Mad Max: Estrada da Fúria”, “O Regresso”, “Perdido em Marte”, “O Quarto de Jack” e “Spotlight – Segredos Revelados”.

Não pairam dúvidas de que “O Regresso”, “A Grande Aposta” e “Spotlight – Segredos Revelados”, que dividiram a atenção dos sindicatos, protagonizam a disputa. É a primeira vez em mais de 20 anos que três filmes chegam ao dia do Oscar com chances muito parelhas de triunfo. A quarta força na disputa seria “Mad Max: Estrada da Fúria”.

Sucesso de crítica, o blockbuster tem a seu favor, ainda, a excelência técnica reconhecida por oito indicações. São dez no total. Esta é a melhor chance que a academia tem de premiar um representante do cinemão. O último com este perfil vitorioso foi “O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei” em 2004.

Mesmo assim, um cenário com o triunfo de “Mad Max” é dos mais remotos. “O Regresso”, que começou a criar hype com o triunfo no Globo de Ouro, chega com o suporte do sindicato dos diretores (DGA, na sigla em inglês), o mais eficaz em converter candidatos a melhor filme em vencedores. O fez com “Argo” e “Os Infiltrados” em anos que geravam tanta desconfiança e expectativa como em 2016.

Mas é preciso olhar com cuidado para esse pretenso favoritismo de “O Regresso”. O filme venceu o Bafta, mas a academia inglesa havia optado por “Boyhood” em 2015. Assim como o Globo de Ouro não premiara “Birdman” e cedera a “O Regresso” neste ano. O Oscar acertou onde, digamos, essas outras premiações foram omissas. O filme também não constou dos indicados a melhor elenco no prêmio do sindicato dos atores. É preciso ir a 1996 para encontrar o único vencedor do Oscar de melhor filme que não estivera na lista do SAG, “Coração Valente”.

Leia também: Como a vitória de Iñárritu no DGA afeta a corrida pelo Oscar? 

São estatísticas bastante consolidadas essas que “O Regresso” precisa superar. Mesmo assim, sua vitória é bem palpável. A força do hype em cima de Leonardo DiCaprio, bem como a admiração da academia por Iñárritu são elementos potencialmente sedutores.

É “Spotlight – Segredos Revelados” a maior ameaça ao filme que lidera a corrida ao Oscar com 12 indicações. Muito mais fácil de reunir consenso em torno de si, o filme conta com a provação do sindicato dos atores – vale lembrar que o maior colegiado da academia é composto por atores – e isso pode ser decisivo em um ano tão apertado.

“A Grande Aposta”, que prevaleceu no sindicato dos produtores, pode vencer. O tema sério e importante e a maneira descontraída como é abordado são valiosos atrativos do filme. Forte nas categorias de montagem e roteiro adaptado, onde é o virtual vencedor, pode ganhar os votos de eleitores afeitos à coerência na hora de elencar suas escolhas.

Leia mais: Polêmica em torno de racismo no Oscar pode segmentar ainda mais indústria do cinema 

“A Grande Aposta” é, também, o melhor filme no conjunto dos predicados que constituem o cinema na disputa. Com uma academia cada vez mais atenta à qualidade, isso pode preponderar.

De qualquer forma, “O Regresso” é um campeão de bilheteria com pompa de filme de arte, com um astro reforçando seu poder de apelo e um espetáculo para ser apreciado em tela grande. Uma combinação que sob qualquer ângulo combina com Oscar. Esta é uma narrativa hollywoodiana, afinal.

Autor: Tags: , , , , ,

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016 Críticas, Filmes | 16:49

História de amor e imigração garantem eficiente melodrama de “Brooklin”

Compartilhe: Twitter
Foto: divulgação

Foto: divulgação

Com roteiro do cultuado Nick Hornby e três indicações ao Oscar (filme, roteiro adaptado e atriz), “Brooklin” pertence àquela linhagem de melodramas de grife. Produção britânica bem azeitada, dirigida com competência, com elenco afiado e uma trama romântica adornando um contexto histórico, no caso o fluxo imigratório da Irlanda para a Nova York dos anos 50.

Saoirse Ronan dá vida a Ellis, uma jovem irlandesa que a irmã consegue providenciar para ir para os EUA. A ideia é que Ellis tenha uma vida que na Irlanda não seria possível.

O filme se desdobra por todas as etapas previsíveis. A viagem problemática e cheia de enjoos pelo Atlântico, a dificuldade de se adequar ao novo ambiente e a descoberta do amor. Para então, com Ellis bem aventurada com sua vida no Brooklin, estabelecer um grande dilema para sua protagonista.

O grande mérito do filme é que ele percorre todo esse arco com muita elegância e reverberação dramática. O roteiro de Hornby é tão eloquente e bem estruturado que é impossível não se cativar pela história. A direção de John Crowley é segura e conscienciosa e Saoirse Ronan é um espetáculo de contenção e ternura em cena. Ela pega o espectador pela mão e não o deixa mais partir.

Não há nada fora do lugar em “Brooklin” e o filme ainda tem pequenos grandes momentos como quando na pensão em que reside, surpreendida pela declaração de amor do rapaz que está namorando, Ellis questiona uma moça mais velha, que já fora casada, se ela gostaria de casar de novo. A resposta da moça, tão sábia quanto graciosa, antecipa o conflito final da personagem e cristaliza um dos grandes dilemas da humanidade. O fascínio que todos nós temos pelo “e se”. Entre certezas e hesitações, “Brooklin” se arranja como um belíssimo filme.

Autor: Tags: , , ,

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016 Críticas, Filmes | 14:15

Grande mérito de “O Quarto de Jack” é extrair encantamento de situação trágica

Compartilhe: Twitter
Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Vencedor do Festival de Toronto, “O Quarto de Jack” (2015) é um feito cinematográfico e tanto. Superficialmente, é um drama sobre uma jovem sequestrada que teve seu filho em cativeiro e recorre à ilusão para tornar a rotina do menino menos opressiva. No âmago, porém, é um exercício cinematográfico requintado e uma ode ao espírito humano.

Dirigido com imaginação e propriedade por Lenny Abrahamson, a partir da adaptação de Emma Donoghue da própria obra, “O Quarto de Jack” tem o mérito de mudar toda a sua estrutura narrativa após 40 minutos de filme e manter-se dramaticamente pulsante e francamente inquietante.

O primeiro ato do filme, ambientado todo dentro de um pequeno quarto, é um tour de force tanto de Brie Larson quanto de Jacob Tremblay. Eles tangenciam a desprovida rotina de mãe e filho com emoção e propriedade. Aqui Abrahsamson trabalha muito bem alguns fundamentos narrativos e, ainda que alguns expectadores possam lembrar de “A Vida é Bela”, o contexto é completamente diferente. Algo que os atos subsequentes deixam mais claro.

No segundo ato, “O Quarto de Jack” se reconfigura completamente. O registro cru, formal e tenso dá vez a um drama robusto, mais insidioso das pequenas fissuras verificadas nos personagens em cena. Trata-se de uma mudança estrutural profunda, administrada por Abrahamson e pelo roteiro de Donoghue com muito equilíbrio e perspicácia.

Mais adiante, o filme avança ainda mais nessa nova dialética e mantém o espectador intensamente conectado com a trama graças aos trabalhos irrepreensíveis de Larson e Tremblay.

O menino de nove anos merece uma menção à parte. Personificar Jack não era uma tarefa fácil. O personagem atravessa muitas fases e se depara com conflitos potencialmente dramáticos em momentos-chave do filme. Não é uma criança sendo uma criança em cena. É um ator, da mais fina estirpe, exercendo sua arte com dedicação e método.  Tremblay dá a Jack toda a fragilidade e inocência características de uma criança e muda as cores dessas características conforme o personagem vai evoluindo dramaticamente. É importante observar que todo filme se constrói a partir do ponto de vista de Jack, aumentando a responsabilidade de Trembay como ator.

Trata-se de um trabalho realmente invejável. Tremblay alcança notas, nuanças de seu personagem e afere força a momentos decisivos de “O Quarto de Jack” com a firmeza de um veterano. Larson, por seu turno, acolhe a complexidade dos conflitos de sua personagem com tremenda presença de espírito.

Ao extrair graça e encantamento de uma situação trágica, “O Quarto de Jack” capitaliza em cima da emoção, uma das grandes matérias-primas do cinema, mas também reafirma o espírito humano. Tão combalido pelo peso de todo o sensacionalismo da vida.

Autor: Tags: , , ,

domingo, 7 de fevereiro de 2016 Análises, Diretores, Filmes | 17:59

Como a vitória de Iñárritu no DGA afeta a corrida pelo Oscar?

Compartilhe: Twitter
Foto (divulgação)

Foto (divulgação)

O cineasta mexicano Alejandro González Iñárritu venceu na noite deste sábado (6) o prêmio do sindicato dos diretores pela direção do filme “O Regresso”. Ele já havia vencido ano passado pela direção de “Birdman ou a Inesperada Virtude da Ignorância”.  O feito do mexicano é notável porque é a primeira vez em mais de 60 anos de existência da premiação que um cineasta vence o DGA de maneira consecutiva. Iñárritu se iguala a cineastas como Clint Eastwood, Robert Wise, David Lean, Ang Lee, Francis Ford CoppolaMilos Forman e Oliver Stone com dois triunfos. Apenas Steven Spielberg tem três.

Mas qual é o efeito prático do triunfo de Iñárritu no DGA no Oscar? A princípio, significativo. O DGA é o sindicato com melhor aproveitamento em antecipar os vencedores de melhor filme. É, também, o sindicato mais eficiente em casar seus resultados com o da categoria no Oscar. Em uma corrida como a de 2016, porém, em que os sindicatos não estão se fechando em torno de um único filme – “Spotlight” foi o preferido dos atores e “A Grande Aposta”, dos produtores – o impacto da vitória de Iñárritu precisa ser relativizado.

O DGA, historicamente é mais progressivo do que a academia. Indicou Christopher Nolan pela direção de “O Cavaleiro das Trevas”, algo que a academia não fez. E premiou Ben Affleck pela direção de “Argo”, mesmo sabendo que ele não estava no rol de nomeados ao Oscar e que o fazendo revisaria suas estatísticas de equivalência com o Oscar para baixo.

Sentido horário: Iñárritu orienta DiCaprio embaixo de neve em uma das muitas locações de "O Regresso". Michael Keaton, Rachel McAdams e Mark Ruffalo em cena de "Spotlight" e Ryan Gosling apenas ouve em cena de "A Grande Aposta" (Fotos: divulgação)

Sentido horário: Iñárritu orienta DiCaprio embaixo de neve em uma das muitas locações de “O Regresso”. Michael Keaton, Rachel McAdams e Mark Ruffalo em cena de “Spotlight” e Ryan Gosling apenas ouve em cena de “A Grande Aposta”
(Fotos: divulgação)

O trabalho de Iñárriu em “O Regresso” é vistoso. Assombroso de bom, mas apenas John Ford – um dos maiores ícones da Hollywood da era de ouro, ganhou dois Oscars de maneira consecutiva. A academia estaria pronta para repetir feito tão notável. Muito provável que não. “Birdman” era um filme esteticamente mais arrojado e criativo do que “O Regresso” e, no limiar, o mexicano não tem o melhor trabalho de direção entre os indicados. Esses são de George Miller (“Mad Max: Estrada da Fúria”) e Adam McKay (“A Grande Aposta”).

É fatídico que o Oscar de direção fica entre esses três e a vitória de Iñárritu no DGA não é tão ruim para as chances de Miller. O australiano , pela carreira e pelo vigor empregado na confecção de “Mad Max”, pode se beneficiar da resistência de muitos membros de equiparar Iñárritu a John Ford.

Já a corrida pelo Oscar de melhor filme parece concentrada em “Spotlight”, que venceu diversos prêmios da crítica, o SAG e o Critic´s Choice Awards, “A Grande Aposta”, que venceu alguns prêmios da crítica e o PGA, e “O Regresso”, a melhor bilheteria entre os três – um blockbuster de arte -, líder na corrida e vencedor do Globo de Ouro e do DGA. Até mesmo “Mad Max”, com menos chances, está bem cotado. Mas Miller tem mais chances de vencer do que o filme.

Parece oportuno lembrar da corrida em 2007 quando “Babel” venceu o Globo de Ouro de filme dramático, “Pequena Miss Sunshine” levou os prêmios do SAG e do PGA e Martin Scorsese, por ‘Os Infiltrados”, ficou com o DGA. Deu “Os Infiltrados” no Oscar. Este ano parece ainda mais aberto do que aquele ano, mas “O Regresso” acaba de ganhar mais força rumo à glória no Oscar e no momento mais acertado possível.

 

Autor: Tags: , , , ,

sábado, 23 de janeiro de 2016 Análises | 20:42

Polêmica em torno de racismo no Oscar pode segmentar ainda mais indústria do cinema

Compartilhe: Twitter
O cineasta Spike Lee é um dos capitães do movimento que pede boicote ao Oscar

O cineasta Spike Lee é um dos capitães do movimento que pede boicote ao Oscar

A semana esquentou um debate para lá de controverso que vira e mexe volta à tona em tempos de Oscar. O fato de em 2016 todos os atores e atrizes nomeados serem brancos, bem como roteiristas, diretores e demais contemplados em categorias nobres pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood gerou algum mal-estar entre a comunidade negra. De imediato surgiram protestos nas redes sociais e estes deram vez a declarações pesadas de artistas negros como Spike Lee, Ice Cube e Will Smith.

Há, sim, pouca diversidade na academia. Esse é um problema crônico e derivado da indústria do cinema como um todo, mas não implica no fato da academia ser racista. Não é.  O que a ausência de artistas negros em 2016 reflete é o gargalo de uma indústria que ainda engatinha na promoção de diversidade. Há poucas mulheres no comando de estúdios, dirigindo filmes, escrevendo-os, fotografando-os e há poucos negros como protagonistas de superproduções de estúdio. Não há, porém, em termos proporcionais, pouco reconhecimento do Oscar a esses artistas. Há, apenas, um indesejado reflexo que ganha lente de aumento com todo o barulho provocado pelo Oscar.

Apesar da virulência cada vez mais flagrante nas declarações de atores como Michael Caine, Jeffrey Wright e Jada Pinkett-Smith, o debate é bom, mas precisa ser ajustado ao contexto para produzir efeitos positivos e perenes.

A presidente da Academia, Cheryl Boone Isaacs anunciou que a Academia considera promover uma série de mudanças para aumentar o espaço das minorias entre seu quadro de votantes. Se em espírito é uma atitude bem-vinda, à reboque do mal-estar experimentado no âmago da opinião pública, é uma decisão desastrada. Isaacs, que disse que a Academia não ficará à espera da indústria na questão, quer alterar a regulamentação que dá direito aos votos, mas sem mexer nos demais benefícios de um membro da Academia, o que deve aferir mais transitoriedade e (espera-se) diversidade no corpo votante.

"12 Anos de Escravidão" foi consagrado o melhor filme no Oscar 2014, último que não teve polêmicas sobre exclusão de negros

“12 Anos de Escravidão” foi consagrado o melhor filme no Oscar 2014, último que não teve polêmicas sobre exclusão de negros

Pode dar muito certo e pode dar muito errado – principalmente pelo fato de gerar desequilíbrio e ruídos na qualidade dos indicados. Há de se observar, ainda, que ela não garante que negros estejam entre os indicados em 2017. É, contudo, uma resposta ao clamor generalizado. Nesse sentido, como medida paliativa, muito bem-vinda.

É preciso ter atenção, no entanto, à forma de manter o debate vivo sem o Oscar como alvo. Afinal, o Oscar está sendo crucificado por um pecado que, na verdade, não é seu. Que ele apenas ilumina. De todo modo, a Academia pode sim exercer um papel pedagógico na questão. Esse caminho já estava sendo trilhado, mas de forma muito morosa. O que Isaacs sinaliza é a aceleração de um desenvolvimento que já era natural. Os efeitos disso, não na Academia, mas na indústria como um todo, podem ser ironicamente perniciosos. Hollywood já se viu dividida antes – o Macarthismo está aí para provar isso – e a maneira descontextualizada que o debate está sendo gerido na opinião pública inflige receios aos mais conscientizados.

Os indicados a melhor ator e atriz: brancura e culpa

Os indicados a melhor ator e atriz: brancura e culpa

Autor: Tags: , , , , ,

sábado, 16 de janeiro de 2016 Análises | 12:20

Escolhas de 2016 ratificam Oscar mais criterioso do que no passado

Compartilhe: Twitter

Em um primeiro momento, parece compulsório reconhecer que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood acolhe seus favoritos habituais por qualquer trabalho. Estão lá “Ponte dos Espiões”, novo Spielberg – o cineasta emplacou entre os melhores filmes com suas últimas três produções – , Jennifer Lawrence, Alejandro González Iñárritu, Mark Ruffalo, John Williams, entre outros.

Mas essa seria uma constatação apressada. Não estão lá “Labirinto de Mentiras”, filme alemão sobre os ruídos do nazismo (entre outros tempos uma aposta certeira), Aaron Sorkin, Quentin Tarantino e Meryl Streep (sim, ela esteve em dois filmes neste ano).

Western de vanguarda: Há muito mais do que alcançam os olhos em "Estrada da fúria" (Foto: divulgação)

Western de vanguarda: Há muito mais do que alcançam os olhos em “Estrada da fúria”
(Foto: divulgação)

Há, ainda, a costumeira queixa de que há pouca diversidade entre os indicados. Um parâmetro enviesado. Já que as escolhas da Academia refletem o cenário do cinema americano, em particular, e internacional, como um todo. É fato que a Academia podia reforçar sua preocupação com a abertura do cinema por meio de certas nomeações em certas categorias, mas responsabilizar a instituição por não fazê-lo é não compreender o real problema e ignorar as válvulas do funcionamento da Academia.

Há de se observar, também, que o Oscar segue um movimento de internacionalização e rejuvenescimento iniciado lá atrás. Passa por esse movimento outro muito mais importante e reverberante. O Oscar está mais ousado a cada ano. Sim, em 2016 há predominância de filmes de estúdio entre os indicados a melhor filme e é muito provável que uma produção de estúdio vença o Oscar -–algo que não ocorre desde 2013 quando “Argo” triunfou. Mas são filmes de estúdio com franca pretensão artística. “O Regresso”, líder na competição com 12 indicações, teve um orçamento de US$ 120 milhões, mas teve sucessivos atrasos e diversos problemas na execução. Iñárritu fez um filme de arte com orçamento de blockbuster. Não é todo mundo que tira esse coelho da cartola. “Mad Max: Estrada da Fúria”, com 10 nomeações, levou anos para ser realizado e a Warner praticamente escondeu o filme em seu lançamento. Não cria no apelo de uma franquia que não dava as caras desde os anos 80 com o público jovem. A bilheteria do filme foi respeitável e “Estrada da Fúria” é a Warner no Oscar. Trata-se de um filme de ação incomum, caótico e com uma mensagem feminista para lá de polivalente.

O fato da Academia reconhecer, no nível que reconhece, essas duas produções, merece aplausos. Isso, no ano seguinte à consagração de filmes como “Birdman”, “Whiplash”, O Grande Hotel Budapeste” e “Boyhood” .

É um Oscar muito mais atento ao que acontece no cinema e capaz de filtrar o que de mais qualificado surge. É um Oscar mais inclusivo e reflexivo. É, afinal, um Oscar bem melhor na assunção de sua vocação do que o que se verificava há dez anos atrás.

Autor: Tags: , ,

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016 Curiosidades | 17:47

Apostas da coluna para os indicados ao Oscar 2016 nas principais categorias

Compartilhe: Twitter

Na manhã desta quinta-feira (14), a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood divulga a lista dos indicados ao Oscar 2016. Trata-se de um dos anos com a disputa mais aberta e indefinida. Mesmo assim, há filmes e artistas que podem ser dados como certos entre os contemplados pelo Oscar. Esses e os outros estão na breve lista de apostas que o Cineclube elaborou. Será que a gente emplaca a maioria?

"Carol" deve receber indicações a melhor filme, atriz e roteiro adaptado, mas seu diretor, Todd Haynes, deve ficar de fora...

“Carol” deve receber indicações a melhor filme, atriz e roteiro adaptado, mas seu diretor, Todd Haynes, deve ficar de fora…

 

 Melhor Filme

“Mad Max: Estrada da Fúria”

“Spotlight – Segredos Revelados”

“A Grande Aposta”

“Ponte dos Espiões”

“Perdido em Marte”

“Carol”

“O Regresso”

“Divertida Mente”

“O Quarto de Jack”

“Star Wars: O Despertar da Força”

Direção

Alejandro González Iñárritu (“O Regresso”)

Tom McCarthy (“Spotlight – Segredos Revelados”)

Adam McKay (“A Grande Aposta”)

George Miller (“Mad Max: Estrada da Fúria”)

Steven Spielberg (“Ponte dos Espiões”)

Roteiro original

“Spotlight – Segredos Revelados”

“Divertida Mente”

“Ponte dos Espiões”

“Os Oito Odiados”

“Ex-Machina: Instinto Artificial”

Roteiro adaptado

“A Grande Aposta”

“Perdido em Marte”

“O Quarto de Jack”

“Carol”

“Steve Jobs”

Ator

Leonardo DiCaprio (“O Regresso”)

Bryan Cranston (“Trumbo: Lista Negra”)

Johnny Depp (“Aliança do Crime”)

Eddie Redmayne (“A Garota Dinamarquesa”)

Matt Damon (“Perdido em Marte”)

Atriz

Brie Larson (“O Quarto de Jack”)

Saoirse Ronan (“Brooklyn)

Cate Blanchett (“Carol”)

Charlotte Rampling (“45 Anos”)

Alicia Vikander (“A Garota Dinamarquesa”)

Ator coadjuvante

Mark Rylance (“Ponte dos Espiões”)

Sylvester Stallone (“Creed: Nascido para Lutar”)

Christian Bale (“A Grande Aposta”)

Mark Ruffalo (“Spotlight – Segredos Revelados”)

Michael Keaton (“Spotlight – Segredos Revelados”)

Atriz coadjuvante

Rooney Mara (“Carol”)

Kate Winslet (“Steve Jobs”)

Helen Mirren (“Trumbo: Lista Negra”)

Jennifer Jason Leigh (“Os Oito Odiados”)

Alicia Vikander (“Ex-Machina”: Instinto Artificial”)

Filme estrangeiro

“Filho de Saul” (Hungria”)

“Cinco Graças” (França”)

“O Novíssimo Testamento” (Bélgica”)

“Theeb” (Jordânia”)

“Labirinto de Mentiras” (Alemanha”)

Autor: Tags: , ,

domingo, 13 de dezembro de 2015 Análises, Filmes | 19:45

Como fica a corrida pelo Oscar 2016 depois das listas do SAG e do Globo de Ouro?

Compartilhe: Twitter

Nesta segunda-feira serão conhecidos os indicados ao 21º Critic´s Choice Awards, que, para todos os efeitos, tem sido o prêmio periférico com melhor aproveitamento em antecipar os vencedores do Oscar nas principais categorias.  De qualquer maneira, a última semana foi decisiva em determinar o jeitão da corrida daqui para frente.

Essa definição, no entanto, se deu de uma maneira menos definitiva do que muitos esperavam. Desde a pré-largada, ou seja, ali no clímax dos festivais outonais de Veneza e Toronto, se sabia que seria uma temporada de premiações com foco nas interpretações e que não haveria um filme de favoritismo consolidado.

Na falta deste, “Spotlight – Segredos Revelados” assumiu o protagonismo. O SAG e o Globo de Ouro confirmam que “Spotlight” é, de fato, um dos principais players da temporada, mas acusam que esse protagonismo pode já estar se esgotando. O fato do elenco do filme não ter tido indicação no Globo de Ouro e de ter tido um espaço menor do que o esperado no SAG são preocupantes para a produção de Tom McCarthy.

Cena de "Spotlight": filme perde força em momento de definição de quem está no páreo  (Foto: divulgação)

Cena de “Spotlight”: filme perde força em momento de definição de quem está no páreo
(Foto: divulgação)

Por outro lado, “Mad Max: Estrada da Fúria”, que parecia uma aposta improvável se assevera como um contender sério. Outro blockbuster de peso, “Perdido em Marte”, ainda que não tenha sido contemplado pelo SAG, calhou bem com a HFPA; o que deve ajudar na campanha do filme rumo às indicações ao Oscar.

Interessante observar que desde que estabeleceu a possibilidade de ter até dez filmes entre os indicados a melhor produção do ano, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood sempre penou para acolher algum blockbuster. Não parecer ser o caso em 2015. Há, ainda, “Star Wars: O Despertar da Força” que, salvo o fato de ser especialmente ruim, pode se juntar ao balaio.

Entre os filmes que mais cresceram nesta semana estão “Trumbo: Lista Negra” e “A Grande Aposta”. O primeiro é um filme sobre Hollywood e Hollywood tem se mostrado bem condescendente consigo mesma como atestam os recentes triunfos de “O Artista” e “Argo”. Trata-se de um filme de ator, com uma pegada política ressonante no senso cívico da comunidade. Um filme que cresce na hora certa.

Já “A Grande Aposta” foi uma aposta de última hora da Paramount que decidiu antecipar o lançamento do filme para tentar um slot em uma temporada sem grandes favoritos. Deu certo. Dirigido com sagacidade insuspeita por Adam McKay e com um elenco no auge, o filme esgarça a crise financeira que assolou a América em 2008 com inteligência e agudeza. Tem tudo para emplacar no Oscar. Foi bem contemplado no SAG e no Globo de Ouro, onde colide com “Perdido em Marte”, da Fox.

Trata-se, portanto, de um ano em que os estúdios parecem bem munidos para enfrentar os independentes, que se arregimentam fundamentalmente em “Carol” e “O Quarto de Jack”.

Iñárritu foi ao Oscar com todos os seus filmes e a máxima devem continuar com "O Regresso"

Iñárritu foi ao Oscar com todos os seus filmes e a máxima devem continuar com “O Regresso”

“O Regresso” não parece reunir a mesma força de “Birdman”, o filme que deu o Oscar a Alejandro González Iñárritu no ano passado. Mas a falta de candidatos consolidados e o prestígio do mexicano devem garantir o acesso da produção aos principais Oscars. Vencer já é oura história.

O novo de David O. Russell, “Joy: O Nome do Sucesso” deve ficar pelo Globo de Ouro. O filme parece não ter provocado o mesmo maravilhamento das últimas produções do cineasta.

Atuações

A categoria de ator ganha forma. Difícil crer que Eddie Redmayne (“A Garota Dinamarquesa”), Bryan Cranston (“Trumbo: Lista Negra”) e Leonardo DiCaprio (“O Regresso”) não estejam no Oscar. Michael Fassbender (“Steve Jobs”) também parece quase assegurado. Johnny Depp (“Aliança do Crime”), Steve Carell (“A Grande Aposta”), Matt Damon (“Perdido em Marte”) e Michael Caine (“Juventude”) também estão na briga.

A categoria de atriz está mais aberta. As indicações ao Globo de Ouro mais confundem do que ajudam a ler a situação. Isso porque Rooney Mara, por “Carol”, e Alicia Vikander, por “A Garota Dinamarquesa”, estão inscritas como coadjuvantes no Oscar, apesar de concorrerem como atrizes principais nos Globos.

Cate Blanchett (“Carol), Saoirse Ronan (“Brooklyn”) e Brie Larson (“O Quarto de Jack”) são certezas. Jennifer Lawrence (“Joy”) pode parecer uma possibilidade distante, mas em face dessa desinformação pode ganhar votos preguiçosos e entrar na lista final. Lily Tomlin (“Grandma”) e Blythe Danner, também conhecida como a mãe de Gwyneth Paltrow, por “I´ll see you in my dreams”,  estão angariando muitos elogios nas rodinhas certas.

Sarah Silverman, por “I Smile Back”, a grande surpresa da lista do SAG, pode ganhar força nessa reta final.

Para os coadjuvantes masculinos, a grande incógnita é se o elenco de “Spotlight” vai receber amor por parte da academia. Isso poderia embaralhar a ascensão de nomes como Sylvester Stallone (“Creed”) e Michael Shannon (“99 homes”), pouco comentados antes dessa semana decisiva.

Mark Rylance (“Ponte dos Espiões”) e Idris Elba (“Beasts of No Nation”) parecem bem colocados na disputa.

Entre as mulheres, Kate Winslet, por “Steve Jobs”, Helen Mirren, por “Trumbo”, Vikander e Mara são certezas. A última vaga pode ser preenchida tanto por Jane Fonda (“Juventude”) ou Jennifer Jason Leigh (“Os Oito Odiados”).

Autor: Tags: ,

terça-feira, 1 de dezembro de 2015 Filmes, Notícias | 17:54

Mad Max ganha força na corrida pelo Oscar com prêmio da National Board of Review

Compartilhe: Twitter
Stallone foi eleito o melhor ator coadjuvante do ano pelo National Board of Review

Stallone foi eleito o melhor ator coadjuvante do ano pelo National Board of Review

A National Board of Review (NBR), mais antiga e prestigiada associação de críticos dos EUA, soltou agora há pouco sua lista de melhores filmes de 2015 e destacou “Mad Max: Estrada da Fúria” como o melhor filme de 2015. Mas não foi só. O cinema mainstream como um todo foi muito bem agraciado pela lista da NBR. “Perdido em Marte”, de Ridley Scott faturou os prêmios de direção, roteiro adaptado e ator para Matt Damon.

Outros filmes bem laureados foram “Os Oito Odiados”, de Quentin Tarantino, que faturou os prêmios de roteiro original e atriz coadjuvante (Jennifer Jason Leigh), e “O Quarto de Jack”, com troféus de atriz (Brie Larson) e performance revelação para Jacob Tremblay. A grande sensação da lista, no entanto, foi a vitória de Sylvester Stallone como melhor ator coadjuvante por “Creed”.

O melhor documentário foi “Amy” e o melhor filme estrangeiro foi o húngaro “Son of Saul”. O prêmio de melhor elenco ficou com “A Grande Aposta”, que reúne figuras como Christian Bale, Ryan Gosling, Brad Pitt e Steve Carrel. Já o troféu de melhor animação ficou com “Divertida Mente”.

A presidente da NBR, Annie Schulhof, reconheceu que foi um ano “triunfante” para o cinema comercial e se disse orgulhosa de premiar dois ícones do cinema blockbuster como Ridley Scott e George Miller.

Para o Brasil, a boa notícia é que “Que Horas Ela Volta?”, indicado oficial do País para tentar uma vaga no Oscar, entrou para o top five da organização de melhores filmes estrangeiros, o que sinaliza que o filme é um dos mais bem posicionados na disputa por uma vaga no Oscar. Apenas o austríaco “Goodnight Mommy”, dos que tentam vaga no Oscar, também entrou na lista.

Cena de "Que Horas ele Volta?": primeiro destaque importante na corrida por vaga no Oscar

Cena de “Que Horas ele Volta?”: primeiro destaque importante na corrida por vaga no Oscar

Autor: Tags: , ,

  1. Primeira
  2. 1
  3. 2
  4. Última