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Posts com a Tag Oscar 2017

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017 Críticas, Filmes | 07:50

Vencedor do Oscar, “Moonlight” é rico em subtextos visuais e narrativos

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Vencedor de três Oscars, “Moonlight” é cinema articulado de maneira sensível narrativamente, mas robusta em termos visuais. Para a coluna, Oscar de melhor filme é justo em todos os ângulos possíveis

Trevante Rhodes em cena de "Moonlight"

Trevante Rhodes em cena de “Moonlight”

“Moonlight: Sob a Luz do Luar” não é o melhor filme da temporada de premiações, mas é um filme que merece muito o Oscar de melhor filme. Não por qualquer justiça social depois de duas temporadas de #oscarsowhite e muita dissimulação nas redes sociais. Mas porque é um filme de rara franqueza emocional e inteligência argumentativa.

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A direção de Barry Jenkins, que assina o roteiro a partir da peça de Tarell Alvin McCraney, é das coisas mais lindas do cinema recente. A fotografia de James Laxton, em tons de azul e neon, mescla o calor de Miami à solidão do personagem central Chiron. Jenkis filma o corpo masculino negro como se o penetrasse. O ex-atleta Trevante Rhodes, que estreia como ator dando vida a Chiron na 3ª fase da sua vida capturada pelo filme, é filmado como um muso. Seu corpo fala. Um mérito tanto do ator como de Jenkis. “Moonlight” é esse cinema de subtextos visuais e narrativos.

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“Sob a luz do luar todo menino negro é azul”. “Todo crioulo é uma estrela”. Duas frases pinceladas de momentos distintos do filme. A primeira é daquela que talvez seja a melhor cena da produção. Quando Juan (Mahershala Ali) dá uma lição de vida ao jovem Chiron (Alex Hilbert) que ele só poderia ser capaz de entender por completo muito tempo depois. A segunda é de um verso da música “Every nigger is a star”, de Boris Gardiner, que são as primeiras palavras que ouvimos no filme pouco antes de avistarmos Mahershala Ali surgir em um carro azul.

A condução de Jenkis, misturando imagens que são puro devaneio estilístico, mas que remetem ao estado de solidão de Chiron, com momentos de grande intensidade dramática, adensa “Moonlight” enquanto cinema.

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Uma produção que trata o preconceito racial de uma maneira tão suave e incomum que parece que nem mesmo está falando de preconceito. O grande mérito de “Moonlight” talvez seja essa de ser um filme para se sentir diferente à luz do olhar de cada expectador.

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terça-feira, 7 de fevereiro de 2017 Críticas, Filmes | 12:00

Mel Gibson fala do culto à violência no pacifista e espetacular “Até o Último Homem”

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Indicado a seis Oscars, incluindo filme, direção e ator, “Até o Último Homem” já está em cartaz nos cinemas e é uma experiência poderosa

Andrew Garfield, indicado ao Oscar de melhor ator pelo filme Até o Último Homem

Andrew Garfield, indicado ao Oscar de melhor ator pelo filme Até o Último Homem

“Até o Último Homem” é apenas o quinto filme de Mel Gibson como diretor. Sua filmografia como cineasta, embora curta, compreende uma diversidade e robustez ímpar. Falado em um dialeto maia, o ambicioso épico “Apocalypto” (2006) era o último filme de Gibson atrás das câmeras. Faltava um exemplar de guerra, gênero que como ator o australiano visitou em produções como “Fomos Heróis” (2002) e “O Patriota” (2000).

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Não só “Até o Último Homem” preenche essa lacuna, como promove a paz entre o outrora maior astro de Hollywood e a comunidade que o exilou depois de sucessivos escândalos. Indicado a seis Oscars, inclusive filme e direção para Gibson, este não é um filme de guerra qualquer. Gibson segue recusando-se a fazer um filme qualquer.

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Protagonizado por um devotado Andrew Garfield, “Até o Último Homem” é uma análise algo raivosa, e eventualmente fervorosa, de um país aferrado à ideia de violência. Baseado na história real de Desmond T. Doss (Garfield), o filme acompanha a saga desse homem adventista que se alista contrariando o desejo de seu pai, que servira na primeira guerra, mas decide não empunhar uma arma sequer durante todo seu tempo no exército – o que inclui dos rigorosos treinos ao campo de batalha.

Cena do filme Até o Último Homem

Cena do filme Até o Último Homem

O absurdo da situação é bem capturado por Gibson que evita a dignificação de seu personagem nos dois primeiros atos. Pelo contrário, o submete até mesmo à descrença do público. No ato final ele abraça seu protagonista com ares messiânicos, mas só depois de ter deixado a audiência suficientemente à vontade para fazer o mesmo.

Doss vai à corte marcial para garantir seu direito constitucional de servir seu país, ir ao campo de batalha contra os japoneses sem uma arma sequer para protegê-lo. “Com o mundo se desesperando para ruir, eu não vejo como algo tão ruim eu querer juntar alguns pedaços”, diz perante o juiz militar.

A religiosidade de Doss importa porque Gibson é um homem religioso e se julga atacado por defender seus valores. Fazer um filme pacifista, como gesto a Hollywood, mas reafirmando valores morais e  religiosos tem um gosto especial. Este é tanto um filme de fé como era “A Paixão de Cristo”. E é o filme em que Gibson sela a paz, mas nos seus termos.

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A despeito desses subtextos envolventes, trata-se de um filme vigoroso para quem está alheio ao passado do astro. Doss é um herói pronto, típico modelo republicano que parece talhado para a era Trump – ainda que se vivo fosse condenaria muitos dos ímpetos do atual ocupante da Casa Branca.

Exuberante tecnicamente, e aqui testemunhamos as melhores cenas de guerra desde “O Resgate do Soldado Ryan”, este é um filme que dimensiona o absurdo da guerra ao flagrar o ímpeto violento do ser humano. Ao focar em um herói que assim o é por renunciar à violência, depois de se descobrir em dois momentos de indesejada intimidade com ela, mostrados propositalmente por Gibson no começo e no meio do filme, “Até o Último Homem” nos desafia a rever muitos de nossos conceitos. A começar pela definição de coragem.

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segunda-feira, 30 de janeiro de 2017 Análises, Filmes | 17:40

Corrida pelo Oscar 2017 tem troca de favoritos e surpresas de ocasião

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Após a realização do SAG, corrida pelo Oscar muda um pouco de forma, mas preserva “La La Land” na dianteira pela consagração máxima na noite de 26 de fevereiro

Denzel Washington, protagonista e diretor de "Um Limite Entre Nós, ganha o SAG e assume favoritismo para ganhar o 3º Oscar de sua carreira (Foto: divulgação)

Denzel Washington, protagonista e diretor de “Um Limite Entre Nós, ganha o SAG e assume favoritismo para ganhar o 3º Oscar de sua carreira
(Foto: divulgação)

Após um fim de semana com alguns prêmios de sindicatos, a corrida pelo Oscar ganhou um pouco de emoção, mas também teve algumas definições ajustadas. Os sindicatos dos produtores, dos atores e dos editores distribuíram seus prêmios ao longo do fim de semana e algumas peculiaridades reforçam certas particularidades da vigente temporada de premiações.

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“La La Land: Cantando Estações” triunfou nos sindicatos dos produtores e dos editores, neste junto com “A Chegada” e viu Emma Stone ser escolhida a melhor atriz no SAG. Apesar de não constar entre os indicados a melhor elenco na premiação dos atores, considerada o maior termômetro do Oscar, já que o colegiado de atores é o maior da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, o filme de Damien Chazelle foi o grande vencedor do SAG. Isso porque seu maior rival, “Moonlight: Sob a Luz do Luar” não venceu o prêmio de melhor elenco.

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Essa categoria gera confusão. Premia-se o melhor elenco, mas muitas vezes o SAG pensa nela como melhor filme. Esse raciocínio não foi aplicado em 2017 e “Estrelas Além do Tempo”, que está indicado a melhor filme no Oscar, ganhou assim como “Histórias Cruzadas” prevaleceu em 2012 e “O Artista”, um musical silencioso, ganharia o Oscar. É bem verdade que “O Artista” estava indicado a melhor elenco e “La La Land” não. Mas há um precedente em 23 anos de SAG. “Coração Valente” venceu o Oscar em 1996 sem ter sido indicado ao SAG. Curiosamente, a corrida em 2017 também tem Mel Gibson e seu “Até o Último Homem” na disputa pelo Oscar.

O SAG não necessariamente antecipa o vencedor do Oscar de melhor filme, mas é importante ter o apoio desse sindicato em particular para aspirar com alguma propriedade o maior prêmio do cinema. A vitória de Emma Stone por “La La Land” demonstra esse apoio e a opção por premiar um elenco e não um filme reforça que “Moonlight” talvez não tenha o gás necessário para barrar a locomotiva que o filme de Chazelle tem demonstrado ser no curso da temporada.

As nove produções que concorrem ao Oscar de melhor filme

As nove produções que concorrem ao Oscar de melhor filme

Historicamente recai sobre o DGA, o sindicato dos diretores, a pecha de ser o termômetro mais confiável em antecipar o vencedor de melhor filme. Em anos pulverizados, a escolha do DGA emplacou no Oscar. Foi assim em 2007, quando produtores e atores ficaram com “Pequena Miss Sunshine” e os diretores com Scorsese que ganharia filme e direção no Oscar com “Os Infiltrados”.

O prêmio será entregue no próximo fim de semana e pode consolidar esse favoritismo absoluto de “La La Land” ou fornecer alguma brasa às chances de “Moonlight”.

No campo das atuações, Denzel Washington (“Um Limite entre Nós”), ator de altíssimo pedigree e que embora tenha dois Oscars ainda não havia conquistado um SAG, bateu o favorito Casey Affleck (“Manchester à Beira-Mar). Há uma mudança de paradigma em curso na temporada. Affleck tem contra si o peso de uma campanha difamatória motivada por denúncias de assédio sexual e Washington é um ator querido defendendo um papel pelo qual já foi premiado no teatro e em um ano especialmente simpático a artistas e filmes de minorias.

A disputa por melhor ator ganha em emoção e imprevisibilidade. Washington, com o aval do SAG, supera Affleck na cotação para o Oscar. Mesmo que o segundo já tenha vencido o Critic´s Choice Awards, Globo de Ouro e concorra ao Bafta.

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Já a categoria das atrizes no Oscar está ligeiramente diferente. Ruth Negga (“Loving”) e Isabelle Huppert (“Elle”) disputam o prêmio. No SAG tínhamos Amy Adams (“A Chegada”) e Emily Blunt (“A Garota no Trem”). Além da força de “La La Land”, Emma Stone tem a seu favor o histórico da academia de contemplar jovens estrelas nessa categoria.  Isabelle Huppert, no entanto, promete ser uma força da natureza na categoria. A campanha em cima da atriz tem sido muito acertada e a vitória no Globo de Ouro trouxe uma visibilidade a seu trabalho que pode ser sedutora demais para parte da academia reticente em consagrar uma atriz com tão pouca bagagem ou então ceder um segundo Oscar a Natalie Portman.

A atriz Emma Stone vence o SAG por "La La Land" (Foto: divulgação/SAG)

A atriz Emma Stone vence o SAG por “La La Land”
(Foto: divulgação/SAG)

Há, ainda, Ruth Negga que pode se beneficiar da pressão oculta e silenciosa por um #oscarssoblack nessa edição. A categoria de atuação feminina está bem mais aberta do que pode parecer, ainda que Emma Stone seja a virtual vencedora.

Já entre os coadjuvantes, há poucas chances de vermos outros nomes que não Viola Davis (“Um Limite entre Nós”) e Mahershala Ali (“Moonlight”) premiados em 26 de fevereiro.  Justamente por essa condição, aliada às circunstâncias da categoria de ator, o favoritismo de Stone entre as atrizes é mais proforma do que efetivo.

A corrida pelo Oscar 2017 tem três de suas principais categorias – e a categoria de direção vai receber um post só para ela – com favoritos de ocasião. É um viés interessante e incomum e que alimenta ainda mais a euforia dos cinéfilos.

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quarta-feira, 25 de janeiro de 2017 Filmes, Fotografia | 16:41

E se os pôsteres dos filmes do Oscar 2017 dissessem a verdade?

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Já é uma tradição anual. Na esteira do anúncio das indicações ao Oscar, o site britânico especializado em cinema e cultura pop Shiznit lança a série de pôsteres sinceros dos principais filmes do Oscar. A ideia é ser irônico e cínico mesmo, flertando com os limites do humor negro. Na safra de 2017 temmos “La La Land” descrito como “fuga da realidade” e “A Chegada” dando conta de que é mais fácil para Amy Adams descobrir vida alienígena do que ganhar um Oscar. Confira abaixo a hilária turma de 2017.

Poster - La La Land poster - A Chegada Poster - Até o último Poster - A qualquer custo Poster - Fences poster - Hidden figures Poster - Jackie Poster - Lion poster - Loving Poster - Manchster Poster - Moonlight poster - Silêncio

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segunda-feira, 23 de janeiro de 2017 Filmes | 20:37

As apostas da coluna para os indicados ao Oscar 2017

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Na próxima terça-feira (24) conheceremos os indicados a 89ª edição dos prêmios da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. É um momento de grande ansiedade e exultação para os cinéfilos. O Cineclube entra nessa brincadeira tão saborosa e lista aqui suas apostas para as principais categorias.

Foto: reprodução Esquire

Foto: reprodução Esquire

Melhor filme

Podem ser entre cinco e dez indicados, mas desde que essa flexibilidade foi instituída nunca tivemos dez, ou cinco. Foram nove por três anos e oito nos últimos dois. Este ano não deve ser diferente. Apesar de muitos bons filmes, é possível até que tenhamos apenas sete indicados, já que muitos candidatos são suficientemente polarizantes para figurar em 5% da preferência dos votantes.

Apostas do Cineclube: “La La Land”, “Moonlight”, “Manchester à Beira-Mar”, “Cercas”, “A Chegada”, “A Qualquer Custo”, “Lion: uma Jornada para Casa”, “Estrelas Além do Tempo”, “Até o Último Homem” e “Animais Noturnos”

Leia mais: Festejado, “La La Land” deve roubar a cena na lista dos indicados ao Oscar 2017

Direção

Teremos novamente um diretor negro indicado ao prêmio, mas não teremos uma mulher. Há muitos bons trabalhos de direção em 2016. Tom Ford (“Animais Noturnos”), Denis Villeneuve (“A Chegada”), Mel Gibson (“Até o Último Homem) e Garth Davis (“Lion”), com o apoio do sindicato dos diretores, brigam por duas vagas.

Apostas do Cineclube: Damien Chazelle (“La La Land”), Barry Jenkins (“Moonlight”), Kenneth Lonergan (“Manchester à Beira-Mar”), Mel Gibson (“Até o Último Homem) e David Mackenzie (A Qualquer Custo”)

Roteiro Original

Os principais filmes do ano talvez estejam nessa ala, que tem “La La Land” como virtual vencedor.

Apostas do Cineclube: “La La Land”, “Manchester à Beira-Mar”, “A Qualquer Custo”, “Jackie”, “Capitão Fantástico”

Roteiro adaptado

Categoria com muitos candidatos em iguais condições. O roteiro de “Cercas” é uma incógnita, mas pode entrar pelo prestígio do texto e dos nomes envolvidos. Tom Ford deve ser lembrado aqui. A Academia deve achar exagero indicá-lo a direção e roteiro.

Apostas do Cineclube: “Moonlight”, “A Chegada”, “Animais Noturnos”, “Lion”, “Estrelas Além do Tempo”

Ator

Casey Affleck vai ganhar o Oscar. Isso só não acontece se uma campanha difamatória recuperando denúncias de assédio contra ele for muito virulenta. A lista de quem deve perder para ele já parece definida, mas Chris Pine (“A Qualquer Custo”) e Jake Gyllenhaal (“Animais Noturnos”) podem surpreender. De repente, até mesmo Andrew Garfield surge por “Silêncio”…

Apostas do Cineclube: Ryan Gosling (“La La Land”), Casey Affleck (“Manchester à Beira-Mar”), Denzel Washington (“Cercas”), Jake Gyllenhaal (“Animais Noturnos”) e Viggo Mortensen (“Capitão Fantástico”)

Atriz

Três nomes já eram certos aqui há muito tempo e Meryl Streep ganhou força para receber sua 20ª indicação nas últimas semanas. A última vaga, no entanto, está completamente aberta e tem Annette Benning (“20th Century Women”), Emily Blunt (“A Garota no Trem”), Isabelle Huppert (“Elle”) e Ruth Negga (“Loving”) como pretendentes.

Apostas do Cineclube: Emma Stone (“La La Land”), Natalie Portman (“Jackie”), Amy Adams (“A Chegada”), Meryl Streep (“Florence – Quem é Essa Mulher?”) e Isabelle Huppert (“Elle”)

Ator coadjuvante

Categoria mais embaraçada da edição. Bem difícil de prever. Pode se resolver radicalmente diferente do que muitos preveem até o momento. São muitos os candidatos e todos de excelente nível. Não estranhe se os pouco comentados Ben Foster (“A Qualquer Custo”), Michael Shannon (“Animais Noturnos”) ou Issey Ogata (“Silêncio”) aparecerem entre os nomeados.

Apostas do Cineclube: Lucas Hedges (“Manchester à Beira-Mar”), Mahershala Ali (“Moonlight”), Hugh Grant (“Florence – Quem é Essa Mulher?”), Jeff Bridges (“A Qualquer Custo”) e Aaron Taylor-Johnson (“Animais Noturnos”)

Atriz Coadjuvante

Aqui é o completo oposto da categoria acima. Apenas uma vaga parece ainda aberta e uma das atrizes de “Estrelas Além do tempo” parece destinada a preenchê-la, já que o filme deve ter boa presença no Oscar e preenche requisitos que agradam a academia. Octavia Spencer, vencedora do Oscar, é favorita a ocupar esse quinto posto, mas a cantora Janelle Monáe, que também está em “Moonlight”, pode surpreender. O Oscar tem precedente de indicar cantoras/atrizes nessa categoria.

Apostas do Cineclube: Michelle Williams (“Manchester à Beira-Mar”), Viola Davis (“Cercas”), Nicole Kidman (“Lion”), Naomi Harris (“Moonlight”) e Janelle Monáe (“Estrelas Além do Tempo”)

Filme estrangeiro

Muitos favoritos, como “Elle”, “Neruda” e “Julietta” ficaram pelo caminho. Certa é a presença do alemão, e virtual vencedor, “Toni Erdmann”.

Apostas do Cineclube: “Toni Erdmann”, “O Apartamento”, “Paradise”, “My Life as a Zucchini” e “The King´s Choice”

Fotografia

Outra categoria favorável ao cometimento de muitas injustiças, mas alguns dos trabalhos mais memoráveis do ano devem ser lembrados.

Apostas do Cineclube: “Moonlight”, “La La Land”, “Silêncio”, “A Chegada”, “Animais Noturnos”

Montagem

Os três principais concorrentes devem aparecer aqui, diferentemente do que aconteceu nos dois anos anteriores. Em 2015, vale lembrar, “Birdman”, que venceria o Oscar, nem sequer foi indicado.

Apostas do Cineclube: “La La Land”, “Manchester à Beira-Mar”, “Moonlight”, “Até o Último Homem” e “A Chegada”

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terça-feira, 17 de janeiro de 2017 Análises, Filmes | 07:30

“La La Land” é espécie de último romântico na Hollywood dos blockbusters

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Resgate dos musicais, “La La Land” é a prova definitiva do talento de Damien Chazelle e uma significativa declaração de amor a um cinema que conjuga elementos que parecem distantes na atualidade

Cena do romântico e hypado La La Land, que estreia na próxima quinta-feira (19) nos cinemas brasileiros

Cena do romântico e hypado La La Land, que estreia na próxima quinta-feira (19) nos cinemas brasileiros

Existe uma força opressora em Hollywood contra os musicais. Um gênero que, para muitos, já teve seu lugar ao sol. O cineasta Damien Chazelle, um apaixonado por cinema, queria fazer um musical ambientado em Los Angeles, mas esbarrou na má vontade dos estúdios como revelou em entrevista recente à Folha de São Paulo. Apenas seis anos depois de ter escrito “La La Land: Cantando Estações”, o cineasta pôde filma-lo.

Leia mais: “La La Land: Cantando Estações” é mesmo a maravilha que todo mundo está dizendo

“La La Land” é um filme que resgata os musicais de uma maneira muito mais orgânica do que o fizeram no início da década passada os festejados “Chicago”, vencedor do Oscar, e “Moulin Rouge – Amor em vermelho”. Isso porque o valor do filme não está intrinsecamente ao fato dele ser um musical, mas essa característica o torna mais romântico. É um senhor status quo e não é de se admirar que o filme seja o hit da temporada de premiações.

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La La Land

Chazelle já havia se qualificado como um dos diretores mais promissores da nova Hollywood quando aos 30 anos ganhou sua primeira indicação ao Oscar de direção, em sua estreia em longas-metragens, e ver “Whiplash: Em Busca da Perfeição” faturar três estatuetas na maior premiação do cinema, mas esse seu segundo filme – que deve valer nova presença nas categorias nobres do Oscar – o atesta como um dos grandes diretores americanos do momento.

Desde o prólogo, uma cena musical rodada em um dos viadutos mais congestionados de Los Angeles, Chazelle mostra dominar seu ofício com desenvoltura. “La La Land”, no entanto, vai surpreender o espectador mais algumas vezes. É uma combinação insinuante de montagem esperta, trilha sonora cativante, roteiro inteligente, cenografia abundante e atuações carismáticas. É o que os musicais são em essência e que muitos pensaram que jamais seriam novamente.

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“La La Land” é um filme pulsante, mas que recebe a tristeza como válvula inexorável da vida. É um filme esperançoso, mas que demonstra consciência de que nem todos os sonhos se realizam. É uma história de amor, mas se capitaliza dramaticamente ao evitar a previsibilidade de tantos outros musicais e produções hollywoodianas, ao resolver-se de maneira poética, inesperada e, ainda assim, profundamente romântica.

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sábado, 7 de janeiro de 2017 Bastidores, Filmes | 09:00

Curta de brasileiro é uma das apostas para o Oscar 2017

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Cena do curta "Trabalho Interno"

Cena do curta “Trabalho Interno”

Se você já assistiu “Moana: Uma Mar de Aventuras”, viu o curta “Trabalho Interno” que é apresentado antes do novo longa da Disney. O tradicional curta, chamado “Trabalho Interno”, é produzido e dirigido pelo brasileiro Léo Matsuda – que já havia trabalhado em outras produções do estúdio como “Detona Ralph” e “Operação Big Hero”. O filme é uma das apostas da crítica americana para figurar entre os candidatos ao Oscar de melhor curta de animação. Uma categoria em que a Disney é costumeiramente bastante forte. O brasileiro Carlos Saldanha, diretor de “A Era do Gelo”, já foi indicado nesta categoria, ainda que por uma produção da Blue Sky.

“Trabalho Interno” conta a história de Paul, um homem que vive em uma cidade muito parecida com a Califórnia dos anos 80. Ele é literalmente uma pessoa quadrada e não faz nada fora do cotidiano programado. O mais divertido na historia é que Paul, na verdade, não é o personagem principal, mas sim os seus órgãos internos, como o cérebro, coração, pulmão e o intestino. Usando uma mistura de animação digital e tradicional, Matsuda mostra com muito humor o conflito entre o coração do protagonista, que quer se aventurar e tomar riscos, e o cérebro, que desencoraja tal tipo de coisa.

Léo Matsuda é paulista de São José dos Campos e pode ser o responsável por levar o Brasil pelo segundo ano consecutivo ao Oscar. Vale lembrar que no ano passado a animação “O Menino e o Mundo” foi indicada a melhor longa-metragem de animação.

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terça-feira, 13 de dezembro de 2016 Análises | 11:34

Qual o melhor filme para Hollywood reagir à ascensão da era Trump no Oscar?

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Com o anúncio dos indicados ao Globo de Ouro 2017 e com a maioria dos prêmios da crítica já entregues, inclusive o Critic´s Choice Awards, distribuídos no último domingo (11), já dá para perceber que três filmes largam na frente na corrida pelo Oscar. “La La Land – Cantando Estações” claramente é o frontrunner. Os dramas indies “Moonlight” e “Manchester à Beira-Mar” gravitam o favoritismo do musical dirigido por Damien Chazelle e, por diversas razões, podem complexar previsões à medida que o Oscar se aproxima.

Ryan Gosling e Emma Stone, os protagonistas de "La La Land" (Foto: reprodução/Premiere)

Ryan Gosling e Emma Stone, os protagonistas de “La La Land”
(Foto: reprodução/Premiere)

“Moonlight”, ainda sem data e título nacional, é um filme sobre crescimento. Na superfície, do tipo que se vê todo dia no cinema americano, mas é protagonizado por negros e conta a história de um garoto que resiste à criminalidade no mesmo compasso em que se descobre gay. Já “Manchester à Beira-Mar” é mais soturno e acompanha a jornada emocional do personagem de Casey Affleck, que retorna à cidade que deixou em seu passado, para cuidar do sobrinho após a morte repentina do irmão.

Cartaz do filme "Moonlight"

Cartaz do filme “Moonlight”

O primeiro filme é nitidamente liberal demais para os padrões que, ainda que de maneira menos convicta, vigoram na Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, que outorga o Oscar. No entanto, dos três mais alinhados ao ouro, seria o candidato mais lapidado para representar uma bandeira Anti-Trump. “Manchester à Beira-Mar” talvez representasse melhor o pessimismo em que grande parte do País, e do mundo, se viu mergulhado com a eleição de Donald Trump. No final dos anos Bush, filmes violentos e taciturnos como “Os infiltrados” e “Onde os Fracos Não Têm Vez” prevaleciam no Oscar. Em 2009, na esteira da eleição de Barack Obama, o solar e otimista “Quem Quer Ser um Milionário?” triunfou de maneira maiúscula no Oscar. De lá para cá, nenhum outro filme venceu de maneira tão elástica – foram oito Oscars.

Por outro lado, o romantismo de “La La Land”, sua universalidade na declaração de amor que faz ao cinema, a Los Angeles e ao sonho americano podem ser percebidos como o remédio necessário para um período tão turbulento na história dos EUA. Hollywood, afinal, naufragou junto com a candidatura Hillary Clinton.

O Globo de Ouro anunciado nesta segunda-feira afunilou, como esperado, a corrida pelo Oscar e deu a esses três filmes a condição de principais postulantes ao Oscar 2017. Agora é esperar para ver como a novela favorita dos cinéfilos vai se desenvolver.

Cena do filme "Manchester à Beira-Mar" (Foto: divulgação)

Cena do filme “Manchester à Beira-Mar”
(Foto: divulgação)

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terça-feira, 22 de novembro de 2016 Filmes, Notícias | 17:39

“Jackie”, estrelado por Natalie Portman, ganha novas imagens e data de estreia

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Vencedora do Oscar em 2011 pelo filme “Cisne Negro”, atriz israelense volta à corrida pela estatueta dourada ao interpretar a mais icônica das primeira-damas dos Estados Unidos

Natalie Portman em cena de Jackie

Natalie Portman em cena de Jackie

Filme que promete ser um dos hits da temporada de premiações no cinema, que se avizinha, “Jackie” ganhou novas imagens nesta terça-feira (22) que são divulgadas com exclusividade pelo Cineclube. Assim como a confirmação de que o filme, que será distribuído no Brasil pela Diamond Films, estreia nas salas do País em 9 de fevereiro, em plena expectativa pela entrega dos prêmios da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood.

Leia mais: Verhoeven revela desejos ocultos com sofisticação e assombro no sensacional “Elle”

Imagem do filme Jackie

Imagem do filme Jackie

Nesta terça-feira (22), o filme recebeu quatro indicações ao Independent Spirit Awards, prêmio que reconhece o que de melhor é produzido na cena independente do cinema norte-americano. “Jackie” foi lembrado nas categorias de filme, direção, atriz e edição.

Trata-se de uma cinebiografia de Jacqueline Kennedy Onassis, mas o recorte proposto pelo filme do chileno Pablo Larrain é muito específico. Acompanha Jackie, como era carinhosamente chamada por público e mídia, após o assassinato de John Kennedy Jr. A atriz falou a respeito da composição da histórica personagem na premiere do filme, realizada em Los Angeles na última semana, e na mesa redonda promovida pela publicação The Hollywood Reporter com algumas das atrizes cotadas a prêmios nessa safra 2016/2017. “Foi um imenso desafio”, admitiu Portman. “Os aspectos mais superficiais – como o jeito que ela se movimenta, o gestual e o jeito de falar –  eram questões de prática e habilidade, mas como ela se sentia era algo que demandava imaginação”.

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A atriz, que pesquisou intensamente para o papel, confessou ter se surpreendido com o engajamento de Jacquie nos assuntos da Casa Branca. “eu sempre a percebi como inteligente e esperta, mas quando você ouve as transcrições de suas entrevistas após o assassinato, quando ela tentava definir o legado de seu marido e tentando criar uma história oral de sua presidência, você percebe o quanto ela estava inteirada daquela rotina”.

Vencedor do prêmio de melhor roteiro no último festival de Veneza, “Jackie” não é o único filme de Larrain no ano. O cineasta ainda conta com “Neruda”, que integrou a seleção de Cannes em maio, como representante do Chile na corrida pelo Oscar. A história do passado pode render muitos louros à história que está por vir tanto para Larrain como para Portman.

 

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